Fort of São José do Cabo da Praia

Praia da Vitória, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte de São José”, também referido como "Bateria de São José", localiza-se na freguesia do Cabo da Praia, concelho da Praia da Vitória, costa oeste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Situado à margem esquerda (Leste) da foz da Ribeira do Cabo da Praia, tinha como função a defesa deste trecho do litoral, cooperando com o Forte de Santa Catarina, a Oeste e com duas baterias de campanha no areal a Noroeste.

História

Não conhecemos a sua origem, e não é expressamente referido por FRUTUOSO ao final do século XVI. Pela sua localização, entretanto, pode ser o forte que refere, após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, no inventário do material bélico capturado: "No castelo que chamam do Pau: Uma meia colibrina com as armas de Portugal; duas bombardas, com seus aparelhos." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 87)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) não se encontra referido pelo brigadeiro António do Couto de Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710" (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 178-181). Também não se encontra relacionado entre os fortes inspecionados pelo Sargento-mor Engenheiro João António Júdice em 1767, nem entre os do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco em 1776.

Não consta na "Planta da Bahia da Villa da Praia. para a Intiligencia do Molhe e Projecto do Ill.mo e Ex.mo Sñr. Conde de S. Lourenço Governador e Capitão General das Ilhas Dos Açores" (Angra, 1805).

No contexto da Guerra contra Artigas (1816-1820) na América do Sul, que culminou com a anexação da Banda Oriental (atual Uruguai) ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1820), na tarde de 8 de junho de 1818, surgiu ao norte da Terceira uma poderosa Armada com 97 navios de guerra e de transporte, o que levou a que os sinos das vilas da ilha tocassem a rebate, espalhando-se o pânico entre a população. Muitas famílias abandonaram as suas casas, ocultando os seus bens, o mesmo ocorrendo com as alfaias litúrgicas e os bens mais valiosos das igrejas e conventos. Imediatamente o então Capitão-general dos Açores, Francisco António de Araújo e Azevedo, procedeu à mobilização das gentes, dispondo a defesa do melhor modo possível dada a precariedade dos recursos. No dia seguinte (09), os navios aproximaram-se da costa, reunindo-se e alinhando-se em formação de combate, como se prestes a investir sobre a ilha. Na madrugada do dia 10, entretanto, alguns deles já se haviam retirado, no que foram seguidos pelos demais na tarde do mesmo dia, jamais se tendo sabido quem eram e a que haviam vindo. De acordo com FARIA (s.d.), esse episódio foi a razão pela qual se procedeu a recuperação dos fortes da ilha entre 1818 e 1820, (op. cit.) encontrando-se o nome deste forte entre o daqueles que foram intervencionados com projeto e sob a direção do engenheiro militar, José Rodrigo de Almeida, ao tempo coronel de Milícias da Vila da Praia. (FARIA, 2000:156)

A "Planta da Bahia da Villa da Praia", desenhada por Francisco Xavier Cordeiro, anexa ao relatório "Muralha na Villa da Praya, para resguardar os edificios da mesma Villa dos estragos do Mar", do 1.º Tenente de Artilheiros António Homem da Costa Noronha, em 17 de agosto de 1827, assinala a "Bataria de S. Jozé", na margem direita da foz da Ribeira do Cabo da Praia. Uma nota na legenda da planta informa: "As fortificações denominadas das das [sic] Batarias, forão construidas no anno de 1818" (Biblioteca da Ajuda, Ms. Av. 54-XIII-25, n.º 10).r />
No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), quando da batalha da Praia (11 de agosto de 1829), consta ter sido o que mais danos causou à capitânia absolutista, a nau "D. João VI". Embora não conste no desenho "Poziçao dos Navios da Esquadra Portuguesa na Bahia da Villa da Praia (Ilha Terceira) no combate do dia 11 de Agosto de 1829" (Biblioteca Nacional de Portugal), está assinalado como "23. Bataria de S. José." na gravura "Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829. / Pelo Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, e augmentada com os nomes das embarcações e forteficações" (c. 1830). Data do mesmo período a carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que lhe regista: "4.º DISTRICTO – VILLA DA PRAIA Comprehende 3 Freguezias: S. Catharina do Cabo da Praia, S. da Penna das Fontinhas e S. Cruz da V.ª da Praia. Está defendida por 10 fortes: 1.º S. Cath.ª p 5 c 18 [5 peças calibre 18]; 2.º S. José p. 3 c 18 2, 24, 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24, 1?]; 3.º S. Caetano p 3 c 18, 2 c 32, 1 [3 pecas calibre 18, 2 do 32, 1?]; 4.º S. Antão p 2 c 18 e 24 [2 peças, 1 calibre 18 e 1 do 24]; 5.º S. João p 2 c 18 [2 peças calibre 18]; 6.º Chagas p 3 c 10, 1 c 18, 2 [3 peças calibre 10, 1 do 18, 2?]; 7.º S. Fran.co; 8.º Luz p 2 c 12 e 24 [2 peças, 1 calibre 12 e 1 do 24]; 9.º Porto p 3 c 12, 18 e 24 [3 peças, 1 calibre 12, 1 do 18 e 1 do 24]; 10º Espírito Santo p 3 c 12 1 c 18, 2 [3 peças calibre 12, 1 do 18, 2?]."

O forte não é expressamente mencionado por DRUMMOND em meados do século XIX, que entretanto refere que, em 1581, no contexto da crise de sucessão de 1580, o então corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, mandou edificar mais 12 fortes "além do de Santa Catarina", na baía da Praia ("Anais da Ilha Terceira"). Estudos arqueeológicos mais recentes, a partir da análise dos materiais empregados na sua construção, confirmam que a sua construção não deve remontar ao século XVI.

A "Relação" do marechal de campo barão de Basto em 1862 localiza-o na vila da Praia da Vitória e informa:

"As muralhas precizão d'algumas reparações; o alojam.to está inabitavel, p. que d'elle só existem as paredes, as quais estão em bom estado; acha-se já approvado o compet.e orçamento, e não tem sido posto em execução por falta de meios pecuniários." (BASTO, 1997:273)

Quando do Tombo de 1881 encontrava-se abandonado há mais de 50 anos e bastante deteriorado, para o que contribuíram os grandes canaviais que o circundavam por três das suas faces. (Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira")

No ano de 1885, ainda segundo documentos de retificação ao tombo anterior, tinha ocorrido a derrocada de parte dos merlões e das canhoneiras.

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que o indica como desaparecido.

Hoje em dia as suas ruínas encontram-se comprendidas na zona industrial do Cabo da Praia, sinalizadas com uma bandeira hasteada.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo, de enquadramento rural, isolado.

Apresentava planta irregular, em alvenaria grossa argamassada, assente sobre barreiras, com uma área de 641 m². Por se encontrar a alguma distância do mar, manteve-se relativamente preservado ao longo dos séculos.

Em seus muros rasgavam-se quatro canhoneiras pelo lado do mar. Pelo de terra, era acedido por uma rampa, que também dava passagem para a Casa da Guarnição e o paiol.

  • Fort of São José do Cabo da Praia

  • Bateria de S. José

  • Fort

  • 1818 (AC)

  • 1819 (AC)



  • Portugal


  • Semiconserved Ruins

  • Monument with no legal protection





  • Ruins

  • 641,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Praia da Vitória



  • Lat: 38 -43' 23''N | Lon: 27 3' 28''W




  • 1831: 5 peças antecarga, de alma lisa, 3 do calibre 18 e 2 do 24.



  • FRUTUOSO - Saudades da Terra



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