Fort of Nossa Senhora da Conceição

Guajará Mirim, Rondônia - Brazil

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O "Forte de Nossa Senhora da Conceição" localizava-se no atual município de Costa Marques, no estado de Rondônia, no Brasil.

Hoje desaparecido, situava-se na margem direita do rio Guaporé, a cerca de dois quilómetros a jusante do Real Forte Príncipe da Beira, na fronteira com a atual Bolívia.

História

Antecedentes: a Guarda de Santa Rosa

Quando da criação da Capitania do Mato Grosso (1748), as instruções da Coroa portuguesa para o seu primeiro Governador e Capitão General, Antônio Rolim de Moura Tavares (1751-1764), foram as de que mantivesse - a qualquer custo - a ocupação da margem direita do rio Guaporé, referida como "a chave do sertão" do Mato Grosso, ameaçado por incursões espanholas e indígenas, oriundas das reduções jesuíticas instaladas à margem esquerda desse rio desde 1743: Sant'Ana, São Miguel e Santa Rosa. Esta última tem a sua fundação atribuída ao padre Atanázio Teodori (BORZACOV, 1981:67).

Tendo tomado as primeiras providências para a defesa da Capitania e atendido as necessidades requeridas pelas demarcações do Tratado de Madrid (1750), o governador Moura Tavares desceu o rio Guaporé e desalojou a redução espanhola (fortim) de Santa Rosa, que nesse ínterim, diante da notícia da assinatura do Tratado, havia se deslocado para a margem direita do rio. No local, Moura Tavares instalou um pequeno posto de vigilância, a Guarda de Santa Rosa (1753) (BORZACOV, 1981:67), também referida como “Santa Rosa Velha”.

Em represália, cerca de 200 índigenas e alguns jesuítas espanhóis, sob o comando do Padre Laines, contra-atacaram essa Guarda (1754), o que gerou vivos protestos do Governador português, por carta de 17 de junho de 1754 ao Vice-diretor das Missões espanholas, Padre Nicolau Altogrado e, sem que tivesse tido resposta, a novo protesto, solene, a 3 de dezembro desse mesmo ano (s.a., 1983:10).

Do Presídio ao Forte de Nossa Senhora da Conceição

A partir de então, Rolim de Moura estabeleceu um posto militar em Pedras Negras, procurando militarizar o rio Guaporé, a fim de impedir o estabelecimento dos espanhóis em território português.

Em 1759 (ou 1760 segundo outras fontes), uma nova tentativa de recuperar a margem direita do Guaporé levou forças espanholas a incursionar sobre a posição portuguesa em Santa Rosa Velha, a cuja defesa Moura Tavares acorreu novamente, com forças de Vila Bela. Nesse contexto, a fortificação de Santa Rosa Velha foi transformada em um fortim, com planta no formato pentagonal (BORZACOV, 1981:67). Denominado de Presídio de Nossa Senhora da Conceição, certamente erguido em faxina e terra, era cercado por uma paliçada de madeira e, em poucos anos, encontrava-se em ruínas, diante as renovadas incursões espanholas, entre as quais se sobressaiu a de abril de 1762. Na ocasião, forças espanholas (800 ou 1.200 homens conforme as fontes), em 40 canoas pelo rio Itonamas, atacaram o forte, guarnecido com cerca de 200 homens, levando o Governador Moura Tavares a retirar-se com seu efetivo, em busca de reforços e suprimentos para desalojar os espanhóis. Para esse fim, Moura Tavares equipou a sua flotilha fluvial de canoas com artilharia leve, solicitando auxílio a Cuiabá, a Vila Boa de Goiás e a Belém do Pará. Suspeitando que a intenção dos espanhóis era a de lhe cortar as comunicações (e suprimentos) de Vila Bela, determinou que um pequeno efetivo de 20 homens, sob o comando do tenente de Dragões Francisco Xavier Tejo, subisse o curso do rio Baurés, atingindo a Missão de San Miguel. Ali foram capturados os padres Juan Romariz e Francisco Espino, rendendo-se com eles um contingente de 600 a 700 indígenas, sem resistência. Daí, o pelotão português partiu para Vila Bela, em busca dos reforços e dos víveres necessários. Com eles, Moura Tavares voltou ao ataque, conseguindo ultrapassar a primeira paliçada do forte, sendo rechaçado na segunda. Após uma hora e meia de combate encarniçado de parte a parte, os portugueses foram vitoriosos, tendo sofrido apenas 24 baixas contra mais de uma centena pelo lado espanhol (BORZACOV, 1981:68).

Moura Tavares foi sucedido no Governo da Capitania pelo seu sobrinho, João Pedro da Câmara (1764-1769). Aproveitando o momento da sucessão, os espanhóis reabriram as hostilidades, concentrando um efetivo considerável (4200 homens segundo o historiador matogrossense Estevão de Mendonça, 8000 segundo João Severiano da Fonseca, cf. OLIVEIRA, 1968:756) às margens do rio Guaporé (outubro de 1765), sob o comando de D. Juan de Pestaña (governador da Real Audiência de Charcas no Alto Peru, atual Sucre na Bolívia, ou da Real Audiência de la Plata) (GARRIDO, 1940:5). Ante a ameaça, o novo governador português solicitou reforços ao Pará, alertou o Capitão-mor de Cuiabá, e guarneceu o sítio das Pedras com 40 homens, reforçando as defesas do Forte de Nossa Senhora da Conceição (s.a., 1983:11). Neste período a fortificação "tomou forma abaluartada, do sistema Vauban, medindo o corpo principal do forte 40 braças (88 metros) de frente, por 20 (44 metros) de fundo". (OLIVEIRA, 1968:756)

O Forte de Bragança

Novamente arruinada em poucos anos, a estrutura foi reconstruída a partir de 26 de setembro de 1767 (1768 cf. LEVERGER, 1884:360), e rebatizada, em 1769, pelo Governador e Capitão-general Luís Pinto de Sousa Coutinho (1769-1772), como Forte de Bragança (SOUZA, 1885:137).

GARRIDO (1940) cita Antônio Leôncio Pereira Ferraz (Memória sobre as fortificações em Mato Grosso), para complementar-nos as informações sobre o Forte de Bragança:

"(...) a elevou [a fortificação de Nossa Senhora da Conceição, o governador e Capitão General] Antônio Rolim [de Moura Tavares] no mesmo local onde ele destruíra cinco anos antes [1759-5=1754] a missão espanhola de Santa Rosa, situada à margem direita do [rio] Guaporé, em frente à boca do [rio] Itonamas, onde teria havido um entrincheiramento e palissada [Guarda de Santa Rosa], procurando já em 1756 assegurar a posse daquele ponto conquistado com a criação de um distrito militar. Foi construída e armada com material de guerra vindo do Pará pela via fluvial do [rio] Madeira, nada se sabendo quanto a seu primitivo traçado, pois que a primeira noticia que a seu respeito se tem data da época em que nela introduziu modificações um outro Capitão General, João Pedro da Câmara, que lhe deu a forma abaluartada, de sistema Vauban, medindo o corpo principal do forte 40 braças de frente por oitenta de profundidade.

(...) [De acordo com o médico Dr. João] Severiano da Fonseca [(autor da "Viagem ao Redor do Brasil")], que esteve no local das ruínas, quando por ali passou [em 1876] a comissão chefiada pelo Barão de Maracaju [Comissão Demarcadora dos Limites do Brasil com a Bolívia], diz que a cortina do lado de terra media 88 metros [de comprimento] e a muralha tinha de espessura 22 decímetros; as dos flancos conquanto menores, eram mais grossas dois decímetros.
" (op. cit., p. 5-6)

O mesmo autor prossegue, referindo que, em 1768, o Sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros José Matias de Oliveira, condenou, em Relatório, o local em que fora erguido o forte, pela falta de material adequado próximo à construção. O Governador Sousa Coutinho, entretanto, determinou o prosseguimento dos trabalhos, tendo-se gasto 82:803$200 reis no período entre 1769 e 1771, ano em que uma grande enchente do rio Guaporé, causou-lhe estragos consideráveis (op. cit., p. 6).

Em ruínas devido às enchentes regulares na região, o Governador e Capitão-general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, determinou a sua substituição, a partir de 1776, por uma estrutura permanente. (SOUZA, 1885:137) Esta viria a ser o Real Forte Príncipe da Beira, erguido de raiz dois quilómetros a montante, na mesma margem do rio.

BARRETTO (1958) informa que, no local onde se ergueu o antigo Forte da Conceição, existia, à época (1958), uma pista de pouso denominada Fazenda Conceição (op. cit., p. 58).

Bibliografia

BORZACOV, Yêdda Maria Pinheiro. "Forte Príncipe da Beira". apud: Governo de Rondônia/Secretaria de Educação e Cultura. Calendário Cultural 1981/85. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1981. p. 65-72.

LEVERGER, Augusto (Almte.). Apontamentos para o Diccionário Chorografico da Província do Mato Grosso. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVII, Partes I e II, 1884. p. 307-504.

OLIVEIRA, José Lopes de (Cel.). "Fortificações da Amazônia". in: ROCQUE, Carlos (org.). Grande Enciclopédia da Amazônia (6 v.). Belém do Pará, Amazônia Editora Ltda, 1968.

s.a.. Histórico do Real Forte Príncipe da Beira (2.ª ed.). Porto Velho (Brasil): Governo do Estado de Rondônia; Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Turismo; Departamento de Cultura, 1983. 22 p. il.



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Presídio de Nossa Senhora da Conceição
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Presídio de Nossa Senhora da Conceição, que se localizava no atual munícipio de Costa Marques, no Estado de Rondônia, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pres%C3%ADdio_de_Nossa_Senhora_da_Concei%...

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Contribution

Updated at 01/06/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1), Ione Aparecida Martins Castilho Pereira (1).


  • Fort of Nossa Senhora da Conceição

  • Guarda de Santa Rosa, Presídio de Nossa Senhora da Conceição, Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, Forte de Bragança

  • Fort

  • 1764 (AC)



  • Antônio Rolim de Moura Tavares

  • Portugal

  • 1776 (AC)

  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rondônia
    City: Guajará Mirim



  • Lat: 12 24' 46''S | Lon: 64 26' 15''W










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