Fortificações de Monsaraz

Reguengos de Monsaraz, Évora - Portugal

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As “Fortificações de Monsaraz” localizam-se na freguesia de Monsaraz, concelho de Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora, em Portugal.

Vizinhas ao rio Guadiana e ao moderno espelho d'água da Barragem de Alqueva, erguem-se sobre o monte Monsaraz, dominando a vila medieval e a fronteira com a Espanha. A sua arquitetura militar mescla elementos medievais e seiscentistas.

História

Antecedentes

Em uma região eivada de monumentos megalíticos, acredita-se que a primitiva ocupação humana deste local remonte a um castro pré-histórico, sucessivamente ocupado por Romanos, Visigodos e Muçulmanos, que obtinham a sua subsistência das atividades ligadas à economia agro-pastoril. O topónimo está ligado a este último domínio, uma vez que, em português, a palavra “xarez” (ou “xerez”) deriva do árabe “saris” (ou “sharish”), designando a vegetação de estevas (xaras), então abundante às margens do Guadiana. O topónimo Monsaraz, desse modo, evoluiu de monte Xarez (ou Xaraz).

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a povoação foi inicialmente conquistada pelas forças sob o comando de Geraldo Sem Pavor (1167). Após a derrota de Afonso I de Portugal (1145-1185) em Badajoz (1169) foi recuperada pelos Almóadas sob o comando de Abu Iúçufe Iacube Almançor (1173), para ser definitivamente conquistada por Sancho II de Portugal (1223-1248), com o auxílio da Ordem do Templo, em 1232, à qual fez a doação destes domínios. Desta época ficou-nos a memória do cavaleiro templário Gomes Martins Silvestre, povoador de Monsaraz, cujo túmulo se encontra atualmente na Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa.

Afonso III de Portugal (1248-1279), visando incrementar o seu povoamento e defesa, concedeu-lhe carta de foral em 1276, delimitando-lhe os limites concelhios. Neste período, a ação de povoamento de Monsaraz está ligada à figura do cavaleiro Martim Anes Zagallo, que se acredita tenha exercido a função de alcaide da povoação e seu castelo, tendo iniciado as obras da nova alcáçova, época em que foram iniciadas ainda a primitiva Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa e o tribunal gótico, cujo interior alberga o fresco de “O Bom e o Mau Juiz”.

Com a extinção da Ordem em Portugal, tendo o seu património passado para a Ordem de Cristo (1319), Monsaraz foi erigida em Comenda da nova Ordem, na dependência de Castro Marim. Foi nesta fase, sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), que se iniciou reconstrução da torre de menagem (1310) e a ampliação da cerca da vila, estruturas que, com alterações, chegaram aos nossos dias.

No contexto da Crise de Sucessão de 1383-1385, o alcaide do castelo, Gonçalo Rodrigues de Sousa, tomou o partido de D. Beatriz de Portugal. Em 1385, em mãos castelhanas, o castelo viria a ser conquistado pelas forças portuguesas sob o comando do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, antes da batalha de Aljubarrota (14 de agosto). De acordo com a tradição local, tendo as forças do Condestável imposto cerco ao castelo, passados alguns dias e suspeitando o Condestável que os defensores estariam com falta de mantimentos, urdiu uma estratégia: fez soltar seis vacas no exterior da praça, dispondo os seus homens, ocultos, próximo ao portão. Quando os sitiados saíram a capturar as reses, os homens do Condestável penetraram na cerca da vila, cerrando as portas e progredindo em direção ao castelo, que conquistaram.

Na sequência da reconquista João I de Portugal (1385-1433) fez doação da localidade ao Condestável. Em 1422, por doação do Condestável ao seu neto D. Fernando, futuro 2.º duque de Bragança, Monsaraz passou a integrar os domínios da Casa de Bragança.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509). Em 1512, o soberano outorgou o “Foral Novo” à vila.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), devido à proximidade com o rio Guadiana e a fronteira espanhola, o Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) determinou a modernização das suas defesas, envolvendo a vila com uma fortificação de traços abaluartados ao estilo Vauban, com projeto dos engenheiros militares franceses Nicolau de Langres e Jean Gillot: o Forte de São Bento de Monsaraz (1644).

No século XIX, perdida a importância económica e estratégica, a sede do Concelho passou para a vila de Reguengos de Monsaraz, na planície (1840). A partir de então, a fortificação ficou votada ao abandono, o que causou a ruína de diversos de seus elementos.

O “Prédio Militar n.º 1 denominado Fortificação da Praça de Monsaraz” encontra-se classificado pelo Decreto n.º 35.443, publicado pelo Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. A ZEP/Zona "non aedificandi" encontram-se definidas por Portaria de 10 de maio de 1951, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 187, de 14 de agosto. Posteriormente, o Decreto n.º 516/71, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 274, de 22 de novembro, amplia a anterior classificação a “Fortificações e todo o conjunto intramuros da vila de Monsaraz”.

O conjunto encontra-se afecto à DRC Alentejo pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República, 2.ª Série, n.º 163, de 24 de agosto.

A 5 de março de 2011 teve lugar a apresentação pública do projeto de obras de requalificação da Torre do Relógio, promovido pela autarquia, candidatado ao programa Eixo 2 - Desenvolvimento Urbano - Redes Urbanas para a Competitividade e a Inovação.

O antigo castelo conserva intacta a sua torre de menagem. Dentro do amuramento medieval destacam-se a casa gótica da Rua Direita, a cisterna, o pelourinho e os Paços do Concelho.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico e seiscentista, de enquadramento urbano, no cume de um cabeço rochoso, entre as cotas de 275 e 325 metros acima do nível do mar.

O conjunto apresenta planta oval irregular alongada, orientada segundo um eixo longitudinal nordeste-sudoeste, constituída pela articulação horizontal do castelo de planta pentagonal, implantado no topo sudoeste, com cerca urbana amuralhada e sistema fortificado de reforço adossado ao paramento sudeste da cerca.

A Torre de Menagem, em cantaria de granito, conserva abóbadas ogivais nos seus dois andares: o térreo, antigo cárcere e depois armazém de armas; o cimeiro, sala nobre da alcaidaria com larga porta gótica e janela já assinalada no desenho quinhentista de Duarte de Armas.

A cerca corre em linha de nível de cota estável, apenas com dois cubelos circulares nos vastos paramentos noroeste e sudeste, rasgada por quatro portas em cantaria de granito:

- a Porta da Vila, em arco ogival, flanqueada por dois cubelos semi-cilíndricos, o oeste conhecido com “Torre do Relógio”, comunica a Rua Direita com os arrabaldes. A Torre do Relógio possui em seu interior um teto nervurado e, na cúpula piramidal que a recobre, um sino fundido por Diogo de Aballe e Domingos de Lastra, com data de 2 de maio de 1692. Sobre o arco ogival desta porta, uma lápide de mármore comemora a consagração do reino de Portugal à Imaculada Conceição à época da Guerra da Restauração da Independência, e, no dorso da ombreira, vislumbram-se a vara e o côvado, medidas usadas à época medieval.

- a Porta de Évora, a norte, em arco ogival;

- a Porta da Cisterna ou Porta do Buraco, a sudoeste, em arco pleno, como o nome indica, com a função de defesa da cisterna;

- a Porta da Alcoba, a sul, em arco pleno.

Toda a cerca assenta no uso mesclado do xisto, abundante na região, granito, argamassa de barro vermelho e cal.

Embora a planta do Forte de São Bento tivesse sido desenhada em forma estrelada, a morfologia do terreno onde se implanta levou a algumas alterações da sua planimetria. O forte apresentava revelim de três baluartes, parapeito e uma cortina que se estendia em torno da vila. Estava integrada no pano de muralhas a Ermida de São Bento de Monsaraz.

Curiosidades

Uma chave do castelo, oferecida pela Junta de Freguesia de Monsaraz a Mário Soares (1924-2017) quando de sua visita durante a Presidência Aberta em Beja, entre 26 de outubro e 7 de novembro de 1987, encontra-se no acervo da Fundação Mário Soares.

A Torre do Relógio serviu de cenário para o romance histórico "As Horas de Monsaraz", de Sérgio Luís de Carvalho (Campo das Letras, 1997).

  • Fortificações de Monsaraz

  • Castelo de Monsaraz, Forte de São Bento de Monsaraz

  • Conjunto de fortificações



  • Nicolau de Langres
    Jean Gillot


  • Portugal


  • Descaracterizada e Bem Conservada

  • Proteção Nacional
    O “Prédio Militar n.º 1 denominado Fortificação da Praça de Monsaraz” encontra-se classificado pelo Decreto n.º 35.443, publicado pelo Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. A ZEP/Zona "non aedificandi" encontram-se definidas por Portaria de 10 de maio de 1951, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 187, de 14 de agosto. Posteriormente, o Decreto n.º 516/71, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 274, de 22 de novembro, amplia a anterior classificação a “Fortificações e todo o conjunto intramuros da vila de Monsaraz”.





  • Centro Turístico-Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Évora
    Cidade: Reguengos de Monsaraz

    EN 256, Reguengos de Monsaraz – Mourão
    Reguengos de Monsaraz


  • Lat: 38 -27' 25''N | Lon: 7 22' 52''W







  • Castelo Templário



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