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Fort of Nossa Senhora da Salvação

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O “Forte de Nossa Senhora da Salvação”, também referido como “Forte da Salvação de Santa Clara”, “Castelinho de Santa Clara” ou simplesmente “Forte de Santa Clara”, dado o desaparecimento de seu vizinho homónimo (Forte de Santa Clara) (REZENDES, 2009:25; REZENDES, 2010:10) quando dos aterros feitos para a implantação da linha férrea das pedreiras da doca (FERREIRA, 2003:125) a partir de 1861, localiza-se na freguesia de Santa Clara, cidade e concelho de Ponta Delgada, costa Sudoeste da ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

História

Em sua origem tinha a função de repressão ao contrabando no porto de Ponta Delgada. Defendia o areal de Santa Clara, que se revestia de importância estratégica, como flanco do Forte de São Brás.

Foi erguido possivelmente no início do século XVII, uma vez que até então o areal era defendido por entrincheiramentos ("Arquivo dos Açores", vol. X, pp. 119-120), que defenderiam uma das portas na primitiva muralha da cidade, conforme registado por FRUTUOSO em sua crónica ("Saudades da Terra", Livro IV).

No contexto da instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado em 1767: "24.° — Forte de Nossa Senhora da Salvação. Tem 5 canhoneiras e 2 peças de bronze boas: precisa mais 3." (JÚDICE, 1981:411.)

Ao final do século XVIII, a “Relação dos Castelos e mais Fortes da Ilha de S. Miguel do seu estado do da sua Artelharia, Palamentas, Muniçoens e do q.’ mais precizam”, pelo major engenheiro João Leite de Chaves e Melo Borba Gato, informava:

"Os Fortes de S.ta Clara, e Salvação - Ambos na costa do Sul e soburbio da Cid.de totalm.te inuteus segd.o a sua cituação, porq.' não tem q.' defender, por ser toda a costa adjacente inacecivel por mar: tem cada hu' hu'a p.ça de bronze e extrahidas do Castello de S. Braz, qd.o se edificarão p.a pretextar extravios da Fazenda Real, q.' nestas Ilhas tem sido, hem a Mexericordia, e Camara, o alvo d'agitada ambição de meia duzia de monopolistas, e o instrumento, nas suas mãos, de lacerar a probreza, de lhe exgotar o sangue, e aniquilar os braços uteis do Estado como no estado do mapa se demonstra." (BORBA GATO, 2000)

O relatório "Estado das Fortificações na Ilha de S. Miguel em 18 de Janeiro de 1822" descreve o forte conforme chegou aos nossos dias: parapeito de alvenaria de pedra e cal, casa para a palamenta e um paiol com cobertura de telhas, tudo em bom estado. Uma nova vistoria, em 1834, já acusou alguma degradação em seu estado.

Em 1925 (12 de março) o notário Tavares de Carvalho, de Lisboa, preparou a venda do “Castelinho de Santa Clara”, então avaliado em 2.320$00 escudos, e do Forte de São Pedro, com as importâncias a reverterem para os cofres do seu então proprietário, o Ministério da Guerra. O documento caracteriza o "Prédio militar número dois (Forte de Santa Clara), constituído por um pequeno reduto com três canhoneiras na frente e uma em cada flanco, tendo dentro uma pequena casa térrea." e regista as suas confrontações, a saber: "(...) norte com a rua de Santa Clara; sul com o terreno da doca; e pelo leste e oeste com edificações da doca." (Livro de notas dos actos e contratos entre vivos, n.º 22-A, fl. 25)

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que regista:

"Reduto de Santa Clara, situado a curta distância a oeste desta fortaleza [São Brás] e em cujas proximidades foi instalada uma peça de [artilharia de] costa de 15 cm [150mm], oferecida pelo Governo americano em 1916 e mais tarde transferida para as defesas de Lisboa. Deste reduto apenas hoje existe o local."

Em 1939 encontrava-se afeto ao Ministério da Marinha, avaliado, em 18 de agosto daquele ano, em 3.000$00 reis (FERREIRA, 2003:126).

Ao final do século XX constava no cadastro da Capitania do Porto de Ponta Delgada como “(…) uma edificação em ruínas e classificada em imóvel de interesse público.” (Op. cit., p. 126)

Atualmente em ruínas, foi objeto de projeto de prospecção arqueológica, sob responsabilidade da Direcção Regional da Cultura do Governo da Região Autónoma dos Açores, trabalhos sob a coordenação do arqueólogo Ricardo Erasun Cortés.

Encontra-se classificado como "Imóvel de Interesse Municipal" em Assembleia da Câmara Municipal de Ponta Delgada de 28 de fevereiro de 2007.

Características

Constituía-se em um fortim de pequenas dimensões, em alvenaria de pedra argamassada, artilhado com apenas 1 peça. As canhoneiras abriam-se para o lado do mar e, pelo lado de terra, atual rua de Santa Clara, erguiam-se as dependências de serviço, casa para palamenta e um paiol, originalmente cobertas por telhas.




  • Fort of Nossa Senhora da Salvação

  • Forte da Salvação de Santa Clara, Castelinho de Santa Clara, Forte de Santa Clara, Prédio Militar n.º 2

  • Fortin





  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved

  • Municipal Protection
    Encontra-se classificado como "Imóvel de Interesse Municipal" em Assembleia da Câmara Municipal de Ponta Delgada de 28 de fevereiro de 2007.





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Ponta Delgada



  • Lat: 37 -45' 55''N | Lon: 25 40' 56''W




  • 1767: 2 peças antecarga, de alma lisa, de bronze, capazes.
    Século XVIII (final): 1 peça antecarga, de alma lisa, de bronze.










Contribution

Updated at 24/08/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (5).