Castle of Sines

Sines, Setúbal - Portugal

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O “Castelo de Sines” localiza-se na freguesia, cidade e concelho de Sines, distrito de Setúbal, em Portugal.

Importante porto de pesca (o de maior profundidade no país), o local constituiu-se naturalmente em ponto de vigia e de defesa daquele trecho do litoral.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do morro do castelo remonta ao Paleolítico, vindo a ser ocupado na Antiguidade pelos Romanos, conforme testemunhos arqueológicos, entre os quais o pedestal de uma estátua consagrada a Marte, posteriormente incorporado às suas muralhas. Aqui também foram identificados outros testemunhos da posterior presença de Visigodos (um templo cristão do século VII, cujos remanescentes também se encontram incorporados às muralhas), sucedidos, a partir do século VIII pelos Muçulmanos.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a região foi conquistada por Sancho I de Portugal (1185-1211). O seu filho e sucessor, Afonso II de Portugal (1211-1223) fez a doação dos domínios de Sines aos cavaleiros da Ordem de Santiago.

Pedro I de Portugal (1357-1367) outorgou carta de foral à então aldeia do concelho de Santiago do Cacém elevando-a à categoria de vila (24 de novembro de 1362), referindo que os seus habitantes se queriam cercar, continuando um muro que já tinham começado, e porque sendo lugar costeiro sem cerca podia daí vir grande dano.

Em seu reinado, João I de Portugal (1385-1433) isentou os moradores de Sines do serviço militar nas campanhas da fronteira (1395). Uma fortificação só foi erguida, entretanto, apenas em 1424, por solicitação do procurador do Povo, Francisco Neto Chainho Pão Alvo, para servir de refúgio aos habitantes contra as incursões de corsários e piratas da Barbária, frequentes naquele litoral. Foi seu Alcaide-mor, mais tarde, Estêvão da Gama, pai do navegador Vasco da Gama, que aqui teria nascido (1469). A Visitação da Ordem de Santiago em 1480, continuando Estevão da Gama como alcaide, referiu as obras executadas por este.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a povoação recebeu o Foral Novo (julho de 1512). A Visitação efetuada por D. Jorge de Lencastre, Mestre da Ordem de Santiago, em 1517 descreve muito sumariamente e imóvel e refere a não existência de armas de fogo. Ainda no século XVI foi construído um baluarte, modernizando-lhe a defesa.

Da Dinastia Filipina aos nossos dias

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) as ameaças à costa portuguesa aumentaram consideravelmente. No início do século XVII, o litoral sul do país foi vistoriado pelo engenheiro militar napolitano Alexandre Massai (1614), que propôs a reedificação da fortificação de Sines, adaptando-a às novas necessidades bélicas, o que não se concretizou. Já é referido o baluarte exterior.

A fortificação sofreu danos causados pelo terramoto de 1 de novembro de 1755. Possivelmente na segunda metade do século XVIII sofreu extensas obras de adaptação da alcáçova, com a abertura de janelas para o exterior da cerca e a cobertura do antigo pátio interior para ampliação da construção, assim como execução das pinturas dos tetos das duas salas.

À época da Guerra Peninsular (1808-1814), tropas napoleónicas saquearam a vila e picaram a pedra de armas com o brasão real que encimava o portão de armas do castelo.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foi reedificado pelo seu então governador, o major Ignacio da Cunha Gasparinho, conforme placa epigráfica na fachada principal, que reza:

SENDO GOVERNADOR / O MAJOR JGNACIO / DA CUNHA GASPA / RINHO FOI REEDIFI / CADO EM 1828.

Após a Convenção de Évora Monte (26 de maio de 1834) foi de Sines que Miguel I de Portugal (1828-1834) embarcou para o exílio (julho de 1834).

Um novo terramoto causou danos à fortificação (11 de novembro de 1858), nomeadamente à torre do relógio, reedificada no ano seguinte (1859). As obras foram arrematadas a 29 de maio por Joaquim Lúcio, de Santiago do Cacém, pelo montante de 35 mil réis, e consistiram na reparação das paredes, execução de uma nova abóbada, arranjo do campanário do sino, reboco e caiação. Estavam concluídas já a 15 de setembro.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 22.737, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 140, de 24 de junho de 1933. A ZEP conjunta da Igreja Paroquial de Sines / Igreja de São Salvador e do Castelo de Sines encontra-se definida pelo Anúncio n.º 106/2013, publicado no Diário da República, II Série, n.º 46, de 6 de março.

A ação do poder público, entretanto, só se fez sentir em 1956, através de intervenção de consolidação e restauro parcial, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).

Novos danos se registaram em virtude do terramoto de 28 de fevereiro de 1969. Nesse mesmo ano foram estabelecidos contatos com o escultor António Amaral Branco de Paiva para a execução da estátua de Vasco da Gama, com 2,50 m de altura, pelo valor de 150.000$00 escudos.

Com a elevação de Sines a cidade, a 12 de julho de 1997, foram procedidos trabalhos mais abrangentes em seu monumento, entre 1998 e 2001, numa parceria entre a DGEMN e a Câmara Municipal de Sines, procedendo-se a recuperação e consolidação de panos exteriores das muralhas e a beneficiação de algumas zonas do seu interior, assim como o arranjo dos espaços exteriores adjacentes, visando valorizar o seu entorno.

Em 2007 a Câmara Municipal procedeu a abertura de uma porta nas muralhas do castelo.

A torre de menagem abriga atualmente o Museu de História Natural de Sines.

Características

Exemplar de arquitetura militar medieval, gótica, setecentista, de enquadramento urbano, isolado, elevando-se sobre a falésia sobranceira à baía, no centro histórico da vila. A oeste encontra-se a Igreja Matriz de São Salvador e o conjunto de rampas e escadarias que ligam à praia; o espaço entre estes e o castelo corresponde ao antigo cemitério municipal, hoje ajardinado, e onde se inscreve a estátua de Vasco da Gama. No terreiro a leste encontram-se as ruínas de duas manufaturas de salga da época romana.

O castelo possui estrutura defensiva mista, com características planimétricas e estruturais medievais e bateria com parapeito e baluartes nos vértices adaptada à pirobalística. Possui uma área de apenas cerca de 0,5 ha, uma vez que, à época de sua tardia construção, a povoação já estava definida. Apresenta planta trapezoidal irregular, com muralhas verticais, amparadas por três torreões, dois de planta poligonal nos ângulos da fachada norte e uma torre de planta circular no vértice sudoeste. A torre de menagem, de planta quadrada, ergue-se a noroeste, anexa à alcáçova, dividida internamente em três pavimentos. O seu alçado voltado para a vila é rasgado por três janelas, a superior dupla e mainelada, acredita-se que ainda contemporânea da época da construção.

Na praça de armas, a oeste, junto aos dois torreões e à porta principal, identificam-se as ruínas do Paço dos Alcaides, onde, segundo a tradição, Vasco da Gama teria nascido. Embora se desconheça a sua configuração original e a sua posterior evolução arquitetónica, sabe-se que se erguia em dois pavimentos.

As construções dos aquartelamentos, de grande austeridade e distribuição irregular dos vãos nos panos de parede caiados, integram-se nas tipologias populares regionais, contrastando com a alcáçova, diversas vezes remodelada mas que conserva um carácter arquitetónico mais nobre, se bem que de grande austeridade como impera na arquitetura vernacular de carácter mais aristocrático, com as suas janelas de sacada no piso nobre, enriquecido por tetos pintados segundo o gosto rococó com molduras de concheados e elementos vegetalistas, assimétricos.



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Contribution

Updated at 06/07/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1), Ion Cibotari (1).


  • Castle of Sines


  • Castle

  • 1424 (AC)



  • John I of Portugal

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 22.737, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 140, de 24 de junho de 1933. A ZEP conjunta da Igreja Paroquial de Sines / Igreja de São Salvador e do Castelo de Sines encontra-se definida pelo Anúncio n.º 106/2013, publicado no Diário da República, II Série, n.º 46, de 6 de março.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Setúbal
    City: Sines



  • Lat: 37 -58' 42''N | Lon: 8 51' 60''W




  • 1743 (a.): 5 peças antecarga, de alma lisa, sendo 2 de bronze do calibre 10.






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