Oxford Castle

Oxford, England: Oxfordshire - United Kingdom

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O “Castelo de Oxford” localiza-se no centro histórico da cidade de Oxford, condado de Oxfordshire, na Inglaterra.

História

O castelo medieval

De acordo com a “Abingdon Chronicle” (séculos X-XII) o castelo de Oxford foi erguido pelo barão Normando Robert D'Oyly, o Velho, de 1071 a 1073. D'Oyly havia chegado à Inglaterra acompanhando Guilherme I quando da conquista Normanda (1066). A cidade de Oxford havia sofrido consideráveis danos no processo e Guilherme I ordenou que D'Oyly ali erguesse um castelo, em posição dominante, para a sua defesa.

Com o tempo, D' Oyly tornou-se o maior proprietário de terras em Oxfordshire e foi confirmado como Condestável Real hereditário do Castelo de Oxford. Entretanto, Oxford não se encontra entre os 48 castelos relacionados no “Domesday Book” (1086). Observe-se que, nem todos os castelos existentes à época no reino foram registados nesse levantamento.

D'Oyly dispôs a fortificação a oeste da cidade, aproveitando a proteção natural de um córrego afluente do rio Tamisa do lado oposto do castelo, córrego que passou a ser chamado de “Castle Mill Stream”, e foi que desviado para inundar o fosso exterior. Em nossos dias os pesquisadores questionam se existiu ou não uma primitiva fortificação inglesa no local, mas até agora se os testemunhos arqueológicos recuperados permitem inferir a presença inglesa, são inconclusivos para apontar a existência de uma fortificação. O Castelo de Oxford foi claramente de implantação urbana, mas ainda não é certo se edifícios anteriores tiveram que ser demolidos para dar-lhe espaço. O “Domesday Book” não regista qualquer demolição, pelo que o local podia já estar desocupado devido aos danos causado pela conquista Normanda da cidade. Em alternativa, o castelo também pode ter sido erguido sobre uma frente de rua pré-existente, o que teria exigido a demolição de, pelo menos, diversas casas.

O primitivo castelo era do tipo “motte & bailey”, com planta semelhante a outro que D'Oyly havia construído em Wallingford, a 19 quilómetros de distância. O “motte” elevava-se originalmente a cerca de 18 metros de altura, com 12 metros de largura, construído, do mesmo modo que o “bailey”, em camadas de cascalho, reforçadas com argila no exterior. Também houve debate entre os pesquisadores acerca das etapas construtivas, tendo sido sugerido que a muralha foi construída primeiro, o que teria conferido ao primitivo castelo uma forma de anel, em lugar de um “motte & bailey”.

Pelo meado do século XII o castelo tinha sido ampliado de forma significativa em pedra. O primeiro desses trabalhos foi a Torre de St. George, construída em 1074 empregando rocha calcária (“coral rag”), abundante na região de Oxford. A torre apresentava planta quadradas, com 9 metros de lado na base, estreitando-se até ao topo para manutenção da sua estabilidade. Constituía-se na torre mais alta do castelo, possivelmente porque cobria a aproximação ao antigo portão oeste da cidade.

No interior dos muros da torre encontra-se a capela da cripta, que pode ter sido o local de uma primitiva igreja. A capela da cripta primitivamente contava com uma nave, capela-mor e um santuário apsidal. É um design tipicamente Normando precoce, com sólidos pilares e arcos. Em 1074 D'Oyly e seu grande amigo, Roger d'Ivry, dotaram a capela com um colégio de padres. Numa fase inicial, adquiriu a invocação de St. George.

Do período da Anarquia à Guerra dos Barões

Robert D'Oyly, o Jovem, sobrinho de Robert D'Oyly, o Velho, herdou o castelo no contexto da guerra civil conhecida como “A Anarquia” (1139-1153). Após ter apoiado inicialmente Estêvão de Inglaterra (1135-1154), Robert declarou o seu apoio a Matilde de Inglaterra, prima e rival ao trono de Estevão. Em 1141 as forças de Matilde concentraram-se em Oxford que assim convertia o castelo em seu quartel-general. Estevão respondeu a essa ameaça marchando inesperadamente de Bristol em dezembro, atacando e assediando Oxford e sitiando Matilde no castelo. Estevão estabeleceu duas elevações de cerco ao lado do castelo, denominadas Jew’s Mount e Mount Pelham, nas quais dispôs máquinas de cerco, em grande parte para exibição, e manteve-se à espera do esgotamento dos suprimentos de Matilde nos três meses seguintes. Observe-se que Estevão terá tido dificuldades em abastecer os seus próprios homens durante o período de Inverno, e esta decisão atesta o poderio e a importância do Castelo de Oxford à época.

A resposta de Matilde foi evadir-se do castelo; a versão popular deste evento mostra a Imperatriz à espera até que o caudal do Mills Castle estivesse congelada e, em seguida, vestida de branco como camuflagem na neve, sendo descida pelo exterior das muralhas acompanhada por três ou quatro cavaleiros, escapando por entre linhas de Estevão à noite, enquanto as sentinelas do rei tentavam dar o alarme. O cronista William de Malmesbury, no entanto, sugere que Matilde não desceu pelas muralhas, mas sim escapou por um dos portões. De qualquer modo, Matilde alcançou com segurança Abingdon e o Castelo de Oxford rendeu-se a Estevão no dia seguinte. D’Oyly havia falecido nas semanas finais do cerco, e desse modo, o castelo foi concedido a William de Chesney pelo restante do conflito. Ao final deste, a alcaidaria do castelo foi concedida a Roger de Bussy, até ser recuperada por Henry D'Oyly, filho mais novo de Robert D'Oyly, em 1154.

No início do século XIII a cerca de madeira no topo do “motte” foi substituída por outra, de pedra, com planta no formato de um polígono regular de dez lados, com 18 metros, muito semelhante às dos castelos de Tonbridge e de Arundel. A nova cerca encerrava em seu interior vários edifícios, deixando uma praça de armas com apenas 7 metros. Ainda no interior dessa cerca, uma escadaria descia 6 metros abaixo do solo, até uma câmara de pedra subterrânea com 3,7 metros de largura, recoberta por uma abóbada hexagonal em estilo Inglês precoce. Nesta câmara abria-se um poço com 16 metros de profundidade, que assegurava o fornecimento de água aos defensores em caso de cerco.

No contexto da Primeira Guerra dos Barões (1215-1217) o castelo foi novamente atacado, o que conduziu ao reforço e melhoria das suas defesas. Em 1220 Falkes de Breauté, que controlava muitos castelos reais no centro da Inglaterra, fez demolir a Igreja de St. Budoc a sudeste do castelo e construiu uma barbacã e um fosso para uma defensa mais efetiva do portão principal. Os edifícios de madeira que ainda subsistiam foram reconstruídos em pedra, incluindo uma nova torre de planta circular (“Round Tower”), erguida em 1235.

Henrique III de Inglaterra (1216-1272) transformou parte do castelo em uma prisão, especificamente para a detenção de funcionários problemáticos da Universidade de Oxford, e promoveu melhorias na capela do castelo, substituindo as antigas janelas gradeadas por vitrais em 1243 e 1246. Entretanto, devido à presença de “Beaumont Palace” ao norte de Oxford, o castelo nunca se tornou uma residência real.

Por volta de 1327 a fortificação, particularmente os portões do castelo e da barbacã, estava em mau estado, estimando-se em £ 800 o montante necessária para os devidos reparos. Da década de 1350 em diante, o castelo conheceu pouco uso militar e estava cada vez mais propenso a cair em ruínas. A partir de então tornou-se o centro para a administração do condado de Oxford, uma prisão, e um tribunal criminal. “Assizes” (cortes de foro criminal) foram ali realizadas até 1577, quando a peste negra irrompeu durante o que ficou conhecido como o "Black Assize": o Senhor Tenente de Oxfordshire, dois cavaleiros, oitenta gentis-homens e todo o grande júri para a sessão, pereceram, incluindo Sir Robert D'Oyly, um descendente do fundador do castelo. A partir de então os “assizes” deixaram de ter lugar no castelo.

Por volta do século XVI a barbacã do castelo havia sido demolida para dar lugar a casas e o fosso tinha começado a ser ocupado com habitações de tal modo que, em 1600, o fosso encontrava-se quase que totalmente assoreado e moradias haviam sido construídas adossadas à muralha. Em 1611, Jaime I de Inglaterra (1603-1625) vendeu o Castelo de Oxford a Francis James e Robert Younglove que, por sua vez, em 1613 o venderam ao Christ Church College. O colégio arrendou-o nos anos seguintes a um número de famílias locais. Neste período, a estrutura do castelo encontrava-se bastante degradada, destacando-se uma grande rachadura na muralha.

Com a eclosão da Guerra Civil Inglesa (1642-1651) os Realistas fizeram de Oxford a sua capital. As forças do Parlamento estabeleceram um bem-sucedido cerco à cidade em 1646, vindo a cidade a ser ocupada pelas forças do coronel Ingoldsby. Este oficial fez modernizar a fortificação do castelo em detrimento da cidade ao redor e, em 1649 fez demolir a maior parte da cerca medieval, substituindo-a por modernos baluartes de terra e reforçando os muros do castelo com trabalhos de terraplenagem para formar uma bateria capaz de artilharia. Em 1652 a guarnição do Parlamento respondeu à proximidade das forças de Carlos II, demolindo essas defesas e retirando para New College, causando com isso grandes danos à escola. Na ocasião, Oxford não chegou a conhecer combates.

No início do século XVIII, entretanto, a muralha do castelo foi demolida, e o topo do “motte” alterado para a sua forma atual.

O papel como prisão

Com o fim da Guerra Civil, o Castelo de Oxford serviu principalmente como a prisão local. Tal como aconteceu com outras prisões na época, os seus proprietários - neste caso o Christ Church College -, arrendou as dependências do castelo a guardas que iriam obter rendimentos através da cobrança de taxas de alojamento aos prisioneiros. A prisão também dispunha de uma forca para executar os condenados à morte, como por exemplo Mary Blandy em 1752. Durante a maior parte do século XVIII, a prisão do castelo foi administrada pelas famílias locais Etty e Wisdon, e as suas dependências degradavam-se cada vez mais. Na década de 1770 o reformador prisional John Howard visitou o castelo em diversas ocasiões, sendo um crítico de seu tamanho e qualidade, particularmente a condição de infestação por vermes das suas dependências. Em parte como resultado dessas críticas, as autoridades do Condado decidiram-se pela reconstrução da prisão de Oxford.

Desse modo, em 1785 o castelo foi adquirido pela Justiça do Condado de Oxford e deu-se início à reconstrução da prisão, com projeto do arquiteto londrino William Blackburn. O sítio mais amplo do castelo também já havia começado a sofrer alterações em fins do século XVIII, com a “New Road” sendo aberta através do antigo recinto do “bailey” e os últimos trechos do fosso do castelo sendo aterrados para dar lugar ao novo terminal “Oxford Canal”. A construção da nova prisão requereu a demolição do antigo colégio anexo à Capela de St. George, e o reposicionamento de parte da cripta em 1794. As obras foram concluídas sob a direção de Daniel Harris, em 1805. À época, Harris ganhava um salário razoável como novo governador e recorreu ao trabalho dos próprios prisioneiros do estabelecimento para realizar escavações arqueológicas preliminares no castelo com a ajuda do antiquário Edward King.

Ao longo do século XIX o conjunto continuou a ser expandido, com o acréscimo de diversos novos edifícios, como por exemplo o novo “County Hall” (1840-1841) e o “Oxfordshire Militia Armoury” (1854). A prisão em foi também ampliada (1876), de modo a ocupar a maior parte do espaço restante. Em 1888, as reformas introduzidas no sistema prisional britânico levaram à mudança de nome da prisão do concelho para “HM Prison Oxford”.

Os nossos dias

Em 1954 as duas partes mais antigas do castelo foram classificadas como “listed buildingsde Grau I: o “motte” do século XI com a sua câmara subterrânea do século XIII, e a Torre de St. George, do século XI, com a sua capela-cripta e a “D-Wing” e a "Debtor’s Tower", do século XVIII. O conjunto encontra-se protegido como “Scheduled Monument”.

A prisão foi encerrada em 1996 e o imóvel revertido para o Oxfordshire County Council. Os edifícios da prisão de Oxford desde então foram requalificados como um restaurante e um complexo de memória, com visitas guiadas aos edifícios históricos e os pátios abertos a feiras e performances teatrais. O complexo inclui um hotel da rede Malmaison, o Malmaison Oxford, que ocupa grande parte dos antigos blocos de prisão, com as celas requalificadas como quartos de hóspedes. No entanto, as partes da prisão associadas a castigos corporais ou de penas capitais foram requalificados como escritórios em vez de ser disponibilizados para os hóspedes. O projeto misto, de herança e usufruto, foi inaugurado em 5 de maio de 2006, tendo ganho o prémio anual do RISC Project em 2007.

Posteriormente, graças a um projeto de restauração coordenado pelo Oxford Preservation Trust com recursos da ordem de 3,8 milhões de libras, foram recuperados não apenas o monte do primitivo castelo de madeira, remontando ao século XI, mas também o acesso à Torre de São Jorge e aos calabouços subterrâneos, assim como construído um centro de interpretação. Os antigos edifícios encontram-se preservados em suas diversas fases construtivas, estando abertos ao público. Os visitantes dispõem ainda de loja, café e de uma programação regular de eventos de arte, teatro, dança e música.

Contribution

Updated at 09/10/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (16).


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  • United Kingdom


  • Featureless and Well Conserved

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    Em 1954 as duas partes mais antigas do castelo foram classificadas como “listed buildings” de Grau I: o “motte” do século XI com a sua câmara subterrânea do século XIII, e a Torre de St. George, do século XI, com a sua capela-cripta e a “D-Wing” e a "Debtor’s Tower", do século XVIII. O conjunto encontra-se protegido como “Scheduled Monument”.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : United Kingdom
    State/Province: England: Oxfordshire
    City: Oxford



  • Lat: 51 -46' 53''N | Lon: 1 15' 47''W










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