Castle of Monterreal

Baiona, Pontevedra - Spain

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O “Castelo de Monterreal”, também referido como “Fortaleza do Monte do Boi”, localiza-se na vila e concelho de Baiona, província de Pontevedra, na Comunidade Autónoma da Galiza, na Espanha.

A península do Monte do Boi (atual Monterreal) constituiu-se em um ponto estratégico sobre o qual, ao longo dos séculos, assentou a defesa marítima do acesso sul à ria de Vigo.

História

Antecedentes


Aqui existiu, no século II a.C. a povoação castreja galaica de Erizana (atual Baiona), sitiada pelo cônsul romano Flávio Serviliano. Diante da tenaz resistência oferecida pelos seus habitantes, tentou assaltá-la por mar, sem êxito. Diante da ameaça de Serviliano de passar a fio de espada todos os sitiados caso não se rendessem, estes responderam-lhe altivamente: “Oro y plata no tenemos para comprar la libertad; pero hierro nos sobra para defenderla”. Os sitiados viriam a ser salvos por Viriato, que acorreu em auxílio da povoação, libertando a povoação após empurrar as forças romanas para as montanhas.

Júlio César chegou às portas de Erizana à frente de 30 coortes (mais de 14 mil legionários) no ano 60 a.C., em perseguição à tribo lusitana dos hermínios. Inimigos de Roma, haviam se refugiado em Erizana e, depois, nas ilhas Cíes, onde as forças romanas os perseguiram. O assalto romano, entretanto, foi um fracasso, tendo apenas um homem se salvo - Públio Esceva -, que conseguiu chegar a nado a Erizana. César decidiu aguardar na povoação a chegada da sua frota, procedente de Cádiz, para completar a campanha. Certamente, para abrigar os seus efetivos e, ao mesmo tempo, poder controlar os movimentos dos hermínios a partir das Cíes, César terá instalado o seu “castellum” no castro galaico do monte do Boi.

Após a queda do Império Romano do Ocidente (476) e do reino Suevo da Gallaecia (587), Erizana foi conquistada pelo rei dos Visigodos, Recaredo (586-601). Com a chegada dos muçulmanos, a povoação foi arrasada (730), ficando deserta.

No contexto da Reconquista cristã da região, pouco depois a área foi dominada por Afonso I das Astúrias (739-757), na sua campanha de anexação da Galiza e de Portucale.

O castelo medieval

Nos séculos seguintes Erizana seria atacada pelos normandos, que destruíram o seu porto e, em 997, na sua incursão até terras galegas, pelas forças de Almançor, que arrasaram a sua fortificação, na qual já figurava um dos elementos mais antigos do atual conjunto, a chamada “Torre do Príncipe”, então utilizada com a função de farol. Dois anos após esse ataque (999) o recém-coroado Afonso V de Leão (999-1027) deu início à reconstrução do castelo e da referida torre.

Afonso VII de Leão (1126-1157), em agradecimento pelo apoio dos habitantes em batalha, terá outorgado à povoação, a 27 de julho desse ano (1130), um novo nome ordenando: “Et nolumus ut vocetur (ut antea) Erizana, sed imponimus ei nomen Vayona” (“E não queremos que se chame (como antes) Erizana, se não que lhe impomos o nome de Vayona”. (Ambrosio de Morales (1513-1591))

Afirma-se que essa mesma torre terá servido de cárcere a Afonso I de Portugal (1139-1185), capturado por Fernando II de Leão (1157-1188) no cerco de Badajoz (1169). Com a assinatura do Tratado de Pontevedra (1173), por cujos termos o soberano português era libertado, com a condição de devolver a Fernando II cidades da Estremadura espanhola como Cáceres, Badajoz, Trujillo, Santa Cruz , Monfragüe e Montánchez, que o primeiro havia conquistado a Leão.

Afonso IX de Leão (1188-1230) confirmou a mudança de nome da povoação com a concessão de uma “carta-puebla” que outorgava aos habitantes de Vayona e da localizade vizinha de Baredo, plena liberdade para o comércio marítimo: “Et impono eidem villae de novo nomen Bayona” (7 de maio de 1201).

No século seguinte, em 1331, a frota sob o comando do Almirante-mor do Reino de Portugal, Manuel Pessanha, navegante genovês a serviço de Dinis I de Portugal (1279-1325), atacou a vila causando graves danos.

Entre as providências tomadas para os trabalhos de reconstrução do castelo, Afonso XI de Castela (1312-1350) assinou uma cédula para completar a obra da Torre do Príncipe.

Com a vila ainda a recuperar-se, em 1348 foi assolada pela Peste Negra, que chegou através do seu porto, dizimando a maior parte da população.

No contexto da Primeira Guerra Fernandina (1369-1370), forças portuguesas sob o comando de Fernando I de Portugal (1367-1383) assaltam e conquistam Baiona, tendo o soberano instalado quartel-general no castelo, vindo a ser expulsas pouco depois pelas forças castelhanas.

Em 1386 forças inglesas sob o comando de João de Gante, 1.º duque de Lancaster, atacam Baiona. O seu marechal, Sir Thomas Moriaux, desembarcou na vila, arrasando-a quase que totalmente. A fortificação, que então já contava com algumas peças de artilharia, rendeu-se sem luta, após o inglês ter disposto mil arqueiros prontos a disparar. Entretanto, a guarnição castelhana do castelo teve um fim trágico, vindo a ser executada pelos ingleses. A ocupação inglesa se estenderia até à assinatura do Tratado de Baiona (1388) entre João I de Castela (1379-1390) e o duque de Lancaster. Após o embarque dos ingleses, o monarca castelhano retirou o senhorio da vila a Vasco Pérez de Camoens, por sua rendição ao duque de Lancaster. Baiona passou assim às mãos da Coroa mas, diante da destruição causada pelos ingleses, o soberano ordenou que os seus habitantes passassem a habitar na península do Monte do Boi, onde se erguia o castelo. Os trabalhos de reconstrução da vila prolongarar-se-iam por quase um século.

O castelo Renascentista

Em 1425 João II de Castela (1406-1454) concedeu a Bayona e a La Coruña o privilégio de serem os únicos portos galegos autorizados a comerciar com o estrangeiro. Esta medida permitu à vila transformar-se num próspero enclave comercial, marcando a época de seu maior esplendor, o que se traduziu no aumento da importância de sua fortaleza.

Com a morte de Henrique IV de Castela (1454-1474), na iminência da Guerra de Sucessão de Castela (1475-1479), também referida como Guerra da Beltraneja, em 1474 Pedro Álvarez de Sotomayor, conde de Camiña, popularmente referido como Pedro Madruga, atacou Baiona e o seu castelo. Madruga, apoiado por Afonso V de Portugal (1438-1477), tomou parte no conflito a favor de Joana, “a Beltraneja”, contra Isabel, “a Católica” e, em Baiona, passou a fio de espada muitos dos vizinhos da vila, incendiando as suas casas. Os que conseguiram refugiaram-se no recinto do castelo. Diante da contraofensiva castelhana, as forças portuguesas que apoiavam Madruga impuseram sítio a Baiona e à sua fortificação, mas a chegada de reforços castelhanos sob o comando do Arcebispo de Santiago de Compostela, Alonso de Fonseca, levou a que os portugueses levantassem o cerco e batessem em retirada.

Posteriormente, em 1485, Madruga mandou aprisionar o bispo de Tuy, Diego de Muros, dando-lhe um tratamento humilhante e encarcerando-o na Torre da Tenaza. De acordo com a lenda local, nessa torre Madruga mandou construir uma cela especial, com uma pequena porta, que, uma vez tendo recebido o bispo, Madruga deu ordens para que o alimentassem lautamente a fim de que engordasse de tal modo que não pudesse passar da porta. Diante de tal afronta ao dignatário eclesiástico, os Reis Católicos retiraram a Madruga os seus domínios. Por essa razão, em janeiro de 1486 Madruga dirigiu-se a Castela em busca do perdão dos monarcas, vindo a encontrar a morte em Alba de Tormes, em condições não muito claras.

A 1 de março de 1493 a Torre do Principe avistou a che gada da caravela “La Pinta”, comandada por Martín Alonso Pinzón, procedente da América. A chegada da embarcação fez com que Baiona fosse a primeira povoação europeia a receber a notícia do descobrimento do Novo Mundo. A caravela bordejou o Castelo de Monterreal, tendo Pinzón desembarcado na Praia da Ribeira, a leste do istmo que une a península de Monterreal à vila de Baiona. Em nossos dias, celebra-se anualmente no local, diante das muralhas do castelo, uma representação teatral que recorda aquele momento. Também seria diante dos muros da fortificação, no lado oeste, na chamada “Horta dos Frades”, que recebeu sepultura o primeiro indígena americano falecido no continente europeu, que chegara à Espanha trazido pela “La Pinta”.

A desastrosa situação em que Madruga havia deixado a vila, num m omento em que a mesma principiava a recuperar-se das dificuldades vividas no século anterior, levou a que os Reis Católicos outorgassem uma “carta-puebla” a 15 de janeiro de 1497 na qual referiam: “(…) seria bien que la poblacion de la dicha villa se pasase é mudase á Monte de Buey que es justo con la dicha villa, que ahora Nos mandamos llamar Monte-Real, porque allí estará mas fuerte é mas segura la dicha villa é vecinos della”. Isabel e Fernando registavam ainda que “(…) es nuestra merced é voluntad que haya en la dicha villa de Monte-Real 200 vecinos é no menos porque si menos viviesen en ella no aprovechará dicha población”. Os monarcas favoreceram a mudança dos habitantes para o interior do castelo com isenções de impostos e outros privilégios de tal forma que, de acordo com José de Santiago y Ulpiano Nogueira, no século XVI chegaram a habitar dentro dos seus muros até 650 vizinhos, permanecendo na vila sobretudo pescadores e marinheiros.

Pouco depois, a 27 de agosto de 1500 os Reis Católicos outorgaram à vila de Monte-Real o privilégio de construir uma Casa Consistorial (“ayuntamiento”) no interior do castelo. Nesse período, foi levantada a Torre do Relógio à entrada do castelo, cujo nome se deve a um sino fundido em 1510, que custara dez ducados e cujo som servia para alertar os vizinhos e chamá-los a refugiar-se no castelo em caso de ataque.

Em 1533 uma frota de 56 navios franceses atacou o porto de Baiona e o seu castelo, provocando severos danos. Sete anos mais tarde, em 1540, um novo surto de peste grassou na vila, que uma vez mais quase se despovoou.

Em 1541 foi fundado extramuros do castelo, em sua fachada oeste, junto à Porta do Poço, o Convento de São Francisco, habitado por um punhado de religiosos vindos da Andaluzia. A estes se deve a referida Horta dos Frades, uma vez que era neste campo, que descia dos muralhas do castelo até ao mar, que os religiosos mantinham os seus cultivos.

Ainda durante o século XVI o castelo serviu também como cárcere para o Santo Oficio, cujas ações no local centravam-se sobretudo no registo de embarcações estrangeiras. Foi esse o caso da detenção de quatro marinheiros ingleses, detidos durante cinco meses no castelo pela Inquisição em 1575, fato que provocou uma queixa a Filipe II de Espanha (1554-1598) por parte do Corregedor de Baiona.

Uma lenda local afirma que a Torre do Príncipe recebeu o seu nome também neste período, quando a 18 de janeiro de 1568, Filipe II, farto dos abusos e excessos de seu filho e herdeiro, don Carlos de Austria y Portugal, Príncipe das Astúrias, mandou encarcerá-lo. O príncipe viria a falecer seis meses depois, sem ter saído de seu confinamento. Na realidade o príncipe foi efetivamente encarcerado, mas em seus aposentos no Real Alcázar de Madrid.

Uma versão da lenda assegura que com o príncipe foi encarcerada uma donzela, ao passo que outra afirma que uma donzela e o seu pretendente foram emparedados na torre por ordem de um padre, furioso com os amores de ambos. Segundo essa versão, os lamentos dos amantes misturavam-se com o rugir das ondas e dos ventos em dias de temporal.

A reforma seiscentista

Na segunda metade do século XVI demoliu-se a antiga Torre do Príncipe para levantá-la de novo. Utilizada como atalaia para vigiar o mar, a nova torre foi envolvida por um novo baluarte, tudo sob a direção do engenheiro Juan de Zurita. Em 1579 Filipe II enviou a Baiona o engenheiro Giovan Giacomo Palearo Fratino, para estudar a melhoria da fortificação, cuja antiga traça medieval havia se tornado antiquada diante do emprego da artilharia. A visita do engenheiro foi acompanhada pelo Capitão-general do reino da Galiza, o marquês de Cerralbo.

Em 1580 foi aberto em Monte-Real um poço para abastecer de água potável tanto a guarnição como a população civil, poço que chegou aos nossos dias. A primitiva construção deste poço é atribuída aos romanos. A obra do século XVI apresenta planta quadrada, fechada com um teto ameado sobre quatro arcos ogivais, acedido por uma pequena porta que dá acesso a uma escada de 46 degraus. O poço situa-se na área ocidental do castelo, junto à chamada Porta do Poço, de onde se ia para a referida Horta dos Frades.

Em 1583 Filipe II ordenou transferir para o interior das muralhas da fortificação o convento dos franciscanos, por estarem expostos em caso de ataque, conforme um informe remetido pelo governador do castelo, Pedro Bermúdez de Santís. Os frades mudaram-se para as chamadas Casas de San Juan de Mendoza, dentro da fortificação, porem conservando a sua antiga horta fora de muros. O soberano também conferiu ao guardião do convento o título de Capelão dessa praça-forte. Do convento instalado nas Casas de San Juan resta-nos hoje apenas a sua cúpula, hoje integrada no moderno Parador, e a imagem da Virgem das Angústias, que ocupava um dos altares da igreja conventual. Atualmente esta imagem ocupa um nicho no exterior da muralha da Bateria de Santiago, acolhendo os marinheiros que chegam a Baiona.

Ainda neste período, em 1585 o corsário inglês Sir Francis Drake fundeou a sua frota de 30 embarcações nas ilhas Cíes, desembarcou um efetivo de 3.000 homens nas proximidades de Baiona e bombardeou a vila, fazendo fugir a população. Após capturar uma barca de pesca, obteve a informação de que a fortaleza de Monterreal estava defendida por uma guarnição de apenas 200 homens, pelo que decidiu atacá-la. Não teve sucesso devido à solidez das defesas da fortificação e à resistência oferecida pela guarnição, sob o comando do Comendador Pedro Bermúdez, a que se somaram 300 homens enviados por Diego Sarmiento de Acuña, senhor de Salvatierra (que chegaram à fortaleza após a meia noite), e os paisanos de Baiona - armados com lanças e arcabuzes - que haviam sido alertados por ordem de Bermúdez fazendo soar o sino da Torre do Relógio: no total chegaram a congregar-se dentro das muralhas, durante esse combate, 5.000 homens bem armados e 200 cavalos, de acordo com o historiador de Vigo, José de Santiago y Gómez. Os ingleses tiveram ainda contra si, na ocasião, as inclemências de um forte temporal.

A 8 de julho de 1591 Felipe II, por uma Real Licença mandou eforçara fortificação e a guarnição de Monte-Real. Para assegurar o abastecimento de pão em caso de um ataque (uma vez eu os moinhos hidráulicos se situavam na vila de Baiona, fora do castelo), ordenou-se ainda a construção de seis moinhos de vento no alto do Monte-Real. Para se ter uma ideia do estado da fortaleza à época dispomos do testemunho de Fernando de Peñalosa em 1592:

Esta fortaleza estaba rota y abierta por muchas partes y no tenia puerta ni casa de aposento, por estar todo roto y no ser fuerza bastante para defenderse, sin una casa fuerte que la cercara y sin muralla de la villa. El tiempo que se guardó por fortaleza tenía por cada lado de la muralla un torreón terraplenado que no se podia pasar a ella, y en medio de estos torreones otra torre que llamaban del homenaje, muy alta, terraplenada, con sus almenas. Después que en la villa de Monterreal hubo presidio, y se guardó por orden del Marqués de Cerralbo, se abrieron aquellos torreones, se pasaba por ellos libremente y se cortó la torre hasta que se hizo lo mismo con la muralla y la fortaleza. No había artillería, ni pólvora, ni munición, ni caballero, ni cosa necesaria, ni como estaba se podía defender. Para repararla era menester hacer caballeros, dotarla de artillería, cercarla y hacer otras varias cosas de mucho coste, según se reconoció en la visita que a la fortaleza hizo el Marqués de Cerralbo acompañado del ingeniero Fratin por orden de S.M.

Em fins de 1596 Filipe II ordenou reunir uma armada de noventa e oito navios e 16.000 mil soldados e marinheiros diante do Castelo de Monterreal. Esta força partiu de Baiona a 27 de outubro desse ano com o objetivo de destruir os corsários ingleses que se dedicavan a atacar as costas galegas e, finalmente, liberar a Irlanda católica. Um forte temporal, entretanto, desfez os planos do soberano espanhol.

No início do século XVII, em 1605, dos 650 habitantes que a vila de Monte-Real havia tido dentro das muralhas da fortificação, apenas se mantinham 250, o que deixava as defesas muito enfraquecidas (os vizinhos contribuíam para a defesa como lanceiros e artilheiros em caso de necessidade). Por essa razão, a 11 de maio do mesmo ano, Felipe III de Espanha (1598-1621) renovou os privilégios e isenções que os Reis Católicos haviam concedido à dita vila em 1497.

Neste período o engenheiro militar Tiburzio Spannocchi antecipou a perda de importância militar da fortaleza a Filipe III, num relato em que dava conta de que, em que pesasse a opinião geral sobre o valor militar desta fortificação, o grande porto da ria seria, no futuro, o de Vigo.

No contexto da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668) construiu-se em 1642, junto ao poço reformado em 1580, uma cisterna subterrânea de grandes dimensões, com silhares de cantaria, obra a cargo do mestre corunhês Antonio Martínez. À época, apesar de todos os esforços, a vila de Monterreal estava prestes a desaparecer. Em 1656, o mestre de campo e governador militar de Baiona, Juan Feijóo de Sotomayor, ordenou a demolição de 400 casas no interior das muralhas, visando melhorar a condição de defesa da fortaleza. A ordem incluiu a Capela da Misericórdia, um templo de pequenas dimensões erguido na entrada da fortaleza em 1595 por orden de Filipe II. O templo foi transladado para Baiona, situando-se diante do atual ayuntamiento da vila.

No século XVIII a fortificação foi visitada pelos iluministas frei Martín Sarmiento e José Cornide.

No início do século XIX, no contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), em janeiro de 1809, após ocupar Vigo, as tropas do marechal francés Nicolas Jean-de-Dieu Soult assaltaram Baiona e o Castelo de Monterreal. Os habitantes ajudaram a libertar a praça com o auxílio de tropas portuguesas sob o comando do tenente João de Almeida.

Embora o Estado tenha declarado a fortificação como inútil em 1834, ela ainda protagonizou um último feito de armas por motivo do pronunciamento militar do general Iriarte em Vigo, a 24 de outubro de 1843, um golpe de cunho liberal. Iriarte enviou de Vigo uma pequena coluna de tropas até Baiona, a fim de tomar a vila e o seu castelo. De acordo com o historiador de Vigo José de Santiago y Gómez, a coluna foi rechaçada a tiros de canhão do Castelo de Monterreal, vindo os atacantes a sofrer 11 muertos e muitos feridos. Foram os últimos disparos da artilharia da fortaleza. As peças de artilharia que se conservan na Bateria de San Antón possuem a inscrição “Truvia 1853″.

Em 1859 uma Real Orden assinalou o fim de Monterreal como fortaleza militar, determinando o seu abandono. Posteriormente, em 1872 o Estado anunciou a sua venda em hasta pública. A fortificação foi adquirida em 1877 pelo engenheiro e político conservador José Elduayen Gorriti, marquês del Pazo de la Merced, que instalou a sua residência entre as velhas muralhas em um palacete construído em 1880 sobre a base do antigo convento franciscano e sua igreja.

A 30 de setembro de 1883, em razão da visita de Antonio Cánovas del Castillo e outros convidados ao marquês del Pazo de la Merced, um testemunho destacou a dificuldade de se fazer uma descrição das preciosidades, tanto antigas como modernas, no palacete, mas destacava as salas de bilhar e de música, e a sala de armas, com um cavalo em tamanho natural com cavaleiro e armadura.

Na década de 1920, o castelo pertencia ao abastado asturiano Sr. Bedriñana, que o utilizava como residência de Verão.

A fortificação encontra-se compreendida no "Conjunto Histórico de Baiona", classificado como “Bien de Interés Cultural” desde 25 de fevereiro de 1993, sob o n.º RI-53-0000368 no catálogo de monumentos do Património Histórico de Espanha.

Em 1963 o Estado adquiriu a fortaleza. O palacete construido por Elduayen foi demolido para construir-se o atual Parador Nacional Conde de Gondomar, inaugurado em 1966.

Ao mesmo tempo em que se ergueu o Parador, procedeu-se uma intervenção de restauro das antigas muralhas, que receberam ameias de tipo medieval inclusive em muitos locais onde não as havia, como por exemplo no Baluarte da Concheira, no extremo sudoeste da fortaleza, onde inclusive as antigas canhoneiras – típicas de uma muralha do século XVI.

Em 1975 foi erguida no interior da fortificação, próximo ao Parador, uma capela dedicada à Virgem del Carmen, com projeto do arquitecto Jesús Valverde Viñas.

A 20 de janeiro de 1995 foi inaugurado o Passeio Monte Boi, com 2 quilómetros de extensão, em torno das muralhas, com início na Praia da Concheira e término na Torre do Relógio.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico, renascentista e moderno, abaluartado.

O atual conjunto distribui-se por uma superfície de 18 hectares, com quatro portões de acesso:

• a Porta do Sol, mais antiga e a segunda pelo lado de terra, erguida pelo governador Pedro Bermúdez em 1586;

• a Porta do Príncipe, encimada por um brasão de armas;

• a Porta Real, do século XVI, com arco de volta perfeita e os escudos dos Sarmiento, da Espanha e da Áustria; e

• a Porta de Filipe IV, do século XVII, que se constitui no Portão de Armas. Nela destacam-se as colunas acaroadas que sustêm dois bispos em pedra, com grandes dimensões, e que também serve de aceso à praia da Barbeira.

Da fortificação medieval subsistem três quilómetros de muralhas, percorridas ao alto por adarves. Nelas destaca-se a “Torre da Porta do Sol”, acedida por uma rampa com uma ponte levadiça, e três outras grandes torres:

• A Torre do Príncipe, de planta quadrada que conta com um torreão circular adossado, situada a oeste das muralhas. O seu interior é abobadado, e uma escada de caracol conduz à plataforma superior. A sua porta é encimada por três escudos: o de Baiona à direita, um com cabeça de fera, possivelmente datando das reformas de 1663 e, no centro, um escudo de Espanha. Do seu alto podem-se ver-se as ilhas Estelas e as Cíes.

• A Torre da Tenaça, a Leste, de planta heptagonal, cobrindo o porto.

• A Torre do Relógio, ameada, cobrindo o lado de terra, apresenta planta quadrada e foi reedificada no século XVII. Conta com seis peças de artilharia. Nela soa um sino datado de 1510, em sinal de alarme.

O conjunto é integrado ainda pelas seguintes defesas:

• A Bateria e Porta de Santo Antão, que constituem a quarta bateria, com a função de defesa do interior do porto e seu acesso. Conta com oito canhoneiras.

• O palácio, em estilo neogótico do século XIX.

Representando as intervenções de Fratín citam-se o Reduto da Porta do Sol, a porta da ponte levadiça, a fortificação do Cangrejo e as duas meia-luas do Condestável, construções que envolveram o primitivo muralhamento dando ao conjunto o aspeto que hoje conserva. A meia-lua do Cangrejo configura-se como um hornaveque que se alicerça na água e seus canhões defendem, parte o interior do porto e parte a terra firme.

Ao longo dos séculos desapareceram do conjunto da fortificação os edifícios do convento franciscano, da Casa do Corregedor, os quartéis da tropa, o Palácio da Justiça e o palácio gótico que servia de residencia ao conde de Gondomar. Subsste apenas a casa medieval erguida por Pedro Madruga e que lhe serviu como residência. Também conhecido como “Armazém de Madruga”, uma vez que foi utilizado como paiol, hoje encontra-se em ruínas.

Bibliografia

SORALUCE BLOND, José Ramón. Castillos y fortificaciones de Galicia. La arquitectura militar de los siglos XVI-XVIII. [S.l.:] Fundación Pedro Barrié de la Maza, 1985. ISBN 84-85728-47-5. pp. 159-165.

SORALUCE BLOND, José Ramón. Guía da Arquitectura Galega. [S.l.:] Editorial Galaxia, S.A., 1999. (Guías Galaxia) ISBN 84-8288-186-8. pp. 100-103.

BOGA MOSCOSO, Ramón. Guía dos castelos medievais de Galicia. [S.l.]: Edicións Xerais de Galicia, S.A, 2003. (Col. Guías Temáticas Xerais) ISBN 84-9782-035-5. pp. 256-257.



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Contribution

Updated at 23/01/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (3).


  • Castle of Monterreal

  • Fortaleza do Monte do Boi

  • Fortress





  • Spain


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    A fortificação encontra-se compreendida no "Conjunto Histórico de Baiona", classificado como “Bien de Interés Cultural” desde 25 de fevereiro de 1993, sob o n.º RI-53-0000368 no catálogo de monumentos do Património Histórico de Espanha.





  • Tourist-cultural Center

  • 180000,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Pontevedra
    City: Baiona



  • Lat: 42 -8' 30''N | Lon: 8 50' 60''W










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