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Fort of São Francisco Xavier de Tabatinga

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O "Forte de São Francisco Xavier de Tabatinga", também referido como "Fortaleza de São Francisco Xavier de Tabatinga", localizava-se à margem esquerda do rio Solimões, na atual cidade e município de Tabatinga, no estado do Amazonas, no Brasil.

Em posição estratégica sobre este trecho do rio, marcava o limite ocidental dos domínios da Coroa portuguesa na região amazônica.

História

Remonta a um simples Registro erguido em 1766, ano da fundação da povoação de Tabatinga, conforme referido por BAENA (2004) em 1839:

"Tabatinga: lugar situado sobre terra alta 3 braças, é plana, e fendida por igarapés em três faixas um pouco alagadiças na beira esquerda do Amazonas, onde ele assaz se estreita 2 léguas acima da embocadura do Javari, e 314 acima da foz do Nhamundá, raia oriental da Comarca no Amazonas.

Foi assentado pelo Major [Sargento-mor] Domingos Franco [de Carvalho] em 1766. É o final termo da Comarca e da Província do Pará ao Ocidente. (...)
" (Op. cit., p. 338)

E sobre a povoação prossegue:

Todos os habitáculos são cobertos de palma. Desta também o é a igreja, que foi consagrada a São Francisco Xavier.” (Op. cit., p. 339)

E acerca da fundação do forte esclarece:

Pouco antes da [im]plantação deste lugar no mesmo ano de 1766 tinha estabelecido ali o Alferes Francisco Coelho, comandante do registro da vila de São José do Javari, um destacamento composto de 9 soldados e um sargento, para ver e registrar as canoas, que vogassem para a povoação castelhana de Nossa Senhora do Loreto, ou outras do mesmo governo subalterno de Mainas e do geral de Quito: porque havia observado o dito Alferes que remontavam o rio algumas canoas sem procurar o registro da vila.

O Governador do Pará [Estado do Grão-Pará e Maranhão] Fernando da Costa de Ataíde Teive [Fernão da Costa de Ataíde e Teive de Sousa Coutinho (1763-1772)] não só aprovou a medida daquele comandante do Javari, mas ainda parecendo-lhe o sítio idôneo para defender o passo aos espanhóis mudou para ele o destacamento da vila de Javari, e fez alçar debaixo da mesma denominação do recém-plantado lugar [de São Francisco Xavier de Tabatinga] um forte: o qual foi construído na parte mais proeminente da planície em rosto do antigo quartel do comandante, mediando entre um e outro uma larga área. Ao lado esquerdo deste quartel, que é coberto com telha, está o rio: e ao direito jazem a igreja, os quartéis dos soldados, um arruinado e outro principiado, e os restos de uma casa e armazéns erguidos pela Companhia de Comércio [do Grão-Pará e Maranhão] a fim de tecer por este interposto estabelecimento os tratos e contratações tanto com os habitantes do Alto Amazonas, como com os hispano-americanos. Estes edifícios serão cobertos de telhas e bem construídos: os seus resíduos duraram até o ano de 1827, e entre eles as portas e as ferragens indicavam, que não tinha havido pobreza na sua fabricação.
” (Op. cit., pp. 339-340)

Outros autores dão a construção do forte como a partir de 1776 (SOUZA, 1885:61; GARRIDO, 1940:14), atribuindo-a sua determinação ao Governador da Capitania de São José do Rio Negro, coronel Joaquim de Melo e Póvoas – o que não será correto, de vez que este oficial governou de 1758 a 1760, com as obras a cargo do Sargento-mor Domingos Franco. OLIVEIRA (1968) refere o nome completo deste militar: Domingos Franco de Carvalho. (Op. cit., p. 755)

LEITÃO (1941), a seu turno refere: "Em 1759 [sic] o Governador Fernando da Costa de Ataíde Teive mandou instalar um destacamento militar no ponto onde mais tarde o Sargento-mor Domingos Franco fundou a povoação de São Francisco Xavier de Tabatinga." (Op. cit., p. 93) Esta informação também não será correta uma vez que Ataíde Teive governou o Grão-Pará e Maranhão de 1763 a 1772.

Coeva de BAENA, é a descrição da fortificação pelo estudioso e viajante alemão von Spix (1976):

"Passei pela antiga Vila de São José hoje transformada em selvas, no caminho para Tabatinga, onde cheguei a 9 de janeiro de 1820. O lugar é o quartel de fronteira dos portugueses, no [rio] Solimões, contra o Peru, ponto ocidental extremo naquele rio, e distante do Pará quase quinhentas milhas francesas. Acha-se aqui um comandante de milícias, com 12 soldados. (...) Ainda se vêem ruínas de um belo edifício, construído pela Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, fundada no tempo de Pombal, para a sua filial. O forte, com canhões enferrujados, está em muito mau estado." (Op. cit.)

Em termos de iconografia, a fortificação era confundida com o chamado "Palácio da Fronteira de São Francisco Xavier de Tabatinga", que pertencia aquela companhia de comércio, e que se destacava por sua maior imponência. (OLIVEIRA, 1968:755)

Mais tarde, sob o reinado de Pedro II do Brasil (1840-1889) o Governo Imperial fez levantar algumas fortificações para defesa desse limite lindeiro (ver Fortificações de Tabatinga).

A estrutura não sobreviveu ao tempo, encontrando-se arruinada em 1915, inclusive a artilharia (GARRIDO, 1940:14): dois dos canhões que a artilhavam encontram-se no Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro, e o restante no fundo do rio Solimões, sepultado pela erosão das suas margens (BARRETO, 1958:57).

Em 1932 a erosão fluvial causou a derrocada da margem onde os restos se encontravam, destruindo-os.

Em 1989, durante a grande seca registrada na região, as águas do rio baixaram a ponto de descobrir os vestígios da estrutura. Na ocasião, militares do Exército brasileiro, ao longo de semanas de trabalho, lograram resgatar antigas peças de artilharia, inclusive balas. Atualmente, três das peças encontram-se expostas no Quartel do Comando de Fronteira Solimões/8.º Batalhão de Infantaria de Selva.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

De acordo com a descrição do capitão Caetano Alberto Teixeira Cavalcante, de 1823, o forte era de madeira. (OLIVEIRA, 1868:755)

A melhor descrição de que dispomos do forte é a de BAENA (2004) em 1839:

O forte é um hexágono irregular de madeira grossa de 7 palmos de projeção vertical, e destituído de reparo interno, de pali[ç]ada, e de esplanada: servem de fosso de uma parte do rio, e que mete por ela uma corrente quando enche: entre a borda desta cortadura e o forte existe um mato densíssimo.

Nove peças de artilharia é toda a força em armamento desta espécie, que ali se acha: quatro de bronze do calibre 6, e duas de ferro do calibre um, estão no recinto do forte, e 3 de bronze do calibre 1 ½ cavalgadas em cepos juntas à porta do quartel do comandante, o qual no ano de 1827 até não tinha uma bandeira para alçar no seu chamado forte.
” (Op. cit., p. 340)

Bibliografia

• BAENA, Antônio Ladislau Monteiro. Compêndio das Eras da Província do Pará. Belém: UFPA, 1969.

• BAENA, Antônio Ladislau Monteiro. Ensaio Corográfico sobre a Província do Pará. Braília: Senado Federal, 2004. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/1097

• LEITÃO, Cândido de Melo. Histórias das Expedições Científicas no Brasil. São Paulo; Rio de Janeiro; Recife; Porto Alegre: Companhia Editora Nacional, 1941 (Brasiliana, 2.ª Série, vol. 209). Disponível em: http://www.brasiliana.com.br/brasiliana/colecao/obras/6/Historia-das-exploracoes-cientificas-no-Brasil )

• OLIVEIRA, José Lopes de (Cel.). "Fortificações da Amazônia". in: ROCQUE, Carlos (org.). Grande Enciclopédia da Amazônia (6 v.). Belém do Pará, Amazônia Editora Ltda, 1968.

• SPIX, Johann Baptiste von; MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von. Viagem pelo Brasil (3 vols., 3.ª ed.). São Paulo: Edições Melhoramentos, 1976.




  • Fort of São Francisco Xavier de Tabatinga

  • Fortaleza de São Francisco Xavier de Tabatinga

  • Fort

  • 1766 (AC)



  • Fernando da Costa de Ataíde Teive

  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Amazonas
    City: Tabatinga



  • Lat: 4 13' 52''S | Lon: 69 56' 39''W




  • 1839: 9 peças antecarga de alma lisa: 4 de bronze do calibre 6, 2 de ferro do calibre 1 (todas no recinto do forte); 3 de bronze do calibre 1 ½ (juntas à porta da Casa do Comando, cavalgadas em cepos)
    1854: 2 peças antecarga de alma lisa, de bronze, do calibre 6, desmontadas.










Contribution

Updated at 09/11/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).