Fort of São Brás do Porto Formoso

Ribeira Grande, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte de São Brás do Porto Formoso”, também referido como “Castelo do Porto Formoso”, “Forte do Porto Formoso” e “Forte de Nossa Senhora da Graça”, localiza-se na freguesia de Porto Formoso, concelho da Ribeira Grande, costa Norte da ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

História

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710" como "O Reduto do lugar do Porto Formoso." (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, pp. 178-181)

No contexto da instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado em 1767: "19.° — Forte de Nossa Senhora da Graça, no Porto Formoso. Tem 8 canhoneiras e 3 peças de ferro, incapazes; precisa 8." (JÚDICE, 1981:411)

Ao final do século XVIII, a “Relação dos Castelos e mais Fortes da Ilha de S. Miguel do seu estado do da sua Artelharia, Palamentas, Muniçoens e do q.’ mais precizam”, pelo major engenheiro João Leite de Chaves e Melo Borba Gato, informava:

"Castelo do Porto Formoso - No termo ainda de V.a Franca, ultimo do seu Districto, e o 1.a da costa Norte, pois q.' desde a extremid.e de Leste, da costa do Sul onde está a V.a do Nordeste, ate a ponta do Norte da costa de Leste onde está o lug.r dos Fenaes de Vera Cruz não há mais Forte, ou Cast.o algu' senão o deste lug.r assim chamado por ser a maior bahia q.'entra pela terra, mais como fica exposta ao Norte he a sua capacid.e inutil; porq.' ruinãdo aqui m.to os ventos deste quadrante, q.lq.r sopre embravesse o mar de sorte q,' chega a roxa onde estão os barcos varados, q.' se faz necessario subilos por corda e por este motivo tãobem julgo se deve abandonar. Tem 8 canhoneiras, e 5 peças pequenas no xão, palam.ta e munições nada." (BORBA GATO, 2000)

Em 1817 encontrava-se arruinado e desartilhado, tendo sido reconstruído e novamente artilhado, com 4 peças, em 1820 (PEREIRA, 1947).

Ao tempo da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), com o nome de Forte de Nossa Senhora da Graça ou simplesmente Castelo, por ocasião do desembarque das tropas liberais no Pesqueiro da Achadinha (1 de agosto de 1831), foi abandonado pela guarnição miguelista, depois de lhe ter encravado a artilharia (PEREIRA, 1927:98).

Em 1846 ainda era considerado como uma boa fortificação (PEREIRA, 1947).

Em 1909 encontrava-se uma vez mais em ruínas (PEREIRA, 1947). Mais tarde, as suas dependências foram utilizadas para instalação de um traiol para derreter gordura de cetáceos.

A estrutura é muito castigada pela erosão marinha, nomeadamente nos dias de ondulação norte/noroeste, mas também pela retirada de pedra de que foi vítima à época da construção da antiga muralha do porto de pescas.

ATAÍDE (2011), na primeira metade do século XX, sem identificá-lo nominalmente, descreveu o seu estado:

"No norte da ilha [de São Miguel], um outro veterano encanecido se ergue ainda na trémula decrepitude que o vai consumindo, e ao aproximarmo-nos da sua desconjuntada carcassa, tenta falar-nos com apagada voz, do poder das oito temerosas peças de artilharia que o guarneciam e o fácies macerado, e carcomido do velho guerreiro como que ruboresce um pouco inflamando-se em esmaecido lampejo e orgulho, ao rememorar o brio e a perícia dos milicianos que o povoaram, em cujas mãos havia sido entregue a guarda da operosa vila da Ribeira Grande." (Op. cit., v. I, p. 166)

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que registou: "(...) Não chegou a desempenhar qualquer acção por ocasião do desembarque das tropas liberais que conquistaram a Ilha em 1829. Decaiu no séc. XIX e em 1909 estava em ruínas, já de difícil recuperação."

Atualmente em ruínas, apenas subsistem uma parte da cortina oeste (onde se abrem 2 canhoneiras), a cortina sul (onde se abre um vão de porta) e alguns vestígios de paredes interiores. No ângulo formado pelas duas cortinas pode ver-se uma guarita com vigias direcionadas para a praia e para o mar.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo, junto à praia do porto, sobre as rochas.

Constituiu-se em um forte de pequenas dimensões, em alvenaria de pedra argamassada, parcialmente rebocada, em cujos muros se abriam primitivamente 8 canhoneiras. Uma planta, possivelmente do século XIX, mostra-o com formato poligonal irregular, com 6 faces, com 7 canhoneiras pelos lados de mar e edificação de serviço com 2 compartimentos pelo lado de terra. Possuía quartel para 11 praças.



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22.308.181 Forte de São Brás
Ficha relativa ao Forte de São Brás do Porto Formoso, na ilha de São Miguel, no "Inventário do Património Imóvel dos Açores", p. 296.

http://www.inventario.iacultura.pt/smiguel/ribeira-grande-fichas/22_30...
Fortificação - Ilha de São Miguel
Página do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) com a bibliografia publicada no Boletim daquela instituição sobre as fortificações da ilha de São Miguel.

http://www.ihit.pt/new/fortes/saomiguel.php

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Contribution

Updated at 27/08/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Fort of São Brás do Porto Formoso

  • Castelo do Porto Formoso, Forte do Porto Formoso, Forte de Nossa Senhora da Graça

  • Fort





  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved

  • Monument with no legal protection





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Ribeira Grande



  • Lat: 37 -50' 32''N | Lon: 25 25' 30''W




  • 1767: 3 peças de artilharia antecarga, de alma lisa, de ferro, incapazes.
    Séc. XVIII (final): 5 peças de artilharia, antecarga, de alma lisa, de pequeno calibre, desmontadas.
    1817: desartilhado.
    1820: 4 peças de artilharia antecarga, de alma lisa.






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