Citadel of Cascais

Cascais, Lisboa - Portugal

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A “Cidadela de Cascais” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Cascais e Estoril, concelho de Cascais, distrito de Lisboa, em Portugal.

Na extremidade oeste da enseada de Cascais constitui-se em um complexo fortificado que compreende:

• a Torre de Santo António de Cascais;

• o Forte de Nossa Senhora da Luz de Cascais, e

• a chamada Cidadela de Cascais.

Este conjunto tinha a função de defesa daquele trecho da costa, acesso à capital do país, Lisboa.

História

Com o desenvolvimento das navegações europeias, a partir do momento em que as embarcações portuguesas passaram a retornar com riquezas do litoral africano, atraindo corsários e piratas que as perseguiam até à barra do Tejo, Lisboa viu a sua importância crescer, vindo a sediar a Casa da Guiné e da Mina (após 1460), e posteriormente a Casa da Guiné, da Mina e da Índia (após 1503).

Nesse contexto, João II de Portugal (1481-1495) iniciou a implantação de um plano de defesa do acesso marítimo à capital, composto pelo Baluarte da Caparica (mais tarde denominado “Torre Velha”), pelo Baluarte de Cascais e pela projetada Torre de Belém, que cooperavam com uma nau artilhada, fundeada no meio do rio. Do ponto de vista arquitetónico, estas construções tardo-medievais consignam o compromisso entre o antigo castelo e a fortificação marítima do período moderno que se avizinhava. Embora simplificadas, essas estruturas eram ainda as de um pequeno castelo: uma torre quadrangular ameada e adossada por um outro corpo, mais baixo, de planta retangular, sendo todo o conjunto envolvido por muralhas.

No caso concreto de Cascais, a torre, iniciada em 1488 mas que ainda não estava concluída 1505, constituía-se em um posto avançado de vigia da entrada da barra, permitindo aos seus ocupantes identificar a aproximação de qualquer embarcação.

Erigida sobre a rocha, no fecho da enseada de Cascais, as suas muralhas, já adaptadas à artilharia, permitiam o tiro à flor-d'água e sobre a enseada. Salvaguardava-se assim a vila de qualquer eventual desembarque hostil, e simultaneamente protegiam-se os navios que aí aguardavam, em segurança, a maré e os ventos para seguirem viagem.

Com a operação das Armadas da Índia, entretanto, e a implantação do sistema de Armadas, nomeadamente a das Ilhas (1520), a posição da enseada de Cascais perdeu importância.

Até ao reinado de Sebastião I de Portugal (1557-1578), não há qualquer referência a esta torre ou a trabalhos aqui realizados. Contudo, acredita-se que até 1594 - altura em que, ao que tudo indica, foi envolvida pelos três baluartes que a transformaram no Forte de Nossa Senhora da Luz -, as muralhas, expostas às fúrias do mar, eram de certo modo reconstruídas no final de cada inverno, como afirma um dos Sargento-mor da torre, na altura do seu abaluartamento.

Cascais e a sua fortificação voltam a ser citados durante o governo do Cardeal D. Henrique (1578-1580), que no contexto da Crise de Sucessão de 1580 mandou reforçar a sua defesa com o envio de tropas, artilharia, munições e armas.

À época da Dinastia Filipina (1580-1640), sob o reinado de Filipe II de Espanha (1580-1598), foi projetada a ampliação e reforço desta estrutura, inscrita no vasto plano de defesa da barra do rio Tejo (1590).

Esse projeto, entretanto, não chegou a ser plenamente implementado, tendo-se limitado ao reforço e ampliação da primitiva torre que, tendo recebido planta no formato triangular, foi reinaugurada sob a invocação de Nossa Senhora da Luz.

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668), a ameaça de um ataque da armada espanhola a Lisboa chamou a atenção para a necessidade de conceber um novo plano estratégico de defesa da barra do Tejo. Desse modo, em 1642 o Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) incumbiu desta tarefa o Governador das Armas da Praça de Cascais, D. António Luís de Meneses (1642-1675), 3.º conde de Cantanhede.

Deu-se início então à construção da Linha Fortificada de Defesa da Barra do Tejo, dividida em três jurisdições militares com cabeça em três Praças de Guerra:

• a mais ocidental, o Forte de Nossa Senhora da Luz, em Cascais;

• mais a oriente, a Fortaleza de São Julião da Barra, em Oeiras;

• de Algés até à zona oriental de Lisboa seguia-se a jurisdição de Lisboa ou da Corte, com sede na Torre de São Vicente de Belém.

Estas três Praças de Guerra eram apoiadas por vários fortes mais pequenos que foram erguidos ou reformados ao longo da costa desde o Cabo da Roca até Belém.

Num primeiro momento, já em 1641, o engenheiro militar Simão Mateus, comissionado como responsável pelas fortificações de Lisboa, havia sido incumbido de estudar a ampliação da fortificação de Cascais. Pouco depois foi substituído pelo francês Philipe Guiteau, conterrâneo de Charles Lassart, nomeado engenheiro-mor do reino por D. João IV desde março de 1641.

Guiteau introduziu algumas modificações no plano de Mateus, mas devido a problemas com o então Governador da praça, foi substituído em suas funções pelo jesuíta Joannes Cieremans (João Cosmander).

As obras da Cidadela ampliavam em larga escala as capacidades defensivas na enseada de Cascais. Após 1645 a capacidade do efetivo da fortificação havia sido elevada para um contingente de 3000 homens. Permanecia como seu Governador o conde de Cantanhede.

Em 1650 Nicolau de Langres passou a ser o encarregado da direção dos trabalhos, que foram dados como concluídos em 1681, conforme inscrição epigráfica sobre o seu Portão de Armas:

"I.H.S.V.M. / EL=REI DOM IOÃO 4o. De FELICE MEMORIA MANDOU FA= / ZER ESTA FORTALEZA SENDo G.or DAS ARMAS Do ANto LVIZ / DE MENEZES CÔDe De CANTANHEDe DoS SEVS CONEiros DeSTADo E G= / Vrra VEADoR DE SVA FAda COMECOV NO ANNO DE 1681"

Em 1696 teve lugar intervenção e levantamento da fortificação de Cascais pelo engenheiro militar Manuel do Couto.

O conjunto foi danificado durante o terramoto de 1 de setembro de 1755, quando se abriram fendas nos muros externos, vindo a desmoronar a parte superior da antiga torre, assim como todos os seus assoalhos e tetos. As paredes-mestras da torre salvaram-se apenas devido à sua espessura e ao fato de estarem amparadas pelas muralhas quinhentistas da fortificação. Perdeu-se ainda, na ocasião, a Capela de Santo António, patrono do Exército português.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) foi em Cascais que o general Jean-Andoche Junot se instalou. Aqui também assinou a sua rendição (1808).

Foi da Cidadela que partiu, em 1810, para a batalha do Buçaco, o Regimento de Infantaria de Cascais, sob a proteção de Santo António, cuja imagem ainda se encontra na Cidadela. O regimento ingressou no conflito sob o n° 19 de Infantaria (Janeiro de 1809), tendo regressado em 30 de agosto de 1814.

Mais tarde, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foram empreendidos diversos reparos na Praça. (PINHO LEAL, “Portugal Antigo e Moderno”.)

No reinado de Luís I de Portugal (1861-1889) registou-se a adaptação da Cidadela a residência de Verão da Família Real Portuguesa (1871), momento em que foi erguido o Palácio Real, aqui tendo os seus elementos iniciado o hábito de frequentar a praia. A partir de então, diversas famílias importantes começaram a estabelecer-se na região, erguendo os seus palácios, o que transformou a vila numa comunidade cosmopolita. Foi na Cidadela que se inaugurou, a 28 de setembro de 1878, dia do aniversário do príncipe D. Carlos, seis lâmpadas elétricas, as primeiras no país. Aqui também veio a faleceu aquele monarca (1889).

Após a implantação da República Portuguesa (1910), o Palácio ficou dependente da Presidência da República, tendo sido utilizado sobretudo pelo presidente Óscar Carmona (1926-1951) que ali residiu quase todo o período de seu governo.

Em 1933 registou-se a intervenção no edifício do Palácio pelo arquiteto Cassiano Viriato Branco.

Intervenções pontuais do poder público na conservação e restauro do conjunto tiveram lugar entre 1952 e 1984.

Em 1963 o Palácio passou a ser utilizado como residência de Verão pelo presidente da República.

O conjunto da “Cidadela de Cascais, incluindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a Torre Fortificada de Cascais” e toda a parte fortificada que está compreendida entre a ponta do Salmodo e o Clube Naval de Cascais, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto nº 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro de 1977. Encontra-se incluído ainda na Área Protegida de Sintra – Cascais.

Entre 1978 e 1988 tiveram lugar campanhas de prospecção arqueológica na Torre de Santo António e no Forte de Nossa Senhora da Luz.

Novas campanhas de restauro tiveram lugar a partir de 1985, momento em que a cidadela e as instalações do forte eram utilizadas pelo Exército Português.

Pelo Decreto-lei 106F/92 de 1 de junho de 1992 parte do imóvel foi afeta ao Instituto Português do Património e Arquitectónico (IPPAR) .

Em outubro de 2004 teve lugar nova campanha de escavações arqueológicas.

O edifício do Palácio foi cedido ao Grupo Pestana por um período de 63 anos, com a finalidade de requalificá-lo como instalação hoteleira (13 de maio de 2009) - a Pousada Cascais.

No ano de 2011 formulou-se proposta de fixação de Zona Especial de Proteção Conjunta da Casa de Santa Maria, Palácio dos Condes de Castro Guimarães, do Forte de Santa Marta, da Cidadela de Cascais e respectivos imóveis e o Marégrafo (24 de maio), tendo sido exarado Parecer pela Comissão Nacional de Cultura a propor que sejam fixadas Zonas Especiais de Proteção para cada um dos imóveis (10 de outubro). Finalmente, em 2013, o projeto de decisão de fixação da Zona Especial de Proteção conjunta da Cidadela de Cascais, da Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, do Marégrafo de Cascais, do Palácio do Conde de Castro Guimarães, da Casa de Santa Maria, do Jardim da Casa de Santa Maria e do Forte de Santa Marta, veio a público pelo Anúncio n.º 340/2013, publicado no Diário da República, II Série, n.º 211, de 31 de outubro.

Características

Exemplar de arquitetura militar, de enquadramento urbano, tendo a sul o mar e a norte a estrada, em estilos renascentista e maneirista.

O seu conjunto ficou composto pelo Forte de Nossa Senhora da Luz, que envolve os restos da antiga Torre de Santo António, pela Cidadela propriamente dita, erguida por D. João IV e, posteriormente, pelo Palácio Real, erguido em fins século XIX.

A planimetria da Cidadela desenvolveu-se em volta do Forte da Senhora da Luz, da qual se aproveitaram apenas as baterias e o revelim, passando a funcionar quase como um armazém dentro da grande praça-forte seiscentista.

Apresenta planta quadrangular com baluartes nos vértices, especialmente agudos aqueles voltados a terra. O alçado com moldura a todo o comprimento, é coroado em certos traços por merlões quadrangulares. O Pórtico em estrutura avançada, termina em frontão triangular ladeado por pináculos com arco pleno e aduelas em aparelho rusticado. No interior, para além do Palácio residencial e da cisterna, ergue-se a capela sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória com retábulo de talha dourada.

O Forte de Nossa Senhora da Luz a sudoeste, em estilo renascentista, onde se integra a Torre de Santo António, apresenta planta triangular, com três baluartes, dois deles voltados ao mar, e com ângulo mais aberto do que o outro, muito agudo. A cisterna tem planta em “L”. A sua planta triangular ilustra as ideias inovadoras dos arquitetos italianos, sem precedentes em Portugal.



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Contribution

Updated at 01/09/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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    O conjunto da “Cidadela de Cascais, incluindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a Torre Fortificada de Cascais” e toda a parte fortificada que está compreendida entre a ponta do Salmodo e o Clube Naval de Cascais, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto nº 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro de 1977. Encontra-se incluído ainda na Área Protegida de Sintra – Cascais.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Cascais



  • Lat: 38 -42' 23''N | Lon: 9 25' 10''W










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