Fort of Real Fuerza

Havana, Havana - Cuba

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O "Forte de La Real Fuerza" (em castelhano, "Castillo de la Real Fuerza”) localiza-se na cidade de La Habana, na província Ciudad de La Habana, em Cuba.

Considerado um dos expoentes da arquitetura militar do período do domínio colonial espanhol no Caribe, situa-se na “Plaza de Armas”, em pleno centro histórico da cidade. O alto de sua torre é corado pela figura de “La Giraldilla”, ícone de Havana. Em seu interior encontra-se instalado um museu histórico-temático dedicado à história da fortificação, exibindo ainda peças relacionadas com a história da navegação e da construção naval em Cuba.

Integra o conjunto fortificado que, na Praça-forte de Havana, defendia o acesso à sua baía e porto: o Castillo del Morro, a Fortaleza de San Carlos de la Cabaña e o Forte de San Salvador de la Punta. Como elas, encontra-se classificado desde 1982 na Lista do Património da Humanidade pela UNESCO no conjunto da "Ciudad vieja de La Habana y su sistema de fortificaciones".

História

Antecedentes: o "Fuerte de la Fuerza Vieja"

Já em 1537, após o saque da nascente povoação de San Cristóbal de La Habana por um pirata francês, Carlos I de Espanha (1516-1556) havia ordenado erguer uma fortificação com a função de defesa do seu porto. Esta foi edificada entre 1539 e 1540 com a forma de uma torre gótica.

Essa primitiva fortificação, mais tarde conhecida como “Fuerza Vieja”, foi seriamente danificada durante o assalto a Havana pelo corsário francês Jacques de Sores em 1555, e eventualmente veio a ser demolida em 1582.

Situado a cerca 250 metros a oeste do atual Castillo de la Real Fuerza, numa área hoje ocupada pela Capela de Nuestra Señora de Loreto, integrante da Catedral de La Habana, e contígua às ruas de San Ignacio e Tejadillo, escavações arqueológicas ali realizadas em nossos dias colocaram a descoberto grossas bases de muralhas sob as fundações do templo, que acredita-se possam ter pertencido à desaparecida fortificação.

O "Fuerte de La Fuerza Nueva"

Após ter recebido a notícia do saque e destruição da cidade por Jacques de Sores, D. Juana de Austria, regente de Espanha, ordenou a reconstrução de sua defesa.

Desse modo projetou-se a construção de uma nova fortificação, mais ampla e sólida, sendo comissionado para executá-la, em 1556, o engenheiro militar Jerónimo Bustamante de Herrera. Sem que pudesse assumir o cargo, foi indicado para substituí-lo, em janeiro de 1558, o seu colega, Bartolomé Sánchez. Diante do interesse da metrópole na rápida execução da obra, foram enviados de Nova España (atual México), 12.000 pesos, ordenando-se o translado de Sánchez para Havana.

Em fins de 1558 Sánchez já se encontrava em Havana com as ferramentas, os canteiros e oficiais necessários para iniciar os trabalhos, mas sem mão-de-obra que os executasse. O então Governador de Cuba, D. Diego de Mazariegos, comunicou esta dificuldade ao Cabildo e, como resultado, concordou-se em alugar escravos, iniciando-se os trabalhos em 1 de dezembro de 1558.

Para erguer a fortificação, escolheu-se o espaço ocupado pela primitiva praça da cidade, onde se encontravam as casas do Cabildo, do Governador e dos principais vizinhos.

Sánchez fez abrir, a leste do porto, a primeira pedreira que se explorou para extrair a pedra necessária às obras. Do mesmo modo, no canal de entrada da baía, ao pé do maciço de conchas no promontório de El Morro e na escarpa de La Cabaña, se estabeleceram a pedreira e um forno de cal, que figuram em dois mapas da região no último terço do século XVI.

Mas o problema da força de trabalho continuava a ser crítico, e o Cabildo ameaçou multar todos aqueles que não permitisse que os seus escravos acudissem às obras. Aparentemente essa medida solucionou o problema da mão-de-obra, engrossada ainda por prisioneiros franceses, possivelmente piratas, condenados a trabalhos forçados.

Sabemos ainda que, além das dificuldades com a força de trabalho e a falta de recursos financeiros, Sánchez teve problemas com os oficiais envolvidos nos trabalhos, razão pela qual foi destituído em 1560.

Em abril de 1561 foi nomeado para as obras o mestre de cantaria Francisco de Calona para dirigir o projeto que, após quatro anos de iniciado, ainda estava limitado às fundações.

Entre vicissitudes foram sendo erguidas as muralhas da fortificação. As suas obras ainda não estavam concluídas quando o Adelantado da Flórida, D. Pedro Menéndez de Avilés, decidiu que a mesma fosse ocupada por uma guarnição de 200 homens sob o comando do Capitão Baltasar de Barreda, que recebeu instruções para que os soldados trabalhassem quatro horas por dia na abertura do fosso. Mas, logo em seguida, o governador à época, García Osorio, emitiu uma contraordem que levou à detenção de Calona por ter fornecido ferramentas aqueles soldados.

Estes fatos chegaram ao conhecimento de Filipe II de Espanha (1556-1598), que substituiu García Osorio, nomeando em seu lugar, como governador e Capitão-General de Cuba, Menéndez de Avilés. Este manteria a sua função na Flórida e poderia nomear um lugar-tenente para representá-lo na ilha.

Para complicar ainda mais a situação problemática das obras, sucederam-se atos de violência desencadeados pela falta de pagamento aos trabalhadores, no que terá sido o primeiro movimento grevista registado na história de Cuba.

Em 1570, D. Diego de la Ribera, então representante do Adelantado da Flórida, escreveu ao soberano, dando contas do estado das obras: dos quatro baluartes projetados, estava a ponto de concluir-se o do norte, enquanto o “que cae hacia el puerto, se le va cerrando la bóveda”. Por outro lado, haviam-se concluído as canhoneiras com casamatas em todos.

Alguns meses mais tarde, concluiu-se outro baluarte, que foi artilhado com 6 peças trazidas da antiga fortificação, enquanto no baluarte norte se colocavam outras duas.

De la Ribera pediu “(…) que Vuestra Majestad mande proveer de cien negros y de dineros para que esta obra se acabe con brevedad”. Posteriormente, em 1574, comunicou ao soberano que embora não se houvessem interrompido os trabalhos, havia trinta meses que não se efetuavam os pagamentos devidos aos trabalhadores.

Finalmente, depois de tantos contratempos, a que se somou uma epidemia de varíola que causou inúmeras baixas entre os escravos que tinham aprendido o ofício de canteiro, o Governador mandou lavrar a ata onde o notário Gaspar Perea de Barroto deu fé de que “(…) se acabó de cerrar el capialzado de la puerta principal”, e se achavam já fechadas “(…) todas las capillas y bóvedas de los caballeros”. (Ata de conclusão, 27 de abril de 1577.)

O Governador de Cuba Francisco Carreño (1577-1579) ordenou a construção de um pavimento elevado, destinado a casa de comando e quartéis de tropa. Tratava-se de uma edificação que cobria todo o lanço de um cavaleiro a outro, com cerca de 75 metros de comprimento por 16 de largura. Entretanto, Carreño faleceu antes que estivesse habitável (Calona foi acusado do assassinato, a título de vingança, por envenenamento, do Governador).

Enquanto isso, ficou patente que a fortificação era demasiado pequena para uso prático. Também logo se tornou patente que o forte estava muito distante da entrada do canal para que servisse eficazmente como baluarte defensivo do porto. Desse modo, o governador Juan de Tejeda, a partir de 1588 empreendeu-lhe obras na planta elevada, visando adaptá-la a residência dos governadores.

Posteriormente, por iniciativa do então governador Juan Bitrián de Viamonte (1630-1634), no baluarte sudoeste foi erguida uma torre de vigia, de planta circular, em cujo remate se colocou uma figura de bronze, de 107 centímetros de altura, obra do escultor, fundidor e artífice, Jerónimo Martín Pinzón. A peça representa uma mulher em atitude triunfante, semelhante à figura de “La Giralda”, na Catedral de Sevilha. A chamada “La Giraldilla”, símbolo da cidade de Havana, ergue em seu braço direito uma palma (da qual subsiste apenas o tronco) e, no braço esquerdo segura um pendão encimado pela cruz de Calatrava, Ordem à qual o governador pertencia. Uma das explicações mais populares acerca desta figura é a de que seria uma homenagem a Inés de Bobadilla y Peñalosa, primeira e única mulher a governar Havana (1539-1543), que assumiu as funções de seu marido, Hernando de Soto, quando aquele empreendeu uma expedição à Flórida. Ela passou muitos anos a escrutinar o horizonte em busca de sinais do retorno do marido, que, sem que ela o tivesse vindo a saber, falecera. A figura tornou-se o símbolo da cidade de Havana, o original conserva-se no Museu da Cidade, nas dependências do forte, enquanto uma réplica se encontra na antiga torre de vigia. Em 1706 foi colocado no alto da torre um sino.

No contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), suportou estoicamente o castigo que lhe foi imposto pela artilharia inglesa instalada no alto de La Cabaña (1762), tendo funcionado, com o Castillo de El Morro, como um dos principais baluartes da resistência espanhola.

Quando a Coroa Espanhola retomou o domínio da cidade (1763), este forte serviu como quartel de tropas.

Mais tarde, outros Governadores fizeram alterações no conjunto, como por exemplo, a fachada da fortificação foi demolida em 1851 para permitir que a rua O'Reilly seguisse até às docas e impedir que o forte sombreasse “El Templete”, que foi completado em 1828.

Durante a Guerra dos Dez Anos (1868-1878), o forte serviu como quartel do “Cuerpo de Voluntarios de La Habana”.

Em 1899 o governo interventor dos Estados Unidos ordenou transladar o Archivo Nacional para este forte, onde esteve até 1906. Aqui foi fundada, em 1901 a Biblioteca Nacional de Cuba (Biblioteca Nacional José Martí). A partir de 1906 foi utilizado como quartel da “Guardia Rural” e, desde 1909, foi ocupado pelo comando desse corpo. O Estado-maior do Exército foi usufrutuário do imóvel até 1934 e, no ano seguinte (1935), ali se instalou o “Batallón Número Uno de Artillería del Regimiento Siete, Máximo Gómez”.

Entre 1938 e 1957, o forte albergou a Biblioteca Nacional, quando ambos foram transferidos para uma biblioteca construída para o efeito na atual Plaza de la Revolución.

Após a Revolução Cubana (1959), a planta elevada do forte sediou os escritórios da Comissão Nacional de Monumentos e o Centro de Preservação, Restauração e Museologia, enquanto a planta baixa, por um breve período, abrigou um Museu de Armaria. Mas as condições em que o imóvel se encontrava não eram condizentes com a preservação do acervo exposto.

Em 1977, nas comemorações do 4.º Centenário da sua conclusão, o imóvel foi reinaugurado, requalificado como museu, expondo coleções de arte contemporânea, Cubana e internacional.

Como parte do centro histórico de “Habana Vieja”, a fortificação integra a Lista do Património Mundial, condição concedida na 6.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Convenção do Património Mundial, Cultural e Natural celebrada na sede da UNESCO em Paris, entre os dias 13 e 17 de dezembro de 1982.

A partir de 1990 tornou-se no Museo Nacional de la Cerámica, função que exerceu até 2005.

Após uma extensa intervenção de restauração, promovida pela Oficina del Historiador de la Ciudad e outras instituições, em 2008 foi inaugurado nas dependências da fortificação um museu histórico-naval. Nele se destaca uma sala monográfica onde se encontra uma maquete do forte à escala de 1:100, ilustrativa da sua evolução construtiva, basada em uma planta de 1691 da Praça de Armas e arredores. O acervo do museu conta ainda com peças dos séculos XVI a XVIII trazidas à luz pelas escavações arqueológicas no recinto do forte, peças de arqueologia subaquática, a escultura original de “La Giraldilla”, peças ilustrativas da navegação na área das Caraíbas desde o período pré-colombiano, com ênfase na história da construção naval na ilha a partir do século XVII, instrumentos de navegação, e diversos modelos navais, como os do transatlântico espanhol “Juan Sebastián Elcano” (1926) e do “Santísima Trinidad”, lançado ao mar pelo “Real Astillero de La Habana” em 2 de março de 1769, apelidado de “El Escorial de los Mares”. Estava artilhado com 140 canhões distribuídos em quatro conveses de armas. Foi uma das quatro embarcações construídas em Cuba, em ação na Batalha de Trafalgar em 1805.

Características

No lado ocidental do porto de Havana, o forte apresenta planta quadrangular com pouco mais de 30 metros de lado, com baluartes triangulares nos vértices, tendo sido utilizada em sua construção pedra calcária extraída da costa de Havana. Os muros em cantaria apresentam seis metros de largura e dez de altura, com cobertas terraplenadas sobre abóbadas de canhão, circundados por um amplo fosso, transposto por uma ponte levadiça que acedia o Portão de Armas.

Acerca dos seus defeitos construtivos relacionaram-se: a praça de armas de pequenas dimensões, as canhoneiras demasiado abertas nos baluartes, abóbadas altas e delgadas, ausência de escadas para aceder ao piso superior, fosso pouco profundo, limitado alcance da artilharia.

Bibliografia

Arjona, Marta y otros. Fortificaciones coloniales de la ciudad de La Habana. La Habana: Ministerio de Cultura, 1982.

Blanes, Tamara. "Las fortificaciones coloniales de la ciudad de La Habana", Arquitectura Cuba, 370: 55-61, La Habana, 1988.

Cuevas Toraya, Juan de las. 500 años de construcciones en Cuba. La Habana: D.V. Chavín, Servicios Gráficos y Editoriales S.L., 2001.

Pérez Guzmán, Francisco. La Habana, clave de un imperio. La Habana: Ed. Ciencias Sociales, 1997.

Weiss Sánchez, Joaquín. La arquitectura colonial cubana: siglos XVI al XIX. La Habana-Sevilla: Instituto Cubano del Libro, Junta de Andalucía, 1996.

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Contribution

Updated at 03/07/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


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  • Fuerza Nueva

  • Fort

  • 1558 (AC)

  • 1577 (AC)



  • Spain


  • Restored and Well Conserved

  • UNESCO World Heritage
    Encontra-se classificado desde 1982 na Lista do Património da Humanidade pela UNESCO no conjunto da "Ciudad vieja de La Habana y su sistema de fortificaciones".



  • +53 7 8615010


  • Historical museum

  • ,00 m2

  • Continent : Central America
    Country : Cuba
    State/Province: Havana
    City: Havana

    O'Reilly,
    La Habana, Cuba


  • Lat: 23 -9' 33''N | Lon: 82 20' 59''W










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