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Forte Tamandaré da Laje

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O “Forte Tamandaré da Laje” localiza-se na cidade e estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

Situa-se na ilha da Laje, um afloramento rochoso em posição estratégica no lado direito da barra da baía da Guanabara, com as dimensões aproximadas de 100 metros de comprimento por 60 de largura. Sucedeu a Bateria Ratier, tentada em 1555 pela expedição de Nicholas Durand de Villegaignon, que fundou a França Antártica. Cooperava com a Fortaleza de São João e com a Fortaleza de Santa Cruz, na defesa da barra, entre o meado do século XVII e o final do século XX.

História

À época da União Ibérica (1580-1640), o Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, em seu segundo governo (1577-1599), pretendeu erigir um fortim na ilha da Laje em 1584. Tendo sido dissuadido pelo engenheiro espanhol no Brasil, acabou por reforçar as defesas da Bateria de Nossa Senhora da Guia (atual Fortaleza de Santa Cruz da Barra) e da Fortaleza de São João (SOUZA, 1885:105).

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), a Carta-Régia de 2 de agosto de 1644 (Biblioteca Nacional do Brasil), ordenou a construção de uma fortificação na ilha da Laje, “aplicando-se para as despesas de sua obra a metade do dinheiro do cunho das patacas”. Data desse período uma representação da baía de Guanabara, de autoria de Manoel Vaz Pereira, que detalha a Laje que está no meio da barra, ainda sem fortificação (“Demonstrasão da barra do Rio de Janeiro e Planta da Lage”, 1645. AHU, Lisboa). As obras terão sido iniciadas no governo de Francisco de Souto Maior (1644-1645) e o seu sucessor, Duarte Correia Vasques (1645-1648), destinou as rendas da venda dos terrenos da rua Direita (atual rua 1.° de Março, no centro histórico do Rio de Janeiro), para o mesmo fim. 

Em 1690 foram expedidas ordens para a conclusão do forte, mas as obras continuavam a decorrer com lentidão, a julgar por duas plantas assinadas por Diogo da Silveira Veloso (Plantas de uma fortaleza a construir na Laje, para a defesa da barra do Rio de Janeiro, c. 1704. AHU, Lisboa, cf. IRIA, 1966:72). Ainda sem artilharia, o forte não ofereceu combate quando da invasão do corsário francês René Duguay-Trouin (setembro de 1711). As obras ainda prosseguiam no governo de Francisco Xavier de Távora (1713-1716), autorizado a aplicar nelas 40 mil cruzados oriundos dos direitos de Alfândega, pelas Cartas-Régias de 26 de janeiro de 1715 e de 24 de dezembro de 1716 (SOUZA, 1885:105-106). São deste período a Elevação da Fortaleza da Laje, cortada pelo meio da sua altura, c. 1714 (AHU, Lisboa, cf. IRIA, 1966:73), e a Planta da Laje e Fortaleza que se há de fazer, c. 1714 (idem). 

CASTRO (2009) acredita que as obras no forte iniciaram por volta de 1714 e quatro anos depois, ainda em construção, não dispunha de artilharia. Em 1723 estava armada com 10 peças de bronze (CASTRO, 2009:248-249).

Em 1730 já se podia observar a estrutura (Planta da Fortaleza da Lage na barra do Rio de Janeiro, 1730. AHU, Lisboa, cf. IRIA, 1966: 74). CASTRO acredita que as obras estivessem concluídas em 1735 (CASTRO, 2009:250).

Nova intervenção teria lugar em 1770, no governo do Vice-rei D. Luís de Almeida Portugal (1769-1779).

Em 1831, diante da determinação do governo para desarmar todas as fortificações, o Forte da Laje foi o único a manter a sua artilharia - 31 peças (CASTRO, 2009:251).

Em 1838 o forte estava guarnecido por 280 praças sob o comando do major José Gomes da Silva, e artilhado com 20 peças (GARRIDO, 1940: 117). 

Em meados do século, o então tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros conseguiu evitar o naufrágio de uma barca francesa, contra a rocha do Forte da Laje, o que lhe valeu receber do governo daquele país, a cruz de cavaleiro da Legião de Honra, por sua coragem.

SOUZA (1885) informa que esta estrutura apresentava planta no formato de um polígono hexagonal irregular, sendo deficiente por sua pequena elevação e por se encontrar a descoberto. No contexto da Questão Christie (1862-1865), a Comissão de Melhoramentos do Material do Exército, em seu Plano de Defesa do Porto, apresentado em 1863, propôs a construção de uma torre encouraçada, de dois pavimentos, artilhada com 6 a 8 canhões de grosso calibre, para sanar essas deficiências. Nesse contexto foi classificado como fortificação de 2ª Classe (SOUZA, 1885:106) por Aviso Ministerial de 1863. Estava então artilhado com 28 peças, e guarnecido por soldados da Fortaleza de Santa Cruz, a quem se subordinava (idem). Segundo o Relatório do Ministério de Guerra do ano de 1870, foram efetuados no forte reparos pela quantia de 680$000. (PARANHOS, 1871:28)..Passou por reformas em 1874-1875, e em 1889 (GARRIDO, 1940:117), quando recebeu peças de artilharia Whitworth raiadas, de longo alcance, de 32 libras, e 10 peças La Hitte de 121mm, ativos durante a Revolta da Armada (CASTRO, 2009:252).

Na República Velha participou, juntamente com a Fortaleza de Santa Cruz, tomou parte em um levante militar contra o então Presidente da República, marechal Floriano Peixoto (1891-1894), liderado pelo segundo-sargento Silvino Honório de Macedo (20 de janeiro de 1892), logo sufocado (TINÉ, 1969:121).

Procedidos os reparos dos danos causados pelos bombardeios durante a Revolta da Armada (1893), recebeu canhões Krupp C15 L/40 em 1895, sendo-lhe iniciadas obras de modernização a partir de 1896, concluindo-se em abril de 1901 a estrutura principal e a montagem das cúpulas de aço. Em 1903 foram instaladas uma torre com dois canhões de 240mm, outra com dois de 150mm, e duas com dois de 75mm, além de instalação e montagem da parte elétrica. Obras complementares foram efetuadas até à inauguração, em 28 de julho de 1906 (instalação de portão e janelas de aço externamente, e portas internas), 1907 e 1909 (GARRIDO, 1940:118-119).

Participou na Revolução de 1930 e na ação contra o cruzador Tamandaré, em 1955. Nesse mesmo ano foram substituídas peças de artilharia por 2 peças de 150mm retiradas da bateria Mallet, da Fortaleza de São João, mudança que alterou a natureza da sua estrutura defensiva, que passou de uma posição de penetração para uma defesa contra navios menores. 

Pelo Decreto n.º 34.152 de 12 de outubro de 1953 o Forte da Laje passou a denominar-se Forte Tamandaré, uma homenagem do Exército à Marinha de Guerra (BARRETTO, 1958:226-227). Na década de 1950 esteve guarnecido pela 1.ª Bateria do 4.º Grupo de Artilharia de Costa,[14] conservando-se em serviço até 1997, subordinado à Fortaleza de São João, quando foi desativado.

Atualmente sem qualquer tipo de classificação - nas esferas municipal, estadual e federal - encontra-se sob responsabilidade do Centro de Capacitação Física do Exército, na Urca. Em 2002 a corporação chegou a efetuar um levantamento dos custos para a sua recuperação, mas os valores foram considerados muito elevados à época. Em precário estado de conservação, hoje apresenta partes corroídas pela maresia e ferrugem nos canhões. Entretanto, de acordo com o Comando Militar do Leste em 2012, há interesse da iniciativa privada em tornar o antigo forte em atração turística (“Memória bombardeada". O Globo, 15 de julho de 2012, p. 2; "Outrora fortes, hoje fracos". O Globo, 15 de julho de 2012, p. 17).

Atualmente encontra-se administrado pela Universidade Federal Fluminense.

Nesta fortificação estiveram detidos vários personagens da História do Brasil:

- José Bonifácio de Andrada e Silva e seus irmãos, Cipriano José Barata de Almeida (1762-1838), e outros deputados após o fechamento da Assembleia Constituinte (novembro de 1823);

- o major Miguel de Frias e Vasconcelos, após o evento de 28 de setembro de 1831 denominado "tiros no teatro" (Anais do Museu Histórico Nacional, 1940:147);

- os quatro condenados à morte pelo crime da ilha da Caqueirada, dos quais três cometeram suicídio em suas celas, no ano de 1838;

- o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, um dos líderes da Revolução Liberal de 1842;

- o capitão Pedro Ivo Veloso da Silveira (1811-1851), líder militar da Revolução Praieira (1848-1850), que condenado à prisão perpétua, dali se evadiu espetacularmente num escaler (9 de abril de 1851);

- os líderes da Revolução Farroupilha, Bento Gonçalves e Pedro Boticário, a partir de 1836. Em 15 de março de 1837, ambos tentaram uma fuga, mas Pedro Boticário, por sua obesidade, não conseguiu passar por uma janela. Em solidariedade Bento Gonçalves também desistiu da fuga, sendo ambos transferidos, logo após, para outras prisões.

- o poeta Olavo Bilac (1893), aí detido alguns meses por críticas ao então Presidente da República, marechal Floriano Peixoto (1891-1894) (GARRIDO, 1940:117);

- o marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, ex-ministro da Guerra de Juscelino Kubitschek, por se colocar contra o golpe de Estado que se ensaiava no país em 1961, quando criticou a posição dos ministros militares que não aceitavam a posse de João Goulart (Dicionário Histórico Bibliográfico Brasileiro Pós 1930. CPDOC-FGV).

Características

Exemplar de arquitetura militar, acasamatado.

Internamente encontra-se dividido em 27 compartimentos (salas de operações, quartéis, depósitos, paióis e outras).

Bibliografia

TINÉ, José Sales. História do Brasil (4ª ed.). Rio de Janeiro: Gráfica Muniz S/A, 1969. 140p. mapas.




  • Forte Tamandaré da Laje

  • Fortaleza da Laje

  • Fort

  • 1644 (AC)

  • 1779 (AC)



  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved






  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Rio de Janeiro

    Ilha da Laje, no lado direito da barra da baía da Guanabara, cidade e estado do Rio de Janeiro.


  • Lat: 22 56' 5''S | Lon: 43 8' 50''W




  • 1723: 10 peças antecarga, de alma lisa, de bronze;
    1831: 31 peças antecarga, de alma lisa;
    1838: 20 peças antecarga, de alma lisa;
    1874-1875, 1889: peças de artilharia Whitworth raiadas, de longo alcance de 32 libras, e 10 peças La Hitte de 121mm;
    1895: recebe canhões Krupp;
    1903: uma torre com 2 canhões de 240 mm, outra com 2 de 150 mm, e duas com 2 de 75 mm.