Fundão, Castelo Branco - Portugal
O "Castelo de Castelo Novo" localiza-se na freguesia de Castelo Novo, concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, em Portugal.
Situado sobre um afloramento rochoso na vertente leste da serra da Gardunha, foi o polo em torno do qual se desenvolveu a povoação. Castelo Novo, em nossos dias, integra o Programa Aldeias Históricas de Portugal.
História
Antecedentes
De acordo com os testemunhos arqueológicos, a primitiva ocupação humana da região remonta possivelmente ao Calcolítico, projetando-se num crescendo de testemunhos que se referem às idades do Bronze e do Ferro e se consolidam na ocupação romana.
O castelo medieval
As primeiras fontes documentais a referirem a existência do castelo são o testamento de D. Pedro Guterri (8 de janeiro de 1221) e o foral de Lardosa (1223). No primeiro diploma, onde o topónimo “Castelo Novo” é citado pela primeira vez, aquele Senhor doou a "terra a que chamam Castelo Novo" aos Templários. Para o lugar passar-se a chamar dessa forma é porque, crê-se, terá havido um “Castelo Velho” (ali ou no sítio do mesmo nome, no ponto culminante da serra da Gardunha, de que não subsistem vestígios).
A questão da sua edificação não é consensual: alguns historiadores atribuem-na à iniciativa de D. Pedro Guterri, entre 1205 e 1208, outros a D. Gualdim Pais, 4.º Grão-Mestre da Ordem do Templo em Portugal (1156-1195). A admitir-se uma ou outra hipótese, caem por terra as afirmações que atribuem a Dinis I de Portugal (1279-1325) a construção do castelo. O que não parece improvável é que este monarca tenha ali ordenado fazer qualquer intervenção, dada a constatação de vestígios de adarves e ameias dionisianas em um troço das muralhas. Foi este soberano ainda quem concedeu o segundo foral à vila e ordenou o plantio de árvores, formando soutos de castanheiros (1290).
No século XIV um incêndio obrigou ao abandono temporário da fortificação.
Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) foram procedidas obras de reparação no castelo (1500-1502) sendo vedor das obras Joane Mendes Cerveira, escudeiro da Casa Real, que se fez acompanhar de um mestre de pedraria natural de Castela: Luís de Cáceres. Entre os dois estalou uma acesa polémica. De várias acaloradas discussões sobre os planos de remodelação, os dois partiram para a violência, resultando no refúgio do castelhano igreja de Castelo Novo para que o escudeiro veador das obras não o pusesse a ferros. Beneficiando da proteção divina, o castelhano escreveu ao rei e rogou-lhe clemência, que lhe foi concedida, assim como a autorização para conduzir as obras.
De acordo com informação da Comenda de Castelo Novo e Alpedrinha datada de 1505, Castelo Novo constituía cabeça da Comenda. O comendador (por inerência, o Alcaide-mor), fazia menagem do castelo ao Mestre da Ordem de Cristo (sucessora da Ordem do Templo no país). Sobre a fortificação e seu estado, referiu:
“O qual está posto em um cabeço, ao pé de uma serra fragosa e alta que se chama a serra da Gardunha. E tem logo à entrada uma barbacã que tem um pedaço derribado, e tem um portal de pedra sem portas. E logo adiante tem um muro de boa altura, bom e forte, o mais dele de cantaria, e tem outro portal de pedra lavrado, e sobre ele uma torre de altura do dito muro, com suas portas boas. E além desta entrada tem outra cerca pequena, que atravessa da barreira de dentro pera o muro, com seu portal e boas portas. E mais dentro vai outra cerca que tem outro pedaço derribado, e tem um portal sem portas. E mais dentro vai outra cerca que tem outro pedaço derribado, e tem um portal sem portas. E está junto da porta de uma casa torre de menagem, forteleza do dito castelo. E além desta cerca está a dita casa torre, que é grande e de razoada altura, as paredes pela maior parte são de canto talhado, e o mais de alvenaria, bem madeirada e telhada de telha vã. E por cima tem um andar, per que se corre ao longo do telhado, a que sobem per uma escada de pedra. E tem a dita casa um repartimento de uma meia parede de pedra e barro, que ora serve de aposentamento do alcaide pequeno. Esta casa se serve per um portal de pedraria forte, e tem suas portas fortes e boas. Esta casa, muro e cercas são todas ameadas de arredor, onde dentro da dita cerca, ao pé da dita casa grande, estão dois pardieiros que foram estrebaria e palheiro do comendador." (GOMES, 1997:95-96).
O soberano outorgou o Foral Novo à vila (Santarém, 1 de junho de 1510), diploma que se insere no “Livro de Forais Novos da Beira” (fls. 29 e col. 1.ª), depositado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Sob o reinado de João III de Portugal (1521-1557), a torre do castelo já se encontrava provida de sinos (1537).
Do terramoto de 1755 aos nossos dias
Em meados do século XVIII o Juiz que procedeu à atualização dos bens da Comenda, com o Procurador e mediadores da mesma, referiu que o castelo se encontrava quase em ruína (1740).
Pouco depois, as "Memórias Paroquiais” (1758) davam conta de que o terramoto de 1 de novembro de 1755 provocara derrocadas no castelo.
Na segunda metade do século XVIII tiveram lugar obras na fortificação pelo engenheiro Eugénio dos Santos de Carvalho.
Embora a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) tenha promovido obras de consolidação e restauro nos panos de muralha em 1938-1939 e em 1942, o castelo não se encontra classificado ou protegido pelo poder público.
Entre 2002 e 2004, foram desenvolvidas três campanhas de escavações arqueológicas no castelo a cargo da Arqueonova, no âmbito do Programa Aldeias Históricas de Portugal, que colocaram a descoberto centenas de vestígios da sua ocupação medieval, entre a sua construção no século XII e o seu abandono por volta do século XVII. Moedas portuguesas dos reinados de D. Sancho I (1169-1210) até ao de D. João III (1521-1557), peças metálicas em ferro e em cobre, e peças de cerâmica, entre outras podem ser apreciadas a partir de 2005 no Núcleo Museológico de Castelo Novo, nas dependências da antiga Casa da Câmara, requalificada como museu histórico-arqueológico.
Em 2004 a DGEMN implementou projeto de valorização da torre, com a criação de uma zona de apoio ao visitante, instalações sanitárias e cafetaria. No ano seguinte (2005) a Câmara Municipal do Fundão, em parceria com a DGEMN procedeu a trabalhos de beneficiação da torre, com a reparação das alvenarias de pedra e tratamento das cantarias; execução de estruturas e revestimentos metálicos para o interior; isolamento térmico; instalações elétricas e de rede de telefones.
Características
Exemplar de arquitetura militar, gótica e manuelina, de enquadramento urbano, isolado, em uma cota que varia entre os 640 e 650 metros acima do nível do mar, na encosta leste da serra da Gardunha. Em torno do Castelo desenvolveu-se a povoação de Castelo Novo, substituindo a de Castelo Velho, no topo da serra.
O castelo apresenta planta irregular, com o troço sul construído sobre afloramento rochoso de desnível acentuado, sendo possível discernir a estrutura da cidadela, com duas portas (a leste e a oeste), embora se suspeite da existência de mais uma no troço da muralha a norte. No troço da muralha oeste ainda subsistem adarves, ameias e merlões em bom estado de conservação. A porta oeste, em arco apontado, em cantaria granítica para o exterior e arco abatido para o interior, encontra-se flanqueada por duas torres, uma delas formando cubelo; sobre a entrada, mantêm-se os mata-cães. A porta leste é em arco de volta perfeita em cantaria granítica.
No reduto, surgem duas torres, a sineira e de menagem. A torre sineira apresenta planta quadrada simples, com remate em cornija com quatro gárgulas nos ângulos, com cobertura em falsa abóbada de betão, e dois registos divididos por cornija; tem acesso assegurado por duas portas rasgadas nas faces leste e oeste, ambas de verga reta com moldura granítica; na face oeste, dois postigos; na zona superior, rasgam-se quatro sineiras em arco de volta perfeita, a da face leste com um sino e, inferiormente, um relógio. A torre de menagem encontra-se praticamente destruída no topo oeste, sendo visível a sua altura primitiva pela existência de gárgulas na face leste.
Vizinhas ao castelo erguem-se as edificações dos Paços do Concelho (antiga Casa da Câmara), da Capela de Santo António e da Igreja Matriz.
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Ajuda
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