Fort of Nossa Senhora da Graça

Elvas, Portalegre - Portugal

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O "Forte de Nossa Senhora da Graça", também referido como "Forte da Graça" ou "Forte Conde de Lippe", localiza-se na freguesia da Alcáçova, a cerca de um quilómetro a norte da cidade de Elvas, concelho de mesmo nome, distrito de Portalegre, em Portugal.

Em posição dominante sobre o Monte da Senhora da Graça, integrava a defesa da Praça-forte de Elvas, que complementava.

Integra atualmente o conjunto da "Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e suas Fortificações" classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 30 de junho de 2012.

História

A primitiva ocupação de seu sítio remonta a 1226, momento da conquista definitiva de Elvas por Sancho II de Portugal (1223-1248), quando o dominicano frei Estêvão Mendes, que acompanhara as hostes portuguesas, escolheu a atual serra da Graça para aí erguer a sua moradia com as suas próprias mãos. Essa construção, que mais tarde terá sido o Convento de São Domingos da Serra, estaria em ruínas quando uma bisavó de Vasco da Gama, Catarina Mendes, viúva de Estêvão Vaz da Gama, a mandou reedificar (1482), fazendo erigir uma ermida que consagrou a Nossa Senhora da Graça, rebatizando assim esta elevação, até então conhecida por Monte de São Domingos.

No contexto da Guerra da Restauração da independência (1640-1668), tropas espanholas sob o comando de D. Luis Méndez de Haro y Guzmán, primeiro-ministro de Filipe IV de Espanha (1621-1665) quando do cerco a Évora em outubro de 1658 ocuparam as colinas do Convento de São Francisco e de Nossa Senhora da Graça. Neste último, o mestre de campo D. João Zuniga, fez construir um reduto em redor da Ermida, aí dispondo duas peças de artilharia que não cessaram de bombardear a Praça-forte de Elvas até à sua libertação, quando da batalha das Linhas de Elvas (14 de janeiro de 1659).

Um século mais tarde, durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), a cidade sofreu novo sítio (1762). Neste contexto, sob o reinado de José I de Portugal (1750-1777), o Marquês de Pombal chamou o marechal Friedrich Wilhelm Ernst zu Schaumburg-Lippe, conde de Lippe, contratado sob proposta de Jorge III de Inglaterra, para reorganizar o Exército português e comandar as tropas luso-britânicas. Com desenho deste militar (1762), em 1763 deu-se início à construção de um forte sobre o monte da Graça, para complemento da defesa da Praça-forte de Évora. As suas obras foram dirigidas pelo engenheiro francês Étienne. No ano seguinte (1764) Étienne retirou-se de Elvas, sendo substituído pelo coronel Guillaume-Louis-Antoine de Valleré, do Regimento de Artilharia de Estremoz, que acompanhou as obras até 1792, fazendo-lhe vários aditamentos e alterações, vindo a atingir o posto de tenente-general engenheiro. Ainda em 1764 procedeu-se à demolição da Ermida de Santa Maria da Graça. A imagem de Nossa Senhora da Graça, que se encontrava na ermida, havia sido transferida para a Igreja de Santa Maria da Alcáçova (20 de agosto de 1763) e, posteriormente, trazida para a Capela do Forte da Graça. Desaparecida no início do século XIX, à época das Invasões Francesas, reapareceu, no século XX, na Igreja de Vila Boim.

Os trabalhos estenderam-se até ao reinado de Maria I de Portugal (1777-1816), que inaugurou a obra em 1792. Desde 1777 a soberana ordenara que o forte, então designado por Forte de Lippe, militar que havia proposto a sua construção e que comandou o Exército português entre 1762 e 1764, se passasse a chamar Forte de Nossa Senhora da Graça. Na sua construção foram empregues diariamente 6.000 homens, chegando a um total de 32.000 homens e 4.000 animais, dos quais 1.500 eram utilizados só para transportar água da fonte do Marechal. Edificaram-se então algumas habitações e lojas para os operários junto à Quinta do Vedor dando assim origem à pequena povoação do Vedor. O forte foi construído para uma guarnição de 1.500 homens, sendo 1.200 de infantaria, 200 artilheiros e 100 mineiros, estando artilhado com 143 bocas-de-fogo. Despenderam-se nas obras aproximadamente 769:199$039 réis.

Christian August von Waldeck, Príncipe de Waldeck e Pyrmont, militar experimentado contratado pela Coroa portuguesa em 1797 com o posto de marechal, ao visitar o forte em 1798 registou:

"O forte continua a ser uma obra-prima de fortificação, cuja arte se esgotou aqui completamente. As casamatas, minas, capela, cisterna, alojamento do comandante, casas da guarda, tudo é notável."

Essa opinião foi partilhada pelo duque de Lafões que, no mesmo ano, descreveu o forte como uma obra-prima da fortificação.

O forte resistiu às tropas espanholas sob o comando de Manuel de Godoy durante a chamada Guerra das Laranjas (1801) e, mais tarde, no contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), assistiu à invasão das tropas napoleónicas (1807), vindo a sofrer assédio por tropas anglo-lusas (1808) e pelas tropas do general Nicolas Jean de Dieu Soult, que o bombardearam (1811), não chegando a tomá-lo.

Na primeira metade do século XIX, possivelmente após a Guerra Civil (1828-1834), foi desartilhado, tendo muitas das suas peças dado entrada no Arsenal do Exército. Em 1856 foi criada no forte uma companhia de correção, dissolvida em 1894, quando foi criado um depósito disciplinar.

Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. À época servia como prisão militar.

Durante o Estado Novo Português, o forte albergou presos políticos, situação que se repetiu no período pós 25 de abril de 1974, nomeadamente no chamado "Verão Quente" (1975).

A intervenção do poder público fez-se sentir por parte da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) em 1960 quando tiveram lugar obras urgentes de conservação: consolidação de troços de cortinas em alvenaria hidráulica, reconstrução de guaritas de alvenaria, construção de rebocos na Casa do Governador e baluartes, construção de mísulas de cantaria para apoio das guaritas, limpeza do telhado da Casa do Governador, pintura de portas e de caixilhos. Mais tarde, em 1971, procederam-se sondagens junto à porta interior para a reconstrução da ponte. No ano seguinte (1972) procedeu-se à reconstrução da passagem sobre arcos que dá acesso à porta interior, à substituição das grades do tabuleiro por muretes de alvenaria capeados a granito, o reforço de panos de muralha, e a reparação de guaritas. Mais tarde, em 1978 procedeu-se a recuperação da Casa do Governador, com a demolição e assentamento de pavimentos, o isolamento do terraço e lajes de floreiras, a reconstrução do alpendre de uma porta, a reparação de telhados, a reparação e pintura de portas, caixilhos e grades de ferro, e a caiação exterior. Novas obras de conservação tiveram lugar em 1981. Em 2000 procederam-se a reparos de caixilharias e, em 2001, a obras de conservação incluindo recuperação de parte da cobertura, consolidação da cimalha, colocação caixilharia de madeira para fecho de vãos e colocação de portas.

Data de 1981 um projeto para adaptação do forte a Museu Militar, que jamais se materializou. Em 1989 o depósito disciplinar foi desativado.

Foi colocado à venda pelo Estado Português nos termos do Decreto-Lei nº 151/94 publicado no Diário da República, I Série, de 26 de maio de 1994, que reza:

(…) foi autorizada a alienação, em regime de hasta pública ou de cessão a título definitivo e oneroso, a pessoas colectivas de direito público ou a instituições particulares de interesse público, do PM1/Elvas, designado “Forte da Graça”, área aproximada de 46.850 m², situado na serra de Nossa Senhora da Graça, freguesia de Alcáçova, município de Elvas, omisso na respectiva matriz predial.

Não tendo havido compradores, o imóvel continua a pertencer ao Ministério da Defesa.

Em 21 de abril de 2001 foi assinado um protocolo de acordo entre os Ministérios da Defesa Nacional, do Equipamento, da Economia, do Planeamento e da Cultura e a Câmara Municipal de Elvas, com o objetivo de promover e financiar os estudos necessários à definição do futuro aproveitamento do imóvel.

Em 2006 registou-se a desativação do Regimento de Infantaria n.º 8, cujo quartel funcionava no imóvel, e sua ocupação pelo Regimento de Cavalaria n.º 3.

A fortificação encontrava-se em condições próximas da ruína, aguardando a sua cedência à Câmara Municipal de Elvas para intervenção de consolidação e restauro. Em junho de 2013 a comunicação social portuguesa anunciou que o Forte da Graça, iria ser restaurado pela Câmara Municipal após acordo com o Ministério da Defesa Nacional para a sua cedência por 40 anos.

Após 11 meses de trabalho, com 220 trabalhadores a tempo inteiro, e um custo de 6,1 milhões de euros, em setembro de 2015 foram concluídas obras de conservação e restauro nas infraestruturas, requalificando as dependências do antigo forte como um museu militar. As portas foram abertas ao público a 27 desse mesmo mês, sendo oficialmente inauguradas em 27 de novembro com a presença do então presidente República, Aníbal Cavaco Silva.

Características

Exemplar de arquitetura militar moderna, é considerado uma obra-prima tanto pela originalidade das soluções aí apresentadas, como pela sua monumentalidade.

Na cota de 404 metros acima do nível do mar, é composto por três distintas linhas defensivas, interdependentes, separadas por fossos profundos: o Reduto, a Magistral e as obras exteriores.

A estrutura, de planta quadrangular com cento e cinquenta metros de lado, é completada por baluartes pentagonais nos vértices (a partir do baluarte SO, no sentido horário, sob a invocação respectivamente de Santo Amaro, Malefa, Badajoz e Cidade). Quatro pequenos revelins cobrem as cortinas, a meio das quais de inserem o portão monumental (Porta do Dragão) e três poternas. Sobre o portão principal, encontram-se o brasão de armas de Portugal e uma placa evocativa da visita de D. José I no ano de 1756, na companhia do marquês de Pombal e do conde de Lippe.

O corpo central da praça apresenta um reduto elevado, de planta circular, com dois pavimentos abobadados:

- o inferior de planimetria cruciforme, com capela num dos braços menores, junto às portas de acesso ao Palácio. Neste existem quatro tribunas elípticas que se podiam transformar em canhoneiras para defender as quatro portas que dão acesso à capela e ao Reduto. Abaixo da capela, escavada na rocha viva, uma cisterna constitui-se em uma de suas obras mais notáveis.

- o superior, na Casa do Governador. Aqui, a sala central do 4.º piso possui pinturas murais de evocação histórica, com os retratos do conde de Lippe e do coronel Valleré; a sala central do 5.º piso é toda branca, exibindo decoração neoclássica em trabalhos de massa.

Externamente, a estrutura é completada por um hornaveque com seu revelim e poterna, e por um fosso seco, com dez metros de largura.



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Forte de Nossa Senhora da Graça ou de Lippe
Website do Forte de Nossa Senhora da Graça ou Forte de Lippe, na cidade de Elvas, Portugal, publicado pelo Instituto Português do Patrimônio Arquitetônico - IPPAR.

http://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=70196
Fortificações de Elvas
Website Elvas Digital, versando sobre alguns patrimônios arquitetônicos de Elvas, Portugal, entre eles o Castelo de Elvas e o Forte de Nossa Senhora da Graça.

http://www.elvas-digital.com/artigo.php?id=6

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Contribution

Updated at 10/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Roberto Tonera (2), Administrador (3).


  • Fort of Nossa Senhora da Graça

  • Forte da Graça, Forte Conde de Lippe

  • Fort

  • 1763 (AC)

  • 1792 (AC)


  • Joseph I of Portugal

  • Portugal


  • Conserved Ruins

  • National Protection
    UNESCO World Heritage
    Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910.
    Integra o conjunto da "Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e suas Fortificações" classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 30 de junho de 2012.





  • Without defined use

  • 46850,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Elvas



  • Lat: 38 -54' 19''N | Lon: 7 9' 51''W






  • 1960 - DGEMN procede obras urgentes de conservação: consolidação de troços de cortinas em alvenaria hidráulica, reconstrução de guaritas de alvenaria, construção de rebocos na Casa do Governador e baluartes, construção de mísulas de cantaria para apoio das guaritas, limpeza do telhado da Casa do Governador, pintura de portas e de caixilhos.
    1971 - Procederam-se sondagens junto à porta interior para a reconstrução da ponte.
    1972 - Procedeu-se à reconstrução da passagem sobre arcos que dá acesso à porta interior, à substituição das grades do tabuleiro por muretes de alvenaria capeados a granito, o reforço de panos de muralha, e a reparação de guaritas.
    1978 - Procedeu-se a recuperação da Casa do Governador, com a demolição e assentamento de pavimentos, o isolamento do terraço e lages de floreiras, a reconstrução do alpendre de uma porta, a reparação de telhados, a reparação e pintura de portas, caixilhos e grades de ferro, e a caiação exterior.
    1981 - Obras de conservação.
    2000 - Procederam-se a reparos de caixilharias.
    2001 - Obras de conservação incluindo recuperação de parte da cobertura, consolidação da cimalha, colocação caixilharia de madeira para fecho de vãos e colocação de portas.




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