Torre do Esporão

Reguengos de Monsaraz, Évora - Portugal

A “Torre do Esporão”, também referida como “Castelo de Esporão” e “Solar da Herdade do Esporão”, localiza-se na freguesia e concelho de Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora, em Portugal.

Considerada como uma das mais importantes torres construídas na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, não teve qualquer utilidade para a defesa territorial. A sua edificação prendeu-se sobretudo com questões de afirmação social, constituindo-se no antigo solar da herdade dos Mendes de Vasconcelos, família nobre em ascensão na Corte  portuguesa, ligada à Casa de Bragança, na segunda metade do século XVI.

História

A torre tardo-medieval

No contexto da Reconquista cristã da região, Monsaraz e a baixa de Reguengos passaram para mãos cristãs em 1232.

Considerada umas das mais antigas propriedades do termo de Monsaraz, a "Defesa do Esporão" (atual Herdade do Esporão) encontrava-se já delimitada em 2 de maio de 1267, quando pertencia a Soeiro Rodrigues, juiz de Évora.

O morgadio do Esporão foi instituído em 1427 por D. Teresa Anes da Fonseca, esposa de Fernão Lopes Lobo. A filha do casal, D. Leonor Ribeiro da Fonseca, foi desposada por Álvaro Mendes de Vasconcelos, cavaleiro da casa do duque de Bragança e regedor da cidade de Évora, que mandou edificar durante o seu morgadio, entre os anos de 1457 e 1490, a Torre do Esporão. Essas datas correspondem, respectivamente, ao momento da sua posse do morgadio e ao seu falecimento.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

O projeto de recuperação

Em 1973 a Herdade do Esporão foi adquirida por Joaquim Bandeira e José Alfredo Parreira Holtreman Roquette, que constituíram, a 27 de setembro desse ano, a Finagra - Sociedade Industrial e Agrícola, dando início a um bem-sucedido projeto vitivinícola. Ao longo dos anos, a empresa efetuou diversas gestões junto ao poder público no sentido de reabilitar o património arquitetónico sob a sua responsabilidade. Com autorização concedida pelo IGESPAR, e assumindo integralmente os custos do projeto, a Finagra procedeu ao restauro e requalificação do monumento, cujos trabalhos se desenvolveram ao longo de quatro anos, de 2000 a 2003.

No Verão de 2001 registou-se a demolição do anexo a norte pelo proprietário.

Em fins de outubro de 2004, a Torre do Esporão reabriu as suas portas com uma exposição arqueológica.

Características

Exemplar de arquitetura residencial, gótico, de difícil atribuição cronológica e funcional, obedecendo ao padrão de um universo geralmente e aparentemente associado à rede viária mais remota do território, provável protótipo, a par com a Torre de Coelheiros, das torres solarengas quinhentistas em torno de Évora, nomeadamente o Solar da Sempre Noiva, a Torre das Vidigueiras, a Quinta da Amoreira da Torre, a Torre das Águias, a Torre do Carvalhal e o Solar da Camoeira, monumentos também eles geralmente associados a importantes itinerários de tráfego viário, cuja leitura estilística e atribuição cronológica não se pode considerar resolvida, pois poderão ser muito mais remotos do que se tem aceitado.

Apresenta enquadramento rural, em planície elevada de cota estável, perto da confluência da ribeira da Caridade com o rio Degebe, isolado e em destaque na paisagem, dentro de pequeno terreiro guardado por porta de armas, nas imediações da Capela de Nossa Senhora dos Remédios.

Apresenta de planta retangular com as dimensões de 10 x 12 metros, centralizada. Divide-se internamente em três pisos articulados na horizontalidade, com cobertura de telhado com duas águas vertentes para a frontaria e tardoz. Os paramentos exteriores inclinam-se sensivelmente para o interior, definindo um tronco de pirâmide. A fachada principal, orientada a leste, disposta em três registos, resulta da articulação horizontal do paramento fronteiro, marcado por dois alinhamentos verticais de três vãos de janelas quadradas, de alvenaria e com profundos enxalços, o da banda sul, substituindo a janela do piso térreo por porta igualmente esquadriada, com escadaria de acesso ao primeiro andar, correndo em lanço adjacente ao paramento fronteiro e continuando em outro adjacente ao paramento da fachada sul. A fachada sul é rasgada por singela porta esquadriada, sobre o balcão da escadaria exterior. A fachada oeste reproduz a disposição da frontaria e a fachada norte é cega. Uma monumental chaminé de sóbrias linhas direitas remata o edifício.

Na Capela de Nossa Senhora dos Remédios destacam-se os afrescos na Capela-mor, também restaurados no âmbito do projeto de recuperação.

Contribuições

Atualizado em 01/11/2017 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Torre do Esporão

  • Castelo do Esporão, Solar da Herdade do Esporão

  • Torre

  • 1457 (DC)

  • 1490 (DC)



  • Portugal


  • Restaurada e Bem Conservada

  • Proteção Nacional
    Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.





  • Museu Histórico

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Évora
    Cidade: Reguengos de Monsaraz

    Herdade do Esporão
    Reguengos de Monsaraz, Portugal


  • Lat: 38 -23' 14''N | Lon: 7 33' 39''W






  • 2000 a 2003: Intervenção de conservação, restauro e requalificação por iniciativa da Finagra.




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