Fort of São Francisco de Lovelhe

Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo - Portugal

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O “Forte de São Francisco de Lovelhe”, também denominado como “Forte de Lovelhe” e “Forte de Azevedo”, localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Vila Nova de Cerveira e Lovelhe, concelho de Vila Nova de Cerveira, distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

História

Antecedentes

Lovelhe já existia à época da ocupação romana da península Ibérica, e como paróquia em 675, constituindo-se assim em uma das mais antigas freguesias de Portugal. Nesse período, à época do reinado de Wamba (672-680), último grande rei dos Visigodos, terá existido aqui uma igreja matriz, reputada por sua riqueza e elegância, da qual não restaram vestígios.

O forte seiscentista

A sua fortificação data da época da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668), integrante da linha defensiva que guarnecia a margem esquerda da foz rio Minho e aquele trecho do litoral atlântico português. Iniciado em 1642, por ordem passada ao General e Mestre de Campo D. Francisco de Azevedo, cooperava com a Atalaia de Lovelhe e com o Castelo de Vila Nova de Cerveira, cujo assédio, em 1643, assistiu. As suas obras estavam concluídas em 1663.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) foi artilhado pela segunda vez em 1704. (GUERRA, 1926:684.)

Uma planta do forte, desenhada por Gonçalo Luís da Silva Brandão em 1758, informa-nos que este distava da fortaleza de Vila Nova de Cerveira 400 braças, sendo pequeno mas de melhor defesa que a praça, tendo o fosso imperfeito, sem estrada encoberta nem parapeito nela; estava sem guarnição e sentinela, servindo de recolhimento ao carniceiro da praça, que o trazia arrendado à Vedoria de Viana, estando por isso com os quartéis e armazéns caídos até à abóbada do da pólvora.

Anos mais tarde, os Mapas dos oficiais e soldados referem:

- em 1776 a permanência de 5 a 10 soldados no forte. A 7 de abril desse ano era seu comandante Luís Gabriel Taveira da Costa e, relativamente às muralhas, há notícia de que elas se encontravam operacionais e "reformadas de novo"; refere-se a existência de 5 quartéis, "reformados de novo com o armazém e paiol de pólvora".

- em 1777 a permanência de 8 a 9 homens no forte; relativamente à artilharia, dispunha de cinco peças de calibre 9, uma de calibre 4 e uma de calibre 3.

- em 1778 a permanência de 7 a 8 homens no forte.

- em 1790 a existência de paiol.

Em 1792 o soberano proibiu a existência de edifícios ou culturas dentro dos fossos ou sobre qualquer obra de fortificação das praças e fortalezas da província do Minho.

Da Guerra Peninsular aos nossos dias

Em 1797 D. Rodrigo de Lencastre mandou reconstruir o forte.

Quando da eclosão da Guerra Peninsular (1808-1814), em 1809 o forte estava guarnecido, mas artilhado apenas com uma antiga peça espanhola. (GUERRA, 1926:684). A defesa do rio Minho, impedindo a travessia das tropas napoleónicas, teve lugar na vila de Caminha, a 16 de fevereiro de 1809, e em Vila Nova de Cerveira no dia seguinte, 17 de fevereiro. Estando ausente o Governador do forte, o Sargento-mor José Ferreira Cardoso de Magalhães, logo ao início da manhã avisaram à sua esposa, D. Ana do Nascimento Ferreira de Magalhães, vulgo "a Resina", que o quartel dos franceses fora estabelecido em Gaião, na casa fronteira dos Correias. De imediato a senhora mandou posicionar a peça na direção daquele solar, dando ordem de fogo com tanta felicidade que derrubou uma quina da sala onde se encontrava Franceschi, comandante da Infantaria Ligeira. Ao mesmo tempo, saíam do caneiro da Torrinha as barcas ali abrigadas, que os franceses deslocavam para a travessia do rio em Caminha. O fogo sobre elas também logrou colocar ao fundo duas ou três, e o povo, incitado pela mesma senhora a não permitir o desembarque aos franceses, acorreu à margem para repeli-los.

Como represália por este episódio, assim que as tropas francesas conseguiram penetrar no território português, uma força comandada por um sargento investiu sobre o forte para destruí-lo e, com um barril de pólvora colocado na capela, fizeram saltar as suas edificações. (Op. cit., pp. 684-685.)

Em 1820 determinou-se aquartelassem aqui os veteranos, mas em 1830 encontrava-se guarnecido por apenas um cabo. (Op. cit., p. 685)

Em 1857, quando da eclosão de uma epidemia de febre-amarela, aqui foi estabelecido o Lazareto. Pouco depois caiu em abandono, tendo a população começado a furtar a cantaria da porta e abóbada da entrada. (Op. cit., p. 685)

No século XX, em 28 de março de 1928 o Ministério da Guerra autorizou a venda do Prédio Militar n.º 12, constituído por uma casa abarracada e em ruínas no interior do forte, confrontando a norte com caminho público, a sul e a leste com muralhas e a oeste com o Prédio Militar n.º 2, avaliado em 324$000, possuindo a área de 54 m² e estando omissa na Matriz Predial Urbana. Este edifício, que se destinava a habitação do encarregado dos quartéis, achava-se destelhado e em mau estado, restando-lhe apenas as paredes. No ano seguinte (1929), a 18 de abril, o Prédio Militar n.º 12 foi vendido em hasta pública a João de Portugal Marrecas Gonçalves, por 2.520$00, ali se apresentando também como possível comprador José Maria Fernandes Baixinho, comerciante e residente em Vila Nova de Cerveira; foram testemunhas presenciais Abraão Henriques Pinto, 2.º sargento do Regimento de Infantaria n.º 3, e Mário José Pires, 2.º sargento do mesmo regimento, ambos residentes em Valença.

Na década de 1930 os edifícios dos quartéis e outros no interior do forte passaram a ser sucessivamente alugados a vários particulares. Em 1934 o forte foi avaliado em 30.000$00, encontrando-se então arruinado, apresentando como área de terreno 150.25 m² e de edifícios 222.90 m². Em 7 de setembro de 1938 lavrou-se o auto de entrega ao Ministério das Finanças, sendo então abatido do Ministério de Guerra.

Em 30 de junho de 1941 esteve arrendado sob o n.º 9, por 150$000 a Manuel Francisco Senhorãis. Por volta de 1945, em seu interior existiam outras construções, a saber:

- o edifício do quartel, de dois pavimentos, encostado à muralha a sul, confrontando a norte com caminho público, a leste com o Prédio Militar n.º 3 e a oeste com o Prédio Militar n.º 4, possuindo a área de 70.10 m²;

- um outro prédio militar de n.º 13, com 70.10 m², confrontando a oeste com casa de Maria da Silva e o Prédio Militar n.º 4;

- o Prédio Militar n.º 14, constituído por 6 quartéis de esquadra, abarracado e em ruínas, confrontando a norte com o Prédio Militar n.º 6, a sul com a muralha, a leste com prédio particular e a oeste com a muralha;

- o Prédio Militar n.º 15, constituído por dois quartéis de esquadra, abarracado, tendo 66.88 m² de área, confrontando a norte com o reparo, a sul com largo público, a leste com terreno n.º 5 e a oeste com terreno do Ministério da Guerra.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público por Despacho de 12 de outubro de 1979 do Secretário de Estado da Cultura.

Na década de 1990 tiveram lugar trabalhos de limpeza no interior e envolvente do forte, foram efetuadas sondagens arqueológicas em diversos pontos para determinar a existência de estruturas cronológicas anteriores, e executados trabalhos de recuperação das muralhas.

Em nossos dias encontra-se danificado pelo tempo e pelos elementos, e já não possui cordão e parapeitos, o remate do portal de acesso e a abóbada do túnel de entrada, nem os edifícios do interior, conservando contudo as guaritas. A Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho está a desenvolver um Plano Director das Fortalezas Transfronteiriças do Vale do Minho, com vistas à "valorização e divulgação das fortificações que constituem o sistema defensivo da fronteira luso-espanhola", no qual se insere o Forte de São Francisco.

Foi classificado como Sítio de Interesse Público em 3 de outubro de 2018.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de enquadramento rural, isolado, na cota de 36 metros acima do nível do mar.

Apresenta planta pentagonal composta por cinco baluartes, quatro de dimensões iguais, dispostos lateralmente dois a dois, e um quinto, maior, edificado no muro fronteiro à porta de armas. Não possui alicerces, assentando diretamente sobre o solo natural, estando no entanto as primeiras fiadas protegidas com terra extraída do fosso.

Paramentos em talude, de cunhais aparelhados, sobrepujados por guaritas circulares com cúpulas piramidais, apresentando uma única entrada na cortina a sudeste, com portal de arco de volta perfeita, e escarpa interior em torrão. É envolvido por contra-escarpa igualmente em torrão e fosso, com largura de cerca de 4 metros e profundidade difícil de definir devido ao assoreamento e à vegetação que o recobre, o qual, segundo desenhos antigos, possuía caminho coberto. O fosso tem acesso apenas a partir de um corte da contra-escarpa fronteiro ao baluarte leste.

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Forte de Lovelhe
Página dedicada ao Forte de Lovelhe, e que integra o website “Vale do Minho. Espaço, Memória e Identidade” (http://www.emi.acer-pt.org/), projeto desenvolvido pela Associação Cultural e de Estudos Regionais - ACER - com a concepção e direção geral de Antero Leite. No menu principal do website do projeto, que aborda vários aspectos culturais da região do Vale do Minho (Portugal), na seção "Pesquisa Tipológica", opção "Arquitetura Militar", podem ser encontrados também conteúdos sobre outras fortificações dessa região.

http://www.emi.acer-pt.org/concelhos/vila-nova-de-cerveira/116-lovelhe...

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Contribution

Updated at 05/10/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Fort of São Francisco de Lovelhe

  • Forte de Lovelhe, Forte de Azevedo

  • Fort

  • 1642 (AC)

  • 1663 (AC)



  • Portugal


  • Semiconserved Ruins

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público por Despacho de 12 de outubro de 1979 do Secretário de Estado da Cultura.
    Foi classificado como Sítio de Interesse Público em 3 de outubro de 2018.





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viana do Castelo
    City: Vila Nova de Cerveira



  • Lat: 41 -58' 55''N | Lon: 8 44' 33''W




  • 1777: 5 peças de artilharia antecarga, de alma lisa, de calibre 9, uma de calibre 4 e uma de calibre 3.
    1809: 1 peça de artilharia antecarga, de alma lisa, espanhola.


  • Na década de 1990 tiveram lugar trabalhos de limpeza no interior e envolvente do forte, foram efetuadas sondagens arqueológicas em diversos pontos para determinar a existência de estruturas cronológicas anteriores, e executados trabalhos de recuperação das muralhas.




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