Castelo de Seia

Seia, Guarda - Portugal

O “Castelo de Seia” localizava-se na freguesia de União das Freguesias de Seia, São Romão e Lapa dos Dinheiros, no concelho de Seia, distrito da Guarda, em Portugal.

Situado na vertente oeste da serra da Estrela, erguia-se no local da atual Igreja Matriz de Santa Maria.

História

Antecedentes

Atribui-se a primitiva ocupação humana do local à fundação de uma povoação pelos Túrdulos, por volta do século IV a.C., denominada como “Senna”.

No contexto da Romanização terá passado a constituir um “oppidum”, com o mesmo nome.

Ocupada por Visigodos, de acordo com a chamada "Divisão de Wamba" (“Divisio Wambæ”), que descrevia as dioceses visigóticas da península Ibérica (hoje considerada uma falsificação medieval), Wamba (672-680), último grande rei visigodo, fixou os limites da diocese de Egitânia até os domínios da cidade de “Sena”.

O castelo medieval

A povoação, conquistada pelos muçulmanos em 715, foi reconquistada por Ordonho II da Galiza e Leão (c. 873-924), para ser perdida diante da investida das forças de Almançor (987). Foi reconquistada uma vez mais por forças cristãs, agora sob o comando de Fernando I de Leão (1037-1065) em 1037 ou 1055. Sobre este episódio, a crónica do monge Silas relata a violência do ataque e como os cristãos colocaram em fuga desordenada os ocupantes do “oppidum Sena", em direcção ao “oppidum Visense" (atual Viseu), conquistada pelo mesmo soberano em 1064. Este governante terá determinado a edificação (ou reedificação) do castelo de Seia.

A importância da povoação é atestada no texto do foral de Talavares, passado por D. Teresa de Leão, condessa de Portucale, onde se refere: "D. Tarasia regnante in Portucale, Colimbria, Viseu et Sena [...]." ("D. Teresa, que reina em Portugal, Coimbra, Viseu e Seia (…).")

Á época do alvorecer da nacionalidade, após a batalha de São Mamede (1128), em 1129 o senhor de Seia, o conde galego Bermudo Peres de Trava, irmão do conde Fernão Peres de Trava (apoiantes de D. Teresa), iniciou uma revolta no Castelo de Seia contra D. Afonso Henriques, futuro Afonso I de Portugal (1143-1185), que disto tendo conhecimento, foi ao encontro dele e expulsou-o (1131) (“Crónica dos Godos”, Era de 1169). O combate terá causado a ruína da povoação e, no ano seguinte (1132) D. Afonso Henriques mandou-a repovoar e reconstruir. Em 1133 fez a doação dos domínios de Seia ao seu valido, João Viegas, em reconhecimento por serviços prestados. Poucos anos mais tarde, o soberano outorgou o primeiro foral à povoação (1136), designando-a por “Civitatem Senam”. O concelho de Seia contava à época com não mais do que meia dúzia de pequenas povoações circunvizinhas.

Alguns autores apontam a confirmação do foral em 1188 por Sancho I de Portugal (1185-1211).

Afonso II de Portugal (1211-1223) outorgou novo foral a Seia (dezembro de 1217).

Pedro I de Portugal (1357-1367) doou a vila, terra e julgado ao infante D. João e ao filho deste, D. Pedro (24 de maio de 1360).

João I de Portugal (1385-1433) doou a vila a D. Fernando, filho do infante D. João, com as povoações de Santa Marinha, Folhadosa, Valezim, Penalva e Vila Nova. Ao final do século XIV Seia tinha como foreiras Vila Nova do Casal, Vila Nova de Novelanes, São Romão, Torroselo, Lagos e Santa Marinha. Em 1401 o soberano fez a doação dos domínios de Seia ao Infante D. Henrique, futuro duque de Viseu, regressando, por morte deste, à Coroa.

Duarte I de Portugal (1433-1438) confirmou o foral à vila (25 de dezembro de 1433).

Afonso V de Portugal (1437-1481) isentou os moradores de Seia de servir nas fortalezas, exceto na de Monsanto (2 de julho de 1479) e confirmou o foral à vila (30 de agosto de 1479).

Manuel I de Portugal outorgou o "Foral Novo" à vila (1 de junho de 1510). Neste período terão se registado trabalhos de reforço nas defesas, assim como a reconstrução de alguns edifícios religiosos. À época o Concelho era composto pelos lugares de Passarela, Lages, Folhadosa, Pinhanços, Santa Comba, Sameice e outros pequenos Casais.

João III de Portugal (1521-1557) doou a vila ao infante D. Luís (5 de agosto de 1527).

Posteriormente, na segunda metade do século XVI, foi Alcaide-mor do Castelo de Seia o fidalgo Diogo de Barbuda.

A existência do castelo já não é referida nas “Memórias Paroquiais” (1758), que apenas deu conta de que a povoação, com 329 vizinhos, era do rei; tinha juiz-de-fora e Câmara com escrivães.

Com as medidas promotoras da indústria dos lanifícios do século XVIII, a vila prosperou e desenvolveu-se, tendo chegado até nós algumas fachadas barrocas dessa época.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) Wellington utilizou como quartel-general a chamada “Casa das Obras”, antigo Solar dos Albuquerque, edifício apalaçado do século XVIII, onde se localizam os atuais Paços do Concelho.

Do antigo castelo medieval conquistado por D. Afonso Henriques em 1132, resta-nos apenas o terreiro rochoso, hoje ocupado pela Igreja Matriz e envolvido por belo panorama e pelo Bairro do Castelo, todo ele cruzado de ruelas estreitas e casario antigo. Na toponímia subsistem ainda a chamada Rua do Castelo e o Largo do Castelo.

Contribuições

Atualizado em 08/06/2016 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Castelo de Seia


  • Castelo





  • Portugal


  • Desaparecida

  • Monumento Sem Proteção Legal





  • Desaparecida

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Guarda
    Cidade: Seia



  • Lat: 40 -26' 48''N | Lon: 7 42' 11''W










Imprimir o conteúdo


Cadastre o seu e-mail para receber novidades sobre este projeto


Fortalezas.org > Fortificação > Castelo de Seia