Forte de Zebreira

Idanha-a-Nova, Castelo Branco - Portugal

O “Forte de Zebreira”, comumente referido como “Castelo de Zebreira” foi uma fortificação projetada em meados do século XVIII a ser erguida na freguesia de União das Freguesias de Zebreira e Segura, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, Portugal.

História

O topónimo “Zebreira” alude a terra onde há zebros: sendo “zebro” um derivado do latim vulgar “equiferus”, cavalo selvagem ibérico, hoje extinto e que não deve ser confundido com a atual zebra, de origem africana.

Acredita-se que na povoação da atual Zebreira terá existido desde muito cedo a presença humana, pelo menos desde o repovoamento egitaniense do século IX para o X e que nunca se extinguiu de todo, o que de certo modo atesta a conservação do topónimo “Zebreira”.

O seu repovoamento teve início no século XII, sob o impulso dos cavaleiros da Ordem do Templo estabelecidos em Idanha e no Rosmaninhal. A esse respeito, a tradição conserva um registo local, de autoria do Abade de Miragaia, que narra a fundação referindo que os habitantes de Idanha-a-Nova, atraídos pela beleza e fertilidade daquele território, trataram de o lavrar, cultivando oliveiras, videiras e uma espantosa profusão de azinheiras. Como o local ainda ficava distante de Idanha, também por ali construíram algumas cabanas para se abrigarem das intempéries e recolherem o seu gado, os seus géneros e utensílios da lavoura. Com o tempo, a referida colónia aumentou, as cabanas passaram a casas e assim se formou um povoado que do primitivo nome de Zebros se denominou Zebreira.

Do mesmo modo que acerca do início do povoamento, também não existe documentação acerca da instituição paroquial, acreditando-se que a paróquia de Santa Maria da Zebreira tenha sido instituída a meados do século XIII, por iniciativa da Ordem do Templo. O mesmo Abade de Miragaia informa que esta paróquia abrangia a grande Herdade do Soudo e os montes de Toulões e de Vale de Cardas.

Manuel I de Portugal (1495-1521) em manifesto reconhecimento do progresso de Idanha-a-Nova, concedeu-lhe o “Foral Novo” (1 de junho de 1510), tendo deste beneficiado a povoação de Zebreira.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) Portugal foi invadido por tropas franco-espanholas sob o comando do Marechal de França, James Fitz-James, 1.º duque de Berwick, nos princípios de maio de 1704, sendo ocupadas sucessivamente Salvaterra do Extremo, Segura, Zebreira, Monsanto, Idanha-a-Nova e Castelo Branco.

A reação teve lugar no ano seguinte (1705), quando forças portuguesas, sob o comando do comandante militar da Beira, D. António Luís de Sousa, 4.º conde do Prado e 2.º marquês das Minas, reforçadas por tropas do Minho e Trás-os-Montes, marcharam de Almeida sobre a linha do Tejo, batendo e cortando o corpo do exército invasor que ocupava a Beira Baixa e recuperando sucessivamente Segura, Idanha, Zebreira, Ladoeiro, Castelo Branco, Ródão e outras.

Em meados do século XVIII foram traçados planos para a construção de uma nova fortificação em Zebreira, de autoria do engenheiro militar Manuel de Azevedo Fortes que, entretanto, não se materializaram. É possível seja esse o projeto existente no arquivo da Direcção da Arma de Engenharia, referido por ALMEIDA (1945), para uma "praça de guerra" a ser erguida na povoação de Zebreira, para defesa da fronteira da Beira, cujo sistema, entre o Douro e o Tejo, devia ser constituído pelas praças de Almeida, Alfaiates, Penamacor e Zebreira, todas do mesmo tipo abaluartado, com profundos fossos, mas das quais apenas a primeira foi construída.

No contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), um exército franco-espanhol de 40.000 homens sob o comando de Nicolás de Carvajal y Lancaster, marquês de Sarriá, invadiu Portugal (5 de maio de 1762) pela província de Trás-os-Montes, dando início à chamada “Guerra Fantástica”. Em sequência foram ocupadas Miranda do Douro (8 de maio), Bragança (16 de maio), Chaves (21 de maio) e Torre de Moncorvo.

Em junho de 1762 o marquês de Sarriá, agora à frente de uma força combinada franco-espanhola voltou a entrar em Portugal, agora pela Beira, ocupando Castelo Rodrigo e Almeida e avançando sobre Celorico da Beira que capitulou.

Em fim de agosto, o marquês de Sarriá foi substituído por Pedro Pablo Abarca de Bolea y Ximenez de Urrea, 10.º conde de Aranda, no comando do exército franco-espanhol. Em vez de prosseguir o avanço sobre Lisboa, o conde de Aranda optou por descer pela Beira, entre Sabugal e Penamacor, atacando as praças de Salvaterra do Extremo e Segura, que se renderam por falta de efectivos, deixando aberto o caminho de Alcântara e Castelo Branco. Na posse de Castelo Branco as tropas invasoras podiam atravessar o rio Tejo em Vila Velha de Ródão e incursionar sobre o Alentejo, ou atravessar as Talhadas para atingir Abrantes ou Tomar. Porém, o exército invasor, após vários recontros com as tropas anglo-portuguesas sob o comando de Friedrich Wilhelm Ernst zu Schaumburg-Lippe, conde de Lippe, retirou para Espanha por Zebreira e Segura, em direcção a Alcântara, conservando as praças de Salvaterra do Extremo e Segura.

Em setembro o inimigo encontrava-se novamente em Castelo Branco, disposto a marchar sobre Lisboa. Mais uma vez, as forças do conde de Lippe obrigam-no a retirar para Espanha, desta feita em duas direcções: por Zebreira, Segura e Alcântara e por Malpica a Herrera e Valência de Alcântara.

O concelho de Zebreira foi extinto em 1834, pelo que passou a pertencer ao de Salvaterra do Extremo até 24 de outubro de 1855, ano em que foi dissolvido.



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Contribuições

Atualizado em 26/05/2018 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Castelo de Zebreira

  • Forte



  • Manoel de Azevedo Fortes


  • Portugal


  • Desaparecida

  • Monumento Sem Proteção Legal





  • Desaparecida

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Castelo Branco
    Cidade: Idanha-a-Nova



  • Lat: 39 -53' 55''N | Lon: 7 4' 17''W










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