Crato, Portalegre - Portugal
O “Mosteiro de Flor da Rosa”, também referido como “Convento de Flor da Rosa” e “Paço de Flor da Rosa”, localiza-se na freguesia de União das freguesias de Crato e Mártires, Flor da Rosa e Vale do Peso, concelho do Crato, distrito de Portalegre, em Portugal.
Um dos mais importantes exemplos de mosteiro fortificado na península Ibérica, ali está instalada, em nossos dias, uma das unidades das Pousadas de Portugal.
História
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a região do Crato passou para o domínio cristão desde 1160. O seu repovoamento, entretanto, só se registou a partir de 1232, após a doação, por Sancho II de Portugal (1223-1248), dos domínios de Amieira, Gavião e “Ucrate” (ou “Ocrato”) à Ordem de São João de Jerusalém (ou do Hospital, atual Ordem de Malta), com a obrigação de fomentá-los e fortificá-los.
No reinado de Afonso IV de Portugal (1325-1357), entre 1336 e 1341 procedeu-se à transferência da sede da Ordem, de Leça do Bailio para a vila do Crato, com instituição do Priorado do Crato, que se constituiu em cabeça da Ordem após a batalha do Salado (1340).
Nesse momento, D. Álvaro Gonçalves Pereira, 1.º Prior do Crato, pai do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, decidiu fundar uma capela no termo do Crato (1341). Com o crescimento da Ordem foi então principiado o Paço (1356), casa-mãe da Ordem em Portugal. De acordo com alguns historiadores, aqui terá nascido o Condestável (1360).
Em 1527, o Infante D. Luís assumiu a administração dos bens da Ordem de Malta e decidiu fundar um colégio de Teologia para 30 religiosos, o que é atestado pelas ampliações manuelinas do conjunto edificado, mas que nunca chegou a funcionar.
No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), em 1615 o arquiteto Pedro Nunes Tinoco fez o levantamento dos "Paços da Frol da Rosa" e referiu que estavam ruinosos e desabitados.
Após o terramoto de 1 de novembro de 1755 foram empreendidas obras de melhoramento no conjunto. Ainda nesse século, em 1789 os bens da Ordem de Malta transitaram para a Casa do Infantado, extinta em 1834.
Um forte temporal em 17 de janeiro de 1897 acarretou o desabamento da cabeceira da igreja.
O “Mosteiro da Ordem do Hospital de Flor da Rosa” foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, 1.ª Série, n.º 136, de 23 de junho. A ZEP foi definida pela Portaria n.º 524/97, publicada no Diário da República, 1.ª Série-B, n.º 167 de 22 de julho.
As intervenções de conservação e restauro tiveram início ao se encerrar a década de 1930, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), com o restauro da cabeceira e da parte arruinada do convento (1940). Entre 1958 e 1962 procedeu-se a reconstrução de coberturas, terraços, pavimentos e ameias; a consolidação de torres; a colocação de gárgulas; a limpeza geral de paramentos; e a mudança dos túmulos de D. Diogo de Almeida e D. Álvaro Gonçalves Pereira. Novas intervenções tiveram lugar em 1967 e 1974, com destaque para a implantação da estátua de D. Nuno Álvares Pereira (1975). Seguiram-se intervenções entre 1977 e 1979, em 1982, 1984, 1986, 1987 e 1988.
Em 1990 foram efetuadas pelo IPPAR escavações arqueológicas. Entre esse mesmo ano e 1995 a ENATUR construiu uma pousada adossada ao mosteiro, utilizando algumas das suas dependências, com projeto do arquiteto João Luís Carrilho da Graça, autor igualmente de algumas das peças de mobiliário utilizadas na decoração dos interiores.
O conjunto foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei n. 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126.
A pousada foi inaugurada em 24 de julho de 1995, integrante da rede hoteleira Pousadas de Portugal, na categoria de Pousadas Design Histórico.
A 1 de fevereiro de 2001 foi feito anúncio do concurso público para a empreitada de reforço de estruturas, recuperação de coberturas e drenagens, pelo IPPAR, publicado em Diário da República, 3.ª Série, n.º 27. Os trabalhos desenvolveram-se entre 2001 e 2002.
Em julho de 2009, após um conjunto alargado de ações de investigação, recuperação e valorização realizados no Mosteiro, nomeadamente na ala não afeta à pousada, o monumento foi aberto ao público com uma área de acolhimento e interpretação onde são disponibilizados diferentes serviços de apoio.
O conjunto encontra-se afeto à DRCAlentejo pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República, 2.ª Série, n.º 163, de 24 de agosto.
Atualmente o Mosteiro abriga o túmulo do fundador, a pousada da ENATUR e o Núcleo de Escultura Medieval do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).
Características
Exemplar de arquitetura religiosa, civil e militar, gótica, manuelina, mudejar, renascentista, e contemporânea, de enquadramento urbano, isolado, junto à aldeia, rodeado a oeste, norte e leste por terrenos agrícolas, com a Pousada adossada a oeste.
O conjunto é composto por 3 edificações distintas:
- o paço acastelado gótico, ampliado no século XVI, constituído por três torres dispostas na fachada principal, virada a sul, direcionadas e escalonadas de leste para oeste. A entrada far-se-ia pela face oeste da torre mais baixa, através de porta sobrelevada, de arco quebrado, guardada por mata-cães. As suas portas e janelas apresentam verga reta e moldura lavrada com sulcos paralelos e vãos com arco conopial. A torre oeste e a torre do centro apresentam, nos pisos superiores, respectivamente cozinha e lareira junto a janela mainelada; a norte situa-se a entrada, antecedida de escada, a rodear a torre oeste, dando acesso a enorme sala, primitivamente bicompartimentada; possuía caixa de ar no pavimento de tijoleira e é atualmente a sala de jantar da pousada.
- a Igreja-fortaleza gótica e manuelina, de nave única de grande altura e largo transepto e cabeceira pouco profunda. Apresenta planta longitudinal composta por nave, transepto saliente, sacristia. Na fachada principal rasga-se o pórtico de acesso. um alto alpendre antecede um corredor que se abre em arco de asa de cesto, moldurado a cantaria, e termina na porta renascentista que antecede uma zona de passagem; a partir daqui acede-se ao claustro, para norte, à nave da igreja, para leste, e ao prolongamento da nave para oeste. No interior, cobertura em abóbada de berço quebrado a grande altura, completamente reconstruída em pedra aparelhada; na nave situa-se o túmulo do fundador, D. Frei Alvaro Gonçalves Pereira, e na parede norte vão em arco abatido que comunica com o claustro; mais para leste, uma janela em arco quebrado dá para a sala dita do velório com abóbada manuelina e porta em arco abatido a comunicar com o claustro. No transepto, três arcosólios de arco quebrado, vazios, em cada braço; no braço sul uma porta em arco quebrado dá acesso à sacristia, com abóbada achatada, estrelada; no braço norte, um vão em arco abatido dá acesso a uma sala abobadada; desta acede-se, para norte, ao vestíbulo da chamada Porta do Cavalo (entrada leste); esta entrada comunica, para norte, com o que se supõe ter sido um antigo celeiro, e para oeste, com as cavalariças, rodeando o claustro, e em cujo piso superior funcionava o antigo dormitório; da sacristia acede-se, através de escadas, a duas salas sobre o corredor da entrada principal, com janela e fresta também para essa entrada e uma porta que dá acesso ao coro da igreja, sobre a nave.
- as dependências conventuais, renascentistas e mudejares, o caustro apresenta planta quadrada com acesso principal a sul; as galerias são cobertas por abóbadas nervuradas, achatadas, de quatro tramos incluindo o dos cantos; os arcos torais e formeiros apoiam-se nos oito pilares que estruturam o claustro, sendo de seção retangular na base e pentagonal no prolongamento, após zona de molduração; os arcos formeiros, de granito, que abrem para o jardim, são em asa de cesto, apoiando-se em colunelos de mármore com fuste liso e base e capitel moldurados ao gosto mudejar; na ala oeste corredor, de arcos redondos nos topos, dando acesso à sala do capítulo com dois janelões de arco redondo a oeste, porta de arco quebrado a sul, comunicando com a torre central da frontaria do paço e teto de abóbada nervurada, achatada; portal manuelino, em arco conopial, que dá acesso a uma antecâmara do refeitório, a oeste, uma pequena sala a sul, que comunica também com o refeitório, uma escada para o piso superior, a norte, e também, para norte, uma porta em arco românico com molduração manuelina que dá acesso a uma pequena sala que antecede a antiga cozinha do projetado mosteiro, hoje recepção da Pousada, com porta, a norte, para a cisterna; no exterior, esta cisterna está guardada por corpo defensivo com mata-cães; o refeitório é uma ampla sala iluminada por três altos janelões em arco redondo com um teto de abóbada nervurada, achatada, suportada por três colunas torsas. Há interpretações destes espaços que vocacionam a sala que é chamada do capítulo para refeitório e vice versa, pela maior dignidade arquitetónica da sala norte. A presença da cozinha no topo norte desta ala fundamenta melhor essa leitura; o primitivo paço possuía um claustro com um piso superior a que se acedia através de estrutura de madeira.
A intervenção de adaptação a Pousada optou por traços contemporâneos, reestruturando radicalmente algumas zonas e construindo outras de raiz; o interior foi decorado com mobiliário de características minimalistas.
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Ajuda
Visualização de fortificação |
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As pesquisas podem ser realizadas por cada um desses quesitos individualmente, ou por intermédio do cruzamento de vários desses quesitos combinados. • Nos quesitos "Autor do projeto" e "Iniciada no governo de" está disponível um link para acessar os dados do respectivo Personagem histórico ali listado, remetendo a seção Personagens do Website fortalezas.org. Após efetuar o link, utilize o comando "Voltar" do Navegador de Internet para retornar a página de visualização da fortificação. • Abaixo do box dos dados parametrizados encontra-se o box intitulado: Personagens relacionados, onde são listados o nome e a nacionalidade (acompanhados de uma imagem) dos personagens históricos que possuem alguma relação com a fortificação visualizada. Clique sobre o nome para acessar os dados do mesmo, remetendo-se à seção Personagens do Website fortalezas.org. 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Abaixo do nome do tutor, são listados os nomes dos demais usuários que contribuíram com o tutor na edição, revisão ou ampliação das informações sobre essa fortificação. • Ao lado do nome do Tutor é informada a data da realização da última atualização dos dados desta fortificação. Ao lado do nome do contribuinte é informada a data em que ocorreu a contribuição daquele usuário. • Logo abaixo, no sub-item "Mídias", são listados os usuários que contribuíram com o Tutor, adicionando algum tipo de mídia a essa fortificação: imagem, vídeo, panorâmica ou desenho CAD. 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