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Fort of Santo António do Porto Judeu

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O “Forte de Santo António do Porto Judeu", oficialmente "Prédio Militar n.º 7/148”, localiza-se na freguesia de Porto Judeu, concelho de Angra do Heroísmo, costa sudeste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História

Foi erguido em 1573 por instância da Câmara Municipal da vila de São Sebastião. (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 164)

No início do século XVII, acerca da fortificação da Terceira no contexto da Crise de Sucessão de 1580, um anónimo referiu:

"Naquele tempo [crise de Sucessão de 1580], (...) e pois não havia em toda esta ilha Terceira outro forte ao longo do mar, mais que uma fortaleza, que se chama de São Sebastião; a qual El-rei D. Sebastião mandou fazer, depois que se tomou a ilha da Madeira pelos franceses pelo Caldeira [Pierre Bertrand de Montluc], que depois foi tomado, e foi feita dele justiça na cidade de Lisboa; e temendo-se esta ilha que fizessem outro tanto, (...)." (Anónimo, Relação das Coisas que aconteceram em a cidade de Angra, Ilha Terceira, depois que se perdeu El-Rei D. Sebastião em África, 1611. In: Arquivo dos Açores, vol. IX, 1887, pp. 16)

E complementou:

"Depois de idas as sobreditas armadas [no ano de 1581], entrava o inverno, e determinaram o corregedor [Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (1578-1582)], e os mais que regiam a ilha, de fazerem com brevidade todas as fortalezas na ilha; (...) e assim no porto do Judeu outro forte, que é abaixo da vila de S. Sebastião: e daí para diante tudo reparado de trincheira: (...)." (Op. cit, p. 19)

A mesma informação foi utilizada por DRUMMOND no século XIX:

"Não havia naquele tempo em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 230)

E, sobre a construção deste forte esclareceu: "Continuou-se o forte de Santo António no porto do Porto Judeu; (...)." (Op. cit., pp. 231-232) E, em nota, complementou: "Edificou-se este forte, que é um dos mais defensáveis, na propriedade do capitão do André Gato, e se lhe deu o nome do orago da freguesia." (Op. cit., p. 232)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"No forte chamado Santo António, no Porto do Judeu: Duas peças de bronze, uma de vinte e cinco quintais e quarenta e três arráteis, com as armas do turco e as de França, e a outra oitavada, com as mesmas armas; uma peça de ferro coado, de dez quintais; outra peça de ferro coado, de oito quintais e setenta e cinco arráteis; outra de ferro, de onze quintais, e cem balas." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 86)

Sobre a defesa deste trecho da costa em finais do século XVI, o mesmo autor esclareceu:

"E neste porto do Judeu, que é muito pequeno e fica debaixo de uma rocha vermelha, muito alta, sem ter mais serventia que quanto cabe um carro, ao longo da rocha pera baixo está feito um cubelo cercado de muro, com suas portas muito fortes, chapeadas de ferro, provido dentro de artilharia e bombardeiros, junto do mar, onde estão três ou quatro poços de água salobra, de que bebe a gente da freiguesia e seus gados. Em cima desta rocha está arvorada uma cruz de pau muito alta, e, à borda da rocha, parede feita pera amparo da gente, com suas seteiras e muitas pedras de mão pera sua defensão." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 2, p. 9)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710", como "O Forte de Santo António." (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 178)

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado:

"3° - Forte de Santo António de Porto Judeu. Precisa de porta nova, e a muralha principal que olha ao nascente, precisa ser feita de novo, porque se acha de pedra em secco, a qual he muito util para a sua defensa, tem tres peças de ferro capazes com os seus reparos bons e precisa mais hua, com o seu reparo. Precisa para se guarnecer quatro artilheiros e dezeseis auxiliares." (JÚDICE, 1767)

Encontra-se referido como "2. Forte de S.to Ant.º de Porto Judeu" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe relata a ruína:

"Hade mister a caza da guarda feita de novo, o torrião, guarita, a muralha da parte do porto, hú tilheiro p.ª se recolher a Artelharia, e todo elle deve ser rachado, guarnecido, e rebocado, e o seu portão novo."

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) revestiu-se novamente de importância estratégica, voltando a ser guarnecido no Verão de 1828 (SAMPAIO, 1904:649-663). O seu alçado e planta constam na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1830", atualmente no Gabinete de Estudos Arqueológicos da Engenharia Militar, em Lisboa. Data do mesmo período a carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que regista: "2.º DISTRICTO – PORTO JUDEO Comprehende 2 Freguesias: S. Pedro da Ribeirinha, e S. Antonio. Está defendido por 4 Fortes: 1.º Porto Judeo p. 3 c. 18, 2 c. 24 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24, 1?]; 2.º Salga p. 3 c. 18, 24 1 [3 peças calibre 18, ? do 24, 1?]; 3.º Salga p. 3 c. 18 [3 peças calibre 18]; 4.º S. Catharina das Mooz p. 3 c. 18, 2 c. 24 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24]."



A "Relação" do marechal de campo Barão de Basto em 1862 informa que "As muralhas e alojamentos carecem de pequenos consertos." (BASTO, 1997:273)

Quando do Tombo de 1881, foi encontrado abandonado, em relativo bom estado (Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira").

FARIA deu conta de que, entre 1935 e 1941 o forte esteve arrendado a um cabo do Exército. No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi uma vez mais guarnecido. Nesse momento, foi erguida uma nova casa para abrigo dos soldados da guarnição, uma vez que as anteriores se encontravam em ruínas. Conforme o testemunho de Manuel de Castro, pedreiro que a construiu com o seu irmão, as antigas muralhas, à época, ainda se encontravam em bom estado. Os irmãos construíram casas semelhantes nos antigos fortes da Lajinha, da Ponta dos Coelhos, da Salga, das Caninas e da Baía das Mós (Op. cit., p. 11).

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que o indica como "ainda recuperável".

Ao final do século XX, com base em antigas plantas, a Junta de Freguesia projetou proceder à sua reconstrução, o que não se materializou.

Sobre o estado do forte, ao final do século XX, FARIA (1997) deu conta de que já se encontrava em ruínas, devido não apenas à erosão marinha, mas também antrópica:

"Uma parte levou-a o mar, a outra o homem. Na antiga plataforma está, agora, uma pocilga; cantarias servem para levantar paredes de currais. (...)" (Op. cit.).

Atualmente subsistem apenas vestígios do pano de muralhas junto ao porto de pesca.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo, de enquadramento rural, isolado.

Apresentava planta retangular, em cantaria de pedra, com uma área total construída de 424 m². Em seus muros rasgavam-se 5 canhoneiras, ao longo das quais corria uma plataforma de lajedo que acompanhava as muralhas dos lados sul e leste. No seu terrapleno, pelo lado de terra, erguiam-se duas casas: uma, adossadas à muralha do lado oeste, com cozinha e forno; a outra, formando a gola da fortificação, era dividida em três compartimentos independentes, sendo o mais pequeno destinado a arrecadação.

O forte era acedido por um caminho que corria sobre a rocha sobranceira à baía.

FARIA (1997) estima que a guarnição do forte na segunda metade do século XVIII era constituída por 5 artilheiros e 20 auxiliares (Op. cit., p. 11).




  • Fort of Santo António do Porto Judeu

  • Prédio Militar n.º 7/148

  • Fort

  • 1573 (AC)

  • Between 1581 and 1582 (AC)



  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • Monument with no legal protection





  • Ruins

  • 424,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Angra do Heroísmo

    Porto Judeu
    Ilha Terceira, Açores, Portugal


  • Lat: 38 -39' 11''N | Lon: 27 7' 5''W




  • 1583: "Duas peças de bronze, uma de vinte e cinco quintais e quarenta e três arráteis, com as armas do turco e as de França, e a outra oitavada, com as mesmas armas; uma peça de ferro coado, de dez quintais; outra peça de ferro coado, de oito quintais e setenta e cinco arráteis; outra de ferro, de onze quintais, (…)." (FRUTUOSO)
    1767: 3 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, montadas em reparos.
    1831: 5 peças antecarga, de alma lisa: 3 do calibre 18 e 2 do 24.










Contribution

Updated at 21/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (5), Projeto Fortalezas Multimidia (Mayra) (1).