Forte de São Teodósio

Cascais, Lisboa - Portugal

Pesquisa de Imagens da fortificação

Data 1 Data 2

Mídias (1)

Imagens (1)

O “Forte de São Teodósio”, também referido como "Forte de São João da Cadaveira", “Forte da Cadaveira” e "Forte d'Assubida", localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Cascais e Estoril, concelho de Cascais, distrito de Lisboa, em Portugal.

À margem da antiga ribeira da Cadaveira, sobranceiro à praia de São João do Estoril, foi edificado no contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), integrando a 1.ª linha de fortificações da barra do Tejo, que se estendia do cabo da Roca até à Torre de Belém para defesa da cidade de Lisboa.

História

Foi erguido por determinação do Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656), sob a supervisão do Governador das Armas da Praça de Cascais, D. António Luís de Meneses (1642-1675), 3° conde de Cantanhede. Foi iniciado em 5 de abril de 1642, tendo sido concluído no ano seguinte (1643), conforme inscrição epigráfica sobre o Portão de Armas.

Originalmente referido como "Forte d’Assubida", por se localizar no alto da antiga rampa da Cadaveira, na estrada velha de Cascais–Lisboa, a sua atual designação é uma homenagem ao primogénito de D. João IV, D. Teodósio de Bragança (1634-1653), 9.º duque de Bragança e 1.º príncipe do Brasil.

Anteriormente a 1693 registaram-se obras de reforço do forte com a construção de uma cortina exterior, com parapeito a toda à volta (estrada coberta), que funcionava como primeira linha de defesa. Data de 1693 uma planta do forte.

No início do século XVIII tem lugar a construção de três guaritas, em tijolo, na fachada virada a leste.

Por relatório de 1720 temos ciência de que encontrava-se em bom estado de conservação, necessitando apenas de betume nos lajeados dos terraços e de pequeno conserto em uma guarita, obras orçadas em 4$000 reis. O forte possuía guarnição, mas a sua artilharia estava inoperacional, estando uma das peças capaz de servir, mas sem reparo, e uma outra inutilizada, além de que não dispunha de pólvora e nem de munições.

Em 1747 estava guarnecido por três praças de Cascais, sob o comando de um cabo, e na bateria existiam 3 peças de ferro. Posteriormente, em 1751, algumas estruturas do forte encontravam-se em ruína, necessitando reparações numa guarita, nos parapeitos da bateria, lajeados sobre os aquartelamentos e nos muros da estrada coberta. Estas obras não chegaram a realizar-se.

O relatório do Coronel Engenheiro José Matias de Oliveira Rego (18 de agosto de 1796) dá conta do forte arruinado, sem guarnição nem artilharia.

Entre 1793 e 1794 não se encontra contemplado no plano de modernização das fortificações marítimas de Lisboa implementado naquele período. Passou a servir apenas de abrigo esporádico às tropas que patrulhavam a costa.

Em 1805 o forte servia de abrigo às tropas que tentavam impedir o desembarque de qualquer embarcação por causa da ameaça do cólera.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) readquiriu importância estratégica, fruto da necessidade de dotar Lisboa de um conjunto de defesas resistente às forças liberais. Desse modo, em 3 de junho de 1831 tiveram início obras de restauro, orçadas em 477$000 reis e realizadas em um mês: reparação da ruína do parapeito da bateria, paredes e guaritas, paiol provisório, armazém da palamenta e alojamentos, reedificação do parapeito da estrada coberta, banqueta e esplanada, feitura da porta do forte e da cancela para a estrada coberta, assoalhar alojamentos, portas, tarimbas e uma janela, e restaurar as armas sobre o portal, que se encontravam picadas desde as Invasões Francesas. Em maio de 1832 encontrava-se guarnecido por 6 soldados de milícias, 1 cabo e 2 veteranos, sob o comando de um governador, e artilhado com 2 peças de ferro, dos calibres 18 e 12.

Cessada a sua função militar, o Alvará Régio de 16 de fevereiro de 1843 determinou a cedência do forte à Santa Casa da Misericórdia de Cascais, passando a edifício de apoio à exploração das águas termais existentes nas proximidades.

Em 31 de outubro de 1850 foi elaborado orçamento de obras com vista à recuperação do forte para a atividade militar, mas que não chegaram a ser executadas.

A Portaria do Ministério da Guerra de 6 de dezembro de 1860 renovou a autorização concedida à Santa Casa da Misericórdia de Cascais para a utilização do forte como arrecadação de apoio à estância de banhos.

O arrendamento do forte foi arrematado em hasta pública por um particular em 1889, por um prazo de nove anos. Este transformou-o em casa de abrigo de mendigos e trabalhadores que davam serventia em obras da região.

Em 27 de dezembro de 1897 foi lavrada escritura notarial de cedência do forte à Santa Casa da Misericórdia de Cascais, autorizando a mesma a proceder ao seu trespasse, o que efetivamente veio a acontecer para a Empresa de Banhos da Poça.

No século XX, entre 1936 e 1940 sucederam-se vários projetos de adaptação do forte a uma nova função (miradouro, casa de chá, clínica marítima e outras).

Em 1940, devido à construção da Estrada Marginal (EN6), o forte foi desocupado e demolidos os parapeitos da cortina exterior que o envolviam.

Em junho de 1942 nele instalou-se um posto da Guarda Fiscal.

A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu-lhe obras na fachada lateral direita (1950), limpeza exterior e arranjo, reparação e caiação nas paredes exteriores, terraço e guaritas; vigotas de betão (1958).

Em 1962 funcionou no local uma casa de chá.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro.

Foi cedido à Câmara Municipal de Cascais em 2003-2004, com projeto para a sua requalificação e aproveitamento como casa de chá e áreas expositivas concluído em outubro de 2006. Previa-se que as obras estivessem concluídas até fins de 2009, ao custo de 500 mil euros, mas as mesmas jamais foram iniciadas.

Atualmente o imóvel encontra-se devoluto e mal conservado.

Características

Exemplar de arquitetura militar, maneirista, marítima, isolado.

Apresenta planta quadrangular, com a bateria voltada ao mar. No lado oposto, erguem-se as dependências de serviço em uma edificação abobadada, subdivida em quatro compartimentos, cobertos por terraços onde se abre plataforma com parapeito para tiro de fuzilaria, pelo lado de terra.

A fortificação era originalmente protegida por uma cortina de trincheiras, e nos finais do século XVII esta linha defensiva foi reforçada com uma cortina exterior. Já no século XVIII foram construídas três guaritas de planta circular em três dos ângulos do forte.

O portal é ladeado por pilastras que suportam arco pleno encimado por lápide com inscrição referente à fundação do forte, e escudo com armas de Portugal, com coroa sobrepujada por timbre.

Bibliografia

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de. Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa. Lisboa, 1963.

BARROS, Maria de Fátima Rombouts; BOIÇA, Joaquim Manuel Ferreira; RAMALHO, Maria Margarida Magalhães. As fortificações marítimas da costa de Cascais. Lisboa: Quetzal, 2001.

GODINHO, Helena Campos; MACEDO, Silvana Costa; PEREIRA, Teresa Marçal. "Levantamento do Património do Concelho de Cascais. 1975 - Herança do Património Arquitectónico Europeu". in "Arquivo de Cascais", n.º 9, s.l., 1990. pp. 87–235.

LOURENÇO, Manuel Acácio Pereira. As Fortalezas da Costa Marítima de Cascais. Cascais, 1964.



 Personagens relacionados


 Imprimir Personagens relacionados

Bibliografias relacionadas 


 Imprimir Bibliografias relacionadas

Contribuições

Atualizado em 30/09/2017 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuições com mídias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Forte de São Teodósio

  • Forte de São João da Cadaveira, Forte da Cadaveira, Forte d’Assubida

  • Forte

  • 1642 (DC)

  • 1643 (DC)



  • Portugal


  • Descaracterizada e Mal Conservada

  • Proteção Nacional
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro.





  • Sem uso definido

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Lisboa
    Cidade: Cascais

    EN6 (Avenida Marginal)
    Cascais e Estoril, Cascais, Lisboa.


  • Lat: 38 -43' 54''N | Lon: 9 23' 28''W




  • 1720: 2 peças antecarga, de alma lisa - uma desmontada e outra inservível.
    1747: 3 peças antecarga, de alma lisa, de ferro.
    1796: não possuía artilharia.
    1832: 2 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, dos calibres 18 e 12.






Imprimir o conteúdo


Cadastre o seu e-mail para receber novidades sobre este projeto


Fortalezas.org > Fortificação > Forte de São Teodósio