Alter do Chão, Portalegre - Portugal
O “Castelo de Alter do Chão” localiza-se na freguesia e concelho de Alter do Chão, distrito de Portalegre, em Portugal.
Cooperava com o vizinho Castelo de Alter Pedroso na defesa da região.
História
Antecedentes
A primitiva ocupação humana deste sítio remonta à época pré-histórica.
Quando da Romanização o povoado desenvolveu -se, atravessado por uma das três estradas que ligavam “Olissipo” (Lisboa) a “Emérita Augusta” (Mérida), passando a denominar-se “Eleteri” ou “Abeleterium”. Posteriormente arrasado pelas legiões do imperador Adriano (117-138), esse evento poderá ter determinado a construção de uma fortificação romana.
Posteriormente a povoação foi conquistada pelos Vândalos que lhe danificaram as defesas. Estas terão sido reconstruídas à época da ocupação Muçulmana, possivelmente sob o governo de Ab-al-Rahman III (912-961), conforme testemunham cinco fiadas de silhares cujo aparelho é característico do período califal.
O castelo medieval
No contexto da Reconquista cristã, esta região foi ocupada pelas forças de Portugal desde a segunda década do século XIII: Afonso II de Portugal (1211-1223) ordenou o seu repovoamento em 1216.
Sob o reinado de Sancho II de Portugal (1223-1248), o castelo já se encontra mencionado na Carta de Povoamento dada a Alter do Chão pelo bispo da Guarda, Mestre D. Vicente Hispano (1232).
Ainda visando incrementar o seu povoamento, Afonso III de Portugal (1248-1279) outorgou foral à vila (1249), determinando reedificar o seu castelo. Neste reinado Alter do Chão transita da diocese da Guarda para a diocese de Évora (24 de março de 1260).
Dinis I de Portugal (1279-1325) visitou a vila em diversas ocasiões, outorgando-lhe novo foral (26 de agosto de 1292), reformado no ano seguinte (1293). Entre os privilégios concedidos, destacava-se o de que a vila nunca teria outro senhor senão o próprio soberano. Não existe informação, entretanto, de que o mesmo tenha se ocupado da sua fortificação.
A atual conformação do castelo remonta ao reinado de Pedro I de Portugal (1357-1367), que determinou a sua reconstrução em 22 de setembro de 1357, de acordo com a placa epigráfica de mármore sobre o portão principal. O soberano reformou o foral da vila em 1359.
Fernando I de Portugal (1367-1383) fez a doação dos domínios da vila a D. Nuno Álvares Pereira, que, por sua vez, os doou a Gonçalo Eanes de Abreu.
João I de Portugal (1385-1433) confirmou os domínios da vila e seu castelo ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira (1428). Estes foram legados, por sua morte, à sua filha, que o transferiu, por casamento com o duque de Bragança, aos domínios desta Casa. Neste momento de sucessão, registrou-se uma campanha de obras no castelo (1432).
À época do reinado de João II de Portugal (1481-1495), o então duque de Bragança, D. Fernando II, utilizou o castelo como prisão. O duque viria a ser acusado por rebeldia e conspiração contra o soberano, e condenado à morte (1483).
Manuel I de Portuga1 (1495-1521) outorgou o Foral Novo à vila (1 de junho de 1512), datando deste período a construção da porta adintelada da alcaidaria.
Da Guerra da Restauração aos nossos dias
No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668) a vila integrou a segunda linha de defesa da raia, tendo sido erguida uma barbeta na muralha nordeste, sobre a qual se reconstruíram as ameias. Neste período encontra-se documentada a existência de uma cerca urbana. A vila e seu castelo foram conquistados e ocupados por forças espanholas sob o comando de D. Juan José de Austria (1662).
O castelo foi adquirido, em algum momento entre 1830 e 1840, por José Barreto Castelino Cota Falcão, que o vendeu, em 1892, a José Barahona Caldeira de Castel-Branco Cordovil.
Ao longo do século XX as suas dependências foram utilizadas como loja de ferrador, oficina de carpintaria, celeiro, cavalariças, lagar de azeite e lixeira.
Encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, n.º 136, de 23 de junho. A ZEP encontra-se definida pela Portaria de 29 de dezembro de 1959, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 13, de 16 de janeiro de 1960 (sem restrições).
No âmbito da comemoração dos centenários da Fundação e Restauração da nacionalidade (1140, 1640), o castelo foi recordado pelos portugueses que comemoraram o III Centenário da Restauração de Portugal como demonstra a inscrição gravada num silhar que reza: "A HISTÓRIA DESTE CASTELO FOI RECORDADA COM GRATIDÃO PELOS PORTUGUESES DE 1940".
O imóvel foi adquirido pela Casa Agrícola de Francisco Manuel Pina & Irmãs (1942), para ser adquirido pela Fundação da Casa de Bragança (1955), que o conserva até aos nossos dias.
Após intervenções de consolidação e restauro iniciadas pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) em 1955, com recursos da Fundação da Casa de Bragança, o castelo encontra-se hoje em bom estado de conservação, emoldurado por uma estreita faixa ajardinada.
Em janeiro de 2005 procedeu-se a elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.
Atualmente sob a tutela da Câmara Municipal de Alter do Chão nele se encontra instalado o Núcleo museológico Castelo de Alter do Chão, constituído por um Centro Interpretativo e salas de exposições.
Características
Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico inicial, de enquadramento urbano, na cota de 270 metros acima do nível do mar.
Apresenta planta quadrada, orientada no eixo nordeste-sudeste, com as muralhas em aparelho de xisto e granito amparadas por seis torres, sendo quatro de ângulo, um torreão lateral na muralha nordeste e uma torre-porta na fachada a sudoeste.
A porta de armas inscreve-se num arco pleno cego, com verga em arco quebrado e impostas, sendo a da direita esculpida, sobreposta por uma lápide armoriada, com o escudo real, e epigrafada. Junto à base do lado direito do arco cego encontra-se um silhar com inscrição. A porta dá acesso a um túnel com mais duas portas e desemboca na praça de armas ao centro da qual se abre o poço e a cisterna. Encostada à parede do lado direito de quem entra na praça, encontra-se uma lápide epigrafada e armoriada, com o brasão da Casa de Bragança, que reza:
“ERA MILÉSSIMA: CCC E NOVENTA V ANOS (=1357) XXII DIAS DE SETEMBRO O MUI NOBRE REI DOM PEDRO MANDOU FAZER ESTE SEU CASTELO D' ALTER DO CHÃO”
Sobre o túnel da torre-porta encontra-se uma sala de planta retangular, com fresta e bueira no pavimento, a que se acede pelos adarves; também por estes se acede ao eirado desta torre, com ameias primitivas; a torre-porta liga-se, para cada lado, por muralhas ameadas a cubelos ameados, ambos de corpo largo, um dos quais, a leste, apresenta coruchéu cónico; este tramo liga-se ao oposto, a noroeste, por muralhas ameadas de corpo largo e com adarves, possuindo o nordeste uma sobrelargura apoiada num sistema de abobadilhas a nascer de mísulas alongadas, em pedra. O torreão lateral, a nordeste, possui eirado com ameias de corpo largo. No tramo noroeste, que possui, do lado exterior, os cachorros de um antigo mata-cães, entre a torre de menagem, a oeste, e a torre norte, encontram-se as ruínas da alcaidaria. Possuía três pisos, restando apenas a fachada travada por três contrafortes e o pavimento do 1.º andar, assente sobre a abóbada do rés-do-chão; o piso térreo apresenta a porta da traição, em arco quebrado, rasgada na muralha sudoeste, e a porta da alcaidaria. Sobre esta porta, com ombreiras de cantaria de granito, encontra-se outra inscrição epigráfica, que reza:
“ESTA OBRA MANDOU FAZER FERNÃO RODRIGUES VEEDOR DE DOM FERNANDO NETO DEL REI E CONDE D' ARRAIOLOS ERA DO MUNDO DE MIL jjjjc e X (=1372) ANOS”
Em posição recuada na praça de armas, a torre de menagem apresenta planta no formato quadrangular, elevando-se a a 44 metros de altura. Possui, a partir do nível dos adarves, duas salas sobrepostas, com tetos de abóbada suportada por arcos quebrados de cantaria; todas as portas desta torre apresentam vergas em arco quebrado; o eirado possui ameias de terminação piramidal.
Para a torre norte, de planta quadrada, com o paramento da porta de entrada a fazer um ângulo de 45 graus com o plano das muralhas que com ela comunicam, acede-se através duma porta de arco quebrado. O eirado tem ameias de terminação piramidal.
Horário de funcionamento:
Verão: das 10h00 às 12h30 e das 15h00 às 19h00
Inverno: das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Encerra à 2.ª feira
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Ajuda
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