
O “Castelo do Alandroal” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Alandroal (Nossa Senhora da Conceição), São Brás dos Matos (Mina do Bugalho) e Juromenha, concelho do Alandroal, distrito de Évora, em Portugal.
Nas terras deste concelho cresciam abundantes loandros (aloendros ou aloandros, modernamente loendros), cuja madeira é usada no artesanato local, e daí a origem do topónimo “landroal” (campo de loandros).
História
Antecedentes
A primitiva ocupação humana da região remonta à pré-história, conforme o testemunham vestígios de vários tipos. Também são abundantes os vestígios da presença Romana e Muçulmana. Discute-se, entretanto, acerca da presença destes últimos no sítio de Alandroal, alguns investigadores sustentando ver vestígios dos mesmos no próprio castelo.
O castelo medieval
A região foi inicialmente conquistada em 1167 por forças de Afonso I de Portugal (1143-1185), tendo o seu filho e sucessor, Sancho I de Portugal (1185-1211) ali doado extensos domínios aos freires de Santa Maria de Évora (Milícia de Santa Maria de Évora, a partir de 1211 com sede em Avis). Ainda nesse reinado foi perdida para as forças Almóadas sob o comando do califa Abu Iúçufe Iacube Almançor (1184-1199) na ofensiva de 1190-1191, para retornar a mãos cristãs, definitivamente, sob o reinado de Sancho II de Portugal (1223-1248), possivelmente em 1228.
Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325) a área passou definitivamente para a posse de Portugal em virtude da assinatura do Tratado de Alcanizes (1297), que definiu a linha da raia com o Reino de Castela.
De acordo com a historiografia tradicional, a povoação do Alandroal terá sido estabelecida sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325) entre 1294 e 1298, passando a constituir uma comenda da Ordem de Avis. O castelo foi erguido a partir de 6 de fevereiro de 1294 por D. Lourenço Afonso, 9.º Mestre da Ordem, conforme testemunha uma inscrição epigráfica sobre uma das portas. Uma segunda inscrição, no alçado oeste da torre de menagem, hoje integrado na Sala do Tesouro da Igreja Matriz, dá conta da conclusão de sua edificação, em 24 de fevereiro de 1298, sendo Mestre da Ordem, o mesmo D. Lourenço Afonso. Uma terceira inscrição, no torreão à direita do portão principal, datada criticamente entre 1294 e 1298, refere o nome do seu construtor, que se identificou apenas como "Eu, Mouro Galvo". Por essa razão, admite-se que os traços Muçulmanos na edificação do castelo se devam à prática deste seu construtor.
No contexto da crise de sucessão de 1383-1385 o seu alcaide, Pero (ou Pedro) Rodrigues da Fonseca, tomou partido por D. João, Mestre de Avis, ao contrário dos alcaides vizinhos de Vila Viçosa, Campo Maior, e Olivença (cujo alcaide era homónimo – Pero Rodrigues da Fonseca), que tomaram partido por Beatriz de Portugal. Em 1389, Olivença, Vila Viçosa, e Campo Maior já haviam sido submetidas a João de Portugal e Pero Rodrigues da Fonseca passou a ser alcaide de duas povoações (Alandroal e Olivença). Os seus feitos são recordados por Luís de Camões em “Os Lusíadas”, e o seu nome perpetua-se nuns pequenos bolos locais - os "Pero-Rodrigues". Os descendentes deste personagem terão tomado o apelido de "Encerrabodes", uma referência, afirma a tradição local, ao fato de um grupo de castelhanos (os "bodes") ter ficado cercado ("encerrado") num combate.
João II de Portugal (1481-1495) outorgou carta de foral à povoação em 1486.
Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a vila e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no “Livro das Fortalezas”, (c. 1509) em duas vistas e uma planta. O soberano outorgou-lhe o “Foral Novo” (1514), sendo seu alcaide Diogo Lopes de Sequeira, que viria a ser o 4.º Governador do Estado Português da Índia (1518-1522), e que dotou a vila de um hospital e de outras obras de utilidade pública.
O “Numeramento” de 1527-1573 refere o Alandroal com 284 fogos, ou cerca de 1100 habitantes.
Da Dinastia Filipina aos nossos dias
No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) há notícias de ter residido no castelo, no Paço dos Alcaides, D. Brites de Lencastre, e que aí casou a sua filha, D. Isabel, com o marquês de Vila Real, D. Miguel de Menezes, em 1604. Outras notícias dão conta de que, em 1606, as moradias interiores do castelo já se encontravam arruinadas.
No contexto da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668) procederam-se alguns reparos nas defesas da povoação, tendo o Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) mandado chamar um natural da localidade, António Álvares, então frade em Braga, para o incumbir dos trabalhos de fortificação e do comando da artilharia. Em 1656 as tropas espanholas chegaram a ocupar a vizinha Terena por alguns dias. Em 1657, a ocupação da Praça-forte de Olivença pelas forças espanholas (que perdurou até à Paz de 1668) trouxe ao Alandroal centenas de refugiados daquela povoação. Entre 1659 e 1665, travaram-se diversas batalhas, as mais duras do conflito, poucos quilómetros a norte do Alandroal.
Em 1774 registou-se a construção da torre do relógio e, em 1778, a demolição da barbacã e a construção dos novos Paços do Concelho. De 1786 a 1793 teve lugar a construção da cadeia da comarca.
No contexto da Guerra das Laranjas (1801) tendo tropas espanholas, com o apoio francês, invadido o Alentejo e ocupado a região de Olivença e a aldeia de Vila Real de Juromenha, ao longo do século XIX o Alandroal foi o destino de muitos refugiados oliventinos.
Em 1802 procedeu-se a demolição da primitiva torre ou campanário onde esteve instalado relógio.
No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) na região registaram-se guerrilhas anti-francesas (1808), e alguns combates (1811). Algumas povoações próximas, como Ciladas, sofreram danos na ocasião.
O “Castelo de Alandroal / Castelo e cerca urbana de Alandroal” encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.
A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu a intervenções de restauro, tendo procedido a restauro na torre de menagem, reconstrução de alguns troços de muralhas e a desobstrução da estrutura de diversas casas que, ao longo dos séculos, se haviam adossado às muralhas (1943-1946, 1958). Novas intervenções tiveram lugar em 1980 e em 1986.
O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126, de 1 de junho. Atualmente encontra-se afeto à DRCAlentejo, pela Portaria n.º 829/2009, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 163, de 24 de agosto de 2009.
Características
Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, de enquadramento urbano, na conta de 341 metros acima do nível do mar. Constitui-se num exemplar de fortificação fronteiriça do período dionisiano, utilizada apenas no período medieval, sem adaptação posterior ao uso da pirobalística.
O conjunto apresenta planta poligonal, composta por castelo, cintado por quatro torres incluindo a de Menagem (que domina o eixo oeste da fortificação) e pela cerca da vila, que abrange a igreja matriz e a antiga rua do Castelo, a única existente intramuros. As muralhas são coroadas por merlões de forma paralelepipédica, e outros de remate piramidal. Tem seteiras estreitas nos espaços do adarve.
O castelo apresenta planta poligonal. A torre de menagem, de acesso obstruído, tem planta quadrangular, e é de construção maciça até ao andar de ronda; dois pisos de tetos redondos cujo acesso é feito por escadas de três lanços em túneis com frestas para iluminação. Cobertura em terraço com balcão corrido caiado. Sobre o terraço a torre do relógio de planta quadrangular e teto em cúpula bolbosa. Tem três sinos de bronze fundido. A praça de armas tem duas escadas laterais que conduzem ao adarve e não tem moradias internas. A porta da Traição, hoje obstruída, atravessa a torre chamada da Cadeia forte, por ter adossado a oeste o edifício da cadeia da comarca, de planta retangular, com quatro vulgares janelas na frontaria, todas gradeadas, portada singela e, sobre o beiral do telhado, o campanário do sino de correr. A torre da Cadeia Forte tem planta retangular e na altura do caminho de ronda uma dependência quadrangular com um balcão de pedra a oeste, em arco de ferradura, e capitéis esculpidos, onde se encontra a lápide sobre o arquiteto construtor.
A cerca da vila, atravessada apenas pela rua do Castelo no sentido leste-oeste, tem duas portas, uma em cada extremidade da rua. A Porta Legal, que dá acesso direto à matriz, tem portal de arco quebrado encimado por cortina de ameias e merlões e é flanqueada por duas torres quadradas, ligeiramente avançadas (para permitir o tiro vertical sobre a entrada). O troço leste da cerca não tem construções adossadas e está completamente coberto por merlões de restauros recentes. A Porta do Arrabalde, defendida por uma torre de planta quadrangular, é semelhante à anterior e tem insculpida a "vara", medida-padrão para os mercadores. O acesso da porta ao arrabalde é feito por escada pavimentada que continua, após a interrupção da rua, na fachada da Igreja da Misericórdia.
Existem várias referências à fundação do castelo: no lintel da porta da torre de menagem, ao nível do adarve; ao nível do primeiro sobrado na face O. (esta está hoje na sala do tesouro da Igreja Matriz) e várias inscrições góticas relativas à construção do castelo e ao seu autor, arquitecto muçulmano de nome Galvo. Sobre o arco exterior da Porta Legal existe uma lápide com a seguinte inscrição: "ERA DE 1332 AOS 6 DIAS / DE FEVEREIRO COMEÇARAO A FAZER ESTE CASTELLO POR / MANDADO DO MESTRE DE AVIZ D. / LOURENÇO AFFONSO E ELLE POZ A PRIMEIRA / PEDRA. M.CC.6.3.C. CASTELLO / MOURO ME FEZ /".
Os estudiosos apontam ainda, como marcas identificativas da formação cultural islâmica de seu construtor, além da epigrafia anteriormente citada, uma janela em forma de ferradura numa das torres e semelhanças entre o sistema de torres deste castelo e as muralhas Almóadas de Sevilha.
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