Fort of Nossa Senhora da Ínsua

Caminha, Viana do Castelo - Portugal

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O “Forte de Nossa Senhora da Ínsua”, popularmente referido apenas como “Forte da Ínsua” localiza-se na Ínsua de Santo Isidro, na freguesia de União das Freguesias de Moledo e Cristelo, concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

Numa pequena ilha ao sul da foz do rio Minho, a cerca de 200 metros da costa, tinha a função de vigia da foz do Minho, da sua margem direita (a raia com a Espanha), e da costa atlântica de Caminha.

História

Antecedentes

Esta ínsua já era conhecida pelos romanos, pois Estrabão a ela se refere ao descrever a foz do rio Minho. Terá sido primitivamente utilizada como local de culto. De acordo com o escritor latino Rufo Avieno, na sua obra “Ora maritima” (século IV) - uma descrição das costas europeias -, informa que neste local existiria um templo dedicado a Saturno, deus protetor da agricultura e da prosperidade.

Em época cristã nela foi erguida uma pequena ermida. Para os portugueses a ermida era dedicada a Nossa Senhora da Ínsua, para os galegos a Santa Maria de Carmes, e para os mareantes a Santa Maria da Boa Viagem ou Santa Maria da Salva. Esta ermida tinha um ermitão e a sua festa realizava-se anualmente a 8 de setembro.

No contexto do Grande Cisma do Ocidente (1378-1417), alguns religiosos galegos e asturianos, insatisfeitos por Castela apoiar o Papado de Avignon, obtiveram autorização do Papa Bonifácio IX (Breve de 6 de abril de 1392) para estabelecerem-se em Portugal. Para Caminha seguiram religiosos da Ordem dos Frades Menores, da Observância Menorita, nomeadamente frei Diogo de Árias, que naquele mesmo ano fundou e deu princípio às obras do convento de Santa Maria da Ínsua.

Em 1441 os religiosos do convento foram isentos de tributos relativos à casa que tinham na vila, em Caminha, e foi-lhes concedido o direito da recolha das conchas que serviam para o fabrico de cal dos franciscanos. Estes e outros direitos que lhes vieram a ser concedidos, embora sempre contestados por varias entidades, foram-lhes sucessivamente confirmados pelo poder régio.

Em 1448 foram-lhes concedidos novos privilégios por Afonso V de Portugal (1438-1481) que, em 1464, fez mercê do senhorio de Caminha a D. Henriques Menezes. Mais tarde, em 1471 e após ter tido por algumas vezes apenas 2 frades a viver no convento, tiveram lugar as primeiras obras de reedificação, visto que não reunia as condições adequadas para se viver, mesmo em face dos votos de pobreza da Ordem. Estas obras consistiram na construção de novas celas e na melhoria da capela e da casa. Após esta data registou-se uma grande projeção do convento, com a entrada de muitos religiosos, entre os quais frei André da Ínsua, que chegou a ser Geral da Ordem. No mesmo período, testemunhando uma época de prosperidade e de grande apoio, o convento recebeu visitantes ilustres:

- 1502 - Manuel I de Portugal (1495-1521), quando em peregrinação a Santiago de Compostela;

- 1512 - D. Fernando de Menezes, senhor de Caminha e governador de Ceuta;

- 1548 - D. Luís, duque de Beja (1506-1555), filho de D. Manuel I.

No contexto da Crise de Sucessão de 1580 o convento foi ocupado por forças da armada galega, em apoio à causa filipina. Instaurada a Dinastia Filipina (1580-1640), foi atacado por corsários ingleses (1602) e saqueado por piratas Luteranos franceses de La Rochelle (1606). Na sequência destes ataques muitos religiosos abandonaram o convento de modo a que, em 1623 este contava novamente apenas com 2 frades.

O ano de 1618 foi marcado pelo início da construção de um outro convento para os frades na vila de Caminha, obra concluída em 1631 (em nossos dias  em mãos da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição), sob a invocação de Santo António – conduzindo a uma época de quase inexistência de atividade no convento da Ínsua.

O forte setecentista

Após a Restauração da Independência portuguesa (1640), e na sequência da conspiração contra João IV de Portugal (1640-1656) pelo marquês de Vila Real, este último foi executado em 1641, ao lado do seu filho. O senhorio da vila de Caminha e o convento passaram assim à tutela da Coroa portuguesa.

O projeto do forte remonta ao contexto Guerra da Restauração (1640-1668), com o fim de defesa não apenas do Convento de Santa Maria de Ínsua, mas principalmente visando integrar e reforçar a linha defensiva estrategicamente disposta na margem esquerda da foz do rio Minho e ao longo daquele trecho da costa Atlântica portuguesa.

Foi principiado em abril de 1649 e concluído em 1651, sob as ordens do então Governador de Armas da Província do Minho, D. Diogo de Lima e Brito Nogueira. (GUERRA, 1926:688) Em 1653 foi empossado o seu primeiro governador, o capitão Domingos Mendes Aranha. GUERRA informa que o vigário do convento servia como capelão do presídio. (Op. cit., p. 688)

Ao longo do século XVIII as dependências do convento e do forte foram reparadas em diversas ocasiões, destacando-se:

- 1676 - as instalações do convento foram ampliadas com a construção, em piso elevado, de um dormitório com 5 celas;

- 1694 - o forte teve reparações (GUERRA, 1926:688);

- 1717 – João V de Portugal (1706-1750) doou 200$000 reis para a reedificação da igreja, com teto de abóbada de pedra e coro-alto, obras estas que apenas estavam concluídas em

- 1767 – com a construção de novas celas, da sala do capítulo e de retábulo no altar;

- entre 1793 e 1795, no contexto da Revolução Francesa (1789) e com a iminência de guerra, o forte recebeu obras de reparação e o convento uma pequena remodelação, tendo os frades abandonado provisoriamente o convento para o efeito.

Nesse mesmo período, em 1765 a fortificação encontrava-se guarnecida por 10 homens, e artilhada com 7 peças de bronze.

No prenúncio da Guerra Peninsular (1808-1814), em 1807 o forte foi ocupado pela Real Armada espanhola quando da primeira invasão francesa de Portugal (1807-1808). Em 1808 capitulou, juntamente com Caminha, perante as forças francesas.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) teve as suas peças de artilharia inutilizadas recolhidas ao Arsenal de Lisboa (1831).

Diante da extinção das ordens religiosas no país (1834) o convento foi abandonado pela comunidade religiosa, continuando o forte guarnecido por militares. Posteriormente foi ocupado por elementos do destacamento de veteranos (1861).

Em 1886 foi instalado um farol nas suas dependências.

O último governador da praça foi nomeado em 1909, o major Rodolfo José Gonçalves.

Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.

Data de 1940, o auto de entrega da fortificação pelo Ministério da Marinha ao Ministério das Finanças. Nesse período, o chefe do farol da Ínsua enviou a relação dos objetos existentes na capela (do forte?), à Capitania do Porto de Caminha (1953).

De 1954 a 1957 o conjunto (convento e forte) recebeu extensas obras de conservação e restauro, a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) sucedendo-se outras campanhas, em 1967, 1970, 1972, 1975, 1977-1978, 1979, 1984-1985, 1986, e 1999-2001.

O imóvel da fortificação foi definitivamente entregue ao Ministério das Finanças em 1983.

Em 1990 foi formulado um projeto pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo para a instalação no local de um Centro de Investigação Avançada das áreas marinhas da costa e rio Minho.

Em 20 de maio de 1993 um Despacho conjunto dos Secretários de Estado da Cultura e das Finanças determinou a desafetação do Forte da Ínsua ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), manifestando o Instituto Politécnico de Viana do Castelo interesse nessa afetação.

Em 2000 foi interditado o acesso do público ao interior do forte para evitar a sua ruína.

Em 2004 o projeto de 1990 voltou a ser tido em conta.

Em 2005 registou-se a visita do deputado Jorge Fão, do Diretor Regional dos Monumentos e Edifícios do Norte e do Presidente do Instituto Politécnico de Viana, avaliando a possibilidade de instalar no local o projetado centro de investigação marinha.

Características

Fortificação marítima abaluartada, apresenta planta estrelada irregular, com 5 baluartes sobre embasamento saliente, de coroamento boleado e altura variável, atingindo nalguns pontos 2,80 metros, funcionando quase como quebra-mar das muralhas mais expostas, aquelas viradas a leste e a sul.

A fachada principal encontra-se voltada a nordeste, com entrada protegida por revelim, de muros em talude, rasgados superiormente por canhoeiras estreitas retangulares, e com guarita facetada e cobertura em calote esférica no cunhal; a norte abre-se portal de arco pleno simples; no seu ângulo interior, rampas de acesso à guarita e canhoeiras. De ambos os lados, o revelim é protegido por muros mais baixos.

Na fachada virada a sudoeste, balcão retangular sustentado por mísulas e coberto por calote esférica rematada por bola, o qual possivelmente serviu de cumua.

Fortaleza de muros em talude, corridos em toda a sua extensão por moldura curva encimada por parapeito, interrompido nos cunhais dos 4 baluartes maiores por guaritas, de planta facetada e cobertura em calote esférica, assentes diretamente sobre a moldura.

A meio do pano de muralha do frontispício, rasga-se portal, de arco pleno sobre pés direitos, entre estrutura quadrangular em ressalto, sobre a qual assenta cornija e frontão triangular com 3 brasões no tímpano: as armas de Portugal e as do Governador.

No lado direito tem inserida lateralmente lápide alusiva à construção que reza:

"A Piedade do muito Alto e Poderoso monarca el rei D. João IV / ministrada pela intervenção e assistência de D. Diogo de Lima / Nogueira General e Visconde de Vila Nova da Cerveira Governador das / armas e exército da Província de Entre Douro e Minho dedicaram / esta fortificação à sereníssima Rainha dos Anjos Nossa Senhora / da Ínsua para asilo e defesa das religiosas da Primeira Regra / Seráfica que assistem nos contínuos júbilos desta Senhora debaixo / de cujo patrocínio se assegura a defesa desta corte. Fez-se a / obra na era de 1650"

Interiormente é percorrida por larga plataforma, com pavimento de lajes, protegida por parapeito e com acesso junto aos 4 baluartes principais por escadas; junto às muralhas nordeste e nordeste desenvolvem-se os quartéis, depósitos e cozinha, muito arruinados, sem cobertura e fachadas rasgadas por janelas e portas de verga reta, exceto a do alinhamento do portal, onde é de arco pleno.

A praça de armas é dividida em 2 áreas. A primeira corresponde a uma ampla plataforma lajeada, onde foram edificados os quartéis, depósito e cozinha.

No espaço restante, ao centro e para sul, com algumas paredes comuns à fortificação, foi incorporado o convento, de planta integrada por igreja, longitudinal composta, sacristia, claustro quadrangular irregular e outras dependências muito arruinadas.

A igreja apresenta portal de verga reta encimada por janela. Interiormente tem arco abatido em cantaria de suporte ao antigo coro-alto, arco triunfal pleno e cobertura em abóbada de berço. Claustro com alas de colunas jónicas assentes em murete e suportando entablamento.

Um poço de água potável abastecia a guarnição, composta por Governador (comandante) e 12 praças, revezados semanalmente. Esse poço é notável por se situar no mar, sendo um dos 3 únicos existentes no mundo. GUERRA (1926) entretanto, informa que existiam 2 fontes: uma intra e outra extra-muros. (op. cit., p. 688.)



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Contribution

Updated at 22/08/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (4).


  • Fort of Nossa Senhora da Ínsua

  • Forte da Ínsua, Castelo da Ínsua

  • Fort

  • 1649 (AC)

  • 1651 (AC)


  • John IV of Portugal

  • Portugal


  • Restored and Semiconserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.





  • Without defined use

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viana do Castelo
    City: Caminha



  • Lat: 41 -52' 28''N | Lon: 8 52' 29''W




  • 1765: 7 peças antecarga, de alma lisa, de bronze.

  • Alvenaria de pedra argamassada.

  • De 1954 a 1957 o conjunto (convento e forte) recebeu extensas obras de conservação e restauro, a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) sucedendo-se outras campanhas, em 1967, 1970, 1972, 1975, 1977-1978, 1979, 1984-1985, 1986, e 1999-2001.




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