Silves Castle

Silves, Faro - Portugal

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O “Castelo de Silves” localiza-se na freguesia e concelho de Silves, distrito de Faro, em Portugal.

Erguido pelos Almorávidas no século XI em posição dominante sobre a foz do rio Arade, com a função de defesa da capital do Garb-Al-Andaluz, constitui-se no maior castelo da região algarvia, sendo considerado como o mais belo exemplo da arquitetura militar islâmica no país. É o segundo monumento mais visitado do Algarve, a seguir à Fortaleza de Sagres.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da colina de Silves remonta à pré-história, acreditando-se – com base nos testemunhos arqueológicos – que a um castro lusitano, por ali tendo passado navegadores fenícios, gregos e cartagineses que adentravam o rio Arade, navegável até fins da Idade Média.

No contexto da invasão romana da península Ibérica, em 201 a.C. forças romanas conquistam a região, transformando a povoação numa forte base de ocupação e próspero centro comercial. Os romanos terão explorado uma mina de cobre no local, como testemunha a chamada “Cisterna dos Cães”.

Quando da invasão muçulmana da península (711), a povoação de “as-Shilb” foi conquistada (716) e a sua defesa reforçada pela construção de uma nova cerca amuralhada, amparada por torres e couraças, que se estendia ao longo da margem direita da ribeira desde o porto até ao Rovallo, ponto em que eram tomadas as águas para o abastecimento da população - por esta razão especialmente defendido por um pequeno castelo -, e prosseguia depois a monte pela banda do norte até ao porto fluvial, inclusive. (ALMEIDA, 1948) />
Graças à posição geográfica privilegiada a povoação cresceu com rapidez. Por volta do século XI, quando conheceu o apogeu, ultrapassando “Ossónoba” em importância, foi palco de inúmeras disputas entre príncipes muçulmanos vindo a ser conquistada pelo rei-poeta Al-Mu'tamid (1052), tornando-se sede de uma taifa (Taifa de Silves, 1027-1069). Datará deste período a configuração mais ampla do perímetro amuralhado, envolvendo uma área de cerca de doze hectares, significativa à época. A muralha ameada, rasgada por três portas, era reforçada por torres de planta quadrangular. Internamente a povoação era definida por duas ruas principais, constituindo dois eixos. Junto à porta principal (Porta de Almedina, Porta de Loulé) erguia-se o notável “Axarajibe” (“Palácio da Varandas”), hoje desaparecido, que conhecemos pela poesia de Al-Mu'tamid e Ibn Anmar.

Atraído pela prosperidade deste enclave, Sancho I de Portugal (1185-1211), no início de 1189, com o auxílio de uma frota de cruzados Dinamarqueses e Frísios, conquistou preliminarmente o vizinho Castelo de Alvor. No Verão do mesmo ano, com o auxílio de uma nova frota de Cruzados, agora de Ingleses e Alemães, intentou, a partir da segunda quinzena de julho, a conquista de Silves, a que impôs um duro sítio. Deste episódio chegou-nos a narrativa de um de seus participantes, que descreveu a violência do cerco, assim como o emprego de uma variedade de máquinas de guerra, tais como torres de madeira, catapultas e de um "ouriço" (esfera de madeira armada com pontas de ferro), que destruíram várias torres e troços da muralha, conduzindo à rendição da povoação a 2 de setembro, então violentamente saqueada.

A povoação e seu castelo mantiveram-se na posse de Portugal até à contraofensiva Almóada que, sob o comando do califa Abū Yūssuf Yaʿqūb bin Yūssuf al-Manṣūr, em 1190-1191 culminou com a perda de todas as conquistas cristãs nos territórios ao sul do rio Tejo, à exceção da cidade de Évora.

Neste momento, ao final do século XII, a cidade encontra-se descrita na crónica de Xelbe como um dinâmico centro urbano, comercial e cultural do mundo islâmico. Data do início do século XIII a reforma Almóada das suas defesas, empreendida pelo seu último governante, Ibn al-Mahfur, que lhe conferiu as linhas gerais que, com alterações, chegaram aos nossos dias. Deste momento é testemunho uma lápide com data de 1227, identificada nas ruínas da Porta do Sol e originalmente associada a uma torre quadrangular que defendia esta passagem.

O castelo medieval

Em 1242 os cavaleiros da Ordem de Santiago, sob o comando de seu Mestre, D. Paio Peres Correia, intentaram a reconquista de Silves que, entretanto, só retornou definitivamente às mãos de Portugal sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279) em 1253, quando o seu bispado foi restaurado. O soberano concedeu foral à povoação (1266), quando terá também determinado a recuperação e reforço das suas defesas.

Dinis I de Portugal (1279-1325) concedeu privilégios aos moradores da cidade (1305), o mesmo o fazendo Fernando I de Portugal (1367-1383) em 1380.

No contexto dos Descobrimentos marítimos, Afonso V de Portugal (1438-1481) nomeou o Infante D. Henrique como alcaide-mor de Silves (1457), três anos antes deste último falecer. Silves era então a mais importante cidade do Algarve, sede de bispado, e por aqui passava a via de comunicação que ligava a região ao Reino de Portugal. Aqui também o cronista Gomes Eanes de Zurara, cavaleiro da Casa do Infante, escreveu a "Crónica da Tomada de Ceuta".

Em 1487 João II de Portugal (1481-1495) concedeu aos moradores de Silves novos e grandes privilégios.

É possível que novos trabalhos de ampliação e reforço das defesas tenham tido lugar sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), que concedeu Foral Novo à povoação (1504) de vez que datam desse período as obras da Igreja da Sé e da Misericórdia.

Sebastião I de Portugal visitou Silves em 27 de janeiro de 1573.

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) uma notícia datada de 1600 deu conta de que o castelo se encontrava desabitado e entulhado, para o que possivelmente terá concorrido a destruição causada por um forte terramoto que, em 1587, atingiu a região do Barlavento Algarvio.

Do terramoto de 1755 aos nossos dias

Quando do terramoto de 1 de novembro de 1755 a sua estrutura foi uma vez mais danificada. De acordo com o testemunho coevo de Moreira de Mendonça: “A cidade de Silves perdeu a sua Se, Torre, castelo, e muralhas (...).". (MENDONÇA, 1758)

Ainda no século XVIII poderá ter tido lugar a reconstrução da alcáçova, danificada pelo terramoto, assim como a pintura dos tetos.

Finda a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), em 1835 as muralhas foram reparadas às expensas da população, insegura com as ações de guerrilha do “Remechido” na região.

Até cerca de 1890 o Tribunal Judicial funcionou no Torreão das Portas da cidade.

O Castelo de Silves encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de julho 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP do Castelo encontra-se definida por Portaria de 25 de maio de 1948, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 151, de 1 de julho. As Muralhas e a Porta da Almedina de Silves encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 31-C/2012, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 252, de 31 de dezembro.

Nas décadas de 1930 e de 1940, foram promovidas intervenções de consolidação e restauro, a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), desobstruindo-se troços de muralhas e refazendo-se algumas torres, ameaçadas de ruína.

O imóvel do Castelo encontra-se afeto à Câmara Municipal de Silves através de Auto de Cessão de 19 de novembro de 1940.

De 1965 a 1968 foram procedidas novas campanhas de intervenção. O conjunto sofreu novos danos, causados pelo sismo de 28 de fevereiro de 1969, após o que sofreu obras gerais de consolidação. Novas campanhas tiveram lugar nas décadas de 1970 e 1980.

Desde 1984 decorrem escavações arqueológicas no interior do castelo, coordenadas por Rosa Varela Gomes (FCSH-UNL), docente e investigadora na área da Arqueologia Medieval Islâmica, que trouxeram à luz vestígios de edificações muçulmanas dos séculos VIII a XIII.

A campanha de 2005-2006 trouxe à luz diversos vestígios de construções islâmicas, com destaque para os vestígios de um palácio do século XI, pertencente ao então governador da cidade, Al-Mu'tamid, com restos de estuques polícromos. Foram descobertos ainda, no âmbito das obras do programa “Polis” ao fazer uma obra de canalização, foram descobertos vestígios de uma edificação que poderá ter sido a alcaidaria do Infante D. Henrique, a sudoeste da Praça de Armas do castelo, junto às muralhas. Essas primeiras escavações revelaram um salão, uma escadaria e um lagar do período cristão, juntamente com diversas peças de cerâmica, moedas e fivelas dos séculos XIV e XV. No decorrer destas foi também trazido à luz um engenho de açúcar também datável do mesmo período, o mais antigo da península Ibérica.

Mais recentemente, em setembro de 2015, nova campanha de escavações dirigidas pela professora Rosa Varela Gomes e o seu esposo, o arquiteto Mário Varela Gomes, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL), através do Instituto de Arqueologia e Paleociências (IAP), com recursos da Câmara Municipal de Silves, teve lugar na área anteriormente identificada com os objetivos de tentar delimitar a área da alcaidaria e aprofundar o conhecimento acerca do engenho de açúcar anteriormente identificado.

Características

Exemplar de arquitetura militar islâmica, de enquadramento urbano, na cota de 61 metros acima do nível do mar.

O conjunto ocupava uma área de cerca de 12 ha, erguido com o emprego de taipa, revestida com grés (arenito), material abundante na região e que lhe confere uma tonalidade avermelhada.

Distribuía-se por dois grandes espaços: a alcáçova e a almedina.

A alcáçova, em posição dominante na cota mais alta do terreno, apresenta planta poligonal irregular orgânica (adaptada ao terreno em que se inscreve), com muralhas percorridas no topo por adarve, rematadas por ameias com seteiras, amparadas por onze torres de planta quadrangular (torre de menagem, 3 torreões e 7 quadrelas), duas das quais albarrãs, que comunicam com as muralhas por uma passagem elevada em arco. Nas muralhas rasgam-se duas portas:

- a principal comunica com a almedina, estando defendida por duas torres e apoiada pela casa da guarda, construção de um piso, abobadada, recoberta por telhado de 2 águas; e

- a chamada “Porta da Traição”, na muralha a norte, um postigo que fornece acesso direto ao exterior.

Numa ampla área localizada a nascente, várias campanhas de investigação arqueológica culminaram com a descoberta de estruturas de uma habitação do período Almóada (1121–1269), possivelmente com dois pisos, um jardim interior e um complexo de banhos e que se acredita tenha sido um palácio, habitado durante pouco mais de um século. Após a ocupação cristã, e por manifesta incompatibilidade de modo de vida, caiu em abandono após um incêndio que o devastou.

Na praça de armas junto à muralha sudoeste, foram identificados vestígios de uma casa, presumível residência do Infante D. Henrique, nomeadamente os alicerces em taipa, uma escada em pedra com um degrau siglado, uma ampla sala com restos de uma abóbada por terra, e um largar de azeite com uma das mós.

No espaço da alcáçova destacam-se ainda:

- O algibe, popularmente referido como “Cisterna da Moura”, de planta retangular com 20 metros de comprimento por 16 metros de largura e 7 metros de altura, recoberta por 4 abóbadas de canhão lado a lado, suportadas por seis colunas centrais e mais seis adossadas às paredes. Segundo a tradição, a sua capacidade era suficiente para abastecer a povoação durante todo um ano e uma lenda local refere que, na noite de São João (24 de junho), pela meia-noite, ouvem-se as lamúrias de uma princesa moura que, num barco de prata com remos de ouro, aguarda que um príncipe mouro a venha desencantar;

- A chamada “Cisterna dos Cães”, com 60 metros de profundidade, escavado na vertical, o que se crê, seja o aproveitamento um antigo poço de exploração de cobre da época romana.

- Vários silos subterrâneos destinados a guarda de cereais, com entrada por pequenas aberturas a nível do solo.

A alcáçova ligava-se à almedina por uma porta protegida por duas torres. A cerca da almedina apresentava planta irregular: os troços existentes deixam perceber que se tratavam de altas muralhas ameadas, amparadas por torres que circundavam o aglomerado urbano partindo do castelo a oeste, voltando a encontrá-lo a sul.

Os troços de muralha existentes situam-se por entre o casario das ruas Nova da Boavista e Nunes Mascarenhas e por detrás da rua da Porta da Azóia; o Torreão das portas da cidade fecha a Praça do Município pelo lado leste. O troço de muralha da rua das Portas de Loulé está integrado no Museu de Arqueologia.

Estas muralhas eram rasgadas por três portas, das quais apenas a Porta de Loulé chegou até nós. Esta porta apresenta um passadiço duplo, com arcos de volta perfeita, protegido por uma torre albarrã. Acredita-se que a sua estrutura inferior seria em cotovelo. Esta torre tem no seu interior duas salas e anexos onde, durante séculos, esteve instalada a Câmara Municipal e, desde 1983, os serviços da Biblioteca Municipal. É acedida por uma escada exterior, construída posteriormente, e pelos dois passadiços originais, no topo. Junto a ela foram encontrados os vestígios do chamado "Palácio das Varandas".

Internamente a almedina possuía uma rede viária interna cruzada, com duas ruas principais.

Aqui, junto à muralha, vizinha a uma torre albarrã e próximo à porta principal, destaca-se o chamado “Poço-Cisterna”, com aproximadamente 20 metros de profundidade, de boca circular, construído em forte aparelho de grés. Tem a característica particular de ser rodeado até quase ao nível da água por uma escada abobadada e em espiral, aqui e além servida por três janelas de acesso à água. A dupla designação de “poço-cisterna” protege a possibilidade deste poder ser também abastecido pela água recolhida pelos telhados vizinhos. Trata-se de uma construção do período Almóada, datável de finais do século XII ou princípios do século XIII, e que se destaca por sua raridade no mundo árabe. Acredita-se que a humilhante rendição pela sede aos Cruzados nos finais do Verão de 1189 poderá ter sido determinante para a construção desta obra, que teve papel fundamental durante toda a Idade Média no abastecimento da cidade baixa. Em nossos dias é a peça fundamental do novo museu que o protege e enquadra e ao qual forneceu, durante a sua escavação, muito do seu espólio.

Além da alcáçova e das muralhas da almedina, o sistema defensivo era constituído ainda pela Couraça, pelas Muralhas do Arrabalde – que envolveriam a parte mais baixa da cidade e das quais ainda pode ser visto o “Arco da Rebola” na Rua da Cruz da Palmeira - e ainda a possível e muito provável existência de fossos e barbacãs, dispostos nos locais mais vulneráveis.

Bibliografia

MENDONÇA, Joachim Joseph Moreira de. História Universal dos Terramotos. Lisboa: Officina de António Vicente da Silva, 1758.



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Contribution

Updated at 11/01/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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    O Castelo de Silves encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de julho 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP do Castelo encontra-se definida por Portaria de 25 de maio de 1948, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 151, de 1 de julho. As Muralhas e a Porta da Almedina de Silves encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 31-C/2012, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 252, de 31 de dezembro.



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    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Silves

    Rua da Cruz de Portugal, 42979
    8300-135 Silves, Portugal


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