Fort of São João

Praia da Vitória, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O "Forte de São João", também referido como "Bateria de São Joáo", localizava-se na freguesia de Santa Cruz, concelho de Praia da Vitória, costa Leste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Erguia-se a Nor-nordeste, aproximadamente a 550 metros do Forte de Santo Antão, cruzando fogos com ele e com o Forte das Chagas.

História

DRUMMOND referiu, acerca da fortificação da Praia no contexto da Crise de Sucessão de 1580: "(...) e dentro da bahia da Praia construiram-se 12 fortes e baluartes, com o que se pôs em inteira defesa; (...)." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 233)

Não consta na "Planta da Bahia da Villa da Praia. para a Intiligencia do Molhe e Projecto do Ill.mo e Ex.mo Sñr. Conde de S. Lourenço Governador e Capitão General das Ilhas Dos Açores" (Angra, 1805).

Não de conhecem referências a esta fortificação anteriores à ação do Capitão-general dos Açores, general Francisco António de Araújo e Azevedo (cf. nota de Manuel Augusto Faria ao tombo do Forte de São João. In: Tombos dos Fortes da Ilha Terceira. p. 137), o que leva a acreditar que tenha sido efetivamente erguido entre 1818 e 1819, por determinação daquele Capitão-general, sob a orientação do Engenheiro Militar José Rodrigo de Almeida (FARIA, s/d), à época coronel de Milícias da Vila da Praia (FARIA, 2000:156), no contexto da crise entre Portugal e Espanha em 1817, suscitada pela ocupação de Montevidéu, na América do Sul.

A "Planta da Bahia da Villa da Praia", desenhada por Francisco Xavier Cordeiro, anexa ao relatório "Muralha na Villa da Praya, para resguardar os edificios da mesma Villa dos estragos do Mar", do 1.º Tenente de Artilheiros António Homem da Costa Noronha, em 17 de agosto de 1827, assinala a "Bataria de S. João", na linha de costa entre a Vila da Praia e a foz da Ribeira de Santo Antão. Uma nota na legenda da planta informa: "As fortificações denominadas das das [sic] Batarias, forão construidas no anno de 1818" (Biblioteca da Ajuda, Ms. Av. 54-XIII-25, n.º 10).

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), teve parte ativa na Batalha da Praia (11 de agosto de 1829) contra as forças de Miguel I de Portugal (1828-1834). Na ocasião encontrava-se sob o comando do artilheiro voluntário José Paulo Machado, natural da vila da Praia, que dispunha de apenas uma peça montada e de uma guarnição de quatro artilheiros de costa, um artilheiro de linha, três caçadores do Batalhão n.º 5 e seis soldados de infantaria, tendo causado extensos danos aos atacantes. (DRUMMOND, 1981:vol. IV) Embora não conste no desenho "Poziçao dos Navios da Esquadra Portuguesa na Bahia da Villa da Praia (Ilha Terceira) no combate do dia 11 de Agosto de 1829" (Biblioteca Nacional de Portugal), está assinalado como "26. Bataria de S. João." na gravura "Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829. / Pelo Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, e augmentada com os nomes das embarcações e forteficações" (c. 1830). Data do mesmo período a carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que lhe regista: "4.º DISTRICTO – VILLA DA PRAIA Comprehende 3 Freguezias: S. Catharina do Cabo da Praia, S. da Penna das Fontinhas e S. Cruz da V.ª da Praia. Está defendida por 10 fortes: 1.º S. Cath.ª p 5 c 18 [5 peças calibre 18]; 2.º S. José p. 3 c 18 2, 24, 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24, 1?]; 3.º S. Caetano p 3 c 18, 2 c 32, 1 [3 pecas calibre 18, 2 do 32, 1?]; 4.º S. Antão p 2 c 18 e 24 [2 peças, 1 calibre 18 e 1 do 24]; 5.º S. João p 2 c 18 [2 peças calibre 18]; 6.º Chagas p 3 c 10, 1 c 18, 2 [3 peças calibre 10, 1 do 18, 2?]; 7.º S. Fran.co; 8.º Luz p 2 c 12 e 24 [2 peças, 1 calibre 12 e 1 do 24]; 9.º Porto p 3 c 12, 18 e 24 [3 peças, 1 calibre 12, 1 do 18 e 1 do 24]; 10º Espírito Santo p 3 c 12 1 c 18, 2 [3 peças calibre 12, 1 do 18, 2?]."

A "Relação" do marechal de campo Barão de Basto em 1862 informa que se encontrava em bom estado (BASTO, 1997:273).

Foi severamente danificado por uma grande intempérie no ano de 1870, que solapando a escarpa em que se assentava, causou-lhe a derrocada parcial dos muros.

Quando do tombo de 1881, foi encontrado em mau estado, aos cuidados de um sargento reformado o qual, como forma de pagamento, ficava com o usufruto do terreno. Parte da sua muralha voltada para o mar já havia desaparecido, vítima da erosão marinha a partir dos grandes temporais de 1870. Por não mais apresentar utilidade militar, foi proposto para arrendamento juntamente com outros fortes da ilha numa relação enviada ao inspetor de engenharia da 5.ª Divisão Militar, no dia 20 de agosto de 1881 (Damião Pego. Tombos dos Fortes da Ilha Terceira).

Fez também parte de uma relação enviada ao Delegado da Comarca da Praia da Vitória em 18 de agosto do mesmo ano (1881), informando a Câmara Municipal da Praia da Vitória que esta deveria cuidar do caminho de aceso ao respectivo forte (Op. cit.).

No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) recebeu plataformas de radar, demolidas no final do século XX.

Esta estrutura não chegou até aos nossos dias.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo.

Em alvenaria de pedra, estava assente sobre uma escarpa rochosa e apresentava planta poligonal irregular, com uma área total de 308,60 m² (forte e dependências). Em seus muros rasgavam-se 4 canhoneiras, guarnecidas por 4 peças de artilharia, 2 montadas sobre carretas pelo lado do mar, e 2 jogando à barbeta, nos vértices.

De acordo com o Tombo dos Fortes da Ilha Terceira, em 1881 possuía uma casa destinada à guarda e um paiol, ambas adossadas pelo exterior, e que apresentavam telhado, tarimbas e portas. O seu recinto era lajeado em cantaria de pedra.

Possuía anexo um terreno de cultivo, para a subsistência da guarnição. Era acedido por um caminho em terras de particulares. Regista-se que, pelo fato do terreno do forte nunca ter sido murado, sempre houve confusão entre as suas terras e as dos particulares, seus vizinhos.

  • Fort of São João

  • Bateria de São João

  • Fort

  • 1818 (AC)

  • 1819 (AC)



  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • 309,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Praia da Vitória



  • Lat: 38 -44' 24''N | Lon: 27 3' 42''W




  • 1829 (agosto): 1 peça antecarga, de alma lisa, montada.
    1831: 2 peças antecarga, de alma lisa, do calibre 18.
    1881: 4 peças antecarga, de alma lisa, 2 montadas sobre carretas pelo lado do mar e 2 jogando à barbeta, nos vértices.






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