Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegaignon

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A Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegaignon está localizada na antiga ilha de Serigipe, atual Villegaignon, no interior da baía da Guanabara, hoje cidade (e Estado) do Rio de Janeiro.

Na mesma ilha em que os colonos franceses de Nicholas Durand de Villegaignon haviam erigido o Forte Coligny (1555), arrasado pelos portugueses na campanha de fev-mar/1560, Luís Teixeira assinala o Forte de Vilagalhão (Mapa da Baía do Rio de Janeiro e a cidade de São Sebastião, c. 1573. Biblioteca da Ajuda, Lisboa), posição defensiva erguida provávelmente sobre os alicerces da anterior, francesa. Essa estrutura foi reformada em 1695, por iniciativa do governador do Rio de Janeiro, Sebastião de Castro Caldas (1695-97) (BARRETTO, 1958:222).

Encontra-se assinalado por Andreas Antonius Horaty (Rio di Gennaro, c. século XVIII. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro), como Forte de Villegaignon. Nas narrativas de Chancel de Lagrange sobre a tomada do Rio de Janeiro, em setembro de 1711, comandada pelo corsário francês René Duguay-Trouin, é mencionada o número de sua artilharia: Em uma dessas ilhas, a chamada Villegagnon, [...] existe um respeitável forte, armado com vinte bocas de fogo, dentre os quais duas de 56 (LAGRANGE, 1967:57).

Sob o fogo da artilharia dos navios do corsário francês, o seu paiol foi atingido, e a explosão resultante destruiu a estrutura (SOUZA, 1885:106). A estrutura deve ter sido recuperada ou mantida operacional, pois consta em planta de 1730 (Planta do Forte do Villegaignon na enseada do Rio de Janeiro, 1730. AHU, Lisboa) (IRIA, 1966:75).

Uma nova fortificação, de maiores dimensões, foi iniciada em 1761 por determinação do governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade (1733-63), sob a invocação de São Francisco Xavier. Para comportá-la, foi demolido o morro das Palmeiras, sendo empregue nos trabalhos da fortaleza a mão-de-obra de 50 quilombolas capturados no sertão de Goiás (SOUZA, 1885:107; GARRIDO, 1940:115). Novas obras foram propostas pelo Brigadeiro Engenheiro Jacques Funck (Planta das obras novamente propostas ao Forte do Vilagalhão, c. 1767. AHU, Lisboa) (IRIA, 1966:77). O "Relatório do Marquês de Lavradio, Vice-Rei do Rio de Janeiro, entregando o Governo a Luiz de Vasconcellos e Souza, que o sucedeu no vice-reinado", datado do Rio de Janeiro em 19/jun/1779, informa:

Ao mesmo tempo passei a fortificar a ilha de Villegaignon, aonde não havia mais que um pequeno e mal construído reduto, dentro do qual não se tinha feito lugar para recolher quatro barris de pólvora: esta estava em um mau telheiro da ilha, fora dos muros do reduto; alí estavam também uma casas de pau a pique e telha vã, que servia de armazém para recolher as munições e de quartéis para a tropa, as quais ainda V. Exa. as verá, observando que os que estão melhor construídos são os que eu fiz de novo, para poderem servir enquanto não se acabaram os da fortaleza. Era aquela ilha cheia de serras com bastante altura, umas de pedra, outras de piçarro, e algumas de terra, as quais encobriam a maior parte das praias da ilha que ficavam da banda da terra, de sorte que o inimigo podia desembarcar, sem que do reduto se lhe pudesse fazer dano, e fazer-se senhor de todos os armazéns, quartéis e munições, sem ser praticável nenhuma resistência, o que bastaria para se entregar o reduto, sem custar aos inimigos o trabalho de um tiro de espingarda. Mandei arrasar todas aquelas serras, puxei a fortaleza aquela extensão e regularidade que devera ter, construí dentro dela os quartéis e armazéns, corpos de guarda, depósito de pólvora, e tudo o mais de que ela precisava; separei a fortaleza por um fosso, ou abertura que lhe fiz; este ainda não se acha de todo concluído, assim como a cisterna, em que atualmente se trabalha. Esta mesma fortaleza ainda precisa do benefício de V. Exa., porque os parapeitos não estão acabados, e falta-lhe algumas outras pequenas coisas, que dentro em muito breve se podem concluir." (p. 426-427) (RIHGB, Tomo IV, 1842. p. 409-486).

No contexto da Devassa sobre a Inconfidência Mineira (1789-92), à ilha de Villegaignon foi recolhido José Alves Maciel (Bacharel em Filosofia Natural, hoje Engenharia de Minas e Metalurgia), degredado para o interior de Angola (JARDIM, 1989:147).

Em 1829, estava armada com 35 canhões (CASTRO, 2009: 297). Durante as agitações do período regencial (1831-40), foi palco da sedição do Major Miguel de Frias e Vasconcelos, que sublevando a guarnição (03/abr/1832), fez prender o seu comandante. Investindo em seguida sobre a Fortaleza de Santa Cruz, sublevou também esta guarnição, de onde retirou uma peça de artilharia com que desembarcou em Botafogo. Acompanhado de pessoas que aderiram ao movimento, alcançou o Campo de Santana, onde políticos o aguardavam para uma proclamação da República. Cercado pelas tropas de Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, que sufoca o movimento, o Major Miguel de Frias foi detido nos calabouços da ilha de Villegaignon (Op. cit., 1940: 115).

O mesmo autor refere que em 1838, a fortaleza encontrava-se guarnecida por um Major, dois 2º Tenentes, um Alferes, um Capelão e 303 praças, estando artilhada com trinta e quatro peças de diferentes calibres (op. cit., p. 115). Foi transferida para o Ministério da Marinha (1863), sendo guarnecida pelo Corpo de Imperiais Marinheiros (1880), quando sua artilharia era composta de cinquenta e quatro peças (Op. cit., 1885: 107). Foi reformada em 1883 (Op. cit., 1958: 223).

Após a Guerra do Paraguai, Vilhegaignon foi armado com pesados canhões Armstrong de carregar pela boca, foram instalados também um Armstrong de 7”(178mm), o eclipse. Esse canhão se abaixava depois do disparo, ficando oculto pelo parapeito. Em 1882, contava com 5 Armstrong de calibre 400 (254 mm), seis de calibre 300 (229 mm), listava o já citadi eclipse (Op. cit., 2009: 299).

No contexto da Revolta da Armada (1893-94), aderiu aos revoltosos a 09/out, trocando tiros quase que diáriamente com a Fortaleza de Santa Cruz, o Forte da Laje, o Forte do Pico e o Forte de Gragoatá. Na madrugada de 01/dez/1893, trocou tiros com o Encouraçado Aquidabã e o Cruzador auxiliar Esperança, quando o primeiro atraía o fogo da fortaleza para proteger a saída do segundo pela barra. Severamente danificada, foi transferida para o Ministério da Guerra (Decreto 1.697 de 25/abr/1894), e devolvida ao Ministério da Marinha (Decreto 1.939, de 15/jan/1895). Procedidos os reparos de que carecia, nela continuou aquartelado o Corpo de Marinheiros Nacionais até que, sendo Ministro da Marinha o Almirante Protógenes Guimarães, se determinou erguer sobre as suas muralhas as novas instalações da Escola Naval, inauguradas a 11/jun/1938 (Op. cit., 1940:116).



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Fortaleza de São Francisco Xavier da ilha de Villegagnon
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre a Fortaleza de São Francisco Xavier da ilha de Villegagnon, também denominada Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Villegagnon, que se localizava no interior da baía de Guanabara, na antiga ilha de Serigipe, atual ilha de Villegagnon, cidade e Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

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  • Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegaignon

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  • Ruins

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  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Rio de Janeiro

    A Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegaignon está localizada na antiga ilha de Serigipe, atual Villegaignon, no interior da baía da Guanabara, hoje cidade (e Estado) do Rio de Janeiro.


  • Lat: 22 54' 53''S | Lon: 43 9' 36''W




  • Em setembro de 1711 estava artilhada com vinte peças de diferentes calibres (LAGRANGE, 1967:57).
    Em 1829, estava armada com 35 canhões (CASTRO, 2009: 297).
    Em 1838 estava artilhada com trinta e quatro peças de diferentes calibres enquanto em 1880, a artilharia da Fortalaleza era composta de cinquenta e quatro peças (SOUZA, 1885:107).
    Após a Guerra do Paraguai, Vilhegaignon foi armado com pesados canhões Armstrong de carregar pela boca, foram instalados também um Armstrong de 7”(178mm), o eclipse. Esse canhão se abaixava depois do disparo, ficando oculto pelo parapeito. Em 1882, contava com 5 Armstrong de calibre 400 (254 mm), seis de calibre 300 (229 mm), listava o já citadi eclipse (Op. cit., 2009: 299).


  • Essa estrutura foi reformada em 1695, por iniciativa do governador do Rio de Janeiro, Sebastião de Castro Caldas (1695-97) (BARRETTO, 1958:222).
    Foi reformada em 1883 (BARRETTO, 1958:223).
    Em 11 de junho de 1938 foi inauguradas as novas instalações da Escola Naval (GARRIDO, 1940:116).




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