Forte de Nossa Senhora dos Anjos de Paimogo

Lourinhã, Lisboa - Portugal

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O “Forte de Nossa Senhora dos Anjos de Paimogo”, também referido como “Forte no lugar de Paimogo” ou “Forte da Lourinhã”, ergue-se em posição dominante sobre a praia de Paimogo, na freguesia de União das Freguesias de Lourinhã e Atalaia, concelho da Lourinhã, distrito de Lisboa, em Portugal.

História

Foi erigido pelo Governador das Armas da Praça de Cascais, D. António Luís de Meneses (1642-1675), 3.° conde de Cantanhede com a função de combate a piratas da Barbária. Concluído em 1674, conforme inscrição epigráfica sobre o portão de armas, era seu governador Manuel Estaço Moreno, nomeado em 25 de outubro de 1670.

O relatório de 1675 dá conta de que se encontrava dependente da Praça-forte de Cascais, guarnecido por 1 cabo, 6 artilheiros e 6 soldados, e artilhado com 6 peças de ferro.

Em 1735 era seu governador António Ribeiro, e estava artilhado por 8 peças.

O relatório do inspetor José Matias de Oliveira Rego (1796) dá conta de que, ainda que não tivesse as muralhas derruídas, o estado geral de conservação do forte não era bom. Maximiano José da Serra informou, no mesmo ano: “Está elevado sobre o plano do mar mais de 50 palmos, defende terreno próprio de praia e está capaz de edificação.” (“Plantas dos Fortes e Fortalezas da Costa do Norte do Reino de Portugal”. Lisboa, 1796. AHM)

Em 1804 encontrava-se guarnecido por 5 artilheiros e 5 fuzileiros.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), a coberto de seus fogos, aqui desembarcaram as forças inglesas que vieram reforçar as forças luso-britânicas sob o comando do marechal Arthur Wellesley, 1.º duque de Wellington, que, após o combate da Roliça (17 de agosto de 1808) tomaram parte na batalha do Vimeiro (21 de agosto de 1808). Na área envolvente à zona do padrão do Vimeiro encontra-se um painel de azulejos que refere "Paimogo / 19 Agosto 1808 / Desembarque da brigada Anstruther".

Quando da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), em 1832 estava guarnecido por 5 soldados de milícia da Figueira da Foz. Findo o conflito, em 1849 encontrava-se ao abandono.

O Ministério de Guerra, por escritura datada de 1892 outorgou ao arrendatário do forte e do terreno deste dependente, Augusto Simões Ferreira da Cunha, o direito de construir nos mesmos terrenos casas para habitação e outros fins relacionados com a sua atividade, obrigando-se a demolir tudo sem alegar direito a qualquer indenização, e deixando o terreno terraplanado no mesmo estado em que se encontrava.

Em 1940 as suas dependências serviam de curral. No ano seguinte (20 de outubro de 1941), foram feitas cessões do forte ao Comando-Geral da Guarda Fiscal e à Casa Pia de Lisboa, as quais vieram a ser anuladas em 18 de dezembro de 1979.

Em 1956 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) faz uma lista das obras de que o imóvel necessitava: reconstrução de panos de muralhas, canhoneiras da zona exterior e guaritas; arranjo do lajedo; restauro dos acessos ao terraço; rebocos exteriores e interiores; impermeabilização do terraço superior e arranjo do lajedo; caixilharias e portas; pinturas; arranjos exteriores do terreno envolvente.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

Por despacho do Secretário de Estado do Tesouro de 16 de julho de 1975 foi autorizada a cessão à Casa Pia para instalação de uma colónia de férias para os seus educandos. O Ministério das Finanças cedeu à Casa Pia, nos termos do Art.º 6.º do Decreto-lei n.º 24.489 de 13 de setembro de 1934, o forte em causa, cujas confrontações eram: norte e leste com José Joaquim de Carvalho Figueira, sul e oeste com ribas do mar.

Por um novo auto de cessão, datado de 1979, que anulou as cessões de 1941 e de 1975, o Ministério das Finanças dividiu os terrenos envolventes: à Guarda Fiscal, 29.009 m² e à Casa Pia, 7.500 m². Em planta anexa encontravam-se indicadas as respectivas utilizações: à Guarda Fiscal, logradouro do posto e das moradias ali existentes, e à Casa Pia, instalação de uma colónia de férias.

No ano seguinte (1980) a Câmara Municipal da Lourinhã informou a Casa Pia que se encontrava interessada em dar aproveitamento turístico ao forte, pelo que solicitava a sua cedência. Entre 1983 e 1984 a Casa Pia tentou negociar a troca do forte por um terreno pertencente à Câmara para a instalação de uma colónia de férias, conforme relatado em ofício da Casa Pia ao diretor do Instituto Português do Património Cultural (IPPAR) em que resumiu o historial das negociações e trâmites efetuados até à data (1986). Em 1987 a Direcção-Geral do Património informou a Casa Pia de que “(...) esta Direcção-Geral pretende efetivar a devolução a este Ministério da parte do Forte do Paimogo cedida a essa Casa Pia por auto de 18 de dezembro de 1979, devolução essa autorizada por despacho de 19-4-1984. Nestes termos, solicito a indicação do outorgante que, por parte dessa Casa Pia, intervirá no auto de devolução a lavrar nesta Direcção-Geral, em dia e hora que serão oportunamente comunicados.” No mesmo ano, a Casa Pia enviou os elementos pedidos, e a CML oficiou à Casa Pia insistindo que aceitava trocar 12.000 m² de terreno na praia sul da Areia Branca pelo terreno envolvente do Forte do Paimogo e respetiva edificação existente, “desde que a propriedade fosse entregue com a posse plena a favor da autarquia”. O Ministro da Cultura não colocou quaisquer entraves relativamente à cedência do forte, nem fez exigência de renda, conforme pretendia a Direcção-Geral do Património. Em 1988 a Casa Pia afirmava esperar a resposta por parte da Direcção-Geral do Património. À época, do forte restavam apenas uma parte da parede principal com o portão de entrada e alguns muros que teriam sido paredes. A base do forte estava ameaçada de queda para o mar, encontrando-se uma das suas esquinas suspensa. A DGEMN estimava uma verba de cerca de 3 mil contos para uma 1.ª fase de obras urgentes de consolidação.

Em 1993 a LNEC fez um reconhecimento geológico da superfície do forte.

Em 1997 foi elaborado um projeto de consolidação das arribas, a fim de se iniciar de imediato a obra. Nesse mesmo ano, a Escola Básica 2, 3 Dr. Afonso Rodrigues Pereira da Lourinhã fez um abaixo-assinado de forma a chamar a atenção para a urgente necessidade da preservação e restauro do antigo forte.

Em 1999 a DGEMN procedeu a intervenção de estabilização e consolidação das fundações das muralhas, com obras no montante de 270.000.00€.

No segundo semestre de 2004 a Câmara Municipal fechou um acordo com a Direcção-Geral do Património para a cedência do imóvel por 25 anos, renováveis, com o propósito de investir na sua reforma e futura utilização como espaço cultural integrante da Rota dos Dinossauros do Instituto da Conservação da Natureza. Por Despacho de 27 de janeiro de 2005 do presidente do IPPAR, encerrou-se o processo de classificação do Sítio Arqueológico de Paimogo. No mesmo ano, em setembro, foi elaborada a Carta de Risco do imóvel pela DGEMN, tendo os trabalhos de recuperação do conjunto sido iniciados em maio de 2006, com um orçamento de 119.962,50€, financiado pela Câmara Municipal da Lourinhã. No ano seguinte (2007), a Câmara Municipal empreendeu novas obras de consolidação do forte.

Características

Exemplar de arquitetura militar, barroca, de enquadramento rural. Ergue-se no cimo das arribas junto a uma enseada protegendo a praia de Paimogo, a norte da Areia Branca. A cerca de 150 m existem instalações da Guarda Fiscal.

Apresenta planta regular, envolto por terreno murado. Compõe-se de um único corpo de bateria virada ao mar, a oeste, e no lado oposto, a leste, de casa-forte de planta retangular com baluartes nos ângulos, no lado sul, por terreiro lajeado com poço e, no lado norte, por frontispício. Nos cunhais, guaritas cilíndricas de cobertura cónica, com exceção do lado sul. No frontispício, recuado em relação aos baluartes, abre-se um portal de arco pleno ladeado de pilastras em alambor, encimado por lápide com inscrição datada de 1674 e pedra de armas rematada por cruz. A casa-forte, com abóbada de berço, é encimada por terraço guarnecido por lajedo, coroado por parapeito onde assentava a artilharia. O acesso ao terraço é feito por 2 escadarias disfarçadas que se acham aos cantos da fachada sul.

O corpo principal do forte é semelhante ao Forte de Milreu, na Ericeira, edificado na mesma época. É constituído por 3 divisões maiores, onde se localizariam os quartéis, e por 2 outras dependências que seriam utilizadas ou como casernas ou como paióis. A abertura do portal principal prolonga-se até à fachada sul pelo interior onde se abre novo portal pleno.

Sob a parte superior do portão existe a seguinte inscrição:

D. PEDRO, PRINCIPE DE PORTUGAL, MANDOU FA / ZER ESTE FORTE À ORDEM DO MARQUÊS DE / MARIALVA, DE SEUS CONSELHOS DE GUERRA E / ESTADO, VEEDOR DA SUA FAZENDA, GOVERNA / DOR DAS ARMAS DE LISBOA E CASCAIS, CA / PITÃO GENERAL DOS EXERCITOS E PROVINCI / AS DO ALENTEJO E ESTREMADURA, ANNO 1674



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Contribution

Updated at 16/05/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Forte de Nossa Senhora dos Anjos de Paimogo

  • Forte no lugar de Paimogo, Forte da Lourinhã

  • Fort


  • 1674 (AC)



  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Lourinhã



  • Lat: 39 -18' 46''N | Lon: 9 20' 26''W




  • 1675: 6 peças antecarga, de alma lisa, de ferro.
    1735: 8 peças antecarga, de alma lisa.






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