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Forte de São João do Estreito

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O Forte de São João do Estreito estava localizado no lado continental da parte mais estreita do canal que separa a Ilha de Santa Catarina da terra firme (atual bairro do Estreito, na cidade de Florianópolis), no litoral do Estado de Santa Catarina.

Em diversos mapas espanhóis de 1777/1778 já aparece nessa localização, ou próximo a ela, uma fortificação simplesmente denominada de "Fuerte de faxinas" (BOPPRÉ, 2010: 33) que pode tratar-se da estrutura primitiva que dará posteriormente origem ao Forte de São João, ou pode tratar-se de uma outra fortificação sem relação com o futuro forte.

De acordo com Souza (1885), a Bateria de São João, foi projetada para, do lado do continente, cruzar fogos com o Forte de Santana, na ponta '' estreito na Ilha de Santa Catarina, estando artilhada com seis peças (BOITEUX, 1920). Coelho (1856), seguido por Paiva (1873), informa que o governador da Capitania, Tenente-coronel João Alberto de Miranda Ribeiro (1793-1800), devido "à fermentação bélica na Europa", fez construir entrincheiramentos na praia do Forte de São João da terra firme. Os autores concordam que um forte no local foi erguido (ou reformado) a partir de 1793, em faxina e terra, com risco do Sargento-mór Engenheiro Joaquim Correia de Lacerda (COELHO, 1856) ou Joaquim Correia Serra (BOITEUX, 1920).

O viajante escocês James George Semple Lisle, de passagem pela Vila do Desterro em 1797, informa que este forte se encontrava em construção, tendo sido apresentado ao Major de Engenheiros Joaquim Correia da Serra. Segundo Souza (1981), o Forte de São João do Estreito, possuía um portão abobadado, exposto completamente aos fogos que partiam do canal. À direita localizava-se a bateria, em ângulo saliente, e à esquerda, uma muralha de alvenaria disposta esteticamente, mas primando pela falta de solidez. Sua artilharia, seis peças de bronze, provinha da Fortaleza de Anhatomirim, sendo elevada, em 1837, no contexto da Revolução Farroupilha (1835-45), a onze peças de bronze. Ainda em 1837, foi realizado um orçamento a cargo do Capitão-major do Corpo de Engenheiros, Patrício Antônio de Sepúlveda Everard, para a reedificação dos edifícios e muralhas da fortificação que estavam inteiramente arruinados. Segundo o relator, o forte deveria ser restaurado devido a sua posição estratégica, e todos os edifícios teriam que ser reparados, sendo que a parte mais conservada era a Casa da Pólvora. Em 1850, o mesmo Engenheiro informa ainda: "O quartel da tropa do extinto Forte de São João deste lado do estreito está quase a abater, achando-se o pilar do lado sul, seguro somente por um palmo de alicerce, convém apeá-lo com a maior brevidade para se lhe aproveitar a telha e mais alguns materiais" (SOUZA, 1981).

Em 1863/1864, o Governo Imperial projetou para esse local uma nova fortificação (ver plano nas imagens/iconografias desta página), que começou a ser executada a partir de abril de 1863 pelo engenheiro Antônio Pereira Rebouças Filho (irmão do também engenheiro André Pinto Rebouças), conforme relatório do Presidente de Provìncia de Santa Catarina, Pedro Leitão da Cunha, datado de 19 de dezembro de 1863 (ver íntegra do relatório em Bibliografias Relacionadas, p. 18 a 23).

Posteriormente será utilizado como depósito de pólvora, sendo então demolida a sua bateria. Arruinado, foi abandonado na segunda metade do século XIX, tendo em vista o relato das reformas que requeria já nesta época. Os remanescentes da fortificação terminaram por ser demolidos ou soterrados no início do século XX, por volta de 1922-23, em decorrência das obras da construção da Ponte Hercílio Luz, que lhe exigiram o local estratégico.

Atualmente, aos pés da cabeceira continental daquela ponte, semi-soterrados, à esquerda do acesso, restam apenas os vestígios de um túnel, em alvenaria de pedra e cobertura em abóbada de tijolos, e pequenos trechos remanescentes de muralhas que pertenceram ao antigo Forte de São João.




  • Forte de São João do Estreito

  • Bateria de São João

  • Fort

  • 1793 (AC)

  • 1797 (AC)

  • Joaquim Correia Lacerda

  • João Alberto de Miranda Ribeiro

  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • Monument with no legal protection

  • Governo do Estado de Santa Catarina

  • DETER/SC



  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Santa Catarina
    City: Florianópolis

    Localizado pelo lado do continente, no estreito do canal da Ilha de Santa Catarina, junto á cabeceira continental da Ponte Hercílio Luz (atual bairro do Estreito, na cidade de Florianópolis), no litoral do Estado de Santa Catarina.


  • Lat: 27 35' 40''S | Lon: 48 34' 14''W


  • As ruínas remanescentes da antiga fortificação estão localizadas junto a cabeceira continental da Ponte Hercílio Luz, um Ex-libris de Florianópolis, monumento também tombado em nível nacional.

  • Visitação inexistente.


  • Segundo Boiteux o forte estava, da sua construção, artilhado com seis peças de bronze que provinham da Fortaleza de Anhatomirim. Durante a Revolução Farroupilha foi artilhado por mais cinco, totalizando 11 peças, sendo todas de bronze.

  • Alvenaria de pedra e cal.
    Pode ter sido construído inicialmente em faxina e terra.

  • Nenhuma intervenção de restauração ou mesmo pesquisa arqueológica foi até o momento realizada na área que ocupou esta antiga fortificação.