Fortes Portugueses na Amazônia Brasileira

O estudo faz parte de um projeto de pós-doutorado, marcado pela interdisciplinaridade, sobre os Fortes Portugueses na Amazônia Brasileira, de 1616 a 1776, fruto da acomodação europeia inscrita na "Westphalian Order" de 1648 e do Tratado de Madri de 1750. Delimita as posses coloniais no universo amazônico.

Nesse contexto, a Cartografia, a Arquitetura, a História e as Relações Internacionais se dão as mãos. Examina a cartografia dos limites, a geopolítica e a sociologia da conquista. O trabalho estuda ainda as características particulares da arquitetura militar produzida na Região em meados dos séculos XVII e XVIII. Trezentos e noventa e nove anos separam a fundação do primeiro forte dos dias de hoje. A povoamento da Amazônia testemunhou o crescer de um dos ricos patrimônios culturais e arquitetônicos do Brasil.

O objetivo desse trabalho foi verificar como se encontram atualmente esses fortes. As imagens existentes na bibliografia consultada não refletem a realidade da situação edilícia constatada. As condições criadas pelo descaso para com a memória nacional, pelo clima e pela floresta também entram em julgamento. Obedecem a necessidades que passam por circunstâncias da política e das relações internacionais de então. Alguns se situam próximos a fronteiras em locais de antigos acampamentos de tropas de resgate. A localização escolhida pelos portugueses foi função das características estratégicas militares, em geral grandes platôs de desenho triangular ou quadrado, parte delas se localizam no meio da floresta, às margens dos rios Amazonas, Negro, Solimões, Guaporé, Branco e outros.

As Fortificações na Hileia se apresentam como um marco referencial na análise da estratégia e da logística de segurança do colonialismo lusitano na Amazônia. A Política Portuguesa redimensionada depois do Tratado de Utrecht não perdia de vista suas fronteiras e seu domínio colonial. A defesa Amazônica, e a questão dos novos limites da Barra do Oiapoque, depois da renúncia francesa em 1713, são exemplos de vigilância nas relações internacionais do passado contra pretensões estrangeiras na margem norte do rio Amazonas.

A geopolítica encarnada nas fortificações contextua a demarcação de espaços transfronteiriços subsequentes ao Tratado de Madri (1750). A política da Coroa Portuguesa, de fortificar, demarcar, ocupar e povoar a Região que lhe cabia, faz parte da decisão pombalina de substituir as missões religiosas por freguesias, confiada a militares, a representantes do rei, e a alguns membros do clero. A divisão territorial incrustada por propriedades da Igreja passou a contar com o apoio da sociedade civil. A fundação de fortalezas por todo o vale do Rio Amazonas: Forte do Presépio (Belém); Santo Antonio de Gurupá (Gurupá); Fortaleza da Barra (Manaus); Forte de Tapajós (Santarém); Forte de Paru (Almeirim); Forte dos Pauxis (Óbidos); São Francisco Xavier (Tabatinga); Forte de São Gabriel da Cachoeira; Forte Príncipe da Beira; Fortaleza de Macapá, e outras ensaiaram substituir missões religiosas. A construção do plano urbanístico, seguia alguns moldes das cidades portuguesas. O presente estudo mostra como essas características refletiram em uma nova divisão territorial de transformações da toponímia.

  • Thesis
  • Graciete Guerra da Costa
  • Programa de Pesquisa e Pós-Graduação no Instituto de Relações Internacionais da UNB
  • 2015
  • Brasília
  • Portuguese
  • Trabalho final (Pós-doutorado em Relações Internacionais). Brasília, 2015. 142 p., il. Disponível em: http://repositorio.unb.br/handle/10482/21809. Acesso em 19/04/2017.
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Contribution

Updated at 10/05/2017 by the tutor Projeto Fortalezas Multimídia (Bruna Moraes).



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