Fort of São Caetano de Sofala

Beira, Sofala - Mozambique

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O “Forte de São Caetano de Sofala”, comumente referido como “Fortaleza de Sofala”, localizava-se em Sofala, uma povoação na costa da atual província de Sofala, em Moçambique. Foi a primeira fortificação construída por Portugal na costa da África Oriental.

História

Antecedentes

A primitiva povoação de Sofala constituía-se num entreposto comercial Muçulmano, que juntamente com Angoche, Moçambique e Quíloa, possuíam o monopólio do ouro, oriundo de Manica e da Rodésia do Sul (Reino Monomopata), mas cujo resgate se fazia principalmente em Sofala.

Vasco da Gama, em 1502, fez um reconhecimento do local onde os portugueses viriam a estabelecer-se poucos anos depois.

De facto, decidida a impor no Oceano Índico o monopólio do comércio de especiarias, a Coroa Portuguesa enviou de Lisboa, no início de 1505, uma poderosa Armada sob o comando de D. Francisco de Almeida. Tendo a nau capitaneada por Pêro de Anaia (ou Anhaia) naufragado ainda nas águas do rio Tejo, o soberano deu ordem a D. Francisco de Almeida, para partir com 14 naus e 6 caravelas, que levantaram ferro a 25 de Março. Substituída a nau de Anaia, o restante do grupo, seis embarcações, partiu a 18 de Maio, com instruções para se juntar ao primeiro na altura de Moçambique (o local está ilegível no "Regimento" de D. Francisco de Almeida). Este segundo grupo tinha a missão de erguer uma fortificação em Sofala, de que Anaia levava a traça, artífices e cantarias lavradas (para o Portão de Armas, portas e janelas), e da qual ficaria Capitão-mor. (“Terras de Sofala” em ALBUQUERQUE, Luís de (dir.), Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, Caminho, 1994, vol. I, p. 64 e vol. II, pp. 997-998.) A sua função era a de monopolizar o tráfico de ouro vindo do interior, do Monomotapa, então nas mãos dos muçulmanos, descritas por D. Manuel I como “as minas mais ricas que nenhumas outras daquelas partes”.

A fortaleza de Sofala

O Forte de São Caetano de Sofala foi estabelecido inicialmente de forma pacífica, mediante um acordo com um chefe local. Embora Anaia tenha escolhido o local para a sua edificação, registou posteriormente, em carta para Francisco de Almeida, primeiro Vice-rei da Índia (1505-1509):"(...) parecia escusada ali a fortaleza e gasto de gente, que não senhoreava nada, porque se com paz e amizade se não fizesse o resgate, ninguém lho poderia fazer por força, por a terra ser má de doença”. 

Os trabalhos iniciaram-se a 25 de setembro de 1505, quando foi principiada uma paliçada de madeira ("tranqueira"), de planta quadrada, tendo Anaia determinado abrir um fosso ao redor para, em segurança, poder começar a erguer os muros do forte. Cada lanço do fosso tinha 120 passos de comprido, por 12 palmos de largo, e outros tantos de profundidade. Externamente ao fosso, com a terra dele retirada, o capitão determinou ainda erguer um muro entre as paliçadas que serviam de taipais, com uma altura de cerca de vinte palmos. Todo o terreno circundante foi desmatado, a fim de se abrir o campo de tiro. Essa tranqueira ficou pronta ainda em 1505, período em que foi defendida pela armada. Assim que ficou em condições de defesa, Anaia ocupou-a com uma pequena guarnição, apoiada por alguma artilharia e uma embarcação construída no local. O seu filho ficou como Capitão-do-mar da costa de Sofala, que passou a patrulhar com dois navios, visando controlar o comércio de ouro que a partir dali se fazia, principalmente com Cambaia. Os demais navios seguiram viagem para a Índia, onde deveriam carregar especiarias.

Em face de ataques dos nativos, que em pouco tempo destruíram parte da tranqueira, constatou-se a insuficiência do primitivo reduto, cogitando-se a possibilidade da construção de uma fortificação mais sólida, em alvenaria de pedra. Com a morte de Pero de Anaia (março de 1506) foi eleito capitão o feitor Manuel Fernandes que, em agosto desse mesmo ano, com alvenaria de pedra e cal trazidas de Quíloa, ergueu um cubelo de pedra e cal.

Esses eventos são recordados, anos mais tarde, pelo cronista Gaspar Correia que, tendo visitado Sofala em 1512, registou: “O Capitão mór [Pero Anes de Anaia], com o conselho de todos escolheu o lugar para construir, junto ao rio (...) e repartiu o trabalho por todos os homens, do qual trabalho, por a terra ser doentia, começou a gente a adoecer e morrer; pelo que houveram por bem acertado em não ter começado a fortaleza; e a tranqueira foi acabada em fim de Outubro, sendo muita gente doente dos maus ares da terra”. E complementa que o seu sucessor, Manuel Fernandes, como Capitão, logo a reforçou, erguendo nela "(...) um Cubelo de pedra e cal (...)", pelo que recebeu, como prémio de D. Manuel I, ser feito "Fidalgo de sua casa", e de ter apelido de menagem e brasão de armas. (Gaspar Correia, "Lendas da Índia".)

Sob o comando do capitão António de Saldanha (1509-1512) construiu-se “em derredor da fortaleza uma barbacã, e entre ela e a fortaleza, se fizeram as casas para a gente e se tiraram de dentro dela, porque dentro se fez uma cisterna”. (MONTEZ, Caetano Carvalho. “Apontamentos para o Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses: Praça de São Caetano de Sofala”. In: Monumenta: Boletim da Comissão de Monumentos Nacionais da Província de Moçambique, Lourenço Marques, n.º 1, 1965. pp. 9-13.)

De 1516 a 1518, inclusive, vemos João Vaz de Almada como seu capitão e alcaide-mor. (Mandado de João Vaz de Almada alcaide-mor de Sofala, alcaide-mor em Cananor, em 15 de outubro de 1516.)

Frei João dos Santos, o cronista da "Etiópia Oriental", no último quartel do século XVI, assim descreveu a Fortaleza de São Caetano de Sofala:

É a fortaleza de Sofala quadrada e cercada de muro de vinte e cinco palmos de altura. Tem quatro baluartes redondos nos quatro cantos, guarnecidos de artilharia grossa e miúda. Em uma quadra da banda do mar, tem uma larga e formosa torre de dois sobrados, e ao pé dela uma sala formosíssima, as quais casas são aposentos do capitão da fortaleza. Nos baixos desta sala tem o capitão suas dispensas, e no vão da torre do chão até ao primeiro sobrado, uma mui formosa e boa cisterna de água da chuva, de que bebe ordinariamente a mais gente de Sofala, por ser muito melhor que a dos poços, e não bebem do rio, porque ali é toda sua água muito salgada. Dentro desta fortaleza está a igreja matriz, que é freguesia de toda a gente da terra. Na quadra do muro que vai para a banda da povoação, está uma formosa casa, que serve de feitoria, onde se recolhem todas as fazendas, assim roupas e contas, que vêm de Moçambique, como marfim, que se compra e junta por todas estas terras” (Op. cit.)

Os séculos XVII e XVIII

No século XVII Sofala perdera importância para a ilha de Moç;ambique, que dispunha de melhor porto e se encontrava melhor posicionada para atender ao comércio do vale do rio Zambeze, principal eixo de penetração para o interior do continente desde o século XV. Essa dinâmica refletiu-se na conservação da fortificação acerca da qual, no contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), em carta de 1608 a Filipe II Espanha (1598-1621) se informava: “(...) a fortaleza está muito mal provida, sem presídio nem munições e exposta a ser ocupada dos inimigos”.

E, em 1635, foi assim referida na extensa descrição de Sofala por António Bocarro:

"A primeira fortaleza que tem Sua Magestade neste Estado da índia Oriental, começando do Cabo da Boa Esperança pera ella, he a fortaleza de Sofala, cita em altura de vinte e hum grãos escassos da banda do sul por hum rio dentro de aguoa salgada distancia de meia legoa pequena pello rio dentro, pera a qual se entra por sima do parcel tão nomeado de Sofala, que lança vinte legoas ao mar de largura e de comprimento se estende ao longo da costa cem legoas, porque toma desd'as Ilhas de Angoxa ate a ponta do Cabo da Bima. Porem, junto a este rio de Sofala fas dous canais, na forma que se pode ver da planta e com as braças de fundo que nella estão apontadas, que assy também continua pello rio dentro de duas braças sem nenhuns baixos despois de entrar a barra (posto que sempre os pilotos portuguezes quando la vão levão malemos que são os pilotos da terra) e assy não podem entrar neste rio naos grandes que demandem mais fundo do que esta apontado.

A costa desta fortaleza de Sofala, das Ilhas de Angoxa the a do Fogo, corre a lues-sudueste e toma algüa couza pera a quarta de loeste. Os ventos que curção nesta costa são, de Abril por diante até Ouptubro, suis e suestes e, de Ouptubro ate Abril, levantes que são nordestes. E entre estes ha outros, particularmente por entre monção e monção, que he no fim de Março e de Ouptubro, porem não são ventos certos nem gerais.

As correntes das aguoas nesta costa são a mayor parte do anno pera o sul, grandicimas, e as vezes também correm pera o norte, com a mesma força, principal­mente com os levantes; e assy de ordinário vão contra o vento, que he muito pera notar.

A fortaleza de Sofala em ssy he couza pequena, feita em quadro, como se vê da planta, com quatro baluartes nos quantos. Toda he de pedra e cal. Cada lanço de muro terá des braças de comprimento e de altura três e de largura sinco palmos. Não tem parapeito porque lhe servião delle as cazas dos soldados que estavão pella banda de dentro pegadas ao muro, que de prezente não ha, como também não ha soldados nem prezidio algum mais que o capitão em hüas cazas de sobrado pequenas junto ao muro, em cujas logias se podem agazalhar munições e mantimentos, que destes não ha nenhuns e munições muy poucas.

Porque a artilharia não he mais que oito falcões entre grandes e pequenos e hum camelete de metal, que estão repartidos pellos baluartes. Os cazados brancos que vivem numa povoação ao longo da fortaleza são doze e des mais pretos, que ao todo fazem vinte e dous, os quaes tem ao redor de dous mil cafres cativos, gente d'armas que poderão em algüa occazião meter-ce na fortaleza, a qual com a dita povoação fica, como se vê da planta, em hua ilheta de obra de quatrocentas braças em roda, que com maré chea a serca hum braço de rio mas sempre fica com muy pouca aguoa e fundo, e de vazia em seco só com hua lamaceira de aguoa.

Christandade nenhüa temos nas terras de Sofala, ou ao menos de pouca conside­ração, porque os mais dos cafres são gente barbara naturalmente cruel e pouco dados ao cculto divino. Só os que são nossos captivos se fazem christãos por esse respeito e lhes dura a Christandade emquanto lhes dura o captiveiro, sendo que nem repugnão muito a nossa Sancta Fee nem o rey da terra tolhe o bautizar-ce quem quizer. E assy, avendo cultivadores desintereçados desta vinha, não deixara de hir mais cres­cendo pella constância que também guardão os cafres no que hua ves começarão. Os frades de Sam Domingos são os que asistem por esta costa e hum he vigairo da Igreja que esta dentro da fortaleza (a quem lhe pagão corenta mil rés de ordinária da fazenda de Sua Magestade o feitor de Moçambique), o qual não deixa de procurar a converção dos naturais, conseguindo a de alguns que sempre são exceição da regra apontada. Mas pera tão largas terras justo fora que ouvera muitos pregadores do Evangelho, pois ha tanto lugar e caminho pera se poder pregar.

O trato da terra he secenta legoas desta fortaleza de Sofala pello certão. As fazendas que ha nella não são outras mais que marfim, que ordinariamente se gasta por panos pretos e brancos canequins e teadas como se faz por toda esta costa dos cafres, e por panos se compra tudo como também o mantimento que em tempo de paz não deixa de aver em muita abundância e barato como arros, milho e carnes de toda a sorte.

O rey do Concão de Sofala se chama o Queteve, cafre que nem he mouro nem Christão e pera o nomear gentio não se pode dizer que lei professe. Foi sozeito ao Emperador de Manamotapa, mas como esteve a nossa sombra lhe veyo quazy a negar a obediência, e oje he sobre ssy amigo dos portuguezes. E quando não anda a terra dezemquieta com algüas guerras, andamos pellas suas com toda a segurança porque comnosco raramente tem nem quer ter guerra. O poder que tem será de des ate doze mil cafres, que não são tão nomeados por valentes como alguns outros daquelas par­tes. As armas de que uzão são arcos e frechas e azagayas. Tem notável medo a espingarda.

Não tem este Rey Queteve comonicação com outra nação mais que com os por­tuguezes que seja estrangeira, nem ate'gora se sabe que algüa de Europa tomasse fala em suas terras.

Por toda esta costa ha muito ambre, que nella da e se resgata da mão dos cafres por muy baixo preço, mas não em parajem certa.

O fim e intento com que se fés e sustenta esta fortaleza de Sofala he pera sustentar o comercio de toda esta costa e rios de Cuama, que como seja de ouro, marfim, e ambre e esperanças de minas de prata. Pede a importância destas couzas e das largas terras de que os portuguezes por esta costa senhoreão o trato, que he ate o Cabo da Boa Esperança, que se procure por todos os modos evitar não entrem nações estrangeiras também nelle, tendo-ce provida esta fortaleza de Sofala como convém, porque as terras della pera o dito Cabo são tão estendidas e ricas de ouro e marfim que a todos os portuguezes da índia e do Reino e outras nações derão comercio com grandes ganhos. Porem, como o Capitão de Moçambique tem estanque este trato pella penção que paga a Sua Magestade, o fas elle somente." (António Bocarro. "Livro das Plantas de todas as Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental", 1635. Com uma planta de Pedro Resende)

No contexto da Guerra da Restauração da Independência de Portugal (1640-1668), em 1650 o então Vice-rei do Estado Português da Índia, D. Filipe de Mascarenhas (1645-1551), recomendava a sua demolição por falta de condições para resistir a um eventual ataque dos Neerlandeses, ativos no litoral de Moçambique desde o início do século XVII. A Coroa, entretanto, seguiu renovando as recomendações pela conservação e apetrechamento do forte, devido não apenas ao prestígio de que este desfrutava junto do rei do Quiteve, em cujas terras se situava, mas também pelo temor que infundia aos africanos. 

Em 1758, entretanto, a erosão marítima solapava-lhe os muros e a igreja em seu interior apresentava sinais de desgaste.

Os séculos XIX e XX

No século seguinte, em 1826 já não havia vestígios da igreja, e um dos baluartes circulares ruíra por completo, após o mar ter-lhe solapado os alicerces. Ainda assim, resistiu com sucesso, em Outubro de 1836, ao assalto dos Mathaus, vindos do sul da Zululândia. No último quartel do século, dispomos de dois testemunhos acerca da fortificação. O ex-governador do Distrito de Sofala, Alfredo Brandão Cró de Castro Ferreri, deixou-nos notícia da localização da artilharia em resultado das obras ali efetuadas:

Dentro da praça acham-se construídas diferentes casernas, e nos terraços destas é onde está assente a artilharia. É devido ao peso desta que os tectos estão todos arruinados e carecem de amiudadas reparações. Até 1750 a artilharia estava colocada nos pavimentos inferiores, sendo as casas cobertas de palha; mas tendo por ocasião da salva dada em sábado de Aleluia pegado fogo a essas coberturas, o Governador Pedro da Costa Soares mandou construir os terraços aproveitando três mil lajes que em 1736 o capitão general de Moçambique, Francisco de Melo e Castro enviara para as obras da praça”. ("Apontamentos de um ex‐governador de Sofala: Ligeiras considerações acerca do estado deste distrito, de Moçambique e do Comando Militar do Bazaruto", 1886.)

Na mesma época, o Governador-geral de Moçambique, Augusto de Castilho (1885-1889), em Relatório de Junho de 1885, deixou-nos uma descrição detalhada de seu estado de conservação:

"(...) A fortaleza de Sofala, que é a mais antiga de todas as da província, é só inferior em importância à de S. Sebastião de Moçambique e está ainda em muito regular estado de conservação, apesar das injúrias do tempo e das maiores injúrias dos homens. Carece, todavia, de algumas reparações indispensáveis e algumas urgentes, tais como: remoção dos madeiramentos de quase todas as coberturas do terraço das casas que o cercam por dentro e sobre as quais assentam as baterias; reconstrução de dois baluartes que olham a NO e SO e que parecem ter sido demolidos de propósito, pois que os alicerces mostram estar magníficos; reconstrução de uma sala contínua à secretaria e que serve hoje de terraço descoberto; apropriação de um quarto do pavimento inferior para capela, onde se arrecada condignamente uma venerável e antiquíssima imagem de S. Caetano, orago da fortaleza; reparação no carretame e palamenta da artilharia e substituição de algumas peças, quase de todo inúteis, por outras boas.

Há ainda outros arranjos que o bom gosto recomenda e que o respeito pelos monumentos históricos exige. São desse número: a limpeza de todas as cantarias lavradas que estão hoje quase totalmente invisíveis sob uma espessa e estúpida camada de cal, como sucede às armas portuguesas sobre a porta de entrada; a desobstrução de outras cantarias que estão mesmo escondidas debaixo de paredes de alvenaria como se vê ainda em uma formosa arcaria manuelina junto à casa da guarda da porta; a construção de ameias no alto da torre de menagem no género das que existem no terraço das baterias baixas da torre de S. Vicente de Belém, etc. (...).
"

Em 1900 teve lugar a derrocada de uma parte da muralha, registando-se a ruína parcial da torre de menagem (1903), que viria a ruir totalmente pouco depois. Em 30 de março de 1905, após a derrocada da torre, o Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar autorizou a entrega da fortaleza à Companhia de Moçambique, com a condição de que fosse conservada como monumento histórico. Entretanto, a reconstrução da torre no mesmo local era excessivamente dispendiosa e impunha a construção de um paredão de defesa. Desse modo, propôs-se a construção de um “padrão de 4 faces”, em terreno seguro, tão próximo quanto possível da antiga fortificação. Em 7 de dezembro de 1905 apresentava-se ao governador-geral o projeto do monumento, “simples e de estilo severo”, com “pedra tirada das ruínas do forte de Sofala e o escudo que figura no projecto é o que encimava a porta do forte”. Em volta deste seriam cravadas no chão as antigas peças de ferro, ligadas por uma corrente. Das pedras da antiga fortificação, que vieram aparelhadas de Portugal, algumas foram levadas para a cidade da Beira, onde foram utilizadas na construção da capela-mor da catedral, e nas obras da muralha de defesa. Outras pedras seguiram para a Fortaleza de Lourenço Marques (a partir de 1952), onde atualmente ainda se encontram. O resto foi abandonado – peças de artilharia, material doméstico e a imagem de São Caetano – sendo levados por turistas para fora da antiga colónia. Duas peças de artilharia do século XVI da fortificação foram oferecidos pelos Serviços de Marinha ao Museu Municipal da Beira em abril de 1966. Numa fotografia do início do século XX, é possível observar as ruínas, com a torre, e, no corpo ao lado desta, uma janela mainelada com dois arcos redondos, de feição manuelina. O álbum de Santos Rufino (1929) também apresenta imagens da fortificação.

Atualmente os seus remanescentes encontram-se quase totalmente submersos, sendo melhor visíveis na baixa-mar.

Características

A tipologia da primitiva fortificação de Sofala é em tudo semelhante à da Torre de São Gabriel, erguida na ilha de Moçambique em 1507. Foi substituída, posteriormente, no Ultramar Português, pela arquitetura de inspiração Italiana, de que já são exemplos a Fortaleza de São Sebastião e o Forte Jesus de Mombaça.

O forte de Sofala apresentava planta quadrada, com muralhas de vinte e dois metros de lado, e baluartes de planta circular nos vértices. Pelo lado do mar, erguia-se uma torre que se comunicava com a residência do capitão. No vão dessa torre havia uma cisterna de grandes dimensões. Pelo lado de terra, erguia-se a edificação destinada à feitoria. A povoação dispersava-se fora de muros.

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Fortaleza de São Caetano
Página sobre a Fortaleza de São Caetano, em Sofala, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=2063

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Contribution

Updated at 31/05/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (10).


  • Fort of São Caetano de Sofala

  • Fortaleza de Sofala

  • Fort

  • 1505 (AC)




  • Portugal

  • 1905 (AC)

  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Africa
    Country : Mozambique
    State/Province: Sofala
    City: Beira



  • Lat: 20 9' 30''S | Lon: 34 -44' 1''E










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