Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo (Barbalho)

Salvador, Bahia - Brazil

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O Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo localiza-se na cidade alta, em Salvador, no Estado da Bahia. No contexto da Guerra Holandesa (1630-54), o pernambucano Capitão Luiz Barbalho Bezerra (c. 1600-44), receando um segundo ataque holandês às trincheiras de Santo Antônio, faz erguer um reduto no local (1638) (BARRETTO, 1958:179).

Reconstruído com melhor traçado, em alvenaria de pedra e cal, no Governo Geral de Alexandre de Souza Freire (1667-71), pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra João Calmon; uma inscrição sobre o portão de acesso assinala a data da sua conclusão: 25/ago/1712 (RIGHB. Tomo 3 nº 7, mar/1896. nota p. 61). Denominado como Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo, ou Forte de Nossa Senhora do Monte Carmelo, tinha como função defender, juntamente com o Forte de Santo Antônio Além do Carmo, o acesso terrestre norte à primeira Capital.

Foi ampliado pelo Vice-rei D. Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Souza (1714-18), dentro do plano de fortificação de Salvador elaborado pelo Brigadeiro Engenheiro Jean Massé em 1714. Este Capitão de Engenheiros francês, após as invasões de corsários franceses à cidade do Rio de Janeiro em 1710 e em 1711, por determinação do rei D. João V (1705-50), "em 1712 passou com o posto de brigadeiro ao Brasil para examinar e reparar as fortificações daquele Estado." (SOUZA VITERBO, 1988:154). As obras prosseguem no governo do Vice-rei D. Vasco Fernandes Cézar de Menezes (1720-35), sendo interrompidas pelo falecimento do Capitão Engenheiro João Teixeira, responsável à época pelas obras das praças na Bahia (Forte do Barbalho e Fortaleza do Morro de São Paulo).

Concluídas em 1736 pelo Vice-rei D. André de Melo e Castro (1735-49), de acordo com iconografia de José Antônio Caldas (Planta, e fachada do forte do Barbalho. in: Cartas topográficas contem as plantas e prospectos das fortalezas que defendem a cidade da Bahia de Todos os Santos e seu reconcavo por mar e terra, c. 1764. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa), a sua planta apresenta desenho no formato de um polígono quadrangular regular, com três baluartes pentagonais e um circular nos vértices, acessados por rampas, a partir do terrapleno. Em torno deste, ao abrigo das muralhas, foram dispostas as edificações de serviço (Quartéis da Tropa, Casa da Palamenta, etc.) e pelo lado da rampa de acesso, o Corpo da Guarda, superposto pela Casa do Comandante. A portada em tribuna, provavelmente faz parte das alterações introduzidas no século XIX. BARRETTO (1958), informa que foi guarnecido por um capitão e três soldados, e artilhado com quinze peças de ferro (seis de calibre 24 libras, três de 18, três de 10, e três de 6) (Op. cit., p. 179-180), acreditamos que em meados do século XVIII.

Durante a Guerra da Independência (1822-23) com a retirada das tropas portuguesas (02/jul/1823) esta foi a primeira fortificação a arvorar a bandeira brasileira em Salvador (SOUZA, 1885:97). Foi palco do motim da tropa e das manifestações populares que exigiram a demissão do Comandante das Armas, General João Crisóstomo Calado, concedida pelo Presidente da Província, João Paulo de Araújo Bastos (04/abr/1831) (GARRIDO, 1940:92). Em 1837 o seu comando aderiu à Sabinada, e no ano seguinte (1838) resistiu às forças imperiais, tendo sido aí presos cerca de 200 revoltosos. Mais tarde, foi utilizado como Cadeia Pública de Salvador, por determinação do Presidente da Província, Gordilho de Barbuda (???). A decisão do Presidente Gordilho foi sancionada pelo Governo Imperial em 1845. Sofreu reparos em 1853 (GARRIDO, 1940:92), sendo utilizada como enfermaria de coléricos do Lazareto de São Lázaro. No contexto da Questão Christie (1862-65), o "Relatório do Estado das Fortalezas da Bahia" ao Presidente da Província (03/ago/1863), dá-o como inútil para a sua finalidade defensiva, utilizado como prisão civil (ROHAN, 1896:51), citando:

"(...) É um retângulo abaluartado, cujo perímetro de 2.370 palmos possui 41 canhoneiras. Suas muralhas apresentam fendas mais ou menos profundas em diversos pontos; suas canhoneiras estão arruinadas, e tudo o mais que diz respeito às obras que a constituem exigirão consideráveis reparações para que esta fortaleza adquirisse conveniente estado. Mas, cingida como se acha hoje de construções urbanas e sem valor algum para a defesa do porto desta cidade, me parece que de seve reputar completamente inutilizada como praça de guerra, e efetivamente está excluída de semelhantes foros desde bastante tempo e utilizada como prisão de condenados.

Releva dizer que para os fins de sua atual utilidade não possui a fortaleza as precisas acomodações, e nem as condições de vida ali grosseiramente se aproximam das exigidas nos edifícios destinados a tal uso: além disso, a um lastimável abandono parecem [se] dever as suas deteriorações e falta de asseio." (Op. cit., p. 62)

Em 1886, sofreu novos reparos (GARRIDO, 1940:92) e foi utilizada como Centro de Isolamento de variolosos. De 1892 a 1920 serviu como Quartel de Artilharia. Tomou parte no bombardeio da cidade, juntamente com o Forte de São Marcelo e o Forte de São Pedro (10/jan/1912), no contexto da Política das Salvações do Presidente da República, Hermes da Fonseca (1910-14). Na ocasião foram alvejados o Palácio do Governo, a Prefeitura Municipal, o Teatro de São João (GARRIDO, 1940:92) e a Biblioteca Pública de Salvador, tendo esta última se incendiado em decorrência, com a perda de importantes documentos históricos do Arquivo da Bahia. GARRIDO (1940) esclarece que em 1904, sediava o 5º Batalhão de Artilharia de Posição, passando a ser guarnecido à época da 1ª Guerra Mundial (1914-18) pelo 4º Batalhão de Artilharia de Posição (1915), ocasião em que recebe um canhão Krupp L/28 (75 mm, cf. BARRETTO, 1958:180) (Op. cit., p. 92). De acordo com BARRETTO (1958), à época (1958), o forte aquartelava a 4ª Companhia de Guarda e a 6ª Companhia de Polícia, da 6ª Região Militar (Op. cit., p. 180).

De propriedade da União, o imóvel encontra-se tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1957, administrado pelo governo do estado da Bahia, que ali abriga um Quartel da Polícia Militar. Não se encontra aberto ao público. Para os aficcionados da telecartofilia, o seu portão de acesso encimado pelas armas do Império, ilustra um cartão telefônico da série Fortes de Salvador, emitida pela Telebahia (jun/1998).



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Arquivo Noronha Santos
Link para o Arquivo Noronha Santos, pertencente ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -IPHAN, que dispõe de uma base de dados sobre os bens culturais tombados nacionalmente, inclusive as fortificações no Brasil. Para encontrar as fortificações, faça uma pesquisa (busca) na seção Livros do Tombo.

http://www.iphan.gov.br/ans/inicial.htm
Fortes da Bahia
Website Mar da Bahia versando sobre os Fortes de São Marcelo, Santo Antônio da Barra, Santa Maria, São Paulo da Gamboa, São Diogo, São Pedro, Monte Serrat, Santo Alberto, Jequitaia, Rio Vermelho, Santo Antônio Além do Carmo, Barbalho, Paraguassú e Morro de São Paulo, todos localizados no Estado da Bahia.

http://www.mardabahia.com.br/fortes_salv.php
Fortificações de Salvador
Website EMTURSA versando sobre os Fortes de Nossa Senhora de Monte Serrat, de Santa Maria, de Santo Antônio Além do Carmo, de Santo Antônio da Barra, de São Diogo, de São Pedro, do Barbalho, de Santo Alberto, e de São Marcelo. Todos os fortes localizam-se ou localizavam-se na cidade de Salvador, Estado da Bahia.

http://www.emtursa.ba.gov.br/Template.asp?IdEntidade=109&Nivel=0002000...
Fortificações de Salvador
Website Mar da Bahia, versando sobre as seguintes fortificações de Salvador, Estado da Bahia: Forte São Marcelo, Forte de Santo Antônio da Barra, Forte de Santa Maria, Forte de São Paulo da Gamboa, Forte de São Diogo, Forte de São Pedro, Forte do Monte Serrat, Forte de Santo Alberto, Forte da Jequitaia, Forte do Rio Vermelho, Forte de Santo Antônio Além do Carmo, Forte do Barbalho, Forte do Paraguassú e Forte do Morro de São Paulo.

http://mardabahia.com.br/fortes_salv.php

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  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Patrimônio Histórico Nacional.
    Livro Histórico: Inscrição:318 Data:9-1-1957.
    Nº Processo:0551-T-56.


  • Governo do Estado da Bahia



  • Military Active Unit
    Polícia Militar da Bahia. Batalhão, 7.


  • 0,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Bahia
    City: Salvador

    Localizado na Rua Aristides Ático, s/n, Barbalho, na cidade alta, em Salvador, no Estado da Bahia.


  • Lat: 12 57' 55''S | Lon: 38 29' 60''W




  • BARRETTO (1958:179-80) informa que estava artilhado com quinze peças de ferro (seis de calibre 24 libras, três de 18, três de 10, e três de 6), acreditamos que em meados do século XVIII.

  • Forte em forma de polígono quadrangular, em alvenaria de pedra e cal, com um torreão circular e três baluartes nos cantos com guarita nos vértices. Este desenho é resultado de duas etapas da escola italiana e a segunda, já sob a influência da fortificação francesa. Na sua concepção original possuía quartéis apenas no terrapleno e um corpo de guarda superposto pela casa do comandante. A portada em tribuna, provavelmente faz parte das alterações do séc. XIX.
    Fonte: Disponível em: <http://www2.iphan.gov.br/ans/inicial.htm>. Acesso em 14/05/2008.

    O "Relatório do Estado das Fortalezas da Bahia" ao Presidente da Província (03/ago/1863) cita: "(...) É um retângulo abaluartado, cujo perímetro de 2.370 palmos possui 41 canhoneiras. Suas muralhas apresentam fendas mais ou menos profundas em diversos pontos; suas canhoneiras estão arruinadas, e tudo o mais que diz respeito às obras que a constituem exigirão consideráveis reparações para que esta fortaleza adquirisse conveniente estado".

  • Reconstruído com melhor traçado, em alvenaria de pedra e cal, no Governo Geral de Alexandre de Souza Freire (1667-71), pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra João Calmon. Foi ampliado pelo Vice-rei D. Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Souza (1714-18), dentro do plano de fortificação de Salvador elaborado pelo Brigadeiro Engenheiro Jean Massé em 1714.

    Em 1886, sofreu novos reparos (GARRIDO, 1940:92) e foi utilizada como Centro de Isolamento de variolosos.
    Sofreu reparos em 1853 (GARRIDO, 1940:92), sendo utilizada como enfermaria de coléricos do Lazareto de São Lázaro.




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