Fernando de Noronha Island fortifications

Fernando de Noronha, Pernambuco - Brazil

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As “Fortificações na Ilha de Fernando de Noronha” localizam-se na ilha e arquipélago de Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco, no Brasil.

O arquipélago situa-se abaixo da linha do Equador, a cerca de 345 quilómetros da costa brasileira na altura do estado do Ceará. Composto por diversas ilhas de origem vulcânica, a maior delas, que dá nome ao arquipélago, possui uma área de cerca de 17 quilómetros quadrados.

História

Descoberta e primeiros anos


O arquipélago recebeu o seu nome de Fernão (ou Fernando) de Loronha (ou Noronha) (c. 1470- Lisboa, c. 1540), um cristão-novo, importante comerciante e armador na praça de Lisboa, representante do banqueiro Jakob Fugger na Península Ibérica. Juntamente com outros cristãos-novos portugueses, em 1501 obteve da Coroa um contrato para exploração de pau-brasil, madeira tintureira, renovado até 1511. Possivelmente esteve ligado à expedição de Gonçalo Coelho à costa do Brasil (1501-1502), que retornou a Lisboa com uma grande carga daquela madeira e, sem dúvida, foi um dos financiadores da expedição de 1503-1504. Denominada em 1502 como Ilha de São João (TINÉ, 1969:34), e como Ilha da Quaresma no Planisfério de Cantino (fins de 1502), avistada nesta segunda expedição em 24 de julho de 1503, foi denominada como Ilha de São Lourenço (BUENO, 1998:73). Na ocasião, a 10 de agosto de 1503, a nau capitânia, onde viajava Gonçalo Coelho, naufragou nos recifes que a circundam (BUENO, 1998:55). Os últimos sobreviventes desse naufrágio foram resgatados em 1505 por Binot Paulmier de Gonneville que, no comando do “L’Espoir”, retornava de malsucedida viagem às Índias Orientais (1503-1505) (GONNEVILLE, Binot Paulmier de (1865). "Campagne du navire l´Espoir de Honfleur 1503-1505. Relation authentique du voyage du capitaine de Gonneville ès Nouvelles Terres des Indes. Publiée intégralement pour la première fois avec une introduction et des éclaircissements par M. d´Avezac". Paris, Challamel).

Manuel I de Portugal (1495-1521), a 16 de janeiro de 1504 fez mercê da "ilha de São João" a Fernão de Loronha — cavaleiro da Sua Casa, cristão-novo, grande comerciante e armador — como uma capitania hereditária. Entretanto, embora citando o beneficiado como descobridor da ilha, são incertos tanto o descobridor quanto a data, não sendo seguro que Loronha tenha integrado qualquer das expedições. Outras fontes atribuem a descoberta a Gaspar de Lemos em 1500, ou a Américo Vespúcio em 1503. De qualquer modo, o documento era semelhante aos instituídos no século anterior por Afonso V de Portugal (1438-1481) para a exploração da costa africana, e nele está prevista a primeira disposição para fortificação do Brasil: "(…) e fazer uma fortaleza no [território] descoberto e mantê-la nos ditos três anos [do contrato] (…)." (Cf. carta de Pietro Rondinelli, Sevilha, 3 de outubro de 1502, in AVELLAR, 1976:52).

Embora desconheçamos a carta de doação, o seu teor e data são referidos em Carta Régia de 3 de março de 1522, firmada por João III de Portugal (1521-1557) confirmando a doação (AVELLAR, 1976:67). Posteriormente, outra Carta Régia, datada de 20 de maio de 1557 identifica a localização de “São João” como a ilha Fernando de Noronha (LEITE, 1923:276-278). Nem o donatário, nem os seus sucessores, Fernão Pereira Pestana de Noronha e João Pereira Pestana, respectivamente neto e bisneto do primeiro, fizeram algo para povoar o arquipélago.

Ainda no século XVI a ilha foi visitada por diversos navegantes, dos quais, os melhor conhecidos foram:

- Ulrich Schmidl, aventureiro de origem germânica, que aqui desembarcou em 1534, tendo se demorado algum tempo ("História verdadeira de uma viagem curiosa feita por U. Shmidel", Frankfurt, 1567);

- André Thévet (O.F.M.), francês, em 1556, em viagem de retorno da França Antártica ("Les singularitez de la France Antarctique", Paris, 1557).

- Jean de Léry, missionário calvinista, em 1558 costeou-a em sua viagem de retorno da França Antártica (“Histoire d'un Voyage Faict en la Terre du Brésil, autrement Dite Amérique”, La Rochele, 1578).

- Francis Drake, corsário inglês, abordou-a quando em trânsito para o Oceano Pacífico pelo Estreito de Magalhães, viagem que o levaria a completar a 2ª. circum-navegação do planeta (1577-1580).

O século XVII

No contexto da União Ibérica (1580-1640) a ilha continuou a ser visitada:

- por 15 dias, em julho de 1612, pela expedição francesa que, sob o comando de Daniel de La Touche, Senhor de la Ravardière, estabeleceria na costa do Maranhão a chamada “França Equinocial”. ABBEVILLE (1614) narra que, na ilha, foram encontrados, desterrados, um português e 18 indígenas (ABBEVILLE, Claude d'. “Historie de la mission des pères capucins en l'isle de Maragnan et terres circonvoisines“. Paris.)

- em 1619 por uma expedição portuguesa, que ali desembarca e a descreve.

- em 1626 por neerlandeses que ali escalaram para obter refrescos.

Foi neste contexto que se registou a primeira tentativa de fixação em Fernando de Noronha. Em dezembro de 1629 dois navios da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (WIC) – o “Otter” e o “Hawick” –, sob o comando do capitão Cornelie Corneliszoon Jol, o “Perna de Pau” (1630 cf. GARRIDO, 1940:56; "Capitão Miranda Cornelle" cf. BARRETTO, 1958:124, 127), às vésperas da invasão da capitania de Pernambuco (fevereiro de 1630), aportaram à ilha e aí ergueram uma pequena bateria de campanha artilhada com 8 peças, dominando a baía de Santo António, o seu principal ancoradouro a Nor-nordeste. Ciente do fato, o Superintendente da Guerra da capitania de Pernambuco, Matias de Albuquerque (c. 1590-1647), expediu uma flotilha de sete caravelões com tropas sob o comando de Rui Calaza Borges e do capitão Pedro Teixeira, que surpreendeu e expulsou a guarnição neerlandesa em janeiro de 1630 (DONATO, Hernâni (1996). Dicionário das batalhas brasileiras (2.ª ed.). São Paulo, Ibrasa, p. 289) Expulsos os invasores, a ilha foi entregue ao Mestre-de-Campo português Francisco Figueiredo, permanecendo despovoada.

Com a queda do Arraial Velho do Bom Jesus e do cabo de Santo Agostinho, os neerlandeses retornaram em 1635, reforçando posteriormente a artilharia do antigo reduto (1646), e retirando-se somente após a capitulação em Recife (1654).

Em ambos os períodos de ocupação, os neerlandeses erigiram outras pequenas estruturas de fortificação na ilha, mas tanto estas, como o Reduto da Baía de Santo António permaneceram abandonados após 1654, arruinando-se naturalmente (BARRETTO, 1958:124).

Durante o segundo período de ocupação, a ilha esteve arrendada pela WIC a Michel de Pavw. No Diário da rebelião dos portugueses de 1645-1647, há uma referência sobre um navio que partira “do Recife para Fernando de Noronha, levando três mulheres banidas” pelos neerlandeses (COSTA, 1887:67).

Pedro II de Portugal (1683-1706), a 8 de janeiro de 1693 revogou a doação da capitania, mas nada foi feito para povoar a ilha.

Compreendendo a sua importância e a necessidade efetiva de defendê-la, Caetano de Mello e Castro, Governador e Capitão-general da Capitania de Pernambuco (1693-1699), em princípio de 1696 pediu que ela fosse ocupada e fortificada. A Coroa portuguesa atendeu ao pedido e, por Carta Régia de 7 de setembro de 1696 determinou que fossem tomadas as primeiras providencias para o povoamento e fortificação da principal ilha do arquipélago, o que terá sido principiado pelo Governador, com o auxílio da Câmara Municipal do Recife (Decreto n.º 1.371 de 14 de fevereiro de 1891 / PE - Poder Executivo Federal publicado no D.O.U. de 31 de dezembro de 1891. Disponível em: https://www.diariodasleis.com.br/legislacao/federal/182694-declara-que-o-archipelago-de-fernando-de-noronha-continua-a-pertencer-ao-estado-de-pernambuco.html ). Considerada como uma possessão ultramarina insular portuguesa no Atlântico Sul (não pertencia ao Estado do Brasil), pela Carta Régia de 24 de setembro de 1700 o arquipélago foi incorporado à capitania de Pernambuco (Idem).

O século XVIII

As tentativas iniciais para o povoamento não trouxeram frutos palpáveis. Se os mapas neerlandeses de Johannes Vingboons de 1665-1668 e anónimo de 1725-1750, não assinalam presença humana na ilha, a "Carte de la Partie / de l'Ocean vers l'Equateur (…)" de autoria de Philippe Buache, elaborada a partir de 1734 e datada de setembro de 1737, denomina a ilha como "Isle de Fernand de Noronha" e já o faz. Regista os ancoradouros e os dados batimétricos da costa, bem como os possíveis locais de aguada e de culturas, e os únicos traços da presença humana indica-os no local do atual Forte dos Remédios, um "Ancient fort / ruiné" (uma simples cortina com dois baluartes pelo lado de terra) e, no local da atual vila dos Remédios, uma "Croix planteé en 1734", ambos sobre uma ribeira.

O arquipélago foi ocupado em 29 de maio de 1736 por 15 homens da Companhia Francesa das Índias Orientais (“Companhia do Sul de França” cf. Parecer do Conselho Ultramarino de 10 jan. 1737; “Companhia das Índias Orientais Francesas” cf. Carta Régia de 26 de maio de 1737 apud DONATO, 1996:289; “companhia oriental franceza” cf. Decreto n.º 1.371 de 14 fev. 1891), sob o comando do Capitão Lesquelin (“Lasquelin” cf. DONATO, 1996:289; “capitão francês, que chamam João Dansaint”, cf. Parecer do Conselho Ultramarino ao rei, de 10 jan. 1737). Instalaram-se na ilha principal, que denominaram de "île Dauphine" (“Isle Delphine” cf. Carta Régia de 26 de maio de 1737 apud DONATO, 1996:289 e Decreto n.º 1.371 de 14 de fevereiro de 1891).

Ao tomar ciência do fato, André de Melo e Castro, 4.º conde das Galveias, 5.º Vice-rei do Brasil (1735-1749), enviou observadores ao local, que constataram a ocupação, em 28 de setembro de 1736.

O novo Governador e Capitão-General da Capitania de Pernambuco, Henrique Luiz Pereira Freire (1737-1746), nomeado por patente de 23 de março de 1737, a 26 do mesmo mês e ano recebeu Carta Régia para expulsão dos franceses da ilha. 

Outra Carta Régia, de 26 de maio de 1737, ordenou que a ilha fosse “fortificada e cultivada” com objetivo de defender aquele ponto estratégico da costa brasileira das investidas estrangeiras (COSTA, 2009:136).

Tendo chegado ao Recife a 18 de agosto, e tomado posse a 24 do mesmo mês e ano (GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos (1908). Diccionario chorographico, historico e estatistico de Pernambuco (4 vols.). Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, v. I, p. 3; v. II, pp. 193-194), Freire enviou uma expedição preparada pelo conde das Galveiras, de 9 embarcações, em que entraram 5 navios de guerra, para desalojar os franceses e povoá-la, fazendo nela a fortificação necessária (Parecer do Concelho Ultramarino de 16 set. 1738). Tendo partido de Pernambuco a 6 de outubro de 1637, o efetivo português, de 250 homens sob o comando do Tenente-coronel João Lobo de Lacerda, capturou os intrusos sem resistência, conforme relatado em Carta Régia de 26 de maio e 1737 (DONATO, Hernâni (1996). Dicionário das batalhas brasileiras (2.ª ed.). São Paulo, Ibrasa, p. 289). Tendo dado início à fortificação da ilha, a expedição retornou a Recife a 11 de julho de 1738. Datam desse período as plantas da "Fortaleza Velha" e dos fortes dos Remédios, da Conceição, e de Santo António, cujas obras ficaram a cargo de Diogo da Silveira Veloso, “Tenente de Mestre de Campo General com exercicio de Engenheyro na praça de Pernambuco” e António de Brito Gramacho (Relação dos Serviços de António de Brito Gramacho, Arquivo Histórico Ultramarino, cota: AHU_CU_BAHIA, Cx. 71, D. 5957), "(...) que foy sargento mor engenheiro na cidade da Bahia, e veyo por ordem del Rey a ilha de Fernão de Noronha delinear as fortificaçoes da dita Praça." (COUTO, D. Domingos do Loreto (1904). Desaggravos do Brasil e Glorias de Pernambuco. Rio de Janeiro. Officina Typographica da Bitoliotheca Nacional, p. 386)

Para efetivar o povoamento, Lobo de Lacerda organizou em 1739 o governo militar e econômico da ilha, desde então designada Presídio de Fernando de Noronha (Decreto n.º 1.371 de 14 fev. 1891). 

Essas obras foram ampliadas a partir de 1741 (SOUZA, 1885:81; GARRIDO, 1940:54-55; BARRETTO, 1958:124-125), momento em que chegavam à ilha os primeiros sentenciados militares, desterrados e condenados a galés (COSTA, 2009, p. 136), indivíduos que constituíram a mão-de-obra para as obras civis, religiosas, de fortificação e o sistema viário que interligava as vilas e os fortes.

Em 1755 o armamento existente nas fortificações da ilha constava de 54 peças dos diversos calibres e uma guarnição de 19 oficiais e 194 praças (BARRETO, 1958:44).

O "Mappa da Jlha de Fernando de Noronha: situada em 3 graos 5 minutos de latitude do Sul e 351, de longetude osidental demostrada com todos os portos de sua circunferencia e depois com a sua prespectiua", anónimo, de 1763 já indica 6 fortes: na ilha de São José, na ponta de Santo Antônio, "G. O Morro da Fortaleza dos Remédios", "M. Fortaleza da Comceiçam", "T. O Morro da Fortaleza dos dois Irmãos" (S. João Batista), e na Ponta do Sueste (S. Joaquim).

COSTA (1887) refere que, ao final do século XVIII, o presídio de Fernando de Noronha já possuía cinco fortificações regulares, com cinquenta e quatro canhões, e a guarnição contava com 213 praças, sendo 19 oficiais, 144 soldados, 20 artilheiros e 30 índios (Op. cit, p. 26).

O século XIX

No contexto da Revolução Pernambucana (1817), os revoltosos enviaram o Capitão José de Barros Falcão de Lacerda à ilha, com a missão de arrasar os fortes que a defendiam, e de trazer a guarnição que a ocupava, bem como o arquivo militar, de volta a Pernambuco. Com a missão cumprida, ao retornar, aquele oficial foi detido como rebelde na baía da Traição, e desde então desconhece-se o paradeiro do arquivo militar da ilha (CARNEIRO, 1922:46).

Como a maior parte dos soldados e dos condenados enviados para a ilha vinha do Estado do Brasil, com a Independência (1822), o novo país reclamou para si o arquipélago, continuando a remeter para ali os mesmos grupos de pessoas.

Finda a Guerra da independência (1822-1824), a administração da ilha passou a subordinar-se ao Ministério da Guerra (1824), que a utilizou como Presídio Militar (BARRETTO, 1958:125).

Em 1844 foram desterrados para ilha revolucionários da Revolução Farroupilha (1835-1845).

Durante a Insurreição Praieira (1848), serviu como prisão política, conforme a "Relação dos Cidadãos desterrados no Presídio de Fernando de Noronha (…) mandados voltar para Pernanbuco em data de 19 de julho [de 1849?]" (MELLO, 1978:238-239). O Aviso Ministerial de 14 de fevereiro de 1857 classificou o conjunto de fortificações da ilha como de 1.ª Classe (SOUZA, 1885:81).

Em 1877 o presídio deixou de ser tutelado pelo Ministério da Guerra:

Que, em virtude do art. 3º, paragrapho unico, n. 2 da lei n. 2792 de 20 de outubro de 1877, deixou de ser a ilha de Fernando de Noronha um presidio militar, reconhecendo o legislador a desnecessidade de continuar a pratica, aliás não autorizada por lei, de mandar para alli réos de crimes militares, condemnados a galés ou trabalhos forçados, visto não proseguirem as obras de fortificação em que dantes eram empregados, e já está revogado o decreto n. 3413 de 11 de fevereiro de 1865;” (Decreto n.º 1.371 de 14 de fevereiro de 1891).

Embora os avanços da artilharia e da guerra naval tivessem tornado obsoletas as antigas fortificações, o sistema fortificado de Fernando de Noronha era então composto por dez estruturas:

- Forte de Nossa Senhora dos Remédios;

- Reduto de Nossa Senhora da Conceição;

- Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico;

- Reduto de Santana;

- Reduto de Santo Antônio;

- Reduto de São João Batista;

- Reduto de São Joaquim;

- Reduto de São José do Morro;

- Reduto de São Pedro da Praia do Boldró; e

- Reduto do Bom Jesus;

Não se considerando o, há muito desparecido:

- Fortim da Praia da Atalaia.

A ilha passou à disposição do Ministério da Justiça pelo Decreto de 3 de novembro de 1877 (SOUZA, 1885:81), que designou diretores de presídio civis para governá-la.

No início da Primeira República Brasileira (1889-1930) em 1890 foram desterrados para a ilha capoeiristas do Brasil, considerados "desordeiros". O arquipélago foi devolvido à jurisdição de Pernambuco, por insistência de Henrique Pereira de Lucena, barão de Lucena (Decreto n.° 1.371 de 14 de fevereiro de 1891) (CARNEIRO, 1922:46), tornando-se colônia penal de Pernambuco após 1897.

O século XX

A repressão à Intentona Comunista (1935) permitiu que o Congresso Nacional decretasse o Estado de Guerra no país, preparou o caminho para que Getúlio Vargas decretasse o Estado Novo em 1937, e conduziu para a ilha 600 prisioneiros políticos, mantendo o presídio em atividade até à criação do Território de Fernando de Noronha.

No auge da batalha pelo Atlântico durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a 22 de maio de 1942, um bombardeiro North American B-25B Mitchell do Agrupamento de Aviões baseado em Fortaleza (CE), em voo de treino de patrulha sobre a área, com uma tripulação mista brasileira e estadunidense sob o comando do capitão-aviador Parreiras Horta da Força Aérea Brasileira (FAB), realizou o primeiro ataque de uma aeronave da FAB a um submarino alemão. Pelas 14h00, nas águas do arquipélago, identificou o submarino navegando à superfície. Procedeu o reconhecimento, sendo alvo das armas antiaéreas da embarcação. Embora não havendo estado de guerra, uma vez atacado, o avião lançou as suas bombas ao redor do submersível. Sem mais bombas, e diante do forte fogo disparado pela embarcação, o B-25B retornou à base. A 27 ocorreram mais dois encontros similares. (DONATO, Hernâni (1996). Dicionário das batalhas brasileiras (2.ª ed.). São Paulo, Ibrasa, p. 289)

A criação do Território de Fernando de Noronha (Decreto-lei de 9 de julho de 1942) testemunhou que o arquipélago voltava a revestir-se de importância estratégica no Atlântico Sul, uma vez que proporcionava:

- Suporte logístico para as patrulhas antissubmarinos da FAB e da USAF;

- Suporte logístico para as embarcações de apoio aéreo da US Navy quando da invasão da Normandia (junho de 1944);

- Apoio técnico aos sistemas de cabos submarinos que ligavam o subcontinente sul-americano (Recife) ao continente africano (Dakar), operados pela Western Telegraph Company, inglesa, e pela Italcable, italiana, esta última sob intervenção brasileira após a declaração de guerra do país ao Eixo;

- Defesa desse território insular brasileiro contra uma possível agressão.

A instituição penal foi transferida para a Ilha Grande, no litoral do estado do Rio de Janeiro, e os prisioneiros políticos deram lugar ao Destacamento Misto de Fernando de Noronha, com um efetivo de 3.000 homens sob o comando de um General de Brigada (BARRETTO, 1958:125). O apoio logístico (suprimentos quinzenais de gêneros e munições, rendição de tropa) foi efetuado pelo “N/M Tupyara”, do Lloyd Brasileiro, e posteriormente pelo “SS Itapuhy”, da Companhia Nacional Costeira.

Nesse período, diversas baterias de artilharia de campanha foram construídas, destacando-se:

- Bateria Antiaérea no Morro do Curral

- Base estadunidense no Sueste

- Baterias Antiaéreas na vila da Quixaba

- Baterias da Baía dos Golfinhos

- Baterias da Baía dos Porcos

- Baterias da Floresta Velha

- Baterias do Moro do Cume / Vila do Trinta

- Baterias da Ponta das Caracas

- Material bélico diverso

- Diversos "Quonset hut" (barracões "Quonset")

Ao término do conflito essas posições foram desativadas, bem como o Destacamento dissolvido, permanecendo o arquipélago aos cuidados de uma pequena guarnição, cujo comandante acumulou as funções de governador do Território.

De 1942 a 1988, a ilha foi administrada por militares: o Exército, até 1981; a Aeronáutica, até 1986; e o EMFA, até 1987. Ainda como território federal passou para o MINTER, tendo o seu único Governador Civil.

No contexto da Guerra Fria, um acordo assinado entre os EUA e o Brasil permitiu que fosse instalada em Fernando de Noronha um Posto de Observação de Mísseis Teleguiados (21 de janeiro de 1957). Para esse fim foram instalados “Quosen huts no Boldró com a função de abrigo e operação dos equipamentos e instalações de pessoal. Essa estação foi desativada em 1965.

Administrado pelo Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), no início de 1986 iniciou-se a exploração turística do arquipélago. O projeto previa o desenvolvimento de uma infraestrutura de sustentação de um complexo turístico, ampliando-se o aeroporto local, implantando-se rede de saneamento básico, ampliando-se a rede de apenas 4 quilómetros de estradas, modernizando-se a rede de distribuição de energia elétrica e construindo-se uma usina de dessalinização de água do mar. Pensava-se ainda na construção de um hotel de luxo, na possível implantação de um cassino, ou mesmo de uma zona de livre comércio, onde produtos importados pudessem ser comercializados isentos do imposto de importação. Concretamente, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho de 1986), o arquipélago foi declarado como Área de Proteção Ambiental (APA), permitindo-se a exploração turística racional do local, de forma a preservar o seu ecossistema, cujo foco é a vida marinha.

Em 1988 foi criado o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, coexistindo, no espaço de 26 km², o PARNAMAR/FN e a Área de Proteção Ambiental estadual. Pela Constituição daquele ano, o arquipélago foi reintegrado ao estado de Pernambuco, tornando-se Distrito Estadual, dirigido por um administrador indicado pelo governador do estado.

O século XXI

O arquipélago foi classificado como "Sítio do Patrimônio Mundial Natural" pela UNESCO em 13 de dezembro de 2001.

Em 2017 o Conjunto Histórico de Fernando de Noronha foi tombado pelo IPHAN e declarado Patrimônio Cultural do Brasil, incluindo as fortificações, o conjunto urbano da Vila dos Remédios, a Vila da Quixabá, a Capela de São Pedro dos Pescadores e o prédio da Air France.

Bibliografia

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COSTA, Francisco Augusto Pereira da (1887). A ilha de Fernando de Noronha; notícia histórica, geográfica e econômica. Pernambuco: M. Figueiroa de Faria.

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LEITE, Duarte (1923). "O Mais antigo mapa do Brasil" in História da Colonização Portuguesa do Brasil, vol. 2, pp. 221–281.

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Fortificações na Ilha de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre as fortificações da Ilha de Fernando de Noronha, que se localizam na ilha homônima no oceano Atlântico, em àguas territoriais brasileiras.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortifica%C3%A7%C3%B5es_na_Ilha_de_Fernan...
Fortim da Praia da Atalaia de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Fortim da Praia da Atalaia de Fernando de Noronha, que se localizava na ilha de Fernando de Noronha, no arquipélago de mesmo nome, no Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortim_da_Praia_da_Atalaia_de_Fernando_de...
Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico de Fernando de Noronha, também referido simplesmente como Fortim do Pico, que se localizava na ilha de Fernando de Noronha, no arquipélago de mesmo nome, no Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Reduto_de_Santa_Cruz_do_Morro_do_Pico_de_...
Reduto de Santana de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Reduto de Santana de Fernando de Noronha, também referido como Parque de Santana ou Reduto do Armazém, que se localizava na ilha de Fernando de Noronha, no arquipélago de mesmo nome, no Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Reduto_de_Santana_de_Fernando_de_Noronha
Fortificações de Fernando de Noronha
Website versando sobre as fortificações de Fernando de Noronha, que pertence ao Estado de Pernambuco.

http://www.historiadomar.com.br/fortalezas_01_01.htm

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Contribution

Updated at 17/01/2021 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz, Ion Cibotari.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (7), Roberto Tonera (1).


  • Fernando de Noronha Island fortifications


  • Fortifications Group

  • 1629 (AC)

  • 1965 (AC)



  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved

  • UNESCO World Heritage
    National Protection
    State Protection
    Em 1988 foi criado o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, coexistindo, no espaço de 26 km², o PARNAMAR/FN e a Área de Proteção Ambiental estadual.
    O arquipélago foi classificado como "Sítio do Patrimônio Mundial Natural" pela UNESCO em 13 de dezembro de 2001.
    Em 2017 o Conjunto Histórico de Fernando de Noronha foi tombado pelo IPHAN e declarado Patrimônio Cultural do Brasil, incluindo as fortificações, o conjunto urbano da Vila dos Remédios, a Vila da Quixabá, a Capela de São Pedro dos Pescadores e o prédio da Air France.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Fernando de Noronha

    Ilha de Fernando de Noronha.


  • Lat: 3 51' 26''S | Lon: 32 25' 41''W










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