Castle of Guimarães

Guimarães, Braga - Portugal

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O "Castelo de Guimarães" localiza-se na freguesia de Oliveira do Castelo, cidade e concelho de Guimarães, no distrito de Braga, em Portugal.

Em posição dominante, sobranceiro ao Campo de São Mamede, este monumento encontra-se ligado à fundação do Condado Portucalense e às lutas da independência de Portugal, sendo designado popularmente como berço da nacionalidade.

História

Antecedentes

No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica, os domínios de Vimaranes (atual Guimarães) foram outorgados, em fins do século IX, a um cavaleiro de suposta origem castelhana, de nome Diogo Fernandes, que nelas veio a se estabelecer.

Uma de suas filhas, de nome Mumadona Dias, desposou o poderoso conde Hermenegildo Gonçalves, vindo a governar, desde meados do século X até ao terceiro quartel do século XI, os domínios de Portucale. Mumadona enviuvou por volta de 928, entrando na posse de vastos domínios, divididos em julho de 950 entre os seus seis filhos. O domínio de Vimaranes ficou com a filha Oneca. A condessa Mumadona Dias trocou com Oneca a propriedade de Creiximir pela de Vimaranes onde, por inspiração piedosa, fundou um mosteiro, ao qual veio a fazer, mais tarde, uma vultosa doação de terras, gado, rendas, objetos de culto e livros religiosos (26 de janeiro de 959).

O castelo medieval

A povoação de Vimaranes distribuía-se, à época, por dois núcleos: um no topo do então chamado Monte Largo, e outro, no sopé dessa elevação, onde o mosteiro foi fundado, (sítio da atual Colegiada e Igreja de Nossa Senhora da Oliveira). Essa localização era então vulnerável, além das possíveis incursões de forças Muçulmanas, oriundas da fronteira ao sul de Coimbra, às incursões de Normandos, oriundos do Mar do Norte em embarcações rápidas e ágeis, que assolavam as costas e o curso navegável dos rios à época.

Visando a defesa do núcleo monacal, a benfeitora principiou, no topo do Monte Largo, um castelo para o recolhimento das gentes em caso de necessidade. É bem conhecido historiograficamente o trecho da carta de doação desse castelo aos religiosos, lavrada em 4 de dezembro de 958, do qual consta essa decisão. Acredita-se que a estrutura então erguida, sob a invocação de São Mamede, fosse bastante simples, composta por uma torre possivelmente envolta por uma cerca. Era então referido como "castellum sanctus mames" (castelo de São Mamede).

Em fins do século X, por morte de Mumadona Dias, o seu filho primogénito, Gonçalo Mendes, tomou posse das terras, sempre respeitando a vontade da mãe no tocante aos direitos concedidos aos mosteiros. Entretanto, Gonçalo Muniuz, filho de Mínio, quarto filho da condessa, tentou apoderar-se da povoação e seu castelo, no que foi tolhido por ação de seu tio Gonçalo, chefe da família. Por sua vez, Ordonho, filho de Ramiro, terceiro filho da condessa, conseguiu apoderar-se de ambos, cedendo-os mais tarde à sua filha Mumadona, esposa de Fernando Gondemariz, que os vendeu à sua irmã, Gontrode Ordonhes, esposa de Ermegildo Mendes. Em 1045, Gontrode doou ao mosteiro tudo aquilo que originalmente a ele pertencia. No século XI o castelo é referido como "castrum sanctus mames".

Poucas décadas depois, a povoação de Vimaranes encontrava-se entre os domínios doados por Afonso VI de Leão e Castela a D. Henrique de Borgonha, que formaram o Condado Portucalense. O conde D. Henrique (1095-1112) e sua esposa, D. Teresa de Leão escolheram esta povoação e o seu castelo como residência. Desse modo, a primitiva construção da época de Mumadona terá sido demolida e, em seu lugar, erguida a imponente estrutura da torre de menagem. O perímetro defensivo foi ampliando e reforçando, nele se rasgando a porta principal, a oeste sobre a vila, e a chamada Porta da Traição, a leste.

Dentro dos muros dessa cerca terá resistido D. Afonso Henriques, futuro Afonso I de Portugal (1143-1185), em 1127, ao assédio das forças de Afonso VII de Leão e Castela, evento que levou Egas Moniz a garantir aquele soberano a vassalagem de seu amo, libertando a vila do cerco. No vizinho campo de São Mamede, o castelo foi testemunha do embate entre as forças de D. Afonso Henriques e as da condessa D. Teresa, sua mãe (24 de junho de 1128) que, com a vitória das armas do primeiro, deu origem à nacionalidade portuguesa.

Entre o final do século XII e o início do XIII, Sancho I de Portugal (1185-1211) circuitou a parte alta da vila a cavalo, a fim de lhe assinalar um termo, sendo provável que se tivesse iniciado o amuralhamento da vila a partir de então. Em meados do século XIII, sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), iniciou-se o traçado definitivo da cerca da vila, unificando a vila do Castelo (parte alta) à vila de Santa Maria (parte baixa). Estas obras estariam concluídas ao tempo de Dinis I de Portugal (1279-1325), em data anterior a 1322, quando a vila, cujo alcaide era Mem Rodrigues de Vasconcelos, suportou vitoriosa o assédio das tropas do infante D. Afonso. Em seu interior, entretanto, manteve-se o antigo muro da parte alta, demolido por volta de 1420.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), foram procedidas obras de reforço na cerca da vila, assediada neste período, no contexto da I Guerra Fernandina (1369-1370), pelas tropas de Henrique II de Castela (1334-1379) que, invadindo Portugal pelo Minho, já haviam conquistado Braga. Era seu alcaide, à época, Gonçalo Pais de Meira (1369).

Quando da crise de sucessão de 1383-1385, tendo o seu alcaide, Aires Gomes da Silva, tomado o partido de Beatriz de Portugal, a vila foi novamente cercada (junho de 1385), agora pelas forças leais a João I de Portugal (1385-1433), que a conquistaram. Neste período foram erguidas as torres de proteção das portas da muralha (1383-1433). D. João I unificou a jurisdição das duas comunidades (alta e baixa), incorporando-as num único concelho, doravante denominado como Guimarães (1389). A cerca de Guimarães compreendia, neste período, um perímetro de cerca de 2 quilómetros, sendo reforçada por 8 torres e rasgada por 8 portas.

Do século XV aos nossos dias

A partir do século XV, diante dos progressos na artilharia, o Castelo de Guimarães perdeu a sua função defensiva. No século seguinte, as suas dependências passaram a abrigar a Cadeia Municipal. No século XVII, nas Cortes de 1653, os procuradores de Guimarães pediam “(…) que se valesse ao castelo da vila, o mais sumptuoso do reino, que estava a arruinar-se e se lhe não acudissem, se arruinaria de todo e que o concerto fosse à custa das rendas que o Alcaide-mor tinha na vila. E que os muros, também os melhores do reino, se não se alimpassem cairiam arruinados, acudindo-se igualmente às torres deles com um pouco de reparação." Ainda neste século foi instalado nas dependências do castelo um palheiro do rei, acentuando-se a sua ruína.

No século XVIII, mediante solicitação da Colegiada, a cantaria da Torre de Nossa Senhora da Guia foi utilizada para obras da Igreja de São Miguel da Oliveira. Em 1793 Alberto Vieira Braga referiu que "(…) foi reconhecida a inutilidade dos muros que circundam a vila, pelo seu estado de ruína (...)."

Em 1836, um dos vereadores da Câmara Municipal, membro da Sociedade Patriótica Vimaranense, defendeu a demolição do castelo e a utilização da sua pedra para calcetar as ruas de Guimarães, já que ele tinha servido como prisão política ao tempo de D. Miguel (1828-1834). Embora tal proposta não tenha sido aceite (por um único voto na Câmara Municipal), em meados do século procedeu-se à demolição da Torre de São Bento. A vila foi elevada a cidade em 1853, por Maria II de Portugal (1826-1828, 1834-1853). Posteriormente, sob o reinado de Luís I de Portugal (1861-1889) o castelo foi classificado, por Decreto publicado em 19 de março de 1881, "Monumento Histórico de 1ª Classe", o único na região do Minho. Neste período, abandonada a hipótese de demolição, foram feitas expropriações de algumas casas, quintais e casebres que circundavam o castelo, para o desafogar.

Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 27 de agosto de 1908, publicado no Diário do Governo n.º 199 de 5 setembro, e pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado pelo Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.

A partir de 1937 a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciou-lhe extensa campanha de intervenção, que culminou com a sua reinauguração, em 4 de junho de 1940 por ocasião das comemorações do VIII Centenário da Fundação da Nacionalidade.

Em 30 de abril de 1952 a fixação da Zona Especial de Proteção Conjunta do Castelo de Guimarães, Igreja de São Miguel e Paços dos Duques de Bragança, por Portaria, é publicada no Diário do Governo, II série, n.º 103, revogada pela Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 170, de 23 de julho de 1955, que o inclui na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães.

Em 1957 tem lugar o arranjo da envolvente da capela, com projeto do arquiteto paisagista António Viana Barreto.

Posteriormente a DGEMN executou obras menores no conjunto em 1966, 1981 e 1986.

Durante trabalhos de abertura de valas para instalação elétrica no parque do castelo, em 1987 foi descoberto um poço, de construção possivelmente medieval.

Em 1 de junho de 1992, o imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, I série A, n.º 126.

Em 2004 escavações efetuadas no interior do castelo puseram a descoberto estruturas datáveis do século X.

Atualmente bem conservado, encontra-se aberto à visitação pública.

Características

Exemplar de arquitetura militar em estilos românico e gótico, situa-se no limite norte do centro histórico, isolado no topo de um pequeno afloramento granítico, na cota de 231 metros acima do nível do mar, rodeado por parque arborizado e relvado, com acesso por diversos caminhos pedonais, que percorrem o parque. Junto à torre sul encontra-se um medalhão de bronze de D. Afonso Henriques, colocado num penedo. Na proximidade, na encosta do monte, implanta-se a igreja românica de São Miguel do Castelo, o Paço dos Duques de Bragança e alguns troços da muralha que circundava a cidade e que inicialmente estariam ligados aos extremos norte e sul do castelo, onde a muralha deste prolonga-se ligeiramente.

O castelo apresenta planta pentagonal com cerca reforçada por oito torres de planta quadrangular, delimitando a praça de armas, no centro do qual se implanta a torre de menagem. Possui diversas características góticas, pois terá sido objeto de remodelações já nos finais do século XIII e durante o século seguinte, sendo acrescentada a torre de menagem e a alcáçova, possivelmente erguidos sobre construções já existentes. Os seus paramentos são em cantaria aparelhada, com muralha e torres rematadas por merlões chanfrados, alguns rasgados por seteiras.

O acesso principal à praça de armas é feito no centro do pano leste da muralha, por portal em arco angular inscrito em vão de arco de volta perfeita, visível apenas no interior, precedido por escadaria semicircular, ladeado por 2 torres. O outro acesso – a porta falsa ou da traição - é feito através do extremo norte do pano de muralha oeste, também por portal em arco quebrado, protegido por 2 torres. A torre sul era rasgada pela antiga porta da muralha, entaipada, de arco de volta perfeita.

A muralha é percorrida interiormente por adarve, com acesso por 2 estreitas escadarias divergentes junto ao portal principal. Adossada à muralha pelo interior, do lado norte, existem vestígios da antiga alcáçova com paredes rasgadas por grandes janelas e 2 chaminés distribuídas pelos 2 registos.

A torre de menagem apresenta planta quadrangular, com cerca de 27 metros de altura, com panos murários de 3 registos, rasgados por frestas e acesso ao nível do segundo, por um estreito passadiço de madeira, comunicante com o adarve, a oeste. Internamente divide-se em 3 pisos, com espaços únicos, comunicantes por escadarias, com pavimentos e tetos de madeira.



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Contribution

Updated at 03/12/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 27 de agosto de 1908, publicado no Diário do Governo n.º 199 de 5 setembro, e pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado pelo Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.
    Em 30 de abril de 1952 a fixação da Zona Especial de Proteção Conjunta do Castelo de Guimarães, Igreja de São Miguel e Paços dos Duques de Bragança, por Portaria, é publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 103, revogada pela Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 170, de 23 de julho de 1955, que o inclui na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães.





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  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Braga
    City: Guimarães



  • Lat: 41 -27' 8''N | Lon: 8 17' 26''W










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