Forte Espanhol

Áquila, Áquila - Itália

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O “Forte Espanhol” (em italiano “Forte Spagnolo”), referido localmente apenas como “Il Castello”, localiza-se na cidade e província de Áquila, região de Abruzos, na Itália.

História

Antecedentes

No século XV, Áquila tornara-se a segunda cidade mais poderosa no Reino de Nápoles, após a própria capital, Nápoles: o seu rebanho ascendia a meio milhão de ovinos, e a cidade prosperava com a exportação de lã e de açafrão para toda a Europa.

Em 1503 a Coroa de Espanha conquistou o Reino de Nápoles, que passou a ser governado por um Vice-rei de confiança, com espanhóis a ocupar todos os cargos de confiança. Em Áquila, a nomeação do conde Ludovico Franchi como “Signore della Città”, marcou o fim de todas as formas de autonomia municipal, e contribuiu para o declínio da até então próspera cidade.

Na esperança de recuperar a autonomia e os privilégios perdidos, Áquila uniu-se à liga antiespanhola liderada pelos franceses, que em 1527 encontraram abertas as portas da cidade. A reação de Carlos V de Espanha (1519-1556) não se fez demorar, e a cidade foi ocupada militarmente em 1529 por Filiberto de Orange, Vice-rei e lugar-tenente do Reino de Nápoles, saqueada e forçada a pagar aos cofres espanhóis um tributo exorbitante. Ainda como punição, a cidade foi despojada dos seus territórios, repartidos como feudos e doados como recompensa aos capitães do Exército Imperial, o que infligiu um golpe mortal à economia de Áquila.

La Castellina

No mesmo ano (1529) Filiberto de Orange escolheu o vértice nordeste da cidade, no ponto mais alto da sua cintura de muralhas, local onde em 1401 o rei Ladislau de Nápoles havia erigido um castelo (“rocca”), e deu início à construção de uma nova fortificação: “La Castellina”.

Como registado à época, “La Castellina” foi erigido "(…) per tenere con grosso presidio a freno i cittadini" (B. Cirillo, Annali della Città dell'Aquila con l'historie del suo tempo, Roma, 1570, p. 128 ) constituindo um símbolo de opressão, não apenas política e militar, mas, sobretudo, económica e social da cidade. Concluída em 1530, era uma construção maciça, abaluartada, de modestas dimensões, destinada a aquartelar o comandante e uma guarnição do Exército Imperial.

O “Forte Espanhol”

À época, a introdução do uso da pólvora nos campos de batalha obrigara ao desenvolvimento de novos métodos de fortificação e, a partir de 1532, o novo Vice-rei do Reino de Nápoles, Pedro Álvarez de Toledo, procurou adaptar as estruturas defensivas sob sua responsabilidade às novas exigências.

Em Áquila, a revolta de 1527 a favor dos franceses, mostrava-se agora um hábil pretexto para os espanhóis condenarem a cidade a suportar integralmente a construção de uma nova fortificação, impondo-lhe um tributo de 100.000 ducados anuais. Para o Vice-rei, essa fortificação atenderia uma dupla função: servir como um baluarte defensivo espanhol no extremo norte do Reino de Nápoles, e como ponto de controlo da lã na via que ligava Nápoles a Florença. Desse modo, em 1534 foi encarregado do projeto, o arquiteto militar e capitão do exército de Carlos V, Pedro Luis Escrivà (ou Escribàs), de Valência. Escrivà deixou a direção dos trabalhos em 1537 quando se transferiu para Nápoles, onde foi incumbido de reconstruir o Castel Sant'Elmo. Em seu lugar ficou Gian Girolamo Escrivà, provavelmente um seu parente, que dirigiu os trabalhos em Áquila até 1541.

A nova fortaleza, de vastas dimensões, requereu a demolição de um bairro inteiro da cidade. Para a fundição das peças necessárias para artilhá-la, foram confiscados os sinos das igrejas da cidade, entre os quais a grande “Campana della Giustizia”, que se situava na “Torre Civica”. Os trabalhos progrediram rapidamente até 1549, e depois, mais lentamente, até 1567, quando, tendo ascendido Filipe II de Espanha (1556-1598) ao poder, os moradores de Áquila suplicaram ao soberano que suspendesse as obras; o pedido foi deferido e os trabalhos foram suspensos, de modo a que algumas partes da fortificação jamais foram completadas. O custo da fortificação foi tão elevado à época, que a cidade foi mesmo forçada a vender o precioso cofre de prata que continha os restos mortais de São Bernardino de Siena.

A fortaleza jamais foi utilizada pelos espanhóis em ações militares de vulto, uma vez que, na segunda metade do século XVI o centro dos interesses do Império espanhol deslocou-se inicialmente do mar Mediterrâneo para o norte da Europa e, em seguida, para a América do Sul. Na prática, foi utilizada como residência pelos governadores espanhóis.

Em 1703 a cidade foi severamente danificada por um terramoto, a que não ficou imune a fortaleza.

No contexto das Guerras Revolucionárias Francesas (1792-1802) a fortaleza foi utilizada como aquartelamento por tropas francesas. Em 1798 os moradores da cidade pegaram em armas contra as tropas francesas, atacando a fortificação, sem sucesso. A partir de então, as suas dependências foram utilizadas como prisão e, após 1860, como aquartelamento militar.

Encontra-se declarada como Monumento Nacional desde 1902.

No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi ocupada por tropas da Alemanha Nazi, que a utilizaram como quartel de comando e como prisão, período em sofreu extensos danos.

Após o conflito, afastado o risco de utilização da antiga fortificação como prisão, o conjunto passou para as mãos do Ministério da Defesa, e destas para as do Ministério da Instrução Pública.

De 1949 a 1951 teve lugar uma intervenção de consolidação e restauro, por iniciativa da Soprintendenza di Monumenti e Gallerie d'Abruzzo e Molise, visando tornar-se em sede para o Museo Nazionale d'Abruzzo o mais importante da região.

Em nossos dias os espaços do forte abrigavam um auditório e uma sala de conferências, bem como espaços para exposições. Um novo terramoto, em 6 de abril de 2009, causou extensos danos ao centro histórico da cidade, e tesouros arquitetónicos como a catedral, a fortaleza e a Basílica de Santa Maria di Collemaggio sofreram extensos danos. Os principais danos ao forte ocorreram na ponte de arcos sobre o fosso e nos pavimentos superiores, razão pela qual foi encerrado ao público.

Em 2011 iniciou-se uma nova intervenção de consolidação e restauro.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, renascentista.

Escrivà planeou uma fortaleza de grandes dimensões, de planta quadrada com baluartes pentagonais nos vértices com muralhas de 60 metros de comprimento por 30 metros de largura na base e 5 metros no alto. As muralhas eram coroadas por merlões maciços, com aberturas para a fuzilaria e para a artilharia. Pelo exterior, abria-se um fosso seco, com 23 metros de largura e 14 de profundidade, primitivamente ultrapassado por uma ponte de madeira, que acedia o monumental portão de armas (encimado pelo brasão de armas de Carlos V) com uma ponte levadiça. Estas estruturas de madeira deram lugar a uma ponte em alvenaria de pedra, sobre arcos, em 1883.

A inclinação das muralhas foi projetada para desviar o fogo inimigo para os lados; cada baluarte consistia em dois ambientes separados e completamente autossuficientes – as casamatas, com guarnições próprias. O aqueduto da cidade foi desviado de modo a abastecer a fortificação em primeiro lugar, e em caso de rebelião a fortificação poder ter o controlo do fornecimento de água à cidade.

Complementarmente, Escrivà planeou uma galeria anti-minas, um corredor entre as muralhas interna e externa, que dava passagem a uma única pessoa de cada vez (hoje visitável), com o fim de defender a estrutura dos trabalhos de minas do inimigo. Toda uma colina foi arrasada para fornecer a pedra calcária necessária às obras, ao mesmo tempo em que os sinos das igrejas da cidade foram fundidos para fabricar os canhões da praça.

A fortaleza encontra-se inscrita em um amplo parque arborizado, o chamado “Parco del Castello”.



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Contribuições

Atualizado em 12/06/2017 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuições com mídias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Forte Espanhol

  • Forte Spagnolo, Il Castello

  • Fortaleza

  • 1534 (DC)

  • 1567 (DC)



  • Itália


  • Em Restauração

  • Proteção Nacional
    Encontra-se declarada como Monumento Nacional desde 1902.





  • Centro Turístico-Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Itália
    Estado/Província: Áquila
    Cidade: Áquila



  • Lat: 42 -22' 47''N | Lon: 13 -25' 43''E






  • 1949-1951: Intervenção de consolidação e restauro, por iniciativa da "Soprintendenza di Monumenti e Gallerie d'Abruzzo e Molise", visando a requalificação como sede do "Museo Nazionale d'Abruzzo".
    2011-: Intervenção de consolidação e restauro após o terramoto de 2009.




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