Castle of Cabeço de Vide

Fronteira, Portalegre - Portugal

O “Castelo de Cabeço de Vide” localiza-se na freguesia de Cabeço de Vide, concelho de Fronteira, distrito de Portalegre, em Portugal.

História

Antecedentes

Embora a primitiva ocupação humana da região remonte à pré-história, durante o período Neolítico, conforme testemunham os abundantes vestígios arqueológicos e monumentos megalíticos, uma historiografia tradicional sustenta que a fortificação do chamado Cabeço de Vide, entretanto, remonta a um castro, estabelecido no século II, à época da Romanização. A partir da sua posição era possível controlar o desvio do itinerário romano que ligava Lisboa a Mérida, sobretudo para acesso às águas medicinais sulfurosas, cujas termas, denominadas como “A Sulfúrea”, localizadas junto a um pequeno rio represado, a cerca de um quilómetro a sueste da atual vila, remontam ao reinado de César Augusto. Entretanto, a moderna prospecção arqueológica do local não identificou ainda elementos que corroborem essa teoria.

No contexto da Reconquista cristã da região, a povoação terá sido conquistada aos muçulmanos pelas forças de Afonso I de Portugal (1143-1185) por volta de 1160.

Sob Sancho I de Portugal (1185-1211) foi perdida para as forças Almóadas sob o comando do califa Abū Yūssuf Yaʿqūb bin Yūssuf al-Manṣūr na ofensiva de 1190-1191, momento em que terá sido destruída.

A região foi recuperada no alvorecer do século XIII. Em 1211, Afonso II de Portugal (1211-1223) transferiu os freires de Santa Maria de Évora (Milícia de Santa Maria de Évora) para Avis, entregando-lhes a posse daquela vila, juntamente com o encargo da defender o Alto Alentejo, zona da que Cabeço de Vide forma parte.

O castelo tardo-medieval

No século XIV, sobre os antigos vestígios do castro foi erguido um castelo, período em que também foi erguida uma cerca em torno da povoação.

No século XVI, os domínios de Cabeço de Vide foram doados ao fidalgo Diogo de Azambuja (1432-1518). Neste período, a povoação teria importância regional, o que é testemunhado pela fundação da Santa Casa de Misericórdia, pela rainha D. Leonor, em 1498. Manuel I de Portugal (1495-1521) concedeu o “Foral Novo” à vila em 1512.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), a vila e a sua defesa sofreram graves danos, não apenas com a destruição de partes significativas da muralha do castelo, como também da cerca urbana.

O envolvimento português na Guerra dos Sete Anos (1756-1763) pode ter favorecido uma reocupação pontual do castelo, eventual fase de ocupação que também carece de um estudo mais aprofundado.

Cabeço de Vide deixou de ser concelho, anexado ao de Alter do Chão a partir de 24 de outubro de 1932, e logo depois para o de Fronteira em 21 de dezembro do mesmo ano.

Embora em 2008 tenha sido proposta a classificação do conjunto urbano onde se insere o castelo, o processo caducou em 2009, nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 206, de 23 de outubro. O conjunto encontra-se sem proteção legal.

A Câmara Municipal de Fronteira procedeu a campanha de prospecção arqueológica no interior do recinto, sob a direção de La Salete da Ponte (1999) e, no mesmo ano, a intervenção de reconstrução e consolidação da primeira e segunda muralhas. Novas campanhas de prospecção arqueológica tiveram lugar em 2002 e em 2005, esta última sob a direção de André Carneiro. Esses trabalhos identificaram elementos da época da viragem da Idade Média para a Idade Moderna e do século XIX, necessitando ter a sua área ampliada.

Do primitivo castelo pouco chegou até nós, confundindo-se normalmente os vestígios de origem proto-histórica com as ruínas do que terá sido a fortificação gótica.

Características

Exemplar de arquitetura militar, tardo-medieval, de enquadramento urbano, no alto de um monte, na cota de 336 metros acima do nível do mar.

Constitui-se em uma fortificação de pequenas dimensões, de planta circular, que resulta da construção, sobre um antigo castro romanizado, de um castelo medieval.

O castro proto-histórico apresentava muralha de planta circular, irregular, no cimo de uma vertente escarpada, com aparelho formado por fiadas de pedras pequenas, ajustadas entre si, característica das populações castrejas da Idade do Ferro.

Foi reaproveitado para edificação de um castelo ao fim da época medieval, apresentando um portão de entrada gradeado a sul, rebocado e caiado, sobreposto por duas mísulas e escudo com a cruz de Avis.

Dentro do recinto principal não se conseguem mais identificar os vestígios das construções que aqui existiriam. Ao longo do século XIV e XV elas foram sendo absorvidas pela Comenda da Ordem de Avis, que aí instalou a alcaidaria-mor, armazéns, residências de funcionários entre outros edifícios.

A torre de menagem apresenta planta circular, com aparelho irregular constituído por pedra solta, com falhas e vestígios de janelas. Ao centro da praça de armas abre-se uma cisterna.

Da barbacã que envolvia o castelo restam-nos muito poucos elementos. De fábrica muito rudimentar, consistia num muro baixo em alvenaria, com três acessos conhecidos: a Porta ou Arco de Avis, a entrada que comunicava com a Rua do Santo Mártir, e a que ligava com o Largo do Limoeiro. Esta cerca protegia conjunto urbano, em que se destacavam o castelo, o edifício da Câmara Municipal, a Torre do Relógio, o Pelourinho, a Igreja Matriz, a Santa Casa de Misericórdia, a Torre e a Cadeia.

O conjunto destaca-se por constituir-se em vestígio da organização urbana característica do final da pré-história que se destaca pelo uso da pedra numa zona onde sobressaem o tijolo, a taipa e o uso da cal.

O casario medieval mantem ainda hoje as suas principais características arquitetónicas: casas de piso térreo, com uma janela de fumeiro, e sem janelas para o exterior. Algumas destas casas ainda preservam arcos apontados e uma delas uma rara decoração manuelina em estuque. No lado oposto deste bairro, na encosta norte, encontra-se a Judiaria, uma das mais bem preservadas do país.

Related bibliography 


 Print the Related bibliography

Contribution

Updated at 11/11/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Castle of Cabeço de Vide


  • Fortifications Group





  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • Monument with no legal protection





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Fronteira



  • Lat: 39 -9' 56''N | Lon: 7 35' 12''W










Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Castle of Cabeço de Vide