Fort of Rua Longa

Praia da Vitória, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte da Rua Longa”, também referido como “Forte do Porto da Cruz”, localiza-se na freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória, costa Norte da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Em posição dominante sobre a enseada do Rolo (de "pedra rolada"), constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) o cartógrafo Luís Teixeira registou a “Villa de S. Pedro” e o “P.º da Rua longa”, embora não lhes tenha assinalado qualquer fortificação (“Descripçam da Ylha do Bom Ihesu chamado Terceira”, 1587, mapa, cor, 64 x 89 cm, Portolano 18, Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze).

A seu turno, também ao final do século XVI, FRUTUOSO registou:

“[De Oeste para Leste, de São Roque/Altares para as Quatro Ribeiras:] A costa do mar, por esta parte [Biscoitos], é quase toda rasa e muito brava; nela está um porto, onde varam os batéis, que se chama a Casa da Salga, que serve pera todos os moradores destas freiguesias, e outro porto, chamado da Cruz, e por outro nome de Pedreanes do Canto, onde ele carregava suas rendas, em que está feito um repairo de pedra e cal e outros de pedra ensossa, com três ou quatro peças de artilharia pera defensão dele, (…).” (FRUTUOSO, 1998:vol. VI, cap. 4, p. 18)

A respeito do porto da Casa da Salga, ao principiar a descrever a ilha, o mesmo autor registara:

"(...) do biscoito que se diz da Alagoa do Pampalona [Pamplona], da banda do norte, chamado porto da Casa da Salga do Pampalona, (...)." (FRUTUOSO, 1998:vol. VI, cap. 2, p. 7)

Ao tempo de Pero Anes do Canto, as “rendas” da sua quinta de São Pedro eram constituídas por trigo, pastel, carne salgada e vinho, a que se acresciam os frutos de seus pomares e hortas. Sabemos assim que, desde a primeira metade do século XVI, Anes do Canto proveu a defesa daquele ancoradouro, que atendia não apenas as suas terras, mas as naus da Carreira da Índia, que ele abastecia e que lhe haviam rendido a mercê da nomeação como “Provedor das Armadas e Naus da Índia em todas as ilhas dos Açores” em 1532.

No início do século XVIII CORDEIRO, resumindo FRUTUOSO, informou:

“A costa do mar é raza, mas muyto brava, & tem comtudo um portozinho, chamado a Casa da salga, & outro chamado de Pedreanes do Canto, com um forte, que de antes tinha quatro peças, por alli carregar o fidalgo suas rendas.” (CORDEIRO, 2007:254)

DRUMMOND, acerca da fortificação da Terceira no contexto da Crise de Sucessão de 1580, não refere este forte, mas tão somente o que então se levantou no porto da Salga:

"(...) e d'ali [da baía da Praia] até os Biscoutos da Cruz, por outro nome Biscoutos de Pedro Anes do Canto, se fizeram alguns reparos, por ser tudo costa brava; e naquele lugar finalmente, já boas 5 léguas para o norte da vila da Praia, se fez um pequeno forte no varadouro dos barcos: toda a mais costa da ilha ficou defendida pelo alcantilado de suas rochas e furia dos mares." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 233)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"Outro forte, adiante deste [do Porto da Casa Salgada], que se chama Porto da Cruz, tem outras quatro peças, duas de bronze e duas de ferro." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 88)

No contexto da Guerra Civil (1828-1834) encontra-se relacionado na carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que lhe regista: "6º DISTRICTO S. PEDRO DOS BISCOITOS Comprehende 3 Freguezias: S. Biatriz das quatro Ribeiras, S. Pedro dos Biscoitos, e S. Roque dos Altares. Está defendido por 2 Fortes: 1.º Rua Longa p. 2 c. 9 e 6 [2 peças calibres 9 e 6]; 2.º Porto p. 2 c. 6 e 9 [2 peças calibres 6 e 9]."

Encontrava-se guarnecido em julho de 1853, data do “Plano de Defesa da Ilha Terceira” (MARTINS, 2017:204).

A “Relação” do marechal de campo barão de Basto, em 1862, informa que se encontrava incapaz desde longos anos e complementa: “(...) É uma obra simplesmente de terra, construida em propriedade particular, e só deve ser reconstruida quando as circunstancias o exijão.” (BASTO, 1997:267)

O biscoitense padre Alfredo Lucas, referindo os dois portos da freguesia, também entende que o porto da Cruz deva ser o do Rolo (LUCAS, 2004:284), e informa saber que o porto do Rolo ainda operava nos inícios do século XX (LUCAS, 2004:285).

No contexto da 2.ª Guerra Mundial (1939-1945) abrigou um “ninho” de metralhadoras. Do mesmo modo, as ruínas de uma pequena casa à sua entrada, também se devem relacionar com a obra efetuada durante aquele conflito, uma vez que essa edificação não consta de planta de 1898.

Em 1982 dele apenas restavam poucos vestígios (BAPTISTA DE LIMA, 1982).

Encontra-se compreendido na Área de Paisagem Protegida das Vinhas dos Biscoitos, instituída pelo Decreto Legislativo Regional n.º 11/2011/A, de 20 de abril.

Em nossos dias o conjunto foi recuperado por iniciativa da Junta de Freguesia.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo, de enquadramento rural, isolado.

O tombo de 1881 aponta-lhe os vestígios e a planta apresentada permite compreender que se tratava de fortificação de pequenas dimensões, embora já não mostre a existência de canhoneiras, edificações de serviço ou parapeitos para fuzilaria.

É possível que nos anos imediatamente a seguir tenha sofrido algumas obras, a crer-se em planta posterior, datada de 1898 e, que o apresenta com duas canhoneiras, nos muros voltados ao mar.



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Updated at 30/07/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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    Encontra-se compreendido na Área de Paisagem Protegida das Vinhas dos Biscoitos, instituída pelo Decreto Legislativo Regional n.º 11/2011/A, de 20 de abril.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Praia da Vitória

    Rua Longa, Biscoitos
    Praia da Vitória, Ilha Terceira, Região Autónoma dos Açores, Portugal


  • Lat: 38 -48' 7''N | Lon: 27 14' 46''W




  • 1583: 4 peças antecarga de alma lisa, 2 de bronze e 2 de ferro.
    1590 (c.): 3 ou 4 peças antecarga, de alma lisa.
    1831 (mar): 2 peças antecarga, de alma lisa, dos calibres 9 e 6.


  • Em nossos dias foi recuperado, por iniciativa da Junta de Freguesia.




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