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Fort of Santo António do Porto Judeu

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O “Forte de Santo António do Porto Judeu", oficialmente "Prédio Militar n.º 7/148”, localiza-se na freguesia de Porto Judeu, concelho de Angra do Heroísmo, costa sudeste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História

Foi erguido em 1573 por instância da Câmara Municipal da vila de São Sebastião, conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto em 1567, após o ataque do corsário francês Pierre Bertrand de Montluc ao Funchal (outubro de 1566), intentado e repelido em Angra no mesmo ano (1566). Sobre a defesa da Terceira, DRUMMOND, no século XIX referiu:

"Não havia naquele tempo [crise de sucessão de 1580] em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." (DRUMMOND, 1981:tomo I, cap. IV.)

E, sobre a construção deste forte esclareceu: "Continuou-se o forte de Santo António no porto do Porto Judeu; (...)." E, em nota, complementou: "Edificou-se este forte, que é um dos mais defensáveis, na propriedade do capitão do André Gato, e se lhe deu o nome do orago da freguesia." (Op. cit.)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"No forte chamado Santo António, no Porto do Judeu: Duas peças de bronze, uma de vinte e cinco quintais e quarenta e três arráteis, com as armas do turco e as de França, e a outra oitavada, com as mesmas armas; uma peça de ferro coado, de dez quintais; outra peça de ferro coado, de oito quintais e setenta e cinco arráteis; outra de ferro, de onze quintais, e cem balas." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 86)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710", como "O Forte de Santo António." (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 178.)

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado em 1767:

"3° - Forte de Santo António de Porto Judeu. Precisa de porta nova, e a muralha principal que olha ao nascente, precisa ser feita de novo, porque se acha de pedra em secco, a qual he muito util para a sua defensa, tem tres peças de ferro capazes com os seus reparos bons e precisa mais hua, com o seu reparo. Precisa para se guarnecer quatro artilheiros e dezeseis auxiliares." (JÚDICE, 1767.)

Encontra-se referido como "2. Forte de S.to Ant.º de Porto Judeu" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe relata a ruína:

"Hade mister a caza da guarda feita de novo, o torrião, guarita, a muralha da parte do porto, hú tilheiro p.ª se recolher a Artelharia, e todo elle deve ser rachado, guarnecido, e rebocado, e o seu portão novo."

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) voltou a revestir-se de importância estratégica, constando o seu alçado e planta na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1830", atualmente no Gabinete de Estudos Arqueológicos da Engenharia Militar, em Lisboa.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Basto em 1862 informa que "As muralhas e alojamentos carecem de pequenos consertos." (BASTO, 1997:273.)

Quando do Tombo de 1881, foi encontrado abandonado, em relativo bom estado. (Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira".)

FARIA deu conta de que, entre 1935 e 1941 o forte esteve arrendado a um cabo do Exército. No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi uma vez mais guarnecido. Nesse momento, foi erguida uma nova casa para abrigo dos soldados da guarnição, uma vez que as anteriores se encontravam em ruínas. Conforme o testemunho de Manuel de Castro, pedreiro que a construiu com o seu irmão, as antigas muralhas, à época, ainda se encontravam em bom estado. Os irmãos construíram casas semelhantes nos antigos fortes da Lajinha, da Ponta dos Coelhos, da Salga, das Caninas e da Baía das Mós. (Op. cit., p. 11.)

Ao final do século XX, com base em antigas plantas, a Junta de Freguesia projetou proceder à sua reconstrução, o que não se materializou.

Sobre o estado do forte, ao final do século XX, FARIA (1997) deu conta de que já se encontrava em ruínas, devido não apenas à erosão marinha, mas também antrópica:

"Uma parte levou-a o mar, a outra o homem. Na antiga plataforma está, agora, uma pocilga; cantarias servem para levantar paredes de currais. (...)" (Op. cit.)

Atualmente subsistem apenas vestígios do pano de muralhas junto ao porto de pesca.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo, de enquadramento rural, isolado.

Apresentava planta retangular, em cantaria de pedra, com uma área total construída de 424 m². Em seus muros rasgavam-se 5 canhoneiras, ao longo das quais corria uma plataforma de lajedo que acompanhava as muralhas dos lados sul e leste. No seu terrapleno, pelo lado de terra, erguiam-se duas casas: uma, adossadas à muralha do lado oeste, com cozinha e forno; a outra, formando a gola da fortificação, era dividida em três compartimentos independentes, sendo o mais pequeno destinado a arrecadação.

O forte era acedido por um caminho que corria sobre a rocha sobranceira à baía.

FARIA (1997) estima que a guarnição do forte na segunda metade do século XVIII era constituída por 5 artilheiros e 20 auxiliares. (Op. cit., p. 11.)




  • Fort of Santo António do Porto Judeu

  • Prédio Militar n.º 7/148

  • Fort

  • 1581 (AC)




  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • Monument with no legal protection





  • Ruins

  • 424,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Angra do Heroísmo

    Porto Judeu
    Ilha Terceira, Açores, Portugal


  • Lat: 38 -39' 11''N | Lon: 27 7' 5''W














Contribution

Updated at 16/07/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (4), Projeto Fortalezas Multimidia (Mayra) (1).