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Forte de São Pedro dos Biscoitos

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O “Forte de São Pedro”, também referido como “Forte de Santo António” (MALDONADO, 1989:tomo I p. 167), localiza-se na freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória, costa Norte da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

É possível que essa última designação se deva à ermida vizinha, da mesma invocação.

História

Ao final do século XVI, ao principiar a descrever a ilha, FRUTUOSO registou:

"(...) do biscoito que se diz da Alagoa do Pampalona [Pamplona], da banda do norte, chamado porto da Casa da Salga do Pampalona, (...)." (FRUTUOSO, 1998:vol. VI, cap. 2, p. 7)

E ao descrever a área da atual freguesia dos Biscoitos, detalha:

[De Oeste para Leste, de São Roque/Altares para as Quatro Ribeiras:] A costa do mar, por esta parte [Biscoitos], é quase toda rasa e muito brava; nela está um porto, onde varam os batéis, que se chama a Casa da Salga, que serve pera todos os moradores destas freiguesias, e outro porto, chamado da Cruz, e por outro nome de Pedreanes do Canto, onde ele carregava suas rendas, em que está feito um repairo de pedra e cal e outros de pedra ensossa, com três ou quatro peças de artilharia pera defensão dele, (…).” (FRUTUOSO, 1998:vol. VI, cap. 4, p. 18)

No início do século XVIII, CORDEIRO segue a informação de FRUTUOSO:

A costa do mar é raza, mas muyto brava, & tem comtudo um portozinho, chamado a Casa da salga, & outro chamado de Pedreanes do Canto, com um forte, que de antes tinha quatro peças, por alli carregar o fidalgo suas rendas.” (CORDEIRO, 2007:254)

No início do século XVII, acerca da fortificação da Terceira no contexto da Crise de Sucessão de 1580, um anónimo referiu:

"Naquele tempo [crise de Sucessão de 1580], (...) e pois não havia em toda esta ilha Terceira outro forte ao longo do mar, mais que uma fortaleza, que se chama de São Sebastião; a qual El-rei D. Sebastião mandou fazer, depois que se tomou a ilha da Madeira pelos franceses pelo Caldeira [Pierre Bertrand de Montluc], que depois foi tomado, e foi feita dele justiça na cidade de Lisboa; e temendo-se esta ilha que fizessem outro tanto, (...)." (Anónimo, Relação das Coisas que aconteceram em a cidade de Angra, Ilha Terceira, depois que se perdeu El-Rei D. Sebastião em África, 1611. In: Arquivo dos Açores, vol. IX, 1887, p. 16)

E complementou:

"Depois de idas as sobreditas armadas [no ano de 1581], entrava o inverno, e determinaram o corregedor [Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (1578-1582)], e os mais que regiam a ilha, de fazerem com brevidade todas as fortalezas na ilha; (...) e da vila da Praia até aos Biscoitos de António Pires do Canto muitos reparos; e nos Biscoitos uma fortaleza." (Op. cit, p. 20)

DRUMMOND, no século XIX, ampliou a informação:

"Não havia naquele tempo em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 230)

E, também sem mencionar a antiga fortificação de Pero Anes do Canto, complementou:

"(...) e d'ali [da baía da Praia] até os Biscoutos da Cruz, por outro nome Biscoutos de Pedro Anes do Canto, se fizeram alguns reparos, por ser tudo costa brava; e naquele lugar finalmente, já boas 5 léguas para o norte da vila da Praia, se fez um pequeno forte no varadouro dos barcos: toda a mais costa da ilha ficou defendida pelo alcantilado de suas rochas e furia dos mares." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 233)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"Em outro forte, mais adiante, que se chama Porto da Casa Salgada, tem quatro peças, duas de bronze e duas de ferro." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 88)

De acordo com o Inventário do Património Imóvel dos Açores, o atual forte datará do século XVIII (BRUNO, 2004:288 Ficha n.º 32.196.166).

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), durante as movimentações preparatórias da revolta miguelista de setembro-outubro de 1828, foi neste porto que, a 1 de outubro, desembarcou um pequeno reforço miguelista vindo da ilha do Faial, efetivo que, segundo DRUMMOND, ascendia a “pouco mais de 200 espingardas quase todas incapazes de servir; cartuchos e algumas balas, mas nenhuma pólvora; nada de soldados, nem de oficiais (...).” (Op. cit., cap. VII). Embora esse armamento fosse insuficiente para as necessidades das milícias e tropas realistas, partidárias de D. Miguel, foram o suficiente para causar enorme rebuliço e receio entre as tropas constitucionais acantonadas em Angra.

O forte recebeu obras de reforço ainda em 1828, passando a abrigar um destacamento de tropa de linha – o Batalhão de Voluntários da Rainha D. Maria II - com a função de prevenir uma eventual tentativa de desembarque de forças opositoras ao regime liberal.

Encontra-se relacionado na carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que lhe regista: "6º DISTRICTO S. PEDRO DOS BISCOITOS Comprehende 3 Freguezias: S. Biatriz das quatro Ribeiras, S. Pedro dos Biscoitos, e S. Roque dos Altares. Está defendido por 2 Fortes: 1.º Rua Longa p. 2 c. 9 e 6 [2 peças calibres 9 e 6]; 2.º Porto p. 2 c. 6 e 9 [2 peças calibres 6 e 9]."

Ao fim do conflito foi desguarnecido.

Encontrava-se guarnecido em julho de 1853, data do “Plano de Defesa da Ilha Terceira” (MARTINS, 2017:204).

A “Relação” do marechal de campo Júlio José Fernandes Basto, 1.º barão de Basto, comandante da 10.ª Divisão Militar (Açores), em 1862 refere-o como “Forte do Porto”, informa que “Esta-se procedendo a algumas pequenas reparações de que preciza”, e observa:

Merece ser conservado, porque obsta ao dezembarque de forças agressoras neste ponto que é o único que podera offerecer probabilidade em toda a costa do Norte da Ilha.” (Op. cit., p. 272)

Quando da realização do tombo de 1881, encontrava-se abandonado e parcialmente arruinado. A casa da guarnição fora ocupada por um pescador da freguesia dos Biscoitos (PEGO, 1996).

No contexto da 2.ª Guerra Mundial (1939-1945) abrigou um “ninho” de metralhadoras.

Em 1982 encontrava-se em sofrível estado de conservação (BAPTISTA DE LIMA, 1982).

Encontra-se compreendido na Área de Paisagem Protegida das Vinhas dos Biscoitos, instituída pelo Decreto Legislativo Regional n.º 11/2011/A, de 20 de abril.

Em nossos dias encontra-se conservado por iniciativa da Junta de Freguesia dos Biscoitos. Constitui um dos núcleos do Museu de Angra do Heroísmo.

A memória da “Casa da Salga” perdura na toponímia “Canada da Salga”, por onde se acede ao atual porto e onde, junto ao mar, se ergue o forte.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo, de enquadramento rural, isolado.

Apresenta planta com formato pentagonal irregular, com 805 m². As muralhas, em cantaria no paramento exterior, são rasgadas por 3 canhoneiras, ornadas em nossos dias com 3 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, desmontadas.

Esta defesa era complementada por algumas banquetas para fuzilaria e uma casa de alvenaria coberta com colmo, para a guarnição, erguida isolada, externamente ao recinto do forte.




  • Forte de São Pedro dos Biscoitos

  • Forte de Santo António dos Biscoitos, Forte do Porto

  • Fort

  • 1581 (AC)

  • 1582 (AC)

  • Tommaso Benedetto


  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • Other: tell us by e-mail
    Encontra-se compreendido na Área de Paisagem Protegida das Vinhas dos Biscoitos, instituída pelo Decreto Legislativo Regional n.º 11/2011/A, de 20 de abril.





  • Tourist-cultural Center

  • 805,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Praia da Vitória



  • Lat: 38 -48' 2''N | Lon: 27 15' 36''W




  • 1583: 4 peças antecarga de alma lisa, 2 de bronze e 2 de ferro.
    1831 (mar): 2 peças antecarga, de alma lisa, dos calibres 9 e 6.
    Atual: 3 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, desmontadas.










Contribution

Updated at 30/07/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (10).