Forte de Quíloa

Quíloa, costa oriental - Tanzânia

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O “Forte de Quíloa”, também referido como "Fortaleza de Quíloa", localiza-se na ilha de Kilwa, na costa sueste da atual Tanzânia.

Encontra-se compreendido nas ruínas de Kilwa Kisiwani e de Songo Mnara, duas pequenas ilhas à entrada de uma baía a sul de Dar-es-Salam. As ruínas constituem os remanescentes de dois grandes portos comerciais onde, entre os séculos IX e XVI, eram trocados o ouro e o ferro do Zimbabwe, escravos e marfim de toda a África Oriental, por especiarias, tecidos, porcelana e joias da Ásia.

Considera-se que a importância do Forte de Quíloa decorre do fato de se tratar do primeiro exemplar de arquitetura militar de pedra e cal levada a cabo de acordo com um modelo arquitetónico pré-moderno, representativo da primeira fase da expressão construtiva do Império Português do Oriente, o que é contestado por LIZARDO (2005).

As ilhas foram classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO em 1981, e incluídas na Lista do Património Mundial em Perigo em 2004.

História

Antecedentes


As ilhas de Kilwa Kisiwani e de Songo Mnara parecem ter sido ocupadas no século IX, provavelmente por populações Swahili. Nessa época, um chefe da ilha de Kilwa Kisiwani vendeu-a a um mercador árabe chamado Ali bin Al-Hasan, fundador da Dinastia Shiraz. Entre os séculos XI e XV, os seus descendentes nelas estabeleceram o mais poderoso centro comercial da África Oriental. No século XIII, os seus chefes dominavam todos os centros comerciais da costa africana, desde a ilha de Pemba, a norte, até Sofala, no sul.

O mundo ocidental ficou a conhecer Kilwa através dos escritos do geógrafo marroquino Ibn Batuta, que a visitou em 1331. Ele ficou extasiado pela "(...) beleza da grande cidade, com edifícios construídos de pedra de coral, normalmente com um único piso e pequenos compartimentos separados por maciças paredes e com telhados formados de placas da mesma pedra, suportados pelas paredes e por estacas de mangal (...)" e "(...) estruturas formidáveis de vários pisos e algumas belamente ornamentadas com pedra esculpida nas entradas, tapeçarias e nichos cobrindo as paredes e o chão com carpetes (...)".

A presença portuguesa

Em 1500, a caminho da Índia, o navegador português Pedro Álvares Cabral também visitou Kilwa e referiu as belas casas de coral e seus terraços, pertencentes a "mouros negros", o que atraiu a atenção dos portugueses. Com a presença destes na região, a fortuna de Kilwa mudou radicalmente: Vasco da Gama invadiu a ilha em 1502 tornando-a tributária de Portugal. Como o sultão cessasse de pagar o seu tributo, em 24 de julho de 1505, as forças do primeiro Vice-rei do Estado Português na Índia, D. Francisco de Almeida (1505-1509), conquistaram-na e iniciaram a construção da primeira fortificação portuguesa de pedra e cal na África Oriental

O Forte de Santiago de Quíloa

A construção do forte português em Quíloa iniciou-se no dia subsequente à conquista (25 de julho de 1505), tendo as obras ficado a cargo do mestre de pedraria Tomás Fernandes. (DIAS, Pedro. "História da Arte Portuguesa no Mundo. O espaço do Índico". Lisboa: Círculo de Leitores, apud LIZARDO, 2005.) Obra de raiz, tinha como função proporcionar abrigo às naus da Carreira da Índia que demandavam aquele porto e, acessoriamente, a de defesa contra eventuais inimigos.

D. Francisco de Almeida, em carta a Manuel I de Portugal (1495-1521) descreveu a fortificação então construída:

"Fizemos Senhor allii huuma fortaleza que se podesse ser compraria por anos de minha vida vee la Vossa Alteza porque he tam forte que se esperara nela el rei de França e tem apousentamento de muito boas casas pera duas tamta jemte como aly fica e desembarquom os batees as pipas por huuma esquada de seis degraaos demtro no baluarte que he o mais forte da casa. Ally Sennhor pus em monte e espallmey todas as naos e deixei a fortaleza muito bem abastecida e todas estas obras se fizerom em dezassete dias mas os fidalgos e de hi pera baixo todos trazem os braços mais compridos da padiulla e leixei ordenada a casa pera a especearia demtro na fortaleza onde os bateis a podem meter nela." (Carta de D. Francisco de Almeida a Manuel I de Portugal, 16 de dezembro de 1505, in "História da expansão Portuguesa no Mundo", vol II, p. 105.)

É ainda descrita, por outras fontes:

"(...) que havia de ter a fortaleza em quadra, que per quadra tinha sessenta braças, e em hum canto pera a banda da cidade huma torre quadrada, sobradada com o andar do muro (...) toda a obra em roda se fazia com outra torre quadrada per a banda da baya, em que a terra fazia uma ponta, e na torre a porta pera o mar, e nas casas dentro mandou alevantar a torre de menagem, de dous sobrados fortes, com janelas pera todas as partes, de que podia jogar artilharia." (PEREIRA, Mário. "Da Torre ao Baluarte". in A Arquitectura Militar na Expansão Portuguesa. Lisboa: CNCDP, 1994, p. 41. apud LIZARDO, 2005.)

Em setembro de 1506, um grupo de pedreiros portugueses e quatro pedreiros "mouros" "acabaram de cerrar hos muros de dentro" e a "torre de sobola porta do baluarte", encontrando-se a fortaleza equipada, em fevereiro de 1507, com 73 armas de fogo, quantidade expressiva à época. (CALADO, Rafael. "História das Fortificações Portuguesas no Mundo". Edições Alfa, 1989. p. 112. apud LIZARDO, 2005.)

Embora tenha sido a primeira fortificação de vulto a ser erguida na costa oriental africana, teve curta existência. De manutenção dispendiosa, gerando recursos insuficientes para a aquisição de especiarias no Oriente pela Coroa portuguesa, foi abandonada em 1512, concentrando-se as suas funções na Torre Velha de Moçambique.

A reconquista Islâmica

Em 1512, a ilha foi ocupada por uma força Islâmica e voltou a ser uma cidade-estado Swahili até 1784, quando se tornou num protetorado do Oman e voltou a perder o seu poderio. Em 1843, a cidade vizinha de Kilwa Kivinje, a cerca de 20 km a norte, na costa, passou a ser utilizada como porto e Kilwa Kisiwani foi abandonada e os seus edifícios caíram em ruínas.

Do século XVIII aos nossos dias

O atual forte, embora tradicionalmente atribuído a forças portuguesas no início do século XVI, será posterior, possivelmente do último quartel do século XVIII, quando a ilha se tornou uma importante base francesa para o comércio de escravos, conforme LIZARDO (2005).

De acordo com os estudos do arqueólogo inglês Neville Chittick, que pesquisou Kilwa Kisiwani entre 1957 e 1965, o aspecto da ruína da "Gereza" (nome que designa localmente o forte e com o significado de “prisão”, sendo uma corruptela da palavra portuguesa “igreja”) deve algo a acrescentos Omanitas do início do século XIX, “(...) aparentemente por ordem de Yaqut, então o representante do sultão de Mascate em Zanzibar. (...) Sabemos, da Narrativa de Viagens de Owen, que em 1824 ainda lá havia uma guarnição de tropas de Omã. (...) O edifício foi descrito como arruinado em 1842 (...), mas ainda tinha uma guarnição baluchi em 1850 (...). A parede norte, minada pelo mar, tinha certamente entrado em colapso antes de 1857, quando Burton visitou o forte.” (CHITTICK, 1974-1975)

Em 1900, Bernhard Perrot levou algum espólio arqueológico para a Alemanha; por sua vez os ingleses, em 1935-1936, iniciaram trabalhos de prospecção, publicados a partir de 1950, por Gervase Mathew e Mortimer (sob a supervisão de James Kirkeman), com o título de "Kilwa, the Cutting behind the Defensive Hall"; mais recentemente Neville Chittick procedeu a uma campanha sistemática de pesquisas arqueológicas, levadas a cabo quase durante uma década, pelo menos até 1965.

Em nossos dias as ruínas de Kilwa Kisiwani constituem-se em atração turística. Entre os seus edifícios mais importantes destacam-se:

- A Grande Mesquita, que era a maior de África quando foi construída, com grandes abóbadas e pilares monolíticos;

- O Palácio Husuni Kubwa, com cem compartimentos, é o maior edifício pré-europeu em pedra na região oriental e austral de África;

- A Pequena Mesquita, também abobadada, que é o edifício mais bem preservado na ilha;

- O Palácio Makutani, com grandes paredes triangulares;

- O "pequeno" Husuni Ndogo; e

- A "Gereza" (prisão). Esta estrutura apresenta planta na forma de um quadrado com 20 metros de lado, e duas torres nos vértices opostos, de bases maciças e sem aberturas para o tiro senão nos pisos superiores. (LIZARDO, 2005.)



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Bibliografias relacionadas 


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Links relacionados 

Forte de Quíloa
Verbete no portal "Heritage of Portuguese Influence/ Património de Influência Portuguesa" (HPIP) sobre o Forte de Quíloa.

http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=2009

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Contribuições

Atualizado em 25/10/2014 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuições com mídias: (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Forte de Quíloa

  • Forte de Santiago de Quíloa, Fortaleza de Quíloa, Ruínas de Kilwa Kisiwani e de Songo Mnara

  • Forte

  • 1505 (DC)

  • 1512 (DC)

  • Tomás Fernandes

  • Manuel I de Portugal

  • Portugal

  • 1512 (DC)

  • Ruínas Abandonadas

  • Patrimônio Mundial-UNESCO
    As ilhas foram classificadas como Patrimínio da Humanidade pela UNESCO em 1981, e incluídas na Lista do Património Mundial em Perigo em 2004.





  • Centro Turístico-Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : África
    País : Tanzânia
    Estado/Província: costa oriental
    Cidade: Quíloa



  • Lat: 8 57' 29''S | Lon: 39 -30' 3''E






  • 1935-1936: pesquisa arqueológica desenvolvida por ingleses.
    1957-1965: pesquisa arqueológica desenvolvida pelo arqueólogo inglês Neville Chittick.




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