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Forte do Zimbreiro

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O "Forte do Zimbreiro", também referido como "Reduto da Ponta de São Diogo" e "Forte de São Diogo", localiza-se a Sudoeste na península do Monte Brasil, na freguesia da Sé, cidade e concelho de Angra do Heroísmo, costa sul da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Integra o conjunto defensivo da Fortaleza de São João Baptista.

História

No início do século XVII, acerca da fortificação da Terceira no contexto da Crise de Sucessão de 1580, um anónimo referiu:

"Naquele tempo [crise de Sucessão de 1580], (...) e pois não havia em toda esta ilha Terceira outro forte ao longo do mar, mais que uma fortaleza, que se chama de São Sebastião; a qual El-rei D. Sebastião mandou fazer, depois que se tomou a ilha da Madeira pelos franceses pelo Caldeira [Pierre Bertrand de Montluc], que depois foi tomado, e foi feita dele justiça na cidade de Lisboa; e temendo-se esta ilha que fizessem outro tanto, se fez esta fortaleza na barra desta cidade, em uma ponta ao longo do porto das pipas, e defronte dela está um monte, que se chama o Brasil, que bota duas pontas ao mar, uma para o poente, outra para o nascente; e a que está ao nascente passavam muitas naus prolongando por longo dela, e detrás se punham muitas lanchas, sem haver quem lhe fizesse dano, por que ficava a fortaleza de S. Sebastião longe e mais metida na terra; e detrás desta ponta se podiam por muitas lanchas, e viram de noite ao longo do Monte do Brasil a fazer dano aos navios, estivesses ancorados no porto. E ordenou o corregedor Ciprião de Figueiredo [(1578-1582)] de fazer na dita porta um forte de Santo António, e na outra, que se chama do Zimbreiro, outro, e assim pela ilha outros muitos, como fez; e logo pôz em efeito tudo, por não faltar aviamento de todas as coisas necessárias na ilha, muita pedra de cantaria de duas sortes, e outras de outras sortes para alvenaria. Vinha de França pedra de cal, não faltavam oficiais para a fazerem, como sempre se fez na ilha, muitos cabouqueiros, pedreiros, mestres, que sempre houve na ilha. E ordenou muitas tricheiras e muros ao longo da costa de toda a ilha, como estão hoje em dia, como ao diante se declarará." (Anónimo, Relação das Coisas que aconteceram em a cidade de Angra, Ilha Terceira, depois que se perdeu El-Rei D. Sebastião em África, 1611. In: Arquivo dos Açores, vol. IX, 1887, pp. 16-17)

E mais adiante esclarece:

"Depois de idas as sobreditas armadas [no ano de 1581], entrava o inverno, e determinaram o corregedor, e os mais que regiam a ilha, de fazerem com brevidade todas as fortalezas na ilha; (...) e detrás do Monte do Brasil está outra baía, aonde ancoram (quando o vento é les-sueste) todos os navios: e na ponta do Brasil da outra banda, se ordenou e fez outro forte, que se chama o do Zimbreiro." (Op. cit, p. 19) 

A mesma informação foi utilizada por DRUMMOND no século XIX:

"Não havia naquele tempo em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 230)

E sobre este forte complementa:

"Na outra ponta da parte do sul [do Monte Brasil] edificou o forte chamado do Zimbreiro." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 231)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"Em outro forte, chamado Cimbreiro: Um sacre de quinze quintais e quarenta e oito arráteis, semeado de flor de lices, encavalgado em coronha nova; três peças de ferro coado, do mesmo tamanho; um falconete de bronze, com seus servidores; cento e setenta balas de ferro e seus carregadores." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 85)

No contexto da instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado em 1767:

"19.° — Ponta de S. Diogo, tem quatro baterias, que tem seis peças de bronze, das quaes uma é esfuguenada, necessitam dois reparos novos e os outros concertados, e para a sua defensa precisa mais onze peças com os seus reparos." (JÚDICE, 1981:416)

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) revestiu-se novamente de importância estratégica, voltando a ser guarnecido no Verão de 1828 (SAMPAIO, 1904:649-663).

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982).

Em nossos dias encontra-se em ruínas.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado marítimo, de enquadramento rural, isolado.




  • Forte do Zimbreiro

  • Reduto da Ponta de São Diogo, Forte de São Diogo

  • Redoubt

  • 1581 (AC)

  • 1582 (AC)



  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved

  • UNESCO World Heritage
    Encontra-se compreendido no conjunto da Fortaleza de São João Baptista do Monte Brasil, incluída no Centro Histórico de Angra do Heroísmo, classificada como Património Mundial pela UNESCO.





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Angra do Heroísmo



  • Lat: 38 -39' 20''N | Lon: 27 14' 2''W




  • 1583: "Um sacre de quinze quintais e quarenta e oito arráteis, semeado de flor de lices, encavalgado em coronha nova; três peças de ferro coado, do mesmo tamanho; um falconete de bronze, com seus servidores; cento e setenta balas de ferro e seus carregadores." (FRUTUOSO)
    1767: 6 peças antecarga, de alma lisa, de bronze,



  • FRUTUOSO - Saudades da Terra







Contribution

Updated at 26/07/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.