Relatório do Ministro da Guerra, João Thomaz Cantuária, em maio de 1898

"Relatório apresente ao Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil pelo General de Divisão, João Thomaz Cantuária, Ministro de Estado dos Negócios da Guerra, em maio de 1898."

As fortificações do Império aparecem no relatório no contexto de listagem das obras militares, na página 26 e 27, executadas em diversos edifícios oficiais, no Forte de São Gabriel (RS) e em diversas localidades nos demais estados. Sob a responsabilidade da Comissão de Fortificações e Defesa do Litoral do Brasil, foram realizados trabalhos na Fortaleza de Santa Cruz da Barra (RJ), que além de para-raios no paiol de pólvora e uma casa de madeira para o serviço quarentenário, recebeu a instalação de um projetor elétrico de modelo Mangin, com intensidade de 45.000 velas. Ainda em Santa Cruz da Barra, o autor informa a montagem de três canhões de costa retrocarga, um de sistema Bange com 172mm e dois de sistema Whitworth de calibre 150.

De acordo com a página 28, também estariam recebendo consertos a Fortaleza Floriano Peixoto {não registrada} e Forte do Morro do Pico (RJ), assim como o Forte Tamandaré da Laje (RJ), em processo de demolições e erguimento de novas construções de alvenaria, a Fortaleza de São João da Barra (RJ), o Forte Dom Pedro II do Imbuhy (RJ), cujas obras são em muito empreendidas para o recebimento de canhões de diferentes calibres.

Na página 29 informa também que o terreno equivalente ao que hoje é o Forte de Copacabana (RJ) recebeu projetos para sua fortificação, com construção de duas baterias: uma cúpula com dois canhões, outra a céu aberto com três obuseiros. Há ainda o estudo para construção da defesa da zona litorânea da Capital, que percorreria o caminho entre a Pedra de Guaratiba até Mangaratiba, passando por Sepetiba e pelas linhas ferroviárias de Campo Grande e Santa Cruz, estações da Central do Brasil (RJ).

A mesma página fala sobre o projeto de defesa do porto de Santos (SP), sendo a ilha de Palmas escolhida como um dos pontos de construção de fortes defensivos. A ponte de Itapema, na qual se encontra o Forte de Vera Cruz de Itapema (SP), também integraria tal operação de defesa litorânea. A Enseada de Imbetiba (RJ) também aparece como parte do projeto em relação ao litoral, onde se construiria uma bateria armada de canhões de tiro rápido e metralhadores Nordenfeld. A página 30 finaliza o assunto falando da defesa no porto da Bahia (BA) e os estudos encaminhados para a construção de tal sistema.

Ainda na página 30, o relatório traz notícias sobre a construção de uma estrada entre a Villa da União e a cidade de Guarapuava (PR), que seria de grande vantagem para a Colônia Militar do Iguaçu (PR) por instituir sua via de comunicação com o território brasileiro.

Nas páginas 38 e 39, o relatório informa a respeito da Comissão de Compras de Material de Guerra na Europa, da qual era chefe o Coronel do Corpo de Engenheiros, Luiz Antônio de Medeiros, e ajudante o capitão do mesmo corpo, Alexandre Henrique Vieira Leal. Fala-se brevemente sobre o fim do contrato do governo com a fábrica de artigos bélicos Krupp e sobre o fabrico de materiais encomendados da Europa e endereçados às fortificações de Dom Pedro II do Imbuhy e Tamandaré da Laje (RJ), incluindo uma cúpula de aço com dois canhões de tiro rápido de 15 cm e um observatório encouraçado.

As colônias militares se tornam assunto no relatório a partir da página 49, a começar pela Colônia Militar de Chapecó (SC), fundada em 1882 e dirigida pelo coronel de estado-maior de 1ª classe, José Bernardino Bormann, considerada de grande importância estratégica para a defesa do país, sem desenvolvimento agrícola apesar da diversidade de suas terras, sem comunicação com áreas centrais para o comércio, o que dificultava o seu desenvolvimento.

Na página seguinte, é descrita a Colônia Militar do Iguaçu (PR), desmembrada da Comissão Estratégica do Paraná no ano de 1892, e dirigida pelo coronel graduado de estado-maior de 1ª classe, Joaquim de Salles Torres Homem. De terreno bastante fértil e próximo a rios, esta colônia possuía também grande abundância de madeiras preciosas, podendo se tornar um relevante centro agrícola e fabril. Não foi capaz de fazê-lo pela escassez de verbas investidas em seu desenvolvimento. As condições de comunicação desta colônia com o território nacional também não eram boas, e por ser uma zona fronteiriça, sofria algumas deserções de soldados daquele destacamento para o território estrangeiro.

É mencionada, na página 52, a Colônia Militar de Chopim (PR), fundada em 1882 e dirigida pelo capitão de estado-maior de artilharia, João Soares Neiva de Lima, que também era considerada bastante importante. A necessidade de ser construir estradas para essa colônia também se impõe. A página 53 menciona a Colônia Militar do Alto Uruguay (RS), fundada em 1883 e dirigida pelo 1ª tenente de artilharia, João Batista de Oliveira Brandão Junior, bastante desenvolvida na cultura agrícola. Em seguida o relatório menciona a Colônia de Pedro II (AP), fundada em 1840; com terrenos pouco propícios para agricultura, dedica-se à indústria da borracha, da castanha e de óleos naturais. Para impulsionar o desenvolvimento dessa colônia, o governo determinou a abertura de uma estrada que a ligasse com a cidade de Macapá (AP).

  • Printed Document
  • João Thomaz Cantuária
  • Imprensa Nacional
  • 1898
  • Rio de Janeiro
  • Portuguese
  • Relatório do Ministério da Guerra, Rio de Janeiro, 1898, 336 p. Disponível em: http://memoria.bn.br/pdf/720950/per720950_1898_00001.pdf. Acesso em: 12/04/2019.
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Updated at 22/05/2019 by the tutor Projeto Fortalezas Multimídia (Nicole Kirchner da Silva).



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