Praça-forte de Juromenha

Alandroal, Évora - Portugal

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A “Praça-forte de Juromenha” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Alandroal (Nossa Senhora da Conceição), São Brás dos Matos (Mina do Bugalho) e Juromenha, concelho de Alandroal, distrito de Évora, em Portugal.

Em posição estratégica sobre um dos pontos de travessia do rio Guadiana, entre a Guerra da Restauração (1640-1668) e a Guerra Peninsular (1807-1814), foi considerada uma das chaves da fronteira do Alentejo.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana de seu sítio remonta a povos galo-celtas, sucedidos por romanos, visigodos e, posteriormente, por muçulmanos.

Entre 874 e 875 Makhûl ibn Umar foi senhor de Juromenha, que se constitui no principal foco das chamadas revoltas Muladis. Com o desaparecimento de Makhûl a região de Juromenha passou a integrar os domínios da dinastia Banu Marwân, estando a partir de então associados a Badajoz. Em 930 registou-se a submissão de Badajoz e, consequentemente, de Juromenha, a Abd al Rahmân III, 1.º califa de Córdova. Poucos anos mais tarde, em 948 Juromenha foi referida enquanto guarda-avançada de Badajoz pelo geógrafo Ibn Hawqal na sua obra "Kitâb Sûrat al-Ard".

Em 1145 Abû Muhammad Sidray ibn Wazîr, partidário de ibn Qâsî, conquistou Badajoz com Juromenha incluída.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da região, a povoação e o seu castelo foram conquistados desde 1167 pelas tropas de Afonso I de Portugal (1143-1185), auxiliado pelas forças do Geraldo Sem Pavor. Como recompensa, o soberano nomeou este último como alcaide do castelo. Povoação e castelo retornariam às mãos dos muçulmanos, sob o comando do califa Almóada Abu Iúçufe Iacube Almançor (1191), para serem definitivamente conquistadas no reinado de Sancho II de Portugal (1223-1248) por forças portuguesas sob o comando de D. Paio Peres Correia, em 1242, tornando-se numa azóia ou arrábida, defendida por voluntários que alternavam a atividade bélica com a religiosa.

Objeto de preocupação de Dinis I de Portugal (1279-1325), este incrementou-lhe o povoamento, outorgando-lhe carta de foral em 1312 e promoveu-lhe a reconstrução do castelo e reforços nas defesas. A vila passou, desse modo, a contar com muralhas de taipa revestidas em cantaria de granito e ardósia, às quais se adossavam 16 torres de planta quadrangular, dominadas por uma imponente torre de menagem que se alçava a 44 m de altura.

As bodas de Afonso IV de Portugal (1325-1357) com D. Beatriz de Castela (1309) e de Afonso XI de Castela com D. Maria de Portugal foram celebrados neste castelo da raia.

O foral da vila foi confirmado por João II de Portugal (1481-1495), a 28 de agosto de 1492.

A povoação e seu castelo encontram-se figurados (lado norte, lado sul e planta) por Duarte de Armas no "Livro das Fortalezas" (c. 1509), em duas vistas (fls. 21 e 22, ANTT) e uma planta (fl. 123v.º),. Estas representam o castelo com uma cintura única de muralhas de planta poligonal irregular, percorrida por adarve e coroada de merlões, que o autor não medira "por estarem mui danificados e não se poderem andar", sobretudo a sul, norte e oeste, e reforçada com 14 cubelos quadrangulares e retangulares e 2 poligonais nos ângulos noroeste e sudoeste, ameiados (exceto os arruinados, 2 a norte e 2 a sul) e alguns providos de base em esbarro; a leste salienta-se a Torre de Menagem, retangular, sobre pódio escalonado no pano exterior à muralha; era iluminada por frestas, com porta de arco pleno na face oeste, descentrada, e coroamento de merlões sob os quais se abriam bombardeiras, do mesmo lado da porta; no interior era "abobadada e em cima tem um mui bom aposentamento novo"; exteriormente era protegida do lado oeste por um "baluarte" semicircular "de abóbada e joga per fundo duas bombardas e por cima as que parecem" (que são 3 bombardeiras), com acesso por passadiço adossado à muralha sul onde se localizava a porta falsa; do lado nordeste abria-se a porta principal em arco pleno, gradeada, protegida exteriormente por um "peitoril" de forma semicircular; dentro do recinto muralhado erguia-se uma igreja de planta longitudinal simples com cabeceira semicircular "e debaixo da capela dela está um aljube"; extramuros, a norte, estendia-se o aglomerado urbano da vila com casario térreo e duas igrejas uma delas arruinada, que "se derribou no tempo da guerra".

A vila recebeu o Foral Novo de D. Manuel I em 1512.

A Praça-forte de Juromenha

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668) tornou-se imperioso o reforço das fronteiras do reino, adaptando-se as antigas fortificações medievais da raia aos tiros da artilharia.

Desse modo, em 1644 foram apresentados ao Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) três diferentes planos para a reformulação da fortificação de Juromenha, que tinham como objetivo adaptar os antigos castelo e cerca medieval à artilharia seiscentista. O primeiro projeto, de autoria do engenheiro militar italiano Pascoeli, terá sido imediatamente descartado por proteção insuficiente; o segundo, de autoria do arquiteto militar Neerlandês Joannes Cieremans (Cosmander), foi escolhido pelo Conselho, embora algum tempo depois as obras tenham sido interrompidas devido aos elevados custos materiais, à inviabilidade técnica do mesmo e à traição do autor, morto quando assaltava a Praça-forte de Olivença; o terceiro plano, de autoria do engenheiro francês Nicolau de Langres, Engenheiro-mor das fortificações do Alentejo, veio a ser aprovado e implementado em 1646. As obras prolongaram-se pelos anos seguintes e decorriam ainda quando do trágico incêndio e explosão do paiol de pólvora (19 de janeiro de 1659), arruinando grande parte das estruturas já edificadas, assim como o antigo paço, e vitimando a guarnição composta por uma centena de estudantes da Universidade de Elvas e três mestres, que os capitaneavam, entre os quais se destacava o reitor da Universidade de Évora, padre Francisco Soares, da Companhia de Jesus.

Langres também se passaria para o inimigo, com o posto de Sargento-mor de Batalha do Estado-Maior de Filipe IV de Espanha, traindo os segredos desta fortificação e vindo a comandar pessoalmente a artilharia espanhola no ataque de 1662 a esta praça, sob o comando de D. Juan José de Austria, o que conduziu à capitulação final da mesma, ainda abalada pela tragédia. Esta praça permaneceu ocupada por tropas espanholas até ao Tratado de Lisboa (13 de fevereiro de 1668), quando retornou à posse da Coroa portuguesa.

Os séculos XVIII e XIX

O grande terramoto de 1755 causou extensos danos à fortificação, sobretudo a área de edificação seiscentista, pelo que foram feitas obras de retificação e benefícios, que englobaram a construção de um fortim nas muralhas junto ao Guadiana, para defesa do ancoradouro das barcas, de contraguardas e obras mortas pelo lado do rio.

No início do século XIX foi ocupada, sem resistência, pelas tropas espanholas sob o comando de D. Manuel de Godoy, quando da chamada Guerra das Laranjas (1801), para ser recuperada apenas em 1808.

Com a perda de sua função defensiva diante da evolução dos meios bélicos, entrou em decadência.

Do século XX aos dias de hoje

No início do século XX a vila foi assolada por um surto de peste bubónica que dizimou grande parte da população. Em 1920 a fortaleza encontrava-se completamente despovoada, passando para os arrabaldes de São Lázaro e Santo António.

A partir de 1950 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciou-lhe extensas obras de consolidação e reparo, que se estenderam, com intervalos, até 1996.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

Em precário estado de conservação, encontram-se concluídos os trabalhos de prospeção arqueológica, encontrando-se pendente de aprovação um projeto de requalificação de suas dependências como instalação hoteleira, inscrito num programa mais vasto de turismo para a região, desde 2005.

Atualmente podem ser observados nessa praça significativos trechos de muralhas e de edificações de todos os seus períodos históricos, onde as estruturas medievais misturam-se às cortinas, revelins, fossos-secos e canhoneiras, característicos do sistema abaluartado.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico e abaluartado, de enquadramento urbano.

O conjunto apresenta planta poligonal estrelada, composta por duas cinturas de muralhas, uma interna, dominada pela torre de menagem do antigo castelo, e outra externa, abaluartada, do tipo Vauban, onde se observa a presença dos diversos elementos deste tipo de fortificação: cortinas, revelins, fossos-secos, canhoneiras e outros.

No seu espaço interior encontram-se edificadas as igrejas da Misericórdia e a Matriz, bem como os antigos Paços do Concelho e a respectiva cadeia, e uma cisterna de planta retangular que abastecia a guarnição e a população.



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Castelo de Juromenha
Website Guia da Cidade, versando sobre o Castelo de Juromenha, que se localiza na cidade de Alandroal, Portugal.

http://www.guiadacidade.pt/portugal/index.php?G=monumentos.ver&artid=1...
Castelo de Juromenha
Página do website Wikipédia, versando acerca do Castelo de Juromenha, que se localiza na freguesia de Juromenha, Concelho do Alandroal, Distrito de Évora, Portugal.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Juromenha

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Contribution

Updated at 21/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Projeto Fortalezas Multimídia (Jéssica Pedrini) (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (3).


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    Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.





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