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Forte de São Luís

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O Forte de São Luis está localizado no morro do Pico, no lado esquerdo da barra da baía da Guanabara, no bairro de Jurujuba, município de Niterói, no litoral do Estado do Rio de Janeiro. Obra de fortificação proposta pelo Brigadeiro Engenheiro Jacques Funck ao Vice-Rei D. Antônio Rolim de Moura Tavares (1767-69), para a defesa daquele ponto (c. 180m acima do nivel do mar), padrasto à Fortaleza de Santa Cruz. Suas obras só foram iniciadas, entretanto, em 1769-70 por determinação do Vice-rei D. Luís de Almeida Portugal (1769-79), que relata: "Voltando agora às defesas que fiz nesta capital, achará V. Exa. uma fortaleza no sítio chamado o Pico, para o qual tinha feito um plano o Marechal de Campo Diogo Funch: como este oficial tinha feito o dito sem ter descoberto primeiro todo aquele terreno, e examinados agora os obstáculos que nele haviam por ser o sítio sumamente escabroso, não só pela sua eminência, mas pela aspereza dos matos, o que fez o mesmo Marechal não poder chegar a reconhecer que uma parte do mesmo monte, onde foi ele o primeiro que chegou depois de muito trabalho, e de se cortarem muitos matos daquele lugar, formou seu plano, porém com a equivocação que costuma sempre haver em sítios semelhantes, quando eles não são de todo examinados; por entre aqueles matos e arvoredos mui densos haviam grandíssimos penhascos, de que não podiam julgar senão quem os tivesse pisado, e por esta razão supoz aquele oficial que alí havia outra qualidade de terreno, e nesta conformidade formou o seu plano. Eu, vendo quanto era importante fortificar aquele lugar, sem embargo de todas as dificuldades que me propuseram, fiz a maior eficácia em ir reconhecer aquele ponto; custou bastante o poder descobrir todo, e podê-lo eu pisar; porém conseguiu-se o deitar o mato fora, e reconhecer-se todo aquele terreno; e sobre ele fiz emendar o que não era praticável do plano do Marechal Funch, aproveitando-me do mais que podia ser aproveitável. Dei principio à construção daquela fortaleza, e sem embargo de ser já a tempo de eu esperar os inimigos, consegui pô-la em defesa, vencendo as dificuldades que todos julgavam impossíveis. V. Exa. não a acha inteiramente acabada; aí cuidei tão sómente em me cobrir, e fazer o que era mais essencial para pôr em defesa aquele ponto. Toda a obra que era mais dificultosa, e de maior trabalho e despesa, está feita; o que lhe falta, ainda que muito preciso para o serviço da mesma fortaleza, já V. Exa. não terá tantas dificuldades para poder conseguir ou concluí-las. Aquele ponto é um dos mais importantes, como V. Exa. verá. É o cavaleiro de Santa Cruz; com aquela fortaleza nenhum inimigo se poderá fazer senhor da sobredita fortaleza de Santa Cruz; podem sim arruinar-lhe as suas muralhas, porém nem um só homem poderá lá ficar o mais pequeno instante. Pode servir aquele ponto de uma segura retirada à guarnição da fortaleza, sem que o inimigo o possa seguir. Defende também para dentro do porto; e ainda que os tiros não podem ser tão mergulhantes, contudo não deixarão de fazer os estragos, e ao mesmo tempo defende as baterias baixas que se possam formar dentro do porto, por todo aquele vale ou saco que corre de Santa Cruz para dentro: do mesmo modo defende a praia de fora, aonde também mandei fazer uma defesa daquele porto que ali há, e sem embargo de não ser uma grande obra, está quase concluída." (p. 425-426) ("Relatório do Marquês de Lavradio, Vice-Rei do Rio de Janeiro, entregando o Governo a Luiz de Vasconcellos e Souza, que o sucedeu no vice-reinado", datado do Rio de Janeiro em 19/jun/1779. in: RIHGB, Tomo IV, 1842. p. 409-486). A lápide comemorativa da inauguração, sobre o seu portão principal de acesso, reza: "Josepho I. Imperante, Fidel.mo Portugaliae Rege, Provident.mo Principe, Arx Haec, Divo Aloisio Sacrata. Fundata est 1775" (Reinando D. José I, Fidelíssimo Rei de Portugal, Providentíssimo Príncipe, este Forte, consagrado a São Luís, foi fundado em 1775) (BARRETTO, 1958:212). Uma segunda lápide complementa: "No referido [reinado] para repelir a invasão de inimigos, foram começados estes muros e em menos de três anos concluídos sob [o governo do Vice-Rei D.] Luiz de Almeida, 2º Marquês de Lavradio, que para construção desta obra, que até então ninguém ousara, moveu toda pedra, tão grande trabalho tendo sido confiado à sua firme energia, sob tumulto que debalde se opôs de iminente guerra com os espanhóis". Esta fortificação foi autônoma até 1811, quando o seu Comando foi extinto e sua guarnição incorporada à da Fortaleza de Santa Cruz. À época da Independência (1822) foram-lhe efetuados alguns reparos, até que, no período regencial, o Decreto de 24/dez/1831, suprimindo o comando de vários fortes, fortins e baterias, deixando suas guarnições compostas de "um Cabo e um ou dois Soldados incapazes do serviço ativo", deixou-o em estado de abandono. No contexto da Questão Christie (1862-65) recebeu obras de remodelação a partir de 1863 (SOUZA, 1885:104), reforço na artilharia (GARRIDO, 1940:108), e a construção de novos Quartéis e Casa de Comando.

 




  • Forte de São Luís


  • Fort

  • 1769 (AC)

  • 1775 (AC)


  • Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d'Eça e Melo Silva Mascarenhas (2º Marquês de Lavradio)

  • Portugal


  • Semiconserved Ruins






  • Tourist-cultural Center

  • 5850,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Niterói

    Acesso pelo Forte Barão do Rio Branco, localizado à Alameda Marechal Pessoa Leal nr. 265, no bairro de Jurujuba, em Niterói, Estado do Rio de Janeiro


  • Lat: 22 56' 6''S | Lon: 43 7' 16''W