Forte de Ponte do Alvito

Proença-a-Nova, Castelo Branco - Portugal

O “Forte de Ponte do Alvito”, também referido como “Forte das Batarias”, localiza-se na freguesia de Montes da Senhora, concelho de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, em Portugal.

História

Documentos militares mencionam a existência de diversas estruturas defensivas – fortins e baterias - na área da Ponte do Alvito e serra das Talhadas, nos séculos XVIII e XIX. Esta cadeia montanhosa, que se estende desde Proença a Nisa, passando por Vila Velha, era um obstáculo natural à progressão de exércitos inimigos. A passagem era possível apenas nas Portas de Ródão, Alvaiade, Foz do Cobrão e Ponte do Alvito-Catraia, locais que foram fortificados em 1762, no contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), por determinação do Marechal-General do Exército Português, Friedrich Wilhelm Ernst zu Schaumburg-Lippe, conde de Lippe.

A posição em Ponte do Alvito tinha a função de fechar a passagem do invasor que avançasse através da estrada que passava pela Portela da Catraia, na chamada “Linha das Talhadas-Muradal”, da qual é parte constituinte, e, por conseguinte, o acesso a Abrantes.

Às vésperas da Guerra Peninsular (1808-1814), a área foi atravessada por tropas francesas sob o comando de Jean-Andoche Junot (1807). Nesse contexto, os antigos fortes e baterias ali existentes foram reguarnecidos e reartilhados para fazer frente ao inimigo, mas, conforme a determinação do então Príncipe-Regente D. João, não ofereceram resistência.

Ao final do conflito o sistema foi abandonado, caindo em ruínas.

No início do século XX a área foi primeiramente investigada pelo arqueólogo Francisco Tavares de Proença Júnior, que registou:

Fortificações Antigas [...] entre Sarzedas e Sobreira Formosa e próximo da Ribeira do Alvito existem redutos, fortificações temporárias formadas por um recinto limitado por um fosso escavado na terra. Soube também há pouco por outra pessoa que n’esses recintos appareceram peças de artilharia (?) [...].

Isto data, naturalmente da 1.ª invasão francesa. [...]. São fortalezas provisórias do tempo das invasões. Creio não chegaram a servir. Tem lá apparecido algumas peças (em bronze?). Visitei e levantei planta do local em Outubro de 903; Visitei 7 fortins.


Em 2007 efetuou-se uma campanha de escavação arqueológica no Forte das Batarias, coordenada pelo arqueólogo Mário Monteiro, integrada no âmbito do projeto do "Centro de Interpretação de Fortes e Baterias Militares de Sobreira Formosa", promovido e patrocinado pela Câmara Municipal de Proença-a-Nova com a colaboração da Associação de Estudos do Alto Tejo.

Entre o material encontrado destacam-se moedas de 1752 (reinado de D. José I) e de 1797 (reinado de D. Maria I), balas de mosquete em chumbo, fivelas e fragmentos de cerâmica (cântaros, pratos e tigelas), seixos de xisto (que faziam de tampa dos cântaros), pregos e cravos diversos, pedaços de ferro e outros artefactos que, depois de restaurados, integrariam o acervo do Centro.

Em relação ao sítio arqueológico, concluídas as escavações, e para evitar a erosão do tempo e destruição causada pela presença humana, o local foi coberto com material geotêxtil e terra.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

Este fortim apresenta planta no formato quadrangular, cercado por um muro de xisto e rocha quartzítica com 50 centímetros de espessura. Ao centro do espaço assim definido, abrem-se dois fossos, um mais profundo que o outro, que se acredita serviriam como locais de armazenagem de víveres e munições. Um deles é acedido por escadas.

Possivelmente artilhado com três peças, os locais de duas encontram-se claramente identificados. O da possível terceira peça, a meio, foi atravessado por um caminho florestal, tendo sido descaracterizado pelas máquinas, que também descaracterizaram a entrada a noroeste e o muro a leste, voltado para a Ponte do Alvito, caminho por onde surgiria o inimigo invasor.

Junto ao muro norte da estrutura, ao abrigo dos ventos daquela direção, encontram-se três locais, onde se acendiam fogueiras.

O concelho de Proença-a-Nova é rico em estruturas militares que remontam ao século XVIII e às quais se dá o nome de Linha Defensiva das Talhadas-Moradal. Esta era a primeira linha de defesa do território, face às invasões que entravam pela Beira-Baixa. Nela já foram investigadas três estruturas:

- Forte da Catraia Fundeira I (Forte das Baterias I);

- Forte do Couratão (retaguarda); e

- Forte dos Fortes (cemitério dos Burros).



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Contribuições

Atualizado em 23/07/2018 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Forte de Ponte do Alvito

  • Forte das Batarias

  • Fortim

  • 1762 (DC)




  • Portugal


  • Ruínas Conservadas

  • Monumento Sem Proteção Legal





  • Ruínas

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Castelo Branco
    Cidade: Proença-a-Nova



  • Lat: 39 -47' 27''N | Lon: 7 48' 24''W




  • 3 peças de artilharia


  • 2007: campanha de prospecção arqueológica.




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