Fort of Nossa Senhora dos Remédios

Fernando de Noronha, Pernambuco - Brazil

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O “Forte de Nossa Senhora dos Remédios” localiza-se ao norte da ilha de Fernando de Noronha, no arquipélago de mesmo nome, no estado de Pernambuco, no Brasil.

Em posição dominante sobre a vila dos Remédios e o ancoradouro da Baía de Santo Antônio, constituiu-se na principal estrutura de defesa da ilha e do arquipélago.

A ilha e o seu sistema fortificado revestiram-se de importância no apoio às frotas do açúcar e do ouro (1670-1770) que, do Recife e do Rio de Janeiro, navegavam para Lisboa. Com o declínio do preço do primeiro no mercado internacional, e da produção do segundo, o valor estratégico desta posição decaiu, conduzindo ao progressivo abandono do sistema fortificado.

História

Antecedentes

A atual fortificação foi erguida sobre as ruínas de uma antiga posição neerlandesa (GARRIDO, 1940:56), remontando às vésperas da segunda das Invasões neerlandesas do Brasil (1630-1654), abandonada após a capitulação do Campo do Taborda (Recife) em 1654 (ver Fortificações na Ilha de Fernando de Noronha). Dessa primitiva estrutura existe planta ("Planta da fortaleza velha de Fernando de Noronha", s.d.. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa) (IRIA, 1966:64).

O forte setecentista

A ilha foi ocupada por forças da Compagnie française des Indes orientales sob o comando do Capitão Lesquelin, em fins de 1736, desalojadas sem resistência por tropas portuguesas sob o comando do Tenente-coronel João Lobo de Lacerda no ano seguinte (6 de outubro de 1737) (SOUZA, 1885:81). Sobre os remanescentes da antiga posição neerlandesa que defendia o ancoradouro, estas tropas iniciaram a construçã;o do chamado Forte dos Remédios, com projeto do Engenheiro militar Diogo da Silveira Veloso, sob a direção do próprio Tenente-coronel João Lobo de Lacerda. Em alvenaria de pedra e cal, a sua planta apresentava a forma de um polígono irregular com 14 ângulos (9 salientes e 5 reentrantes), 4 edificações ao centro do terrapleno e baterias corridas, à barbeta. Acredita-se seja desse período a planta sem data, intitulada:

"Planta do Forte de Nossa Senhora dos Remédios na ilha de Fernando de Noronha, em um alto bastantemente elevado, em que se acharam vestígios da antiga fortificação; é este sítio todo cortado a pique, e inacessível por toda a parte, com um só passo estreito por onde se sobe a ele; não admite outra forma de fortificação em razão de sua irregularidade; (...) os vestígios que se acharam da fortificação antiga, são de obra mais restrita. Achou-se também neste sítio, um armazém de abóbada subterrâneo, de pólvora, enxuto (...)" (AHU, Lisboa) (IRIA, 1966:64).

A partir de 1739 a ilha passou a ser utilizada como área de degredo e como presídio.

Esta estrutura sofreu obras de ampliação a partir de 1741, quando passou a contar com seis baterias. Em seu terrapleno distribuíam-se os edifícios do Quartel de Comando, Quartel da Tropa, Corpo da Guarda, Arrecadação, Casa da Pólvora, e a cisterna. Ao abrigo das muralhas, distribuíam-se os calabouços, subterrâneos. O conjunto é acessado por um portão monumental, de cantaria (GARRIDO, 1940:56). Encontrava-se guarnecida, à época, por um Capitão e 32 praças, e artilhada com 6 peças dos diferentes calibres (BARRETO, 1958:127). Estas obras encontram-se indicadas em plantas posterior, sem data, onde já figura a torre circular que atualmente domina o conjunto ("Fortaleza de N. Sra. dos Remédios. Escala de 200p". In Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Manuscritos do Brasil, n.º 43, f. 633).

Um mapa inglês da ilha de Fernando de Noronha (Londres, 1793. apud SECCHIN, 1991:10-11), baseado em dados franceses de 1760, assinala o Forte dos Remédios junto à primitiva povoação, constituída pela Casa do Governador, a Capela e Quartéis, dominando a enseada e a praia do Cachorro. A sua defesa era complementada pelo Reduto de Nossa Senhora da Conceição, que lhe era oposto na enseada, e com quem cruzava fogos. Do mesmo período existe também planta, de autoria de José Fernandes Portugal, datada de 1798.

O Período Imperial

À época do Primeiro Reinado (1822-1831), o forte sofreu reparos sob a direção do Capitão João Blasin (1826) (GARRIDO, 1940:56). Durante o Segundo Reinado (1840-1889), foi ampliado no período de 1858-1859 (BARRETO, 1958:127). SOUZA (1885), informa que o Aviso de 14 de fevereiro de 1857 classificou o conjunto das fortificações da ilha como de 1.ª Classe, desligadas do Ministério da Guerra em 3 de novembro de 1877 quando a ilha passou a servir como prisão civil. Ainda assim, à época (1885), atribuiu a esta fortificação 13 peças (op. cit., p. 81). A partir de 1885 foi artilhada com 18 canhões antecarga raiados La Hitte, do calibre 12, que, de acordo com GARRIDO (1940), ainda lá se encontravam à época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em 1915 (op. cit., p. 56).

Do século XX aos nossos dias

O conjunto encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional através do Decreto-Lei 25 de 11 de novembro de 1937. Tendo originalmente abrigado presos comuns, durante o Estado Novo brasileiro (1937–1946) abrigou presos políticos. À época da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) voltou a abrigar guarnição militar.

Homenageado com a emissão de selo postal pela EBCT - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em 1975, sofreu intervenções de restauro ao final do século XX, entre as quais uma nova iluminação, patrocinado pela iniciativa privada.

Em 1987 foi realizado um levantamento arquitetônico da fortaleza, com planta baixa e cortes, dentro do escopo do projeto "Atlas Arqueológico de Fernando de Noronha".

Foi escavado pela equipa do Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, sob a coordenação do arqueólogo Marcos Albuquerque.

O monumento sofreu intervenção de restauro em 1988. Em março de 2010, apresentando sinais de degradação nas muralhas, na capela do forte, no mirante e na parede da casa de pólvora, sofreu nova intervenção, por iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em parceria com a administração da Ilha. O prazo de execução estimado foi de seis meses, a um custo de 300 mil reais. Procedeu-se assim à consolidação das muralhas e das contramuralhas, reerguidos os trechos que haviam desabado e, na capela do forte, efetuada a reconstituição da fachada e da cobertura.

A carta arqueológica da vila dos Remédios foi elaborada em 2002.

Entre 2018 e 2019 o forte sofreu intervenção de conservação e restauro. O contrato do IPHAN previa a aplicação de R$ 10,2 milhões, a serem utilizados para a requalificação total da Fortaleza dos Remédios, com a construção de um novo espaço cultural e turístico, composto por cafés, livrarias e local com exibição permanente de vídeo sobre fortificação (Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios, em Fernando de Noronha, será restaurada. In Arquipélago de Fernando de Noronha, n.º 12, dezembro de 2017, p. 16). Contava então com 22 peças de artilharia, também objeto de intervenção de conservação numa parceria entre o Exército Brasileiro, a Administração de Noronha, o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O monumento encontra-se sob responsabilidade da União, com a administração e a guarda por conta do governo do estado de Pernambuco.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de enquadramento periurbano, na cota de 45 metros acima do nível do mar, sobre uma colina, entre o Porto de Santo Antônio e a Praia do Cachorro.

Apresenta planta poligonal orgânica (adaptada ao terreno em que se inscreve), com uma área de 6.300 m². As suas muralhas apresentam 3 metros de espessura. Em seu interior abrem-se as baterias e dispõem-se as edificações de serviço (Casa do Comandante, Quartel da Tropa, Corpo da Guarda, Casa da Palamenta, capela e calabouços) bem como a cisterna. Inacessível pelo lado do mar, as baterias do forte estão voltadas para o lado de terra, cobrindo a vila. O conjunto é dominado por um cavaleiro, de planta circular.

O acesso é efetuado por um caminho que se inicia numa ponte sobre o Riacho Mulungu (já seco), e percorre o flanco da colina até ao Portão de Armas do forte.



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Arquivo Noronha Santos
Link para o Arquivo Noronha Santos, pertencente ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -IPHAN, que dispõe de uma base de dados sobre os bens culturais tombados nacionalmente, inclusive as fortificações no Brasil. Para encontrar as fortificações, faça uma pesquisa (busca) na seção Livros do Tombo.

http://www.iphan.gov.br/ans/inicial.htm
Forte de Nossa Senhora dos Remédios de Fernando de Noronha
Página da enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de Nossa Senhora dos Remédios de Fernando de Noronha, que se localiza ao norte da ilha de Fernando de Noronha, no arquipélago de mesmo nome, no Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Nossa_Senhora_dos_Rem%C3%A9dios_...
Fortificações na Ilha de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre as fortificações da Ilha de Fernando de Noronha, que se localizam na ilha homônima no oceano Atlântico, em àguas territoriais brasileiras.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortifica%C3%A7%C3%B5es_na_Ilha_de_Fernan...
Forte de Nossa Senhora dos Remédios de Fernando de Noronha
Website Colonial Voyage, em italiano, versando sobre o Forte de Nossa Senhora dos Remédios de Fernando de Noronha, que se localiza na Ilha de Fernando de Noronha, Estado de Pernambuco.

http://www.colonialvoyage.com/viaggi/brazilfernandofortnsdr.html
Fortificações de Pernambuco
Website Pernambuco.com, apresenta informações acerca das seguintes fortificações localizadas no Estado de Pernambuco, Brasil: Forte das Cinco Pontas, Forte do Brum, Forte de São Francisco, Forte de Pau Amarelo, Forte de Orange, Forte Tamandaré, Forte Castelo do Mar e Forte Nossa Senhora dos Remédios.

http://www.pernambuco.com/turismo/fortes.shtml
Forte de Nossa Senhora dos Remédios (Fernando de Noronha)
Página sobre o Forte de Nossa Senhora dos Remédios, na ilha de Fernando de Noronha, Brasil, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1003

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  • Fort of Nossa Senhora dos Remédios

  • Forte dos Remédios

  • Fort

  • 1737 (AC)

  • 1793 (AC)

  • Diogo da Silveira Veloso

  • John V of Portugal

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Patrimônio Histórico Nacional.
    Livro Histórico: Inscrição:333, Data:21-8-1961.
    Nº Processo:0635-T-61.

  • União Federal (Brasil)

  • Governo do Estado de Pernambuco



  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Fernando de Noronha

    BR-363, Fernando de Noronha
    Pernambuco 53990-000


  • Lat: 3 50' 17''S | Lon: 32 24' 37''W




  • Século XVIII: 13 peças antecarga, de alma lisa, dos diferentes calibres.
    1885: 18 canhões raiados La Hitte do calibre 12.
    2019: 22 peças.


  • 1988: intervenção de conservação e restauro;
    2010 (março ): intervenção de conservação e restauro;
    2019: intervenção de conservação e restauro.




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