Castle of Torres Vedras

Torres Vedras, Lisboa - Portugal

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O “Castelo de Torres Vedras” localiza-se na freguesia de Santa Maria, São Pedro e Matacães, no concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa, em Portugal.

Ergue-se em posição dominante sobre um monte escarpado e íngreme, envolvido pela malha urbana e por arborização, sobranceiro ao rio Sizandro, em sua margem esquerda.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da área remonta ao terceiro milénio a.C., beneficiando das suas notáveis condições naturais de defesa e de abastecimento.

Embora PINHO LEAL remonte a primitiva fortificação aos Godos ou aos Alanos, (“Portugal Antigo e Moderno”) os romanos reforçaram uma atalaia que os “Túrdulos Velhos” aqui terão implantado, nela tendo deixado inúmeros vestígios, com destaque para as cisternas e as lápides epigrafadas. Posteriormente os muçulmanos reedificaram a fortificação, erguendo-lhe a alcáçova e as muralhas.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da região, quando das conquistas de Santarém, Sintra, Lisboa, Almada e Palmela (1147), as forças de Afonso I de Portugal (1143-1185) conquistaram Torres Vedras em 1148. No ano seguinte (1149), o soberano doou os domínios da povoação e seu castelo a D. Fuas Roupinho, nobre a quem se atribui a reconstrução e reforço das muralhas da fortificação.

Resistiu por onze dias ao assédio que lhe foi imposto por uma coluna das forças muçulmanas espalhadas pela região de Santarém, após o insucesso do ataque aquela cidade em 1184, sob o comando califa Almóada de Marrocos, Abu Iacube Iúçufe (1163-1184).
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Afonso III de Portugal (1248-1279) concedeu foral à povoação (1250).

Dinis I de Portugal (1279-1325) determinou-lhe o reforço e ampliação das defesas (1288).

Fernando I de Portugal (1367-1383) determinou a reparação da cerca da vila (1382).

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, tendo o seu Alcaide-mor, João Duque, tomado partido por Beatriz de Portugal, sofreu assédio imposto pelas forças do Mestre de Avis, em fins de 1384, a instâncias do Condestável, Nuno Álvares Pereira. A sua defesa assim foi descrita à época:

"Este lugar de Torres Vedras é uma fortaleza assentada em cima duma formação mota, a qual a natureza criou em tão ordenada igualdade como se a não fosse feita, artificialmente; a vila com a sua cerca a redor do monte, e na maior alteza dele está o castelo." (Fernão Lopes. “Crónica de D. João I”)

A povoação e o seu castelo constituíram-se em residência temporária de diversos reis de Portugal, entre os quais João I de Portugal (1385-1433), o qual reuniu aqui, em 1414, o Concelho Régio para decidir sobre a conquista de Ceuta, marco inicial dos descobrimentos marítimos portugueses.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a vila recebeu o Foral Novo (1510), tendo o soberano lhe determinado obras de reconstrução nas defesas (1516), das quais são testemunhos a porta em arco ogival, encimada pelas armas do soberano, ladeadas por esferas armilares encimadas com a Cruz de Cristo. Essas obras na cerca da vila prosseguiam ainda em 1519, momento em que o soberano determinou construir a "barbacã da porta" - uma muralha exterior e mais baixa que a cerca medieval, fronteira à porta do castelo, para reforço da sua defesa -, e foi demolida a torre de menagem, para dar lugar ao novo Palácio dos Alcaides, erguido por determinação do alcaide-mor D. João Soares de Alarcão.

As obras no castelo prosseguiam em 1539, nelas trabalhando o mestre de pedraria João de Tomar.

Da Dinastia Filipina aos nossos dias

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) forças sob o comando de D. António, prior do Crato, transportadas por uma armada sob o comando de Sir Francis Drake, desembarcam em Peniche e marcham sobre Lisboa, tomando Torres Vedras (1589). Foram desalojadas de imediato por Manuel Martins Soares e pelo Capitão António Pereira, quase sem resistência, obrigando D. António a retornar ao exílio.

O "Auto de Posse" do castelo por D. João Soares de Alarcão e Melo, Alcaide-mor de Torres Vedras (23 de abril de 1604), dá conta de que o mesmo possuía "(...) dois baluartes, um para a parte do Norte e outro para a banda do Sul, e muitas casas muito bem consertadas e reparadas e muito boas, e três cisternas de água. E o muro do dito castelo estava em muitas partes quebrado e caído e a barbacã dele toda desmanchada. E no dito castelo não havia armas algumas nem apetrechos de guerra (...)." ("Registo do auto da posse que se deu a D. João Soares de Alarcão, alcaide-mor da vila de Torres Vedras, do castelo da dita vila, 23 de Abril de 1604", in Arquivo Municipal de Torres Vedras, Livro de registo de privilégios, provisões e alvarás, 1602-1607, fls. 138-139v.º)

O terramoto de 1 de novembro de 1755 fez abater parte do paço manuelino e os remates das muralhas, conforme informado à época pelo cura da Igreja de Santa Maria do Castelo. Este informou que a vila fora toda murada, possuindo quatro portas, e que todo o muro estava demolido, apenas com alguns vestígios visíveis na rua da Olaria. Quanto ao castelo, tinha ao centro um pátio com uma cisterna e, em redor deste, muitas salas pintadas com acesso por escadaria de pedraria lavrada. Tudo era cercado de muralha e, por fora desta, corria uma ante muralha menor, e quer as salas quer os remates das muralhas caíram com o terramoto. (“Memórias Paroquiais”, 1758)

Em algum momento após 1790 a Câmara Municipal deixou de arrendar a zona junto às muralhas do castelo para sementeira, devido à ruína das mesmas. Para que ela não aumentasse, em 1792 a vereação ordenou que ninguém tirasse pedra alguma do castelo, seus muros, casas ou cisternas.

No contexto da Guerra Peninsular (1807-1814) o antigo castelo medieval viu a sua posição ser revalorizada quando da construção das Linhas de Torres (1809-1810). À época, a sua estrutura foi modernizada, recebendo couraças e baterias para artilharia, e sendo demolida a porta do castelo. Os trabalhos, a cargo do engenheiro militar Luís Máximo de Sousa Bellegarde, foram denominadas como "Obra Militar n.º 27" do 1.º Distrito da 1.ª Linha do sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras.

Em 1829 o capitão britânico John Thomas Jones, do Corps of Royal Engineers, recordou que, à época do conflito, a guarnição do castelo seria de 500 soldados e estaria artilhado com 5 peças do calibre 12. Ainda naquele ano (1829), no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), procedeu-se o reparo da muralha do lado leste e de alguns torreões do lado norte, sob a direção do coronel de engenheiros Lourenço Homem da Cunha de Eça (1830).

No contexto da Guerra da Patuleia (1846-1847) o castelo foi utilizado como quartel das tropas Cabralistas sob o comando de José Lúcio Travassos Valdez, 1.º conde do Bonfim. Na batalha de Torres Vedras (22 de dezembro de 1846), o castelo foi bombardeado pelas forças Cartistas sob o comando do Marechal Saldanha (João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e Doun), o que acarretou a explosão do paiol de pólvora e a consequente capitulação de toda a divisão Cabralista, com o aprisionamento do conde do Bonfim. A explosão conduziu ainda à ruína quase total do paço.

Apesar do seu estado de ruína, o castelo continuou a funcionar como aquartelamento de tropas regulares até finais do século XIX, tendo sido alvo de várias reparações. Como exemplo, em 1866 o troço da muralha do lado da rua dos Polomes foi reparado por soldados sapadores.

Em 1929 o Ministério da Guerra deu a afetação do imóvel à Câmara Municipal, com o encargo da sua conservação e limpeza. Em 1940 encontrava-se em estado de iminente ruína, devendo a Câmara Municipal proceder a obras. Entre 1945 e 1947 as muralhas continuavam em mau estado, tendo-se procedido naquele último ano a demolição de alguns maciços de alvenaria argamassada em apeamentos de muralha que ameaçam ruína. Procedeu-se ainda à construção e reconstrução de muralhas e cortinas, e ao desentulhar de duas cisterna e do torreão sul.

Em 1955 registou-se o desabamento de parte da muralha a noroeste, evidenciando-se o risco de desmoronamento completo da mesma.

O castelo e cerca urbana de Torres Vedras foram classificados como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

Ainda nesse ano (1957) procederam-se diversos trabalhos, com destaque para:

- a abertura de uma seteira num torreão, sem justificação e destruindo os elementos arquitetónicos primitivos;

- a execução de massames para pavimentos, visando instalar o Museu Arqueológico;

- a consolidação do torreão sul;

- a construção de merlões no terraço do torreão, apesar de não haver vestígios dos mesmos, tendo sido pedida a suspensão destas obras.

Apesar dos trabalhos, em 1959 as muralhas ameaçam desmoronar, sobretudo a norte.

Em 1962 foi feita a consolidação de muralhas exteriores a leste e oeste, com calçamento das zonas em perigo de ruir, aplicando gatos de betão armado nas fendas e refechando as juntas de alvenaria. Tendo-se registado nova derrocada na muralha exterior, a oeste, em 1963, naquele mesmo ano tiveram lugar novos trabalhos de consolidação e reconstrução do trecho afectado.

Novas campanhas de intervenção tiveram lugar entre 1965 e 1967, em 1969, em 1973, 1974, 1979 e 1980. Em maio de 1980 R. W. Bremner visitou o castelo e não encontrou quaisquer vestígios das fortificações de 1810.

Em 1981 tiveram lugar trabalhos de valorização do enquadramento do antigo castelo, seguidas por obras de conservação (1982). Apesar de tudo, em 1983 ruiu parte da muralha leste.

Entre 1984 e 2004 tiveram lugar campanhas de escavações arqueológicas no recinto por iniciativa da Câmara Municipal de Torres Vedras, sob a supervisão do IPPC.

Em 1984, 1985, 1986 tiveram lugar diversas obras de consolidação e beneficiação, o mesmo registando-se em 1994-1995, 1996-1997, 1999 e 2001-2005.

Em dezembro de 2004 procedeu-se à elaboração da Carta de Risco do imóvel pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacinais (DGEMN).

A sala do Torreão do Castelo, requalificada como “Centro de Interpretação do Castelo de Torres Vedras”, foi aberta ao público a 11 de novembro de 2013. Esse espaço museológico acolhe uma exposição permanente com espólio proveniente das escavações arqueologicas e de antigas construções da zona do castelo.

O recinto do castelo foi enriquecido com painéis documentais que ajudam o visitante a fazer uma leitura correta daquele espaço

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótica, manuelina e revivalista, de enquadramento urbano, destacado, no cimo de monte com forte inclinação do lado norte, envolvido por arvoredo e pela malha urbana da cidade, antecedido a sul por um pequeno largo com estacionamento. No interior do recinto muralhado localizam-se a Igreja de Santa Maria do Castelo e o cemitério.

O castelo apresenta cintura de muralha exterior de planta ovalada, com cubelos semi-cilíndricos, rasgada por porta de arco quebrado, encimada por elementos heráldicos manuelinos. A alcáçova apresenta planta retangular irregular a que se liga em avanço torre circular com um piso abobadado de polinervura sobre mísulas.

A barbacã, de planta ovalada, possui cubelos semicilíndricos salientes, estando reforçada por contrafortes cónicos a sudeste e sudoeste, e rematada por merlões com seteiras a sul. Sobre o portão, ladeado por torre quadrangular, saliente da muralha, corre adarve protegido por merlões rasgados por seteiras. O portão, em arco quebrado, é encimado por pedra de armas com o escudo real entre duas esferas armilares em alto-relevo sobre colunelos e rematadas pela cruz da Ordem de Cristo.

Na face interna da muralha, à esquerda, há uma escada para o adarve e, em frente, rampa e caminho que passa por uma segunda porta (de que existem apenas escassos vestígios) e prossegue rodeando todo o perímetro muralhado e conduzindo à igreja, ao castelejo e ao que resta da alcáçova, no cimo do morro, parcialmente assente sobre pódium com esbarro do lado leste, com planta irregular aproximada ao retângulo, tendo adossado no ângulo sudeste, em projeção para o exterior, torreão baixo, de topo semicircular, rasgado por três vãos quadrangulares e porta a oeste, rematado por merlões quadrangulares e coberto por terraço pavimentado por tijoleira. Em seu interior uma sala de dois tramos: o primeiro trapezoidal, cego e coberto por abobadilha e o segundo semicircular, vazado por três canhoneiras (apenas a de oeste com aduelas de cantaria), abobadado de polinervura estrelada sobre mísulas em ponta de lápis, decorada com um único bocete central vegetalista.

Entre este torreão e um outro (hoje desaparecido) do lado oeste é visível o resto de uma cortina de muralha pertencente ao castelejo, antecedida por outro pano de muro em cota inferior, formando duas plataformas em socalco.

Do antigo Paço dos Alcaides subsiste apenas a caixa murária correspondente ao 1.º piso e parte do 2.º. A fachada principal, a sul, é rasgada por porta de verga reta, e o 2.º piso é marcado pelo parapeito e parte das ombreiras de janelas com conversadeiras. Nas fachadas leste e oeste rasgam-se grandes janelas retangulares e, a norte, uma porta. No espaço interior subsistem apenas vestígios de paredes divisórias de dependências (átrio, cozinha com forno), uma escada a leste e duas aberturas (tapadas) de cisternas; na parede sul, ladeando a porta principal, duas mísulas ou capitéis esculturados.

A cerca da vila desapareceu quase por completo.

  • Castle of Torres Vedras

  • Obra Militar n.º 27

  • Castle




  • Afonso I de Portugal

  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O castelo e cerca urbana de Torres Vedras foram classificados como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Torres Vedras



  • Lat: 39 -6' 20''N | Lon: 9 15' 41''W



  • Horário das visitas:
    - Setembro a Maio: terça a domingo, das 10h00 às 18h00
    - Junho a Agosto: terça a domingo, das 10h00 às 19h00
    Encerramento a dias feriados: 1 de Janeiro, domingo e terça-feira de Carnaval; domingo de Páscoa, 1 de Maio, 24 e 25 de Dezembro
    Entrada gratuita


  • 1829: 5 peças antecarga, de alma lisa, do calibre 12.



  • Fortificação das Linhas de Torres Vedras



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