Castle of Borba

Borba, Évora - Portugal

O “Castelo de Borba” localiza-se na freguesia de Borba (Matriz), concelho de Borba, no distrito de Évora, em Portugal.

Situa-se na vertente setentrional da serra de Borba e a cerca de 5 quilómetros para sudoeste da ribeira de Borba.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da área remonta a tribos galo-celtas, ocupada sucessivamente até à época da invasão muçulmana da Península Ibérica.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã, a povoação foi conquistada sob o reinado de Afonso II de Portugal (1211-1223) em 1217. A conquista deste território, bem como de outros no sul do país, incluindo Alcácer do Sal, Veiros, Monforte, Vila Viçosa e, possivelmente, Moura, deveu-se à iniciativa privada, e neste caso particular a Fernão Anes, mestre da Ordem Militar de São Bento de Avis, antiga Milícia dos Freires de Évora, à qual foi confiada a administração de Borba. O povoamento em larga escala da vila não se terá seguido imediatamente à Reconquista, como aliás acontecia com várias localidades da região, até porque a sede da Ordem de São Bento era então o Castelo de Avis, erguido justamente por Fernão Anes. É provável que tenha arrancado mais ou menos a par das tentativas régias de Sancho II de Portugal (1223-1248) para ocupar definitivamente e povoar a povoação fronteiriça de Elvas, entre 1226 e 1229.

Afonso III de Portugal (1248-1279) outorgou carta de foral a Estremoz (1258), com Borba incluída no seu termo.

Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325) a vila passou definitivamente para a posse de Portugal em virtude da assinatura do Tratado de Alcanizes (1297), que definiu a linha da raia. Borba passou a assumir a partir de então uma importante função estratégica, pois, em caso de invasão, era a última defesa antes de Estremoz e Vila Viçosa. Foi elevada a Concelho por carta de foral passada a 15 de junho de 1302. Nesse documento o soberano ordenava que os borbenses construíssem às suas custas um castelo que defendesse a vila. As estruturas que já pudessem existir foram então intervencionadas, sendo a obra da fortificação entregue aos mestres Diogo (ou Domingos) Salvador e Rodrigo Fernão (ou Fernandes), nomes que figuram numa inscrição epigrafada no monumento. Foi construída uma cerca quadrada, com muros grossos, envolvida por um fosso que, com o tempo, viria a ser integrado no casario envolvente. Um largo adarve, ou caminho de ronda, guarnecido com um parapeito ameiado, corria no topo das muralhas. Estas eram rasgadas por (pelo menos) duas largas portas, conhecidas por Porta do Celeiro e Porta de Estremoz, defendidas por torreões (no primeiro caso) e grandes cubelos de secção semicircular (no segundo caso), também coroados com merlões. Para além destas, outras portas de menor importância estão hoje obstruídas, como a Porta do Sino, entre a Torre de Menagem e a Torre do Relógio, a Porta da Torre, ou a Porta do Sol, esta diante do Rossio de Baixo, ou das Casas Novas

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, Borba esteve envolvida nos acontecimentos ocorridos durante a ocupação dos aliados ingleses sob o comando de João de Gante, 1.º duque de Lancaster e da cilada de Vila Viçosa, onde perdeu a vida Fernão Pereira, irmão de D. Nuno Álvares Pereira, que fizera quartel-general em Borba e foi seu primeiro donatário, por mercê de João I de Portugal (1385-1433).

Em 1483, D. Afonso Henriques, filho de D. Fernando da Trastâmara, senhor de Barbacena, foi amerceado por João II de Portugal (1481-1495) com a alcaidaria de Borba, então confiscada aos duques de Bragança.

Manuel I de Portugal (1495-1521) concedeu o Foral Novo à vila em 1 de junho de 1512.

Da Guerra de Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), a posição lindeira de Borba readquiriu importância estratégica. Em seu termo travou-se a batalha da ribeira da Alcaraviça (1645), vindo a povoação a ser invadida pelas forças espanholas sob o comando do Grão Prior de Castela, príncipe D. Juan José de Austria. Imposto assédio ao castelo e intimado o seu alcaide - Rodrigo da Cunha Ferreira - à rendição, foi este assaltado e dominado, vindo o Cunha Ferreira e mais dois capitães portugueses da guarnição a ser enforcados (13 de maio de 1662) como represália pela morte de três capitães, um sargento e 20 soldados das suas forças, além de 50 feridos. O episódio ficou registado na toponímia com a "Rua dos Enforcados", mais tarde denominada de “Rua Direita”. Na ocasião D. Juan José de Austria mandou ainda incendiar os Paços do Concelho e o Cartório Municipal, perdendo-se os manuscritos antigos da história de Borba. Em 1665, Borba esteve ocupada por três regimentos de infantaria e um terço de cavalaria, e a população sofreu novamente o medo da invasão, que se desvaneceu na batalha de Montes Claros (1665), com a vitória para as armas de Portugal.

Pelos inícios do século XVIII o governo militar da província determinou envolver a vila por um campo entrincheirado, com fossos, estacaria e estradas cobertas, obra que foi apenas esboçada e de que ainda existiam vestígios em 1766.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) o general de artilharia João Furtado de Mendonça, governador da cidade de Elvas, era comendador de Borba (1708), tendo-se registado a ocupação militar do general espanhol D. Domingos de Ceo, que impôs à população um elevado imposto de guerra (junho de 1711).

Após o terramoto de 1 de novembro 1755 foi erguida a Torre do Relógio, de seção retangular, de pedra do sítio e rematada por cúpula bolbosa, embandeirada.

No século XVIII ainda estava embebida no torreão oeste a epígrafe honorífica; uma das torres foi reconvertida em prisão, sendo os presos assistidos por capela própria, que funcionava no atual Passo do Alto da Praça.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) formou-se em Borba a Junta da Defesa integrada na Junta Suprema do Alentejo por parte do sargento-mor António Lobo Infante de Lacerda e do general espanhol Frederico Moretti, para cumprimento de exigências do general Jean-Andoche Junot (15 de junho de 1808). Nesta emergência, levantou-se um pequeno grupo de milicianos que figuram na defesa de Évora no dia 29 de julho de 1808 contra as tropas francesas de Louis Henri Loison, tendo como comandante o Coronel António Guedes. Pouco mais tarde, de 1809 a 1811, alojou-se na vila uma brigada escocesa incorporada no exército luso-britânico de William Carr Beresford.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) foi formada em Borba a 3.ª Companhia de um Batalhão de Voluntários Realistas defensores da causa de Miguel I de Portugal (1829).

Durante a Patuleia, em 8 de Dezembro de 1846, os Setembristas borbenses opuseram-se à passagem de uma força militar da Rainha que vinha de Elvas, o que motivou represálias de um destacamento legalista no dia 3 de fevereiro do ano seguinte, causando muitas mortes e feridos.

Como se registou com outras estruturas defensivas no país, a expansão da malha urbana a partir do século XIX acarretou a integração dos muros medievais no casario.

Em 1956 a torre do relógio encontrava-se em risco de ruína.

O conjunto do “Castelo de Borba / Cerca muralhada de Borba” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957. A ZEP obteve Parecer favorável da SPAA do Conselho Nacional de Cultura em 23 de fevereiro de 2011.

A intervenção do poder público para a conservação do monumento fez-se sentir entre 1960 e 1974, pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), com a demolição de edifícios para desobstrução da muralha, reconstrução de alvenarias, aplicação de reboco e pavimentos de tijoleira, reconstrução de coberturas e portas, arranjo na área envolvente, e outros. Em 1980 teve lugar uma nova campanha de reparos nas muralhas e demolição de edifícios para desobstrução das mesmas.

Em 1 de junho de 1992, o imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, I Série A, n.º 126.

Da defesa medieval chegaram até aos nossos dias alguns troços da muralha, 2 portas (as chamadas Porta do Celeiro e a Porta de Estremoz) e a Torre de Menagem. No setor sul, uma placa epigráfica de pedra confirma a iniciativa de D. Dinis e a direção da obra.

Características

Exemplar de arquitetura militar gótica, de enquadramento urbano, a 400 metros acima do nível do mar.

Cerca muralhada com traçado retangular, orientada no sentido sudoeste-nordeste, em grande parte integrada no espaço edificado da vila ou até mesmo interrompida, restando somente os paramentos oeste, sudoeste, nordeste e uma pequena seção a sudeste. Abria-se a oeste e a nordeste através de 2 portas - Porta de Estremoz e Porta do Celeiro - já desprovidas de arco, defendidas por cubelos semicirculares, com o remate alinhado pelo adarve. No vértice sudoeste da cerca, ergue-se a torre de menagem. O segmento de muralha a oeste é o mais comprido e encontra-se interrompido pela Porta de Estremoz e, mais a norte, pela rua da Misericórdia, perto da Junta de Freguesia da Matriz de Borba. Desde esta última interrupção até perto do cubelo norte da Porta de Estremoz, a muralha é rematada por grade de pedra com losangos. O restante remate é composto por merlões de seção rectangular. A Porta de Estremoz é flanqueada por dois cubelos de planta em “U” rematados por merlões. No cubelo a norte, embeberam-se duas epígrafes: lápide fundadora e lápide de homenagem da época do Estado Novo no mesmo eixo horizontal, ambas em mármore. A primeira reza:

E(RA) M CCC XXXX ANOS / FOI BORVA EXEMTA E / FEZE A O MVI NOBRE / REI DOM DENIS EV / R(ODR(IG)O FERNAM/DIZ / FIZ AS PORTAS DESTE C/ASTELO EV D(IOGO) SALUADORIZ/ FIZ EST (...)

Como curiosidade, note-se aqui o gravado do barbo, um peixe abundante na região, remetendo para a lenda de fundação de Borba.

A segunda reza: “A HISTORIA / DESTE CASTELO / FOI RECORDADA / COM GRATIDÃO / PELOS / PORTVGVESES / DE / 1940.

De referir ainda que na Porta do Celeiro, a Sul, esteve embutida uma outra lápide, esta muito mais antiga, latina, e certamente vestígio da ocupação romana do local, dedicada a Júlio César, conforme notícia de Frei Agostinho de Santa Maria ("Santuário Mariano", 1707-1718).

No vértice oés-sudoeste da cerca encontra-se a torre de menagem, de planta quadrada, também rematada por ameias e reforçada por silharia de mármore nos cunhais, apresentando uma fresta retangular na face oés-sudoeste. A torre de menagem faz a articulação deste troço com o paramento sudoeste, que se encontram ainda ligados. Junto à torre de menagem, encontra-se ainda um volume cúbico na base do qual se podem discernir vestígios de um arco de volta perfeita entaipado, visível do interior das muralhas. Este volume é encimado por torre sineira caiada, apresentando um relógio circular na parede exterior. A zona mais a sul do paramento sudoeste possui uma altura menor do que a restante muralha, sendo este desnível marcado no remate em forma de degrau. O paramento nordeste delimita a norte o Largo da Misericórdia. É composto por longo troço parcialmente reforçado na área norte, apresentando na base um vão jacente gradeado, possivelmente vestígio de uma canhoneira. Articula-se com um pequeno troço orientado a norte que a ele se encontra ligado. Este paramento é interrompido pela Porta do Celeiro, flanqueada por um cubelo de planta quase circular, com ameias no topo. A sudeste, visível do exterior, existe um pequeno troço de muralha com escassos metros, sem ameias.



 Related character


 Print the Related character

Related bibliography 


 Print the Related bibliography

Contribution

Updated at 25/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Castle of Borba


  • Castle




  • Denis of Portugal

  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O conjunto do “Castelo de Borba / Cerca muralhada de Borba” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957. A ZEP obteve Parecer favorável da SPAA do Conselho Nacional de Cultura em 23 de fevereiro de 2011.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Borba



  • Lat: 38 -49' 43''N | Lon: 7 27' 25''W






  • 1960-1974: A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), procedeu a demolição de edifícios para desobstrução da muralha, reconstrução de alvenarias, aplicação de reboco e pavimentos de tijoleira, reconstrução de coberturas e portas, arranjo na área envolvente, e outros.
    1980: Nova campanha de reparos nas muralhas e demolição de edifícios para desobstrução das mesmas.




Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Castle of Borba