Vigia do Facho

Angra do Heroísmo, Região Autónoma dos Açores - Portugal

Pesquisa de Imagens da fortificação

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A "Vigia do Facho" localiza-se na península do Monte Brasil, freguesia da Sé, cidade e concelho de Angra do Heroísmo, costa sul da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Integra o conjunto defensivo da Fortaleza de São João Baptista.

História

Há notícia de que um facho existia desde pelo menos 1583, embora a designação do pico denote a utilização do local para vigia/atalaia e avisos por meio de fogueiras.

O pico, com três sinais semafóricos, encontra-se representado na carta de Luís Teixeira, "Descripçam da Ylha do Bom Ihesu chamado Terceira", de 1587.

Em torno de 1590 FRUTUOSO registou, acerca do Monte Brasil:

(...) em cima dele está uma casa de atalaia, com doze mil réis de mantimento com o facho que vigia todo mar. Neste monte estão dois montõis, ou fachos de pedra e cal, à maneira de África, nos quais assina o atalaia as velas que vêm daquela parte, até três, com bandeiras pequenas por esta ordem: no montão e facho do oriente põem somente o número das bandeiras igual ao dos navios que vêm daquela parte até três, e, passando os navios de três, põem uma bandeira grande de campo, e o mesmo sinal faz no montão e facho do ocidente, quando da mesma parte aparecem os navios; e quando são caravelas pequenas, que servem de umas ilhas pera as outras, arvora as bandeiras mais baixas.” (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 3, p. 12)

Na mesma época, em 1596 LINSCHOTEN (1997) referiu:

Nestes montes estão dois pequenos pilares de pedra, onde fica um guarda para vigiar os navios que se vêem no mar e para avisar os da ilha. Por cada navio que vê aparecer de oeste, de onde vêm os da Índia espanhola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné, da Índia portuguesa e de outras partes de sul e oeste, põe uma bandeira no pilar de oeste, e caso os navios que avista são mais de cinco, põe um estandarte grande, que quer dizer uma frota inteira de navios. Faz o mesmo no pilar que fica a leste para todos os navios que vêm de Portugal ou de outras partes de leste ou norte. Por causa da altura dos montes, estes pilares podem ser vistos facilmente por toda a cidade, pelo que não há navio ou vela que possa aproximar-se da ilha sem que se tenha logo conhecimento em toda a cidade e por toda a ilha, porque não se mantém esta vigia apenas nestes montes no canto da ilha, mas igualmente em todos os outros cantos, montes e outeiros da ilha, de onde quer que se possa ver o mar e mal se avista qualquer coisa, imediatamente são avisados o governador e os outros governantes, para se tomarem todos os cuidados que lhes pareçam necessários.” (Itinerário: Viagem do navegante Jan Huygen van Linschoten às Índias Orientais ou Portuguesas, 1579-1592. p. 337).

Ao longo de sua história, tendo principiado como uma vigia com um facho, o sistema ótico de comunicação evoluiu para um posto de sinais e, no século XIX, no contexto da Guerra Civil (1828-1834) albergou em simultâneo um posto telegráfico visual, para ao fim do conflito voltar a servir apenas como semáforo até à Segunda Guerra Mundial (1939-1945), após o que foi, finalmente, desativado.

A "Plãta da Bahia da cidade d'Angra", desenhada por Francisco Xavier Cordeiro, anexa ao relatório "Molhe no Porto da Cidade d'Angra", do 1.º Tenente de Artilheiros António Homem da Costa Noronha, em 17 de agosto de 1827, assinala o "Castello de S. João Baptista" e as fortificações do Monte Brasil. Também se encontram assinalados no "Pico do Faxo", os locais dos três mastros semafóricos (Biblioteca da Ajuda, Ms. Av. 54-XIII-25, n.º 10a).

Encontra-se compreendido no conjunto da Fortaleza de São João Baptista do Monte Brasil, incluída no Centro Histórico de Angra do Heroísmo, classificada como Património Mundial pela UNESCO.

Além da casa do sinaleiro, abobadada, porta rasgada para a baía e janela para Sul, observam-se no local os restos de antigas estruturas, como por exemplo depósitos para captação de águas pluviais para serviço do sinaleiro e três entalhes de seção quadrada na rocha (de 4 necessários), que poderão indiciar uma instalação de um telégrafos de tábuas (persianas ou palhetas), de Francisco António Ciera, no contexto da Guerra Civl, pelos liberais. O seu alinhamento indicia uma eventual necessidade de comunicar com a esquadra surta no porto e/ou, mais possivelmente, com o Forte de São Sebastião, o lado oposto da baía de Angra, e ainda com os telégrafos de uma linha Angra-Praia. Esta conectava a Vigia do Facho do Monte Brasil, na cidade de Angra, com a Vigia na Ponta do Facho, na vila da Praia, apoiada em vários pontos ao longo da costa sul da ilha, como por exemplo o Pico do Capitão (Porto Martins), o Farol das Contendas (entre a Baía da Salga e a Baía das Mós), o Pico das Cruzes (São Sebastião) e por vezes a Atalaia (Grota do Vale).



 

Bibliografias relacionadas 


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Contribuições

Atualizado em 19/10/2018 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuições com mídias: Carlos Luís M. C. da Cruz (5).


  • Vigia do Facho

  • Facheiro

  • Atalaia

  • 1583 (DC)




  • Portugal


  • Descaracterizada e Bem Conservada

  • Patrimônio Mundial-UNESCO
    Encontra-se compreendido no conjunto da Fortaleza de São João Baptista do Monte Brasil, incluída no Centro Histórico de Angra do Heroísmo, classificada como Património Mundial pela UNESCO.





  • Centro Turístico-Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Região Autónoma dos Açores
    Cidade: Angra do Heroísmo



  • Lat: 38 -39' 25''N | Lon: 27 13' 17''W










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