Ruínas de Almofala

Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda - Portugal

As “Ruínas de Almofala”, também referidas como “Casarão da Torre”, “Torre das Águias”, “Torre de Aguiar”, “Torre de Almofala” e “Torre dos Frades”, localizam-se na freguesia de União das Freguesias de Almofala e Escarigo, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, em Portugal.

Em termos historiográficos foram primeiramente referidas pelo general João de Almeida (1873-1953), historiador e investigador, autor do "Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses".

História

A construção do primitivo templo romano, na proximidade de um castro pré-romano, datará do século II (A. V. Rodrigues, H. Frade).

Dataria do século X a hipotética construção de uma fortificação (J. M. Garcia). Desconhece-se, entretanto, de que tipo, se uma atalaia ou uma torre defensiva, em redor da qual se desenvolveu uma povoação, ou se teria perdurado a função religiosa, ainda que reconvertida (H. Frade). Questiona-se ainda se se teria denominado inicialmente “Turris Aquilaris” (“Torre das Águias”) e se teria servido de designativo ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar ou das Águias (J. M. Garcia).

Fernando II de Leão (1157-1188) fez a doação ao Convento de Santa Maria de Aguiar da Granja de Rio-Chico e outros domínios (1165), daí resultando o fato da povoação de Torre das Águias passar a denominar-se “Torre dos Frades”. (J. M. Garcia)

A campanha construtiva desenvolvida no século XVI terá sido responsável pela redução do tamanho primitivo do edifício: a construção da parede leste terá levado à destruição de parte do “podium” e à mudança do acesso ao interior. Também terá lugar uma possível remodelação das duas janelas da parede oeste (H. Frade).

O “Numeramento” de 1527-1532 refere que a povoação contava 37 moradores.

No contexto da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668) a torre serviu como atalaia militar, função que acumulou com a residencial (J. Almeida, A. V. Rodrigues). Nesse período essa defesa foi reforçada com um pequeno fortim. Após ter sido atacada por forças espanholas sob o comando de Fernando Álvarez de Toledo y Mendoza, 6.º duque de Alba de Tormes (1642) terá sido definitivamente destruída e destituída da sua função militar, o que terá contribuído para o desaparecimento gradual da povoação.

Séculos mais tarde, em 1941 um ciclone terá provocado a ruína das paredes, segundo informação oral da população.

Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro.

O Instituto Português do Património Cultural (IPPC) efetuou trabalhos de limpeza, conservação e levantamento estereofotogramétrico do monumento (1989), a que se seguiram escavações arqueológicas na área circundante, pondo a descoberto estruturas pertencentes à atalaia e à povoação (1990-1991).

O Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) empreendeu obras de consolidação e contratravamento do monumento, assim como trabalhos arqueológicos nos anos de 1996 a 2001.

Características

Exemplar de arquitetura religiosa, romana, e de arquitetura militar, medieval, de enquadramento rural; isolado, situado em um cabeço sobranceiro a um vasto planalto, à ribeira de Aguiar a oeste, e à ribeira de Rodelos a norte, a cerca de 638 metros acima do nível do mar. Na envolvente imediata foram detetadas fundações de muros que definem compartimentos, casas e ruas, vestígios de antiga aldeia.

Templo romano de planta clássica retangular, hoje desprovido de cobertura. Apresenta embasamento proeminente em forma de “podium”, com cerca de dois metros de altura, construído com grandes silhares de granito e rematado por cornija ou moldura, sendo visível nos lados norte, sul e oeste, enquanto a leste parece ter sido truncado. As paredes norte, sul e oeste estão assentes sobre o “podium” e são construídas em alvenaria de xisto, enquanto a parede leste congrega blocos irregulares de xisto e de granito. Elas articulam-se através de quatro cunhais construídos com grandes blocos de granito. O alçado principal é orientado a leste, com três registos: o primeiro com porta em arco reto, o segundo com janela em arco reto, e o terceiro com janela em arco reto. O alçado oeste apresenta três registos, o primeiro cego, o segundo com uma pequena janela em arco reto descentrada, e o terceiro registo com janela em arco reto. O alçado norte apresenta os muros desmoronados. O alçado sul apresenta os muros desmoronados.

A atual parede leste terá sido construída posteriormente, colocando-se a hipótese de que corresponderia à parede leste da primitiva “cella”, compartimento cujas dimensões corresponderiam ao espaço hoje visível.

O interior constitui um espaço único, entulhado. Junto às paredes internas do “podium” e encostado a estas existe um pequeno muro de reforço. No reboco da face interna da parede oeste existe ainda o registo de uma escada de acesso ao último registo.

O acesso era feito através de uma escadaria que se desenvolvia através da parede leste, dela restando apenas as fundações. Acredita-se que talvez tivesse existido uma cripta, correspondente à altura do “podium” e sob a “cella” (H. Frade).

O templo terá sido inspirado no Templo de Júlio César no fórum de Roma. A ausência de elementos arquitectónicos não permite afirmar-se se se tratava de um templo “in antis”, com duas colunas adossadas e duas isentas na fachada, ou de um templo próstilo tetrástilo, ainda que esta última hipótese seja mais credível (H. Frade). Também se desconhece a divindade a que era dedicado e a sua envolvente: fórum, santuário ou local de culto da população de um “vicus”.

Bibliografias relacionadas 


 Imprimir Bibliografias relacionadas

Contribuições

Atualizado em 08/07/2018 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Ruínas de Almofala

  • Casarão da Torre, Torre das Águias, Torre de Aguiar, Torre de Almofala, Torre dos Frades

  • Atalaia





  • Portugal


  • Ruínas Conservadas

  • Proteção Nacional
    Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro.





  • Centro Turístico-Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Guarda
    Cidade: Figueira de Castelo Rodrigo

    Margem direita da ribeira de Aguiar, próximo do cruzamento da estrada Figueira de Castelo Rodrigo-Vermiosa com a de Almofala.


  • Lat: 40 -53' 49''N | Lon: 6 52' 57''W










Imprimir o conteúdo


Cadastre o seu e-mail para receber novidades sobre este projeto


Fortalezas.org > Fortificação > Ruínas de Almofala