Fort of Corpo Santo

Santa Cruz da Graciosa, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte do Corpo Santo”, também referido como “Fortim da Calheta”, “Forte da Ponta do Freire” ou simplesmente “Forte do Freire”, localiza-se na ponta do Freire, na vila, freguesia e concelho de Santa Cruz da Graciosa, ilha Graciosa, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa do porto da Calheta contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História

Ao final do século XVI FRUTUOSO apenas descreve o ancoradouro: “(…) sobre um porto, que se chama a Calheta, que é de pedra, sem areia, onde saem e varam muitos batéis de pescar e não entram nele barcos grandes.” (FRUTUOSO, 1998:126).

A primitiva defesa no local é-nos referida por Frei Diogo das Chagas em meados do século XVII: “No cabo da vila que fica ao norte sobre o porto, que chamamos Calheta, junto a um torreão, aonde estão outras quatro peças para sua defesa está a ermida do Corpo Santo que é dos mareantes.” (CHAGAS, 2007:466) 

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo brigadeiro António do Couto de Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710" como "O Forte do Corpo Santo.". (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 180)

No início do século XVIII, CORDEIRO dá-nos conta de que o forte se encontrava em operação. (CORDEIRO, 1981:434)

É o local da artilharia referida na vila de Santa Cruz em 1738:

"(...) ajunto do porto barra aonde entram navios pequenos e fora da barra podem emquorar os navios que quizerem de alto bordo e 30 e 40 brasas de fundo, tem dois fortes com artilharia nas duas pontas do dito porto da barra e perto do portam [da vila] tem artilharia que se fecha o dito portam no veram (...)." (PICANÇO, 1982:386.)

SOUSA (1995), em 1822, ao descrever o porto de Santa Cruz referiu: "(...) O seu Porto é perigoso e sofrivelmente defendido por um pequeno castelo, guarnecido por um Batalhão de Milícias Nacional, que toma o nome da ilha." (Op. cit., p. 108.)

Em 1845 COSTA (2017) referiu o porto e a sua fortificação:

"Virado ao norte tem esta villa outro porto chamado - da Calheta, que dá entrada, e varadouro a barcos de pesca, para o que é sufficiente. Tem sobranceiro - o Forte do Corpo Santo, que se acha em grande ruína." (Op. cit., p. 12)

A propósito das Ordenanças da ilha, o mesmo autor referiu as suas fortificações:

"As ordenanças, que existiam n'esta ilha foram creadas logo depois da povoação da villa Santa Cruz [a. 1470], com um só capitão-mór, comandante, e um sargento-mór com o soldo de vinte mil reis por anno. N'esta villa haviam sete companhias, que guarneciam os fortes de Santa Catharina, do Corpo Santo, da Barra, d'Affonso do Porto, da Victória, do Barro Vermelho e o das Fontinhas; e na villa da Praia cinco companhias [guarn [Forte de Santa Catarina] ecendo a bateria dos Remédios, os fortes da Arrochela e da Rocha, e os redutos da Areia, e dos Fenais?]. O primeiro capitão mór de toda a ilha foi André Gonçalves Neto. Haviam também artilheiros da costa, subordinados a dous cabos, cadaum em seu Concelho, vencendo estes cabos o seu soldo pago pelo rendimento das imposições, que então arrecadavam as camaras." (Op. cit., pp. 125-126)

A "Relação" do marechal de campo Júlio José Fernandes Basto, 1.º barão de Basto, comandante da 10.ª Divisão Militar (Açores), em 1862 assinala que "Tem uma caza arruinada.em>" e indica que se encontra entre os fortes na ilha "Incapazes desde muitos annos." (Op. cit., p. 269.)

Encontra-se indicado no "Catálogo provisório" em 1884, que informa: "No logar da Villa de Sta. Cruz, do mesmo nome do fórte onde ha um desembarcadouro pedregoso. Com quanto em máo estado e a casa é fechado e serve de fazer as honras do porto só com bandeira." (PEGO, 1997:263) O mesmo autor, na "Memória descriptiva" do forte, no "Tombo" em 1885, detalhou:

"Capitulo 1.º – Descripção e historia da propriedade

Na Villa e concelho de S.ta Cruz da Ilha Graciosa, districto administrativo de Angra do Heroismo, e que constitui o commando central militar dos Açôres, e no logar chamado do Corpo Santo ha uma bahia ou enseada para a defeza da qual se construio o Forte denominado do Corpo Santo. (...) É de forma exagonal, e montava 9 boccas de fogo como se vê da respectiva planta. Tinha no seu recinto uma pequena casa, e da qual só existem as paredes. Não ha monumentos certos da sua edificação, mas parece que já existia quando em 1710 o general Couto Castello-Branco inspeccionou as fortificações açorianas, segundo o Archivo dos Açôres.(a) Pertence á freguesia e Commarca de Sta. Cruz.

Capitulo 2.º – Condicções de construcção

As muralhas que olham ao mar foram construidas de basalto e tufo argamassado, o que lhe dava garantias de alguma solidez; porem a da góla é uma parede e que tem resistido por não ser batida pelo mar e estar abrigada pelas casas que lhe ficam proximas.

Capitulo 3.º – Estado de conservação

Está em pessimo estado, faltando-lhe parte do lagêdo que guarnecia as muralhas, e o existente está solto tendo-lhe cahido a argamassa em que assentava. As muralhas interiormente estão damnificadas bastante bem como as canhoneiras. As casas só tem as paredes e estas em máo estado. O fórte ainda se conserva fechado com um máo portão.

Capitulo 4.º – Fim a que foi destinado e qual a sua actual applicação

A defender o desembarque no porto da Villa. Actualmente está desartilhado, e conserva um portão ainda que máo por haver ali um páo de bandeira para se arvorar esta quando ali passam navios de guerra, etc. Está a cargo do commandante militar da Ilha.

(...)

Quartel em Angra do Heroismo, 20 de junho de 1885.

Damião Freire de Bettencourt Pego C.el em comm.ão
" (PEGO, 1998:269-275)

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982).

Encontra-se referenciado no Inventário do Património Imóvel dos Açores (BRUNO, 2010:221, Ficha n.º 41.27.125) e no Plano de Salvaguarda de Santa Cruz da Graciosa (Ficha n.º 361).

Atualmente encontra-se em bom estado de conservação, e alberga um farolim e as instalações da Autoridade Marítima.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo, de enquadramento urbano, na cota de 5 metros acima do nível do mar.

Apresenta planta hexagonal, em alvenaria de pedra à vista, grosseiramente aparelhada, com as juntas rebocadas e caiadas na parte superior da face interna.

No ângulo dos dois panos centrais ergue-se uma guarita de planta octogonal, recoberta por cúpula também octogonal.

Na passagem da parte inclinada para a parte superior, de faces verticais, ameada, desenvolve-se um "cordão".

No pano de muralha voltado a leste abrem-se três canhoneiras. Nos demais lados voltados ao mar, apenas duas em cada um.

Bibliografia

PICANÇO, Pedro Correia. Relaçam da Ilha Graciosa. In: Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XL, 1982, pp. 382-396.



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Related links 

Fortificação - Ilha Graciosa
Página do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) com a bibliografia publicada no Boletim daquela instituição sobre as fortificações da ilha Graciosa.

http://www.ihit.pt/new/fortes/graciosa.php

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Contribution

Updated at 17/05/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (10).


  • Fort of Corpo Santo

  • Fortim da Calheta, Forte da Ponta do Freire, Forte do Freire

  • Fortin





  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • Monument with no legal protection





  • Military Active Unit

  • 595,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Santa Cruz da Graciosa

    Santa Cruz, Ilha Graciosa, Açores, Portugal


  • Lat: 39 -6' 42''N | Lon: 28 0' 31''W


  • Cais do Freire


  • 1650 (c.): 4 peças antecarga, de alma lisa.






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